sexta-feira, 29 de maio de 2009

Previsão Meteorológica

Os xutos e pontapés estão por esta altura de malas aviadas para o Jamor. Sob o signo do Dragão, o Paços viverá um momento de glória independentemente do resultado final, e depois?
Depois, arrumada toda a parafernália de adereços, bandeiras, hinos e até palavras de ordem, especularemos se o Quique sai para Jesus nos vir salvar. Por uns tempos descansaremos as gargantas ficando de lado a questão de se foi mão ou não, esqueceremos o limite da grande área que é afinal a fronteira das grandes decisões, ficará em banho maria o desejo de nos irmos a eles para lhes incendiarmos os autocarros, guardaremos os berilaites e petardos para em breve ocasião voltar aos estádios, ainda que os administradores das sades, qual marquês, se lamentem de os índices de ocupação serem mui, mui, baixinhos. Está bem, e depois?

Bem, depois, animem-se que em pré época da silly season e até ao final dela, para além das preocupações com o bronze e das gorduras acumuladas, no inverno, à custa de coiratos, pasteis de bacalhau e litradas de cerveja, nas horas extra ginásio, haverá ocasião para ir ao baú sacar as camisolas abolorentadas e as bandeiras debotadas, libertar completamente o espírito para nos deixarmos apoderar do fervor que as nossas tribos exigem.
Portugal de lés a lés, do Minho à Camacha e do Algarve ao mais alto do Pico estará sob a influência de altíssima pressão em alerta rosa com a possibilidade de passar a alerta Laranja. Em três jornadas apenas decidir-se-á muita coisa. Para a agenda saltará quem é o culpado da crise – eu não, porra – far-se-ão promessas em registo de sereia, nos mercados e feiras cruzar-nos-emos de panfletos em riste, olhos apontados, desafiadores se não de ódio até, conquistando posições em concelhias ou abrindo horizontes para muitos filhos licenciados competindo com outros mestres da treta enquanto nos bastidores se repescam e adaptam discursos de passadas vitórias, ou se alinhavam as declarações e justificações que ressalvarão o melhor resultado relativo dos perdedores, se os houver, porque é sabido que em democracia não há disso. Ganha sempre a nação, né?
Na véspera de cada uma das três grandes finais, o Sr. Presidente-de-todos-nós reforçará o apelo, entretanto transversalmente repetido pelas diferentes tribos, de exercer o direito cívico de rumar ordeiramente às urnas, antes de ir pá praia, ou depois da missa; para trás ficou a discussão de se tal direito não deveria ser transformado em dever com as respectivas sanções.

Fico comovido com tal preocupação pelo reforço da nossa bem amada democracia que tanto nos custou a ganhar. Já nã chegavam as bancas do Bulhão e da Ribeira, estarem desertas para se assistir à desertificação das urnas! Já viram como vai a crise? Para deserto já basta a minha margem sul.
Aqui me confesso um devoto de votos. Não é para me gabar mas nunca dei uma nega, ainda que para tal cívico acto me tenha posto a pouco cívicas velocidades para apanhar a urna de boca aberta, obrigado. Mas… obrigado? Sanções, querem lá ver!?
Cá ao Erecteu, obrigado, nã há Sansão que (con)vença.
Nem Dalila!!!
Vai lá vai... até o baraka obama


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Ser solidario - Jose Mario Branco

domingo, 24 de maio de 2009

Que las ay ay

Uma longa vida de trabalho numa ainda não muita longa vida passara a voar em rumos incertos como perdiz espantada por botas cardadas - era o pensamento que mais uma vez assomava, enquanto limpava o tampo de mármore corroído, como se fosse possível alguma vez remover as manchas tintas de que nem a lixívia dava conta.
Pôs o pano ao ombro, afagou a pedra com ambas as mãos enquanto mirava Sofia, a filha, que arrastava as cadeiras de um lado para o outro passando a esfregona esfarrapada pelas velhas tijoleiras numa cadência lenta como tempo vazio.
Como cresceu a minha menina! Embevecido reparava em como se tornara numa mulher roliça. Encantava-o aquele rosto ainda de menina: sardas sobre as faces permanentemente coradas sublinhando o olhar meio malandro, o cabelo de fogo em caracóis rebeldes atestavam a linhagem galega que, dizia-se, teria um antepassado da mulher para ali trazido.

