terça-feira, 24 de março de 2009

"Eppur si muove!"

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul. Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista, mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança, Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida. Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.






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Pedra Filosofal ( Nova Versão ) - Manuel Freire

segunda-feira, 23 de março de 2009

Querem lá saber!

Houve tempo em que a luta do mercado de trabalho se fazia por lugares apetecíveis a partir do momento que se alcançava o 5º ano, actual nono, quando a escolaridade obrigatório era a conclusão do chamado ciclo preparatório. Banca, seguros, escritórios e função pública ficavam ao alcance.

Concluir o quinto era obra que passava pela prestação de exames que englobavam os conteúdos de um ciclo (3º, 4º e 5º anos). A tal exame composto por nove provas escritas e oito orais acediam alunos que tivessem obtido classificação interna suficiente para a ele se candidatarem e ainda assim a percentagem final de chumbos era significativa.
Aos Liceus, praticamente gratuitos, juntavam-se os Colégios, significativamente dispendiosos, que se podiam agrupar em dois tipo, ambos prestigiados: o primeiro pelo seu grau de exigência e garantia de uma boa preparação e o segundo pela garantia de levarem todos os alunos a exame.; quem cabulava ou não fosse muito abonado de capacidades mas o fosse suficientemente de recursos financeiros era por aí que tentava a sua sorte, jogando por vezes influencias chamadas cunhas.

Hoje porém… Público inflaciona mais as notas que o privado (!)
“Com a introdução do novo Estatuto da Carreira Docente, as notas finais pioraram, mas as notas internas foram inflacionadas, diz um trabalho de um investigador português. Especialistas dizem que conclusões eram esperadas.

A explicação é fácil. Os profs funcionam segundo a batuta do patrão. Se eram dispensados pelos directores dos colégios cujo negócio era vender mensalidades a cábulas, hoje o patrão do ensino público – o estado, o governo – compra estatísticas. os particulares de outrora e o público de hoje têm em comum o estarem-se marimbando para que os alunos saibam ou não. Quanto aos senhores professores: sempre se limitaram a dar aulas ou, melhor dito; vendê-las. É puro negócio.
São tempos de mudança, né?

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Redacao Escola - Quim & Zeca

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sábado, 21 de março de 2009

Rapidinhas...

... rapidinhas não é com eles.
Fazem teatro como ensopado de borrego em panela de ferro ao braseiro exposto.
O Teatro do Rio anda pelos 12 anos de actividade preparando-se para estrear a sua 10ª peça a que resolveu dar o nome de D€SAMORES. Depois explico, ou melhor, eles explicarão.

Cá o Erecteu no seu paulatino kuskanso foi espreitar um ensaio e de máquina afiada conseguiu isto, ao arrepio do apertado sistema de segurança; peço, encarecidamente, que não divulguem. Nã é por nada de especial, é simplesmente porque a peça promete ser ignorada especialmente por paladinos, em exclusivo, da cultura, como por exemplo de uma tal, qualquer coisa d'Alcácer ;) tá?

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Por acaso hoje é o dia, dizem uns da Prima Vera, dizem outros qu'é do teatro, nã importa.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Pai Natal vs Menino Jesus



"Para jogar pôquer, é necessário aprender as regras e procedimentos básicos do jogo, os valores das várias combinações de cartas (ver mão de pôquer) e as regras sobre as apostas e seus limites. Alguns conhecimentos sobre o equipamento usado para jogar são úteis. Há também muitas variantes do pôquer, categorizadas livremente como pôquer fechado (como o five-card draw), pôquer aberto (como o seven-card stud) e community card poker (como o Texas hold'em), entre outros. Cada um dos exemplos de categoria citados são um bom ponto de partida para aprender outros jogos do mesmo género."

Acrescente a isto que este jogo tem a particularidade de que quem ganha não é necessariamente o que tem melhor mão. Há que contar com o bluff...






Confesso que é com desconforto que aqui misturo estas noticias de, presumíveis, actos criminosos referentes a dois casos escaldantes que a justiça tem em mãos.

A democracia não é um casino mas será que é possível que o jogo democrático seja pervertido por democratas e não democratas?
A provarem-se os factos, será inevitável que se aplique as penalizações adequadas aos crimes, mas até lá há que respeitar a legal presunção da inocência.

