quarta-feira, 11 de março de 2009

Cãs e bicos de bunsen

Folheava umas revistas, a três quartos, de olho no café onde usualmente ela toma a bica antes de subir ao laboratório para se envolver no seu romance diário com pipetas, provetas e a pôr o bico de bunsen a arder ao rubro quando senti uma carícia nos rins. Voltei-me mas não vi ninguém, do lado oposto ouvi um familiar: -Olá
Estivéramos muito tempo sem nos vermos; naquele dia em que resolvi, como quem não quer a coisa, fazer-lhe um rapa-pé, passava de caçador a caçado! Meio encabulado, fiz o meu melhor ar de surpreendido, abri os braços e devolvi o meu melhor - Oláaaa!
Seguiu-se uma bica rapidinha, mesmo ali, porque segundo ela já se ia fazendo tarde.
-Espera aí, desculpa lá, vais-te assim?
- Desculpa, é a vida.
E foi-se num doce balanço de saias. O seu perfume ficou, por momentos, mas também ele partiu arrastando-me para o nosso ultimo encontro na leitaria do Bairro Alto. Vejo-a tão nítidamente: uma boina preta que não dava conta de tanto caracol e aquele sorriso que dava conta de mim. Sorvia uma cuba livre, parou por um momento e meio séria, gaiata disse-me afagando-me a mão:
- Sabes, “uma mulher a partir dos 30 devia ter direito a dois homens: um jovem para o "mel" e um "grisalho" para a alma, as discussões filosóficas e para apreciar em conjunto uma refeição que não seja fast-food. ;).” *


Ah, como anseio por uns cabelos brancos!




* vil(ã)mente surripiado d'aqui

terça-feira, 10 de março de 2009

O Sr. Engº, Presidente da República Popular de Angola, está de visita ao nosso torrãozinho pátrio.









in:
  • Folgo por saber que o Sr. Presidente dos Santos, finalmente, começa a pagar uma divida antiga, da rubrica credibilidade.
  • Estranho tanta falta de imaginação por parte de António! Oh, Arnault, ambição? Isso para Eduardo são peanuts!

Boa estadia Sr. Presidente, e já agora, se precisar d'alguma coisa cá do Erecteu, nã s'acanhe, tá?

Estou em vias de pagar 9% do meu rendimento para deixar de fazer uma coisa de que gosto!
O aparente paradoxo desfaz-se sabendo que a perda, afinal, paga o livrar-me de enxovalhos, e de um ambiente onde se instalou a tacanhice liderada por arrivistas surfando na onda do poder.

Deixo para trás uns quantos velhos companheiros que a seu tempo, brevemente, também darão lugar a outros; deixo também outros que terão de bulir por uns tempitos mais…


Poderia congratular-me por ir usufruir o descanso, resultado de quarenta anos de trabalho efectivo e o benefício dos respectivos descontos, né?
Nã! O que, presumivelmente, vou usufruir, contando com o ovo no cu da galinha, é do que descontarão mensalmente, os que ficam a bulir: porreiro! Tá?
Nã! Né porreiro, nã. Não é porreiro porque sei que esses jovens camaradas, quando chegar a vez deles, irão receber, grosso modo, 50% daquilo que receberiam se se baldassem ao trabalho hoje!!!


Demito-me, obviamente porque não posso demitir uns quantos.




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Que força é essa - Sérgio Godinho feat. José Mário Branco
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Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Construir as cidades para os outros
Carregar pedras, desperdiçar
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa
Que força é essa
Que trazes nos braços
Que só te serve para obedecer
Que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Que te põe de bem com outros
E de mal contigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo

Não me digas que não me compreendes
Quando os dias se tornam azedos
Não me digas que nunca sentiste
Uma força a crescer-te nos dedos
E uma raiva a crescer-te nos dentes
Não me digas que não me compreendes

Que força é essa
Que força é essa
Que trazes nos braços
Que só te serve para obedecer
Que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Que te põe de bem com outros
E de mal contigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo

Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Construir as cidades para os outros
Carregar pedras, desperdiçar
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa
Que força é essa
Que trazes nos braços
Que só te serve para obedecer
Que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Que te põe de bem com outros
E de mal contigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo

segunda-feira, 9 de março de 2009

O meu nome é

Não é verdade que tenha estado para aqui de pau ao alto, pelo contrário, tenho-me espremido para ver se invento uma história; na verdade aprontei até duas ou três, mas Gracinda, felizmente, tem-me cortado as vasas, poupando-me à vergonha de vos apresentar coisas que, segundo ela, são mais velhas que o cagar.
Não fora ela e, salvo a vossa infinita tolerância, arriscava-me à denúncia de plágios, muito mal amanhados, da Agatha, de La Fotainne ou de um tal Xenofonte, ou será Xequepoint, nã sê bem como se escreve! Pois é, não fora ela e andava eu para aqui de orelhas aquecidas.
Quem é a Gracinda? Bom, é a minha prima, filha do Zeca, dois anos e picos mais nova, minha guia desde sempre. Gracinda, tem feito o favor de pôr e tirar virgulas, meter assentos nos sítios sertos e, por vezes trocar-me os esses por cês, quando as gralhas me ocorrem, ao longo da existência intermitente deste blog. Muita coisa mais há para dizer dela e provavelmente assim farei, mais tarde e... adiante.
Na verdade, para mal dos meus pecados, nã me sai nada que outros não tenham já, há muito, rabiscado. Resta-me, se para tanto tiver engenho e arte (esta, também não é daminha lavra, acho que é do Sócrates), resta-me, dizia, contar-vos a História da Minha Vida” .
Papem lá isto como prólogo e passemos à proposição.

Vou contar a minha vida à maneira do Hergé: Timtim por Timtim, não no estilo comics, qu’ela, minha vida, nã é para rir, muito pelo contrário; contá-la-ei à minha manêra, fielmente, com nomes preto no branco, sem a treta de que qualquer semelhança com… blá blábá.
Ficará, o que ficar, aqui tudinho escarrapachado, sem aleivosias literárias cerventianas. Recorrerei contudo a figuras literárias, e é certo que poderei fazer incursões por, sei lá… hipérboles e redundâncias mas eufemismos não, cá comigo, mesmo metáfora e alegorias são como as pernas de mulher, são coisas de pôr pó lado.
Nomes, locais e tempo ficarão aqui, fidedignamente registados, para sempre ou, pelo menos, até ao big crack final.
Desenganem-se já os que tiverem a expectativa de encontrarem algo de interessante nesta narrativa, pelo contrário; verão em cada linha, em cada conto (sem ponto acrescentado) episódios edificantes a ponto de fazer estremecer de inveja as relíquias de qualquer santo, Stª Teresinha Extasiada incluída.
Denunciarei os que me atormentaram e envolverei em névoa suficiente os que brilharam, salvaguardando assim a sua natural modéstia.

Para proposição acho que já chega. Passemos aos finalmentes:



A História da Minha Vida



O meu nome é Veiga, Jaime Veiga...

PS. Sultões e Sultanas, desculpem lá, por agora nã sê que mais dizer, façam o favor de imaginarem-me um Xerazade e voltem cá mais tarde, pá semana.
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Geni e o zepelim - Chico Buarque

domingo, 8 de março de 2009

Dia Mundial da Mulher

Não percebo porquê mas no Rio comemora-se assim o Dia Mundial da Mulher, calculo que seja por falta de uma Virgem Maria com a mesma escala.
Faço votos que se concretize o desejo da minha Maria: Que venha o dia em que o deixemos de comemorar.
Às mulheres, com um beijo, permito-me deixar esta lição que tanto me comove.



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Geni e o zepelim - Chico Buarque

quinta-feira, 5 de março de 2009

Silogismos cabalísticos

Silogismo 1



PS - Nuno Melo, do CDS, tentou que Francisco Sanches explicasse as razões pelas quais a sucursal de Cayman do BPN concedeu créditos de mais de oito milhões de euros a empresas de El-Assir, um empresário libanês presente no negócio de Porto Rico. O ex-braço-direito de Oliveira e Costa referiu que El-Assir veio indicado por Dias Loureiro.

Silogismo 2

  • O PS nunca teve nada a ver com Frank.

  • Sócrates nunca teve nada a ver com "auteletes".


  • Conclusão: Nem tudo o que fede é merda.

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Sambalando - Inti Illimani
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dejo con animo entero
ponga atencion mi compadre
que vienen nuevos negreros

sambalando, sambalando
que tienes tu (samba)
que no tenga yo (2)

la gente dice que pena que tenga la piel oscura
la gente dice que pena que tenga la piel oscura
como si fuera basura que se arroja al pavimento
no sabe que descontento entre mi raza madura

sambalando, sambalando
que tienes tu (samba)
que no tenga yo (2)

hoy dia alzamos la voz como una sola memoria (2)
desde ayancuncho hasta angola
de razil a mozambique
ya no hay nadie que replique
somos una misma historia

sambalando, sambalando
que tienes tu (samba)
que no tenga yo (3)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Caro Nino,

Chovia a cântaros, tantos quanto a pressa que me movia, um pouco menos que a imprudencia que me caracteriza. Depois de ultrapassar uns quantos panhonhas, ao entrar no trevo que dá acesso à Ponte Vasco da Gama, vi o cu do Toyota, ai uhê, fugir-me a bom fugir e barreiras de betão agigantarem-se diante dos meus olhos!