-Isto tem de dar uma volta, pai. A loja tem de render, disse a gaiata recebendo em troca a expressão agastada e mais uma vez se pôs a passar o pano pela pedra do balcão.
-Ouviste?

Sorriu e pensou: Sai mesmo à mãe, para logo se perder em pensamentos que o levaram a chapadas acima que, ainda o primeiro dente não lhe tinha caído, calcorreava com um rebanho que era tudo, tirando os da casa, pais e irmão, quem ele conhecia. Conhecia as ovelhas uma a uma ainda que poucas tivessem nome. Andara nessa vida de pastor até o cajado esfiapar o capote junto ao peito, as sortes lhe ditarem o caminho de África e, por acaso, tropeçar, em dia de feira com a Júlia galega. Desse dia ao salto da fronteira que o levou até terras de França não passaram mais de duas luas e outras, poucas mais depois, já a galega fora ter com ele a um banlieue de Paris onde foi sendo promovido nas artes de maçon até tomar a seu cargo algumas obras que promotores principalmente espanhóis, mas tambem alguns lusos, destinavam ao aluguer dos que iam chegando, a salto claro. Júlia, essa graduou-se em maitresse de ménage até Sofia nascer. Passados três anos cortaram-lhe um peito e onze depois regressou com ela para a enterrar na aldeia em que afinal nem nascera. Como passara o tempo!

-Não me ligas, acorda. O que vai ser da venda quando eu me for embora?

O coração parou-se-lhe por momentos. A sua menina passado aquele verão ir-se-ia embora, iria para a faculdade, como era possível? Os sentimentos emaranhavam-se; o orgulho lutava com outro que não era capaz de definir… a ideia de que ela, quando já doutora, não voltaria para aquela casa atormentava-o.

-Anda vai fazer uns petiscos, olha que hoje é sábado.
-Poucos os pedem… sabes bem.
-Vá lá, mexe-te, os lisboetas agora andam por aí, o Alqueva sempre há-de servir para alguma coisa, né? Olha, vou fazer um cartaz para prantar na porta, vais ver.

Em menos de um ai ou de um ui o cartaz já lá tava, regalou-se com a letra certa e redondinha que a sua menina tinha.

d'aqui


Dedicado a Maria de Lourdes Rodrigues, insigne reformadora que tão belas e difíceis provas nos tem dado, para alegria dos nosso queridos filhos.


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O Fortuna - Carl Orff
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sábado, 23 de maio de 2009

Lume Teatro é fogo.

Do aparente simples, Ricardo e Carlos formam uma multidão que começa por inundar o palco, invadir a plateia e tomar de assalto os corações de cada um dos espectadores. Descomplicando: são, não um, mas dois mimos, diria mais :dois ganda miminhos.
Cravo, Lírio e Rosa foi o que foi, viu quem viu e aqui fica este registo de um muito amador.
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ou

sábado, 11 de abril de 2009

Portaram-se bem?
O bom de voltar a casa... É PODER CORTAR AS UNHACAS


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Oh Ze Tira o Pe - Quim Barreiros
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domingo, 29 de março de 2009

Socrates está incomodado com o caso Freeport? Seguindo o principio de que quem não deve não teme, não deveria estar, mas como quem não se sente não é filho de boa gente, lá terá que estar...

Para afastar a ideia de que não há fumo sem fogo e para que tudo se torne claro como água e, como o azeite a verdade venha ao de cima, que, no fundo, se está perante um absurdo, não seria conveniente mostrar aos que julgam na praça pública que o processo de licenciamento decorreu dentro da maior das normalidades?


Se Sócrates é difamado, claro que tem todo o direito de processar Smith, porque pode muito bem estar a acontecer que um(s) espertalhaço(s) se esteja(m) a aproveitar para extorquirem honestos investidores; quanto ao processar orgãos de comunicação social por passarem elementos a que tiveram acesso, isso já não me apraz; lá que os processem por quebra de segredo de justiça, tá bem, mas isso não significa que os tais orgãos não tenham prestado, até, um serviço público relevante.