E por falar de princípios, será possível ver Mário a defender José e vice-versa? Claro que não porque até neste jogo, como no poker, há limites. Mário limitar-se-á a fazer pressão e José procederá como se não desse por nada.
Diz-se que a verdade é como o azeite ou que só a verdade é revolucionária, tá bem. Também há quem acredite no Pai Natal e outros no Menino Jesus.
Eu que digo gostar de misturas, tenho de admitir que desta não.
Post post: Não resisto, Toix mostra este caminho:


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quinta-feira, 19 de março de 2009

Só no fim

Determinada a sentença, começaram os preparativos, equiparam-me de botas e sacola mais a merda de um boné. Até na cozinha do Dr. o vindouro acontecimento ganhou uma nova dimensão! Hermínia, a cozinheira, a partir daí definiu as estratégias que considerou mais adequadas à minha integração no mundo intelectual: Os biscoitos de água e sal libertaram-se da sua forma tradicional e passaram a assumir uma diversidade de formas ao arrepio do ortodoxo símbolo do infinito. Até o Dr. Alexandre se viu feito num 8 para impedir que a canja reassumisse a massinha bago de arroz ao invés das letrinhas.
Cá para nós, de pouco valeu como mais adiante se verá.

O dia chegou, sete de Outubro suponho, e lá fui, como nunca alguém me vira! Começando de baixo para cima: Sapato de verniz com dois números acima, meia branca até ao joelho quase a colar com os calções azuis, pulôver verde urtiga mas a picar um pouco mais, camisa branca com o colarinho a estrafegar e no topo deste bolo não podia faltar, está claro, o boné-cereja.

Como podem calcular a recepção foi apoteótica, né? A alegria de me verem foi tanta, que até os meninos que no passado verão tinham andado aos sapos comigo se associaram aos festejos em alegres palmas, crescentes gargalhadas a culminarem em guinchos, de tal forma que a Soussôra veio á porta e… teve a infeliz ideia de mandar entrar primeiro que os outros.
O que se passou a seguir, na aula, já não me lembro, só me lembro de no intervalo se ter organizado uma futebolada espontânea e que á falta de melhor bola a bola foi advinhem… a merda do boné, está claro.
Foi premonitório a partir desse dia passei a vida a apanhar, e a dar, bonés, olaré.
Mas adiante que pormenores destes não adiantam, a escola que como viram começou bem, bem continuou: as letras já as sabias à custa de biscoitos e de sopass, ler foi por isso canja; a soussôra, Celeste, de seu nome, gabava-me a facilidade para ler, salientava a ênfase que dava aos textos, vaticinando que daria um bom artista de teatro ou declamador de poemas, o que merecia da parte do Dr. padrinho afagos na mioleira e tostões para rebuçados, com reservas quanto ao vaticínio da pedagoga; para ele, era prenúncio de futuro causídico, quiçá juiz, não fazia a coisa por menos.
Quanto é escrita, desde os exercícios elementares, constituídos por intermináveis anzóis e bengalinhas, bolinhas e orelhinhas pá esquerda e pá direita, interpretados livremente à minha maneira, a Soussôra Celeste torcia o nariz augurando problemas; o padrinho, espetada a barriga, enchido o peito, naquele gesto doutoral de polegares na cava do colete arrenegava: -Nã se preocupe menina, tem má caligrafia? Vai ver que temos aqui um médico. (!!!!) Acho que o padrinho estava longe de imaginar que um dia, doutamente, João Vieira Pinto daria uma grande lição quando proclamou bem alto pá nação e pó mundo :

Prognósticos, só no fim do jogo.

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14 Triste sina Nao saber.wma - Xaile

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Não te vás embora
Que o dia não raiou
Será que a minha mágoa vai voltar quando amanheça.

Ai o meu amanha tanto sonho por sonhar
Será, será que a noite se ocultou no teu olhar.

Não te vás embora
Não te vás ainda não
Que eu só quero ver dizer-te adeus
De madrugada.

Ai o meu Manel
Triste sina não saber
Que tu ao pé de mim sempre hás-de de ter o teu lugar.

