domingo, 31 de janeiro de 2016

Amofinado

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Assalto

 

Assistir a um assalto por esticão e nada fazer, é feio. O mínimo que gostaria que nessa situação fizessem por mim seria que gritassem: AGARRA QUE É LADRÃO! Se por acaso estivesse presente uma "autoridade" muito chateado ficaria se a dita assobiasse olhando para o lado. 
As pessoas mais vulneráveis são potencialmente vítimas de roubos e de vigarices, sendo portanto as a quem a sociedade mais atenção deve dedicar, prevenindo para não ter que agir.

 

A salto

 

De trouxa contendo farnel e umas parcas ferramentas, rumaram às franças fugindo como ratos no rasto dos passadores, os primeiros emigrantes! Para trás nada deixavam porque saudade, recordações e coração não se descartam. Se a coisa corria bem, passada uma linha que não viam, acolhidos num bidonville trocavam-se os "és" pelos "is" e agora emiprodutos começavam a contar os anos de voltar às berças, enquanto iam erguendo casas ou esfregando escadas que lhes davam os francos. Os francos subtraídos à boca e a casa decente, transmutados em escudos, lá pariam na aldeia maisons reprovadas e ridicularizadas pelos seus conterrâneos que mais gostariam de impressionar; as suas Vanessas e Marlenes deixavam os primos Zés e Toinos de cabeça à roda, naqueles pic-nics ricos em vinho, sardinha e bifana, tudo à fartazana. Quando vem o fim do verão, les derniers bisous,enquanto no toca cassetes da nova bagnole soa, adequadamente, Les Chats Sauvages...

Foram muitos anos a virar frangos, com a vida a sorrir. Calculo que de cada gota de suor tivessem obtido um cêntimo. Acham muito mas cuidado que o frio abunda... Cêntimo a cêntimo o imigrante enche o mealheiro que bem gerido, com a ajuda de um simpático gestor de conta, dará mais lucro seguro que ovo de Mofina Mendes. O que ninguém está à espera é de que com boas trancas nas portas para evitar a esperteza alheia, os golpistas de punhos e colarinho branco estejam já portas dentro...

Quem trabalhou uma vida inteira aforrando para a velhice e, seduzido por insuspeitos funcionários das instituições, aderiu a produtos interessantes em retorno e seguros, seguríssimos,tenha ficado de tanga é obra feia!

O que sentirão os ex - heróis do equilíbrio das divisas, sobre a autoridade reguladora que assobiou olhando para o lado? O que pensarão  do que quando orgulhosamente diziam aos camaradas: “Eu cá trabalho, nunca fiz uma manife! Como lembrarão os senhores que entre palmadinhas nas costas e entrega de um autocolante, com voz doce lhe diziam  -Conto consigo… morderão a língua se porventura tiverem retorquido: -Temos que ser uns p´ós outros, Sr. Doutor.

O desafogo e soberbas próprias provocam invejas alheias mas isso não pode impedir que gritemos: agarrem os Banif boys, agarrem os BES boys, agarrem os que assobiam pó lado!

ACUDAM QUE SÃO LADRÕES

 

Vou-me à feira de Trancoso
logo nome de Jesu
e farei dinheiro grosso.
Do que este azeite render
comprarei ovos de pata
que é a cousa mais barata
que eu de lá posso trazer.
E estes ovos chocarão
cada ovo dará um pato
e cada pato um tostão
que passará de um milhão
e meo a vender barato.
Casarei rica e honrada
per estes ovos de pata
e o dia que for casada
sairei ataviada
com um brial de escarlata.
E diante o desposado
que me estará namorando
virei de dentro bailando
assi desta arte bailado
esta cantiga cantando.


Estas cousas diz Mofina Mendes com o pote de azeite à cabeça, e andando enlevada no bailo cai-lhe…

  



sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Deambulando


Desenho de Franz Kafka
I
As cotas têm muito que se lhe diga... Aceitáveis para a mudança - como pontapé de saída - tornam-se inevitavelmente desajustadas. Não seria muito canhestro reivindicar lugares de liderança para homens no Bloco de Esquerda?
A inquestionável igualdade de direitos não colide com as diferenças de género, nem com as outras que me ocorrem e provavelmente com as que me escapam. Naturalmente a diferença quando incorporada onde quer que seja, produz efeitos de mudança... sabido como o Homem é a ela naturalmente avesso, não é necessário introduzir factores de interesses subjectivos, individuais ou colectivos, para que sejam despoletadas reacções. A presidência de Obama afinal não alterou a rotação da terra nem o seu eixo, a eleição de Hillary, a verificar-se, também não alterará a sua órbita, contudo produzirá reacções, muitas inconscientes, que no final engrandecerão a nossa Civilização. Afinal após Maria Tudor ter dado cabo da “Armada Invencível”, de Catarina a Grande ter transformado a Rússia num potentado e da “Dama de Ferro” ter humilhado a Argentina nas Falklands, Hillary com todo o seu charme pragmatismo e muita força, terá a oportunidade de conviver em paz e harmonia com Merkel.
Onde houver uma mulher é o que ela quiser, onde houver duas...
II
As diferenças ideológicas são um problema que só pode ser redimido por quem lhes diga respeito. A separação do estado e da igreja foi restabelecida, em Portugal, após o 25 de Abril, para minha satisfação e pesar de muitos. Há estados em que tal não acontece e reciprocamente, os laicos e os não laicos, não podem meter o bedelho na organização de uns e outros, nem devem na minha opinião.
Em Itália as obras de arte foram escondidas para não chocar sua excelência o presidente Iraniano! Há milhares de milhões de razões para que a sua nudez tivesse sido escondida, pena é que a unidade de medida fosse o €uro, que escorre de cada contrato firmado. Se o motivo foi o respeito pelo convidado, temo que o respeito que o senhor tivesse por nós, tenha, com esse amável gesto, diminuído dramaticamente pois se as burkas chocarem o seu anfitrião, as mesmas não serão suspensas se a visita for retribuída. Pior, temo que tenham sido fornecidos argumentos aos energúmenos radicais do auto proclamado estado, auto denominado de islâmico, para destruírem o milenar património cultural mundial...
É afinal uma forma de as esconder irrevogavelmente.
III
A função pública está em greve lutando pelas 35 horas semanais, algo que consta dos acordos do governo com os partidos que o suportam. O problema é que não há dinheiro. Os “malandros que não fazem nada” reivindicam para si algo que no sector privado não é nem será aplicado tão cedo. O estado tem gente a mais? Rua com eles, na óptica de gestão privada. Nessa mesma óptica até dá jeito ter uma bolsa de recrutamento alargada. Muito povinho a precisar de pão pá boca, torna o maralhal dócil, atento e devoto q.b. ; cuidado é com as grandes bolsas de maralhal que esfaimadas podem dar em turbas. Não tenho qualquer duvida de que o sector estatal pode ser mais produtivo. Para isso há que ter objectivos e lideranças políticas firmes, capazes de por os quadros intermédios a funcionar; há que começar por abandonar a prática de nomear boys para tomarem conta do aparelho do estado, durante a legislaturas e em especial no seu final. Para finalizar: há que tentar perceber como o sector privado entra pelo sector público como faca em manteiga mole.
Godinhos e robalos há muitos.

sábado, 16 de janeiro de 2016

d'oiro fagueiro

…depois há, ainda, os que nascem sem serem meninos; assim vivem até que na hora de morrerem duvidam que deixem em alguém ponta de saudade.

A neblina disfarçava o vulto escuro avançando pelo carreiro que ladeia a linha do ramal vindo para lá do Entroncamento, dobrado sobre si tentando proteger no regaço Saúl. Passo sim, passo não, um tropeção na tentativa de evitar ramagens de caniços lacrimejantes que teimam afagar-lhe o rosto e o filho que lhe aquece o peito, não a alma. O ar frio e húmido do fim da madrugada traz sons longínquos, sabe-se lá donde… talvez vindos da azinhaga que atravessa a lezíria, acompanhando a linha, propiciando namoros entre carroças e o comboio a vapor, até se despedirem com acenos chegados ao túnel, quando o maquinista apitava ao avistar a bocarra negra, na chamada “Curva d’adeus”..
Imperceptível o som agudo persegue-a agoirento: será a carroça do peixeiro que teima em quer comprar-lhe beijos a troco de carapaus moídos ou será noitibó de maus presságios? Agora pouco lhe importa, alcançado o fim do trilho, sobe as pedras britadas e calcorreia a linha aproveitando-se, quando pode, das travessas negras; antecipa deliciada o aconchego que o desvão de resguardo, a meio do túnel, tem à sua espera. Lá chegada, descansará as costas contra o taipal de madeira, descobrirá o seio para o dar ao seu menino…

- Sabes quem se atirou à linha?
-…
-Não? A Mercedes, homem.
-…

-Qual Mercedes, qual Mercedes! .
A espanhola, a espanhola fugida lá da guerra deles.

terça-feira, 2 de junho de 2015

No divã a caminho de main street


Sabe uma coisa?
Sou uma pessoa primária e confiante, muito confiante nos outros, aquilo a que se costuma chamar de ingénuo ou naif , o que não terá nada de mal nem de bom, é só uma maneira de ser. Mau, mesmo mau, é o ter dificuldade em recuperar a confiança quando e se a perco, o que me transforma num ser desinteressante, sem sentido de humor, avesso a ser objecto de brincadeiras, pelo que vou logo, voluntária e directamente, pentear macacos, lamber sabão ou banhar-me em fossas sanitárias, vou mesmo, se necessário, para um qualquer impessoal órgão genital masculino ou maternal, poupando o trabalho a terceiros de me ordenarem tais coisas, só sendo provável retornar refeito em dia de eclipse solar total, se este ocorrer em ano bissexto.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