Anos de parvoíce ensinaram-me que nessas alturas é preferível manter os pés quietinhos, dar protagonismo ás mãos e, se possível, manter os olhos abertos até ao fim. Lá passaram os que atrás de mim vinham e lá fui eu atrás deles, atestadinho de adrenalina mas envolto numa espessa calma.

Na portagem, umas centenas de metros depois, não olhei para o lado mas imagino que estava a ser objecto de vários olhares, reprováveis talvez. Paguei com ar de sonso, arranquei de rabinho entre as pernas e então ocorreu-me o pensamento: Se Deus existe, é mesmo grande.

Até quando?
*
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Tal como eu, Nino passou a vida a acelerar, mas... há quem diga que foi acidente de trabalho.
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10. Caro Nino - Inti Illimani

segunda-feira, 2 de março de 2009

98 mil €uritos


Se tivesse 98 mil €uritos não sei o que com eles faria, contudo imagino o que sentiria se, por acaso, os visse ir pelo cano abaixo, ou melhor, pelo cu acima de uns quaisquer insuspeitos, bem cheirosos, mafiosos de colarinho branco, mãos arranjadinhas para melhor meterem as unhas em património alheio.

Não foi mole, não,
meu compadre apanhou que nem um boi ladrão!
Não foi mole, não,
meu compadre apanhou que nem um boi ladrão!
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Arredado destas lides, imagino que já se tenha perguntado pela blogosfera
como é possível o erário publico avançar com tanta milhão, à pala de não descredebilizar a banca e que seja possível ler este belo naco de prosa!!!
Cá pó Lorpa, bem se podem esfalfar na tentativa de credibilizar o que bem entenderem mas... não valeria a pena, antes, agirem de forma a credibilizarem-se a si próprios?

Não foi mole, não,
meu compadre apanhou que nem um boi ladrão!
Não foi mole, não,
meu compadre apanhou que nem um boi ladrão!

Nã acredito em bruxas nem que nã possa haver fumaradas sem fogo, pois não; acredito mesmo que possam chover canudos do céu, que projectos muita mal amanhados possam, de facto, ser paridos por engenhêros muita bem apessoados, que até o verosímil oiro não passe de brilho promovido por magia negra ou toque cabalístico... acredito em tudo pois sou estruturalmente lorpa.

Acredito em muita coincidência
Creiam, sou um crente e como tal vivo bem.
Creio nos deuses, na mãe e no pai também,
Mas por favor tenham paciência...




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Roubo do Cabrito - Dicró

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Não foi mole, não,
meu compadre apanhou que nem um boi ladrão!
Não foi mole, não,
meu compadre apanhou que nem um boi ladrão!

Roubaram um cabrito na área e o roubo do bicho gerou confusão
formaram polícia mineira a fim de pegar o ladrão
nesse dia o compadre nortista que veio me visitar
levou uma surra danada, ficou mais de um mês sem poder levantar!

Não foi mole, não,
meu compadre apanhou que nem um boi ladrão!
Não foi mole, não,
meu compadre apanhou que nem um boi ladrão!

Foi depois do cabrito assado que surgiu a confusão
é que o cheiro muito forte se espalhou no quarteirão
foi aí que o nego Patola, mais forte que cana de litro
gritava de faca na mão, vou sangrar, vou matar
quem roubou meu cabrito!

Não foi mole, não,
meu compadre apanhou que nem um boi ladrão!
Não foi mole, não,
meu compadre apanhou que nem um boi ladrão!

Agarrou meu compadra na guela
o pobre coitado se apavorou.
Chorando e tremendo de medo
como o infeliz apanhou!
Depois ele andou pro meu lado mudando de cor
feito um camaleão
me deu um sopapo, se eu não me abaixo
hoje eu estava debaixo do chão!

Não foi mole, não,
meu compadre apanhou que nem um boi ladrão!
Não foi mole, não,
meu compadre apanhou que nem um boi ladrão!

Meu compadre amarrado num poste
passou um sufoco que só você vendo
Crianças, senhoras e velhos
todo mundo lhe batendo
E se não fosse o Doutor Araújo o vereador do local
o povo e o nego invocado malhava o compadre até lhe matar!

Não foi mole, não,
meu compadre apanhou que nem um boi ladrão!
Não foi mole, não,
meu compadre apanhou que nem um boi ladrão!

Foi ele doutor, foi ele doutor, foi ele sim
quero o couro dele pra ver se serve no meu tamborim
Foi ele doutor, foi ele doutor, foi ele sim
quero o couro dele pra ver se serve no meu tamborim
joga pra mim!

Para que conste:



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O Primeiro Dia - Sérgio Godinho

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Menino Jesus, Pai Natal?

Já não sei quem manda aqui!

Nã importa um beijo pa todos