Não te vás embora
Que o dia não raiou
Será que a minha magoa vai voltar quando amanheça
Ai o meu Manel tanto sonho por sonhar
Será, será que a noite se ocultou no teu olhar

Finalmente descobri

Logo pela manhã um SMS:
Um bom dia para ti.
ass: filho
É com orgulho que venho sendo pai, por opção. Sempre quiz ser um bom pai e só muito, muito tarde é que descobri que para tal é imprescindivel ser-se um pai bom. Como é? Dificil.
Tão dificil como ser professor, não há formação que lhe valha, nem estagios integrados ou em exercício de funções.
Ser pai não é:
  • ser amigo. Amizades são os filhos que as fazem e as escolhem;
  • simplesmente veicular valores, regras, ou atitudes apreendidas.
Ser pai é:
  • alimentar o corpo e a alma;
  • deixar escolher caminhos;
  • saber ouvir nãos

mais do que agir para que nos venhamos a orgulhar dos filhos, bem melhor é que eles venham a orgulhar-se de si próprios

quarta-feira, 18 de março de 2009

Colapsos & lapsos

Volta e meia, faltando-lhe a memória, o meu computador vai a baixo.




Não me admira que o BPN tivesse colapsado.


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Ocorre-me à memória os tempos de criança em que minha mãe me dizia:

-Mas o que é que disse, Erecteu?

Apanhado com a boca na botija, candidamente:

-Desculpe mãe, não me lembro.

Provávelmente, seguia-se uma nalgada.

-Esta é pela que fizeste.

Mas, invariavelmente, não falhava.

-Esta é para não te fazeres de sonso.


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É obvio que altos quadros já não têm idade para serem tratados à nalgada, mas... podem ficar impunes?



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Mentira - Manu Chao

terça-feira, 17 de março de 2009

D. Filipa de Bragança tinha razão

Mais vale uma hora de rainha


que duquesa toda a vida

domingo, 15 de março de 2009

Fight and pray

Se.ssentar é tão bom!

O que não será se.tentar?


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Oh, Happy Day! - Sara Tavares & Shout

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Oh happy day (oh happy day)
Oh happy day (oh happy day)
When Jesus washed (when Jesus washed)
When Jesus washed (when Jesus washed)
Jesus washed (when Jesus washed)
Washed my sins away (oh happy day)
Oh happy day (oh happy day)

Oh happy day (oh happy day)
Oh happy day (oh happy day)
When Jesus washed (when Jesus washed)
When Jesus washed (when Jesus washed)
When my Jesus washed (when Jesus washed)
He washed my sins away

He taught me how (oh, He taught me how)
To wash (to wash, to wash)
Fight and pray (to fight and pray)
Fight and pray
And he taught me how to live rejoicing
yes, He did (and live rejoicing)
Oh yeah, every, every day (every, every day)
(oh yeah) Every day!

Oh happy day (oh happy day)
Oh happy day, yeah (oh happy day)
When Jesus washed (when Jesus washed)
When my Jesus washed (when Jesus washed)
When Jesus washed [hits high note] (when Jesus washed)
My sins away (oh happy day)
I'm talking about that happy day (oh happy day)

He taught me how (oh yeah, how)
To wash (to wash)
Fight and pray (sing it, sing it, c'mon and sing it)
Fight and pray
And to live
yeah, yeah, c'mon everybody (and live rejoicing every, every day)
Sing it like you mean it, oh....

Oh happy day (oh happy day)
I'm talking about the happy days (oh happy day)
C'mon and talk about the happy days (oh happy day)
Oh, oh, oh happy days (oh happy day)
Ooh talking about happy day (oh happy day)
Oh yeah, I know I'm talking about happy days (oh happy day)
Oh yeah, sing it, sing it, sing it, yeah, yeah (oh happy day)
Oh, oh, oh
Oh happy day.....

Tardiamente II

12 em 1...
e com toda a tranquilidade...
... na melhor máscara cai a nódoa.

sábado, 14 de março de 2009

Tardiamente I

uma homenagem a Darwin mas...


a evolução não pára...

sexta-feira, 13 de março de 2009

Merda de outono

Num dia primaveril de Março, voltava minha mãezinha, duma entrega de café e bacallao, que fizera, num monte que distava não mais do que um quilómetro de Rosal de la Frontera. Regressava aviada de açúcar e caramelos, quando já a menos de uma légua de Vila Verde de Ficalho poisa a trouxa e se agacha agarrada às saias desatando numa risada pegada. As camaradas que com ela vinham é que não estavam para brincadeiras…
-Raio da moça, toc’andar c’a muito pa palmilhar.
Mas ela ria, ria agarrada às saias até que foi alcançada por duas camaradas mais pesadotas.
-Anda Bia que as outras já lá vão.
Mas a Bia agachada é que não dava mostras de querer andar. Celeste, a quem até dava jeito acalmar a pontada nas cruzes parou amparando os rins.
-Mas que tens tu garota?
-Mijê-me pelas pernas abaixo.
-Ai Jesus, qual mijo! Ai que se te arrebentaram as águas.