O Coelho dos Bosques

Esta República impõe que a todos seja dado igualdade de oportunidades e preconiza nos seus princípios constitucionais que a todos seja possível viver com dignidade e a que ninguém falte o essencial: Paz, pão, saúde, educação e habitação, tal como se clama em cantilena de intervenção.
Há tanta gente que se preza de ser “às direitas” e que despreza o constitucional cariz social em detrimento do que apodam de proteccionismo propiciador ao aparecimento de mandriões! Ao invés perfilham a doutrina neo-liberal que se lhes afigura como a única mola capaz de promover o progresso.
Dirão uns que cada um que se safe, e outros, à laia do praticado em catástrofe: “primeiro mulheres e crianças” ou seja há que valer aos desvalidos.
Serão os “neo” assim tão insensíveis? Penso que não! E não será só por se incomodarem quando têm que interromper o repasto pelo esmolar de atrevida mulher ou criança. Não; é sabido que os “neo” também têm alma e se preocupam com os que quase nada têm, porem cada macaco no seu galho… A sociedade devidamente organizada desde sempre criou espaços dedicados à caridade e soube criar incentivos para a promover, atente-se à feliz ideia de descontar (ou subtrair) nos impostos aquilo que se “dá” para esses fins, sem se lhes retirar o livre arbítrio de o fazer…

Um “”neo” tem mais encanto na medida em que não sendo um fora da lei, ainda assim evoca romanticamente Robin Hood, o galã fiel ao poder, divinamente instituído, de Ricardo -Coração de Leão- para desfaçatez do Sheriff de Sherwood, enamorado de Marian, sobrinha de Ricardo, e em coluio com um frade racha-cabeças, roubar aos cofres do estado para valer aos pobrezinhos… melhor só personificando o nosso “Zé do Telhado”.
Um “neo” às direitas não é uma imitação kitsh, não senhor. Os “neozinhos” de hoje não sendo os “neozões” de ontem, são genuínas peças com muito mais encanto pois, não vindo da Reboleira, estão insuspeitamente desvinculados de interesses populares. Vindos desses "Massamás" são populistas que proliferam pelas Grandes-Lisboas, ou até profundo mundo rural paridor de doutores à maneira de Pires de Lima ou indefectíveis Loureiros, alcandorados a intelectuais e, ou, industriais fachos/faróis de personalidades movidas a ambição nuclear com mais “octanosteronas” com que algum Zé Camarinha jamais sonhou...

Um “neo” á maneira produz o impacto visual dos reclames luminosos dos anos cinquenta… piscam, piscam, em toda a gama de cores e tons e cores, parecendo não ter fim…

Mas em verdade vos, digo: Não há neón" nem “neo” que não acabe por se fundir……

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Dois e quinhentos

Nunca me saiu a lotaria, o totoloto, euro milhões ou raspadinhas, nada, não  jogo!

Não jogo porque a experiencia que me ficou dos furinhos que fazia nos cartões em busca de “chicolates” não foi nada encorajadora; não fossem as colecções dos cromos dos bichos em que a matacanha me saiu logo com os primeiros cinco tostões e diria que sou um homem d’azares. Mas não, pelo contrário sou, reconhecidamente um homem sortudo.

Menino e mocito a vizinha, numa jogatina baliza a baliza, entre o passar dos raros carros que fugiam à areia da nossa rua, numa disputa mais aguerrida em que um pontapé falhado levantou uma nuvem de pó pondo a descoberto uma moeda reluzente de dois e quinhentos, acusou-me, entre muxoxos, de ter nascido com o cu virado pá lua! A Bilinha sabia lá como tinha eu nascido, tinha pouco mais de um ano do que eu! Ela era de raivas, felizmente passageiras; investido parte do achado em baleizões, dois para cada um,  já ela tinha feito reset  ao mau feitio – pendurada no meu ombro, lambendo o gelado que se desfazia escorrendo pelos braços até aos cotovelos – aventava uma brincadeira, um desafio;

-Queres subir ao cajueiro?

que remédio… se queria bola na eira lá teria que mamar com o cajueiro.

-Ver quem desce primeiro com um cajú…

-Tá bem

-Mas tem que ser amarelo, não valem verdes.

bem a topava, os maduros estavam lá no alto e bem na ponta dos ramos finos…

-Tá beeeem-

- O coito é a porta da garagem, tá?

pronto, não chegava a subida ainda metia berrida, aka!!!  A Bilinha estava mesmo a apertar com tudo, que se lixasse.

- Quem ganhar fica com o troco?

Era demais, sacana! Avaliei os possíveis prejuízos: dos dois e quinhentos sobravam cinco tostões, afinal não me quer só apalpar o orgulho, entrava-me na sorte!   
   
   Que se lixem os cinco tostões, s’ela ganhar deixa-me lamber o baleizão dela, né?

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Enfim S. Valentim me valha...