De qualquer forma o que veio a público foi o suficiente para alimentar muita conversa e daria para inspirar um bom par de romances, dignos de servirem de guião para filme, que tal:

Smith, vir a ser condenado por difamação e extorsão, os licenciadores serem absolvidos por não terem sido corrompidos porque simplesmente não havia sequer corruptores e no final quando passasse o genérico assistirmos ao comovente reconhecimento do sacrifício do bom testa de ferro, com palmeiras como pano de fundo?
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The gambler - kenny rogers
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On a warm summers evenin on a train bound for nowhere,
I met up with the gambler; we were both too tired to sleep.
So we took turns a starin out the window at the darkness
til boredom overtook us, and he began to speak.

He said, son, Ive made a life out of readin peoples faces,
And knowin what their cards were by the way they held their eyes.
So if you dont mind my sayin, I can see youre out of aces.
For a taste of your whiskey Ill give you some advice.

So I handed him my bottle and he drank down my last swallow.
Then he bummed a cigarette and asked me for a light.
And the night got deathly quiet, and his face lost all expression.
Said, if youre gonna play the game, boy, ya gotta learn to play it right.

You got to know when to hold em, know when to fold em,
Know when to walk away and know when to run.
You never count your money when youre sittin at the table.
Therell be time enough for countin when the dealins done.

Now evry gambler knows that the secret to survivin
Is knowin what to throw away and knowing what to keep.
cause evry hands a winner and evry hands a loser,
And the best that you can hope for is to die in your sleep.

So when hed finished speakin, he turned back towards the window,
Crushed out his cigarette and faded off to sleep.
And somewhere in the darkness the gambler, he broke even.
But in his final words I found an ace that I could keep.

You got to know when to hold em, know when to fold em,
Know when to walk away and know when to run.
You never count your money when youre sittin at the table.
Therell be time enough for countin when the dealins done.

You got to know when to hold em, know when to fold em,
Know when to walk away and know when to run.
You never count you r money when youre sittin at the table.
Therell be time enough for countin when the dealins done.

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sexta-feira, 27 de março de 2009

PARTAM UMA PERNA

Estreia hoje, dia mundial do teatro, a peça D€SAMORES, levada à cena pelo Teatro do Rio, em Alcácer do Sal.
Pois estes meninos cobram à cabeça 2€! Erro crasso; deviam cobrar à saída, sempre queria ver quem tinha coragem de lhes dar tal maquia por tanta arte.

Façam uma vaquinha e venham ver muita cor movimento e humor.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Não sei quanto tempo lutei, adormeci.

Se os primeiros meses, como se costuma dizer, foram meus, rapidamente a escola virou obra de Dante com os ditados, cópias e a tabuada. Todos os dias fugia à escola, não em corpo mas em espírito, o que me valeu ser considerado como o primeiro ser a chegar à Lua batendo todos os recordes de permanência e de idas e vindas.
Resumidamente: Nos ditados, feitos normalmente a lápis, aos erros expressos somavam as faltas de palavras e não raro de linhas. Encetei uma luta tremenda com o tinteiro e a caneta de aparo que estavam necessariamente conluiados contra mim e, no mínimo, embruxados. Mesmo quando dava o meu melhor, fazendo aplicadamente uma cópia, língua de fora, no final um borrão saltava para o caderno para escorregar página abaixo. A tabuada não foi, também o meu forte, aprendi a dos dois quando já a maioria ia na dos sete. Não fosse a ribeira em época de cheia não me passar dos joelhos e certamente tinha-me jogado a ela, acho que só não o fiz por tanto gostar dos recreios e das brincadeiras.
O final do ano aproximava-se com a ameaça de não passar de classe, por essa altura, fui desenvolvendo o sindroma dos Domingos; após o almoço um nó apoderava-se da minha barriga e depois ia subindo para o peito – eram os TPC por fazer.