Não se pode escolher o nascimento, assim nasci em casa do Dr. Alexandre, em Vila Verde de Ficalho depois de lá chegar de carroça com a minha mãe ateimando que nã podia ser pois dores nem vê-las, dizia.

Teria sido bem mais giro ter nascido numa gruta, mas foi assim mesmo, palhinhas pastores e magos é só para alguns, pelos vistos. Resta-me o consolo de lhe ter dado uma horinha feliz.


Como adivinharão o Dr. Alexandre acabou feito em padrinho o que, se tiver dado muito jeito a minha mãe redundou numa chatisse para mim: ainda não passara um ano e no dia em que a minha mãe fazia dezoito anos lá tive que mamar com o ritual um pucarinho d’água pela cabeça abaixo, depois disso, julgo que ainda não aprendera palavrões e já tinha que declinar na perfeição: A bênção meu padrinho, seguido de beijo na mão enfeitada por anel que, antecipo, mais do que uma vez provei na cara. Estranha maneira de um médico tratar da saúde, como ele gostava de dizer. Tirando isso, e pouco mais, até não era mau de todo pois fui tendo as mordomias distribuídas na cozinha pela criada: dos pasteis de baínha de grão à linguiça do fumeiro tudo me ofereciam, pena é que comer não fosse o meu forte.

Com o meu nascimento mudou a vida de minha mãe. Deixou as corridas até Espanha passando a fazer o que calhava na casa do Dr. Alexandre, isto até mê pai voltar da tropa, por onde andou mais do que a conta, como paga de alguma falta de aprumo que lhe sobejava noutras coisas. O certo é que entre detenções e prisões efectivas, entrou garoto e saiu homem mais que feito, pelo que tivesse sido não sei, mas quando chegou a Vila Verde, o Dr. Alexandre ter-lhe-á dito:
-Vê lá se deixas de ser gabiru, Xico, olha que tens um filho para criar.
Lá foi criando, não a gosto do Dr. Alexandre, mas ao meu. Passámos a viver numa casita, com um telheiro adossado, junto à extrema do outro lado da quinta do Dr. que dava para uma azinhaga.
Resta-me uma memória feliz dos primeiros anos que ali passei. Entre a horta e a oficina de meu pai os dias corriam bem.
Formaram-se duas equipas: eu e meu pai defrontávamos minha mãe e o doutor.
De um lado da quinta aprendia as boas maneiras, no outro as maneiras boas. Gostava mais das últimas, deliciava-me ver a perícia do manejar as ferramentas: a enchó e a polaina, o maço e os formões arrancavam aparas de madeira de cujo cheiro ainda hoje não me apartei; era bem melhor do que comer de boca fechada e manter os cotovelos junto ao corpo sem nunca poderem poisar na mesa, não há amêndoas nem pão-de-ló que o paguem.
Os confrontos entre as duas equipas lá se iam equilibrando mas houve um que perdemos irremediavelmente, ia fazer seis anos e, unilateralmente, os outros decidiram que eu iria para a escola. Porra de Outono!

Assim, rumo ao futuro, teve que marchar Veiga, Jaime Veiga, mesmo sem guia de marcha passada.

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Stravinsky: Le Sacre du printemps 6 -

quinta-feira, 12 de março de 2009

Com uma mão atrás e outra à frente












Independentemente de eu não morrer de amores por cruzados, aqui está uma boa notícia: A CGD e a Santoro Financial Holdings vão dar as mãos.


A parceria é boa à partida até porque tem á frente a mãozinha de Isabel dos Santos, filha do Sr. Engº Santos e atrás, habituada a ganhar ao Monopólio, depois de ter investido uns milhanitos no BPP, de ter comprado (por um valor empolado) umas quantas acções a um Fino simpático, vai pôr a mão atrás recheada de 400 milhões meus, teus, vá lá nossos.

As vantagens são evidentes, nem é preciso publicitar ao estilo:




P'a'cabar uma rima à manêra PS:


Os que têm por aí a passear cacau


entre ofexores, em qualquer nau,


tenham lá pac'ência... acontece.