Namorada fora, dia santo na loja pensava o gabiru de olho nos Chéri e pensamento na namorada, enquanto ouvia Michael Jacson quando... Knock, Knock.

-Who is it?
-It´s me dam!
-Madam who?, perguntou arrastando a artrose até à porta, afagando a espondilose com uma mão e fechando a braguilha com a outra. Entreaberta a dita foi tomado de assalto por um: -SURPRISE, cantado melosamente e marcado pelo ritmo das ancas que já irrompiam pelo hall que haveria ser de saída mas, de momento, era só de entrada.

São! São assim as minhas amigas e mais o é a Sãosita, despachada, infelizmente mais provocadora que atrevida. A Sanitita tem-me em melhor consideração desde que lhe disse (e comprovei) termos que ser uns pás outras. Tanta disponibilidade tem os seus custos pois sem modas soltou do grave ao agudo falsete:

-Olha Mon ChériIIIII's !!!

Já nem sei o que a santinha sacou primeiro, se o casaquito de malha se o celofane da caixa, na verdade, na verdade vos digo que perdi a noção do tempo e do espaço... tudo se tornou relativo com a velocidade da luz ténue, que ficou do candeeiro economizador.

A idade tem destas coisas! O gosto do chocolate e do licor mais o cheiro da colónia e não sei bem de que glândulas são uma amalgama.

Tou feito, feitinho!!! Ai mãe, já nem sei que dedos lambo, se os meus se os dela.


Enfim S. Valentim me valha...



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Pai querido, pai queriiiido… (ou o desafortunado PC)




“Para dar uma boa educação aos meus filhos" sabem?, só não suo as estopinhas porque uso, passe a publicidade, Stop 24, um bom anti-traspirante.
Transportes alojamento, alimentação, propinas, livros e sebentas mais o traje académico e, para atenuar regurgitações vínicas, a conta associada da lavandaria, perfazem uma verba considerável que muito escorraçado do mundo do trabalho não desdenharia.

Ainda assim, ufano pelo meu papel de pai excelentíssimo, relativamente ao que faço, e ao deixo de fazer, em proveito do meu “cuco”, fiquei arrasado pela confidencia de Paulo Campos (PC):

"Tenho 47 anos e sou apoiado pelos meus pais, enfim, para dar uma boa educação aos meus filhos"

PC, é reconhecidamente um homem dedicado, á família e á coisa pública como é sabido, tendo desempenando funções de secretário de estado, o que lhe fez reduzir a remuneração média mensal para uns míseros 7971,7€.
Actualmente o desafortunado PC, segundo declaração do IRS relativa a 2011, ronda dez vezes o salário mínimo nacional, coitado! (coitado do salário mínimo), entenda-se.

Mas voltando à minha má consciência: estarei a dar o melhor que posso ao meu “cuco”? Ora, sabendo eu que PC, conhecedor da coisa pública, tem os seus fora do constitucional ensino público, universal e gratuito; esse mesmo a quem se vê serem retirados apoios estatais, aquele que licencia jovens para emigrarem, “valise” na mão e de bandeira de quinas ao ombro… quer-me cá parecer que não.
É bom ir pensando em saídas alternativas. Para já, como ocupação de tempos livres a Universidade ainda me parece bem e uma vez que já tem o traje, talvez seja melhor comprar-lhe uma guitarra ou pandeireta, pode ser que se encaixe na tuna académica.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

... não se olha ao dente


Que uma pessoa saia à rua com dentes podres não merece grande reparo, mas que se atreva a vestir uma fatiota catita e a dar às ancas, cuidado que pode estar a pisar os limites; então se a isto juntar o atrevimento da abrir a boca para cantarolar uma marchita, segurem o Carmo e a Trindade não vá a caraça entrar-nos casa adentro pela mão de um realizador da TV como aconteceu na transmissão em directo das Marchas Populares de Lisboa-2012.

Constatei que a imagem da senhora foi suficiente forte para merecer reparos e fartos comentários no “face. Independentemente das razões que tenham motivado o realizador a colocar no ar aquelas imagens, fica para a história uma narrativa que não desmerecerá Fernão Lopes ainda que em pincelada de sabor a corrente  realista... aquela em que os temas e as personagens estavam aquém dos mitos.

Deixem-me bailar à vontade e não se importem se o faço para aparecer na TV ou se a minha veia plebeia, quando rufa um tambor, me faz o pé marcar compasso.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Vinde a mim as criancinhas


Se vos disser que “Ficacom”é uma expressão derivada de um neogalicismo, não pensem que vos estou a ofender, independente das coneries de que sejam eventualmente capazes.

Atenham-se simplesmente a “Restavec”, expressão que  refere crianças sem tecto mas com fome e sede de sobra, avassalados por doenças e entregues por suas mães a quem lhes pudesse valer.
 Agora recordo-me da bronca que foi tratada na imprensa, pouco depois do terramoto, aquando da detenção de uns membros de uma ONG, acusados de quererem “raptar” umas quantas infelizes criancinhas. Na altura fiquei sem saber o que disso pensar. Tratava-se de arrogância da organização que desrespeitava as autoridades locais ou estava-se perante burocracia de inspiração “tontons macoute”?

