Folheava umas revistas, a três quartos, de olho no café onde usualmente ela toma a bica antes de subir ao laboratório para se envolver no seu romance diário com pipetas, provetas e a pôr o bico de bunsen a arder ao rubro quando senti uma carícia nos rins. Voltei-me mas não vi ninguém, do lado oposto ouvi um familiar: -OláEstivéramos muito tempo sem nos vermos; naquele dia em que resolvi, como quem não quer a coisa, fazer-lhe um rapa-pé, passava de caçador a caçado! Meio encabulado, fiz o meu melhor ar de surpreendido, abri os braços e devolvi o meu melhor - Oláaaa!
Seguiu-se uma bica rapidinha, mesmo ali, porque segundo ela já se ia fazendo tarde.
-Espera aí, desculpa lá, vais-te assim?
- Desculpa, é a vida.
E foi-se num doce balanço de saias. O seu perfume ficou, por momentos, mas também ele partiu arrastando-me para o nosso ultimo encontro na leitaria do Bairro Alto. Vejo-a tão nítidamente: uma boina preta que não dava conta de tanto caracol e aquele sorriso que dava conta de mim. Sorvia uma cuba livre, parou por um momento e meio séria, gaiata disse-me afagando-me a mão:
- Sabes, “uma mulher a partir dos 30 devia ter direito a dois homens: um jovem para o "mel" e um "grisalho" para a alma, as discussões filosóficas e para apreciar em conjunto uma refeição que não seja fast-food. ;).” *
Ah, como anseio por uns cabelos brancos!
* vil(ã)mente surripiado d'aqui