Quinze dias antes de acabar a escola, deu-se algo de inesperado. O Cabo Tobias foi descoberto por um pastor na capela da N. Sra. das Pazes, sem dar acordo de si. Começaram os rumores de que pela madrugada o cabo deu com uma reunião de comunistas na alpendrada da capela e que mê pai fora o agressor. Que eu saiba, o meu pai nunca se meteu em politica, quanto a ser comunista… a única obra que deve ter lido foi a Cartilha Maternal de João de Deus, Karl Marx e o Capital, nã me cheira que conhecesse; agora o que toda a gente sabe é que o Cabo Tobias implicava com ele e ele não se fazia rogado de sonsamente lhe moer a cabeça com piadas inocentes.
Uma semana depois meu pai desapareceu. Minha mãe dizia-me que ele tinha arranjado um trabalho no amanho de um telhado da Herdade do Facho, meia légua para lá da Aldeia Nova de S. Bento, coisa para uma semana. Passaram duas e três, já férias a dentro via a manhã morrer diante do caderno de linhas fazendo cópias e do de quadrados fazendo contas de multiplicar e subtrair; era o resultado das negociações da soussora com o padrinho, afinal passaporte para a 2ª classe.
Por alturas da décima cópia e de meia dúzia de contas de multiplicar deu-se um reboliço na quinta. Minha mãe começou a emalar lençóis e cobertores num velho e enorme baú de folha trazido do sótão do Dr. Alexandre. No dia seguinte apareceu em casa com duas malas de viagem, numa cabia eu, à vontade, na outra não tenho a certeza porque quando estava a fazer o ensaio, não fora a minha destreza tinha averbado mais uma nalgada. À porta do quarto vi emalar o resto do enxoval. Por fim na oficina de meu pai as ferramentas que couberam foram enfiadas numa arca de madeira. A minha curiosidade era enorme, a excitação apoderava-se de mim e a irritação de minha mãe.
- Para que é que está a fazer as malas? Deixa-me era a invariável resposta.
Nessa noite, foi uma das raras vezes que jantámos na mesa do padrinho. O jantar decorreu em estranho silencio no fim do qual me levaram direito para a cama e contra o costume foi-me difícil adormecer.

-Anda, acorda. Mas era o acordas. Senti enfiarem-me um casaco por cima do pijama e carregarem-me ao colo, depois dei por mim no carro do Dr. Alexandre que vencia a estrada de terra, faróis rompendo a escuridão, iluminando o céu estrelado a cada solavanco.

Ao passar a Ponte de Ferro em Serpa perguntei:
-Onde vamos?
-Dorme.

Não sei quanto tempo lutei, adormeci.
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Ó Entrudo, ó Entrudo
Ó Entrudo Chocalheiro
Que não deixas assentar
As mocinhas ao soalheiro

Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Que no monte é que eu estou bem
Que no monte é que eu estou bem

Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Onde não veja ninguém
Que no monte é que eu estou bem

Estas casas são caiadas
Estas casas são caiadas
Quem seria a caiadeira
Quem seria a caiadeira

Foi o noivo mais a noiva
Foi o noivo mais a noiva
Com um ramo de laranjeira
Quem seria a caiadeira

Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Que no monte é que eu estou bem
Que no monte é que eu estou bem

terça-feira, 24 de março de 2009

Pois é!

Melhor do que melhor
E papada por inteiro
Somente uma mulher
Que nã vai ao passador
Nem se papa à colher.

Morde-se, bem, primeiro,
Depois de a acolher,
Toma-se-lhe o sabor
Em jeito de lamber.
Usando prazenteiro
O amasso que tiver.
Verifica-se o calor
E… nã se deixe ferver
Nem seja lampeiro
sinta o pêlo interior,
e se húmido estiver,
muito bem a seu favor,
não arme em lanceiro,
se a sentir gemer.
Avance com langor
sem tardar em meter,
devagar, mas por inteiro.
Não ligue ao estertor
nem ao que ela disser,
vai ver…
é porreiro.

Pois é! Se bem prometeu
Melhor cumpriu Erecteu.
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Je TAime Moi Non Plus - Serge Gainsbourg & Jane Birkin
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Oh, oui je t'aime!
Moi non plus
oh, mon amour...

Comme la vague irresolu
Je vais, je vais et je viens
Entre tes reins
Et je me retiens

Je t'aime, je t'aime
Oh, oui je t'aime
Moi non plus

Oh mon amour...
tu es la vague, moi l'?le nue

Tu vas et tu viens
Entre mes reins
Tu vas et tu viens
Entre mes reins
Et je te rejoins

Je t'aime, je t'aime
Moi non plus
oh, mon amour...

Comme la vague irresolu
Je vais, je vais et je viens
Entre tes reins
Et je me retiens

Tu vas et tu viens
Entre mes reins
Tu vas et tu viens
Entre mes reins
Et je te rejoins

Je t'aime, je t'aime
Oh, oui je t'aime
Moi non plus
Oh mon amour

L'amour physique est sans issue
Je vais et je viens
Entre tes reins
Je vais et je viens
Et je me retiens

Non !
Maintenant !
Viens !