Os “restavec” são profusamente aproveitados como mão-de-obra barata por parte de algumas (muitas) famílias haitianas que, sob a capa de generosa piedade, dos "restavec" em troca recebem trabalho e não raramente as sujeitam a lascivos abusos e frequentes agressões de brutalidade inimaginável.

Infelizmente este fenómeno traz-me à memória muita coisa que não abona a favor da nossa presença além-mar reveladora de um desprezo ou falta de consciência de coisas a que hoje chamamos de "direitos fundamentais" e se mais não digo, por agora,  mas penso no que se passará aqui ao virar da esquina a uns quantos desempregados e como se sentem as pessoas, um povo dependente!!!

Esta coisa tem gaitas...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Descubra as sete diferenças


Os marinheiros estão desejosos de chegar e logo de partir, dizem.

Diz-se que são, inconformados de olhos desfocados em busca de novos cenários para aventuras de fazer gelar o sangue ao mais valente; de trazer até à amurada as fauces de monstros saídos das profundezas; dizem mesmo que depois de uns quantos Gins ou Runs fecham ainda mais a alma enquanto vão soltando a língua e abrindo a boca de espanto a quem os oiça e compreenda. Nessas ocasiões veem à ribalta sereias de cabelos dourados cantando em timbre de harpa, selvagens tatuados rangendo dentes e brandindo facas descomunais; por vezes, baixando a voz, até falam de dobrões d’oiro, diamantes, esmeraldas e rubis, dentro de baús de grosso ferro, enterrados à sombra de três palmeiras de uma ilha deserta no meio dum mar imenso.

Na verdade nunca ouvi marinheiro em discurso directo mas, um amigo que foge para tudo quanto é porto e doca jurou-me que é errado falar assim de marinheiros. Tornou evidente que, tal como as marés e os pôr-do-sol, não há dois marinheiros iguais.
Contudo, disse ele, numa coisa em particular são todinhos iguais – no desejo de possuírem embarcação própria para capitanear. Contou aliás que os dois dias mais felizes de um marinheiro são: o primeiro, o da compra do batel e o segundo quando se desfazem dele, por um pataco que seja...

Esta coisa tem gaitas!!! Afinal os marinheiros são como os meninos e os brinquedos novos; aliás são como os homens e as namoradas, né?

terça-feira, 5 de junho de 2012

Desconfianças


Não sei se foi mesmo a sério ou a brincar mas... eu desconfio.

Pois bem, amigo puxa amiga e dei com este comentário no “Face” cujo autor, por questões de pudor recuso identificar.

..."mesmo acerio foi uma grande festas ate fizemos chorar a alexandra por isso temos de ter grandes qualidades... ahahahah"

Poupem-me os defensores de telebs e, ou, os cruzados do (des)acordo ortográfico mas, carago, O REI VAI NUZINHO!!!!

O chavaleco supracitado é um irresponsável pelo acto, sem ser necessariamente mentecapto. Atrevo-me a dizer mais: por cada calinada que o "jove" dá, deveria ser indemnizado leoninamente, aplicando os critérios que o estado utiliza nas negociações com as PPP's.

A talhe de foice e, acreditem se quiserem, cá no burgo há uma professora de português do 3º ciclo que corrige "estavam" para, valham-na todos os do Olimpo "estavão" e "sentisse" para "senti-se". É obra, né?

Ná, obra,  é o facto do encarregado de educação (EE) que me deu conta disto, ser, por acaso, também professor, mas... obra mesmo, é nada fazer. E porquê? Não é por qualquer tipo de atitude corporativista, nã senhori, é por ter medo das consequências que pudessem daí advir se tratasse devidamente do assunto! - Onde estavas tu no 25 de Abril? (perguntaria BB)- 
Cá o Lorpa , por parte do pai, entende que o Sr EE se está a furtar a um elementar dever de cidadania, no mínimo.... Os pais dos outros menino que corrijam devidamente a indevida correcção, pensarão vocencias. E, já agora: e se algum menino tiver um EE que não saiba corrigir ou não acompanhe devida milimétricamente o educando? Paciência, né?

Esta coisa tem gaitas!!!

Em verdade, verdade vos digo que, pelos vistos, é mais fácil entrar um camelo pelo buraco d'uma agulha do que , “acerio”, o ensino rumar a bom porto.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Bla-bla-blá

É tudo uma questão de princípios; sopram-me ao ouvido com voz doce e, antes, no mesmo tom me disseram que no princípio era o Verbo.
Em tudo acreditei, mesmo quando me parecia que a bota não acertava na perdigota! Ás vezes, quando começava a estrebuchar um bocadinho, a Sra. Professora e catequista, célere conectava-me à terra fazendo enter no dogma da fé.

Olhando por cima do ombro, vejo uma catrefada de Verbos bem entrincheirados, ao serviço: da família, de nacionalismos, clubismos, senhoras flutuando sobre oliveiras, internacionalismos bolorentos, sei lá... chega de “fezadas”.

Confesso que a fé, quando dá jeito, muito facilmente é adoptada. No principio da CEE, quando o princípio, para além do Verbo era a VERBA, afadigávamo-nos a calar os Velhos-do-Restelo que uivavam aos quatro ventos: Essa história do Rei Midas não passa de mito, olhem que a tocarem em tanta fartura ainda desfazem o fígado e acabam na merda.

Mas o princípio da VERBA era forte e o pessoal em festa cantarolava docemente: Já fui ao Brasil... dando azo a deixa para ai és?
-Ai é? E eu a Cuba...
- Ai é? E eu às Honduras...
- Ai é? E eu aos States...
Assim por diante, ufano, cada um vangloriava-se da aplicação dos créditos bancários. Só não aguentei quando um primo afastado me disse que tinha passado quinze dias enfiado nas PIPIS!!!

Bom, se a festa ía boa pó pagode, imaginem as elites abrindo e fechando empresas para aplicação dos fundos comunitários... E os governantes, do central ao local? Gandas bombas topo de gama por aí a acelerar com batedores “abrir” caminho: Uhéeee, ninoni!
Tá claro que para tanta máquina aconselhava o bom senso que se construíssem auto-estradas, umas ao lado das outras servindo as preferências por paisagens marítimas ou mais bucólicas.

E agora, estamos no fim, o que será o princípio d’alguma coisa né?
Verbo ou VERBA? Venha o mafarrico e escolha qu’esta merda tem gaitas!

sábado, 2 de junho de 2012

Gaitas


O Ti Alfredo Coelho já lá vai há muito tempo, descanse em paz.
Atacava com o mesmo a vontade e dedicação tractor agrícola, sachs e zundaps, motores de regas e tudo o mais que metesse bielas e cambotas, isto “pa nã” falar de frigoríficos a petróleo ou chocadeiras.
Era o que se pode chamar à semelhança dos médicos: “MECÂNICO GENERALISTA” (ou, como se usa hoje: DE FAMÍLIA), assim deveria constar no portão de sua garagem se tal fosse necessário...

Estou a vê-lo metido dentro do fato de macaco que daria pelo menos para duas lebres -Muito macaco sobrava ao Coelho! Revelando de falhas no marfim que a idade somara aos chupa-chupas da meninice estou a ver risos abertos, emoldurados num rosto seco e rudemente talhado sob uma cabeleira farta, negra e crespa que nem camadas de brilhantina punham na ordem.

Ti Alfredo, generosamente, não se negava a nada deitando mão a tudo e a todos que procurassem os seus serviços. Só não era generosos com uma pessoa – consigo próprio, pois, na hora do quanto é, coçava a gadelha torcia-se um pouco e a conta, sempre a mesma:
-Olha´, pá próxima... pagas tudo junto,

Como se vê não era homem para fazer mal a quem quer que fosse, tirando as porraditas que dava á mulher quando o Sporting perdia e o copito tinha ido para além da conta. Como o fato de macaco, era um grande homem enfiado em corpo pequeno, de simplicidade despreocupada que a terceira classe dotara de muita sabedoria e cuja alma tinha mais alminhas que o purgatório: ele era a alminha de artista, cantador de fados canalhas, era o desportista, ás do pedal e do jogo da malha; ele era o revolucionário distribuidor d’Avantes dando o corpo pela jornada de oito horas de trabalho, ele era o filósofo que meditava, meditava e, não encontrando solução para a questão, invariavelmente, rematava:
-Esta coisa tem gaitas!!!

Pois’é Alfredo, acreditas que não me lembro da cor dos teus olhos? Esta coisa tem mesmo gaitas!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

E agora pá? (II)

O Sr. Silva contrariamente ao costume chegou em cima da hora e dirigiu-se como de costume ao arquivo para onde tinha sido remetido há um bom par de anos. Para surpresa sua encontrou lá uns colegas, jovens do andar de cima, aquele andar onde as alcatifas começam e o pó acaba... Os jovens, técnicos de infinita superioridade, acompanhados da jovem acessora para quase toda a obra atarefavam-se no meio de pastas, eles em mangas de camisa, ela caracol descaído sobre a testa, digamos que num quase reboliço.

O bem disposto bom dia do Silva foi correspondido agridocemente e o silêncio intalou-se se bem que a dança das pastas continuasse.

-Querem uma ajudinha?

-Obrigado Sr. Silva, não é preciso.

O Silva assobiava bem disposto e eles volta e meia espirravam entre conferencias sobre consultas: Esta sim, esta não vale a pena.

Foi assim toda a manhã e quando se retiravam com as pilhas encaixadas entre braços e queixos, amavelmente o Sr. Silva perguntou: -Voltam? Tendo recebido como resposta quatro pares de olhos amigos da onça, para quebrar o gelo ainda perguntou:

-Atão o que me dizem das eleições de ontem?

Eles saíram e ele ficou a pensar no gabinete lá de cima que já há tanto tempo lhe tinha sido retirado.

E agora pá?!

Certidão de óbito passada o enterro foi confrangedor. O corpo estrebuchava enquanto tecia loas aos amigos, expectantes, reunidos à sua volta. Empapado em suores, como forma de compensação, à família prometeu dedicar o resto dos seus dias, avisando contudo que pairará no limbo até que... Por fim à renascença, vaiada em uníssono, disse não compreender nadinha sobre aquela coisa de “Freeports”, “Faces Ocultas” mais a justiça que não tem nada a ver com a política. Retirou-se em grande estilo e a caminho de casa recomendou que virassem à direita porque em frente havia festa.

Se havia festa não era minha por certo. Quero crer até que a festa vai ser um festival. Os astros em conjunção dirão o que um parlamento, um governo mais um presidente farão desta república por si só em fim de carreira. Não vai ser baralhar e dar de novo pois outro baralho cantará.

Se o cenário não era bom pior ficou depois de rasgado. Mas a peça é a mesma!... Dela consta que a oposição dará todas as condições para que o governo se e nos governe, ou seja: substitua no aparelho de estado os “boys” por “laranjitas” (ou coelhinhos); o PGR será incentivado, por razões de saúde certamente, a ir tratar da vidinha pois outro (mui competente e sério) estenderá um manto branco sobre os “Dias” que virão e os “Loureiros” à beira-mar plantados.

Atrevo-me a vaticinar que estaremos mais perto de Athenas, meu amor, pois as ruas serão inundadas por turbas em manifestações ululantes. Afinal de contas mais vale um PS na contra mão do que o mesmo a guiar.

terça-feira, 15 de março de 2011

Anões

O Abominável Jorge das Neves quando fez o seu primeiro aninho recebeu como presente um anão “muitalindo”, como ele, oferecido pelo padrinho. O anãozinho de borracha era a sua alegria apaziguadora das suas dores entremeadas de dentinhos a nascer e de dores de barriguinha a que, nem gel nas gengivas nem aero-om ou supositórios de glicerina punham termo o sofrimento. O seu bálsamo era o boneco que com os seus guinchos de corneta aguda, sacados pelos deditos rechonchudinhos, punham a praguejar avó e tias que moravam no rés-do-chão. Mais tarde veio a saber que o anãozinho se chamava Rezingão.

Quando entrou para a escola já não tinha um mas sete, oferecidos pontualmente a cada 15 de Março, está-se mesmo a ver pelo padrinho. Completada a colecção dos florestais amigos, o Abominável vaticinou para com os seus botões que no ano seguinte o padrinho lhe traria a Branca de Neve.

Puro engano! Mamou com mais um que o dito padrinho desencantou. Entrado para a tropa já contava com uma vintena de todos os feitios e para todos os gostos, deste os de pau aos de barro... no dia do casamento o padrinho, vá lá, ofereceu-lhe um cheque jeitosinho mas quando voltou da lua de mel, gozada lá para os lados da Caparica, quando chegou a casa, lá tinha um anão avantajado, daqueles para colocar no jardim, com um bilhete: Desculpa. Não estarei cá para os teus anos, fica o antecipadamente o presente.

O Abominável não sabia se havia de rir com a situação se com os apartes românticos da esposa... o que é certo é que chorou quando soube que o padrinho tinha sido eliminado do jogo por morte súbita.

No aniversário seguinte, o Abominável acordou com uma sensação de profunda angústia, arranjou-se, engoliu de pé umas bolachas, ajeitou a gravata de meio executivo e depois emborcou o café. Despachou a mulher com um beijo, remoendo um surdo quase-ódio por a mulher não se lembrar do seu aniversário.

Quando voltou a casa, altas horas, deitou-se de mansinho, estranhou um embrulho junto à almofada, pelo que sorrateiramente o abriu na casa de banho. Era um anão!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Lotação Esgotada

Isto chegou a um estado que... Mais Estado, Precisa-se

Precisamos de um estado regulador que ponha os cabelos em pé ao menos ferrenho liberal. Um estado que propicie aos cidadãos os serviços essenciais nas áreas da saúde, da educação e dos transporte, por exemplo, e que cobre devidamente os serviços prestados, através dos impostos, criteriosamente aplicados, se necessário reforçados com taxas, de acordo com o princípio do utilizador - pagador, por forma a garantir a viabilidade económica das empresas estatais.

O estado tem de ser exigente com os seus funcionários no que concerne a zelo e competência, começando pelos dirigentes que a todo o momento devem responder por cada clip gasto nos seus serviços ou por qualquer lampeda deixada desnecessariamente acesa.

Há lugar, sim senhor, para a iniciativa privada. Mas não há lugar, na sociedade para especuladores. Uma garrafa de água comprada numa grande superfície, a 11 cts e vendida a 1,5 €, (1363%) é justo se esta couber num cabaz de artigos que determine o imposto a pagar por esse comerciante, porque ao estado compete regular.

O estado não regulou devidamente o ensino privado Superior deixando funcionar, sem reconhecimento oficial, estabelecimentos que venderam promessa de licenciaturas utilizando os alunos como meio de pressão para a sua posterior legalização; parte deles engrossam a geração “à rasca”.

É responsável pela proliferação de ESES e Licenciaturas a tal ponto especializadas que não têm empresas que absorvam os licenciados de um só curso.

Imagine-se um licenciado em enologia pela Universidade de Trás-os-montes e Alto Douro (UTAD). Quanto lhe ficou o curso, quais são as probabilidades de retorno do investimento feito... esqueçamos os trinta colegas, futuros competidores, foquemos as empresas que já estão a laborar e, avaliemos as probabilidades de um emprego compatível com a sua formação...

Ao Estado compete regular e planificar. Suprir as faltas de profissionais e tout court providenciar que os cidadãos que obtenham uma certificação (com qualidade), tenham colocação no mercado de trabalho. Como? Simplesmente invertendo a lógica dos objectivos no ensino, privilegiando a qualidade à quantidade, reformulando os simulacros de cursos profissionais.

Os responsáveis pela educação andam numa azafama a avaliar o ensino sem se preocuparem em reflectir no serviço que prestam e se ele presta para alguma coisa. O absurdo vai ao ponto de se alimentarem egos com as “Novas Oportunidades” certificando competências ao nível do 12º ano de escolaridade, a granel, em alguns casos, de iliteracia comprovada.Viva a engenharia estatistico-socrática!

Só abdicando de promessas de futuros dourados às famílias que se desunham a comprar capas e batinas e anseiam pela queima das fitas dos seus pimpolhos, só desincentivando o natural desejo de se ser progenitor de um doutor, se evitarão os fogos que Deolindas, facilmente ateiam numa geração de jovens frustrados.

A troco de formações para social ver, dê-se aos jovens competências ao nível do domínio da língua portuguesa escrita e falada, do calculo e do domínio de, pelo menos, uma língua estrangeira, acrescente-se noções cívicas de disciplina e honra; marquem-lhes as reuniões para um minuto antes das horas certas... não lhes fará nada mal.

Com o Algarve a abarrotar, em rotura de água no pino do verão, dizia há, vinte anos um amigo, com humor genético, de que não tem culpa, free lancer de vocação: é absurdo não se aplicar o princípio de “LOTAÇÃO ESGOTADA” nas mais elementares situações, vaticinando que os preços especulativos inversamente proporcionais à qualidade de serviços prestados, mais tarde seriam saldados da pior forma.

E não é que o madraço tinha mesmo razão! Vejam lá ao que chegou o “ALLGARVE” nacional!!!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Olá

Tens razão, há muito que não te dou noticias! Nem sei por onde começar mas certamente gostarias que te falasse dele, né? Tenho medo de não ser muito objectivo porque a afectividade pode toldar-me a visão, contudo parece-me estar bem.

É um homem bonito, calcula, confesso que até me custa usar a expressão homem, está maior do que eu, mantém aquele sorriso adorável, é capaz de ultrapassar aquela timidez natural e desenvolver conversas interessantes, ainda que continue a ser avesso a grandes ajuntamentos sociais. Este ano tem sido um ror de coisas novas; com os dezoito anos vieram: a primeira votação, para as presidenciais e para surpresa e alegria minha, e tua com certeza, votou conscientemente pois tivemos ocasião de falar sobre a sua intenção de voto e ele foi assertivo nas razões da sua escolha, de tal forma que reforçou as minha própria decisão; está para vir para breve a carta de condução; para o mês que vem o nosso menino saiu-lhe em sortes ir à inspecção para a tropa, mas não te procupes que isso agora não tem caracter obrigatório e ele já manifestou a intenção de lhes dar com os pés; segue-se o baile de finalista e depois a viagem dos finalistas a Espanha; por último, não menos importante, namora! Namora com uma miúda engraçada, tímida, pelo menos ao pé de mim, mas o que interessa é que parecem felizes.

Deixa-me dizer que não me pareceu bem teres ido assim embora e deixares-me com a “batata quente” na mão. Não calculas como me é difícil ter de fazer de polícia bom, estavas tu bem melhor nesse papel, mas saíram-me as contas furadas, paciência... lá me vou aguentando como posso, com a sensação de que ele abusa um bocado, mas para mais falta-me engenho e arte.

Termino dizendo que nos fazes falta, os teus amigos, sempre que calha falar de ti, manifestam terem muitas saudades.

Se memória desta vida se consente, não te esqueças de nós.

Beijos.

domingo, 20 de fevereiro de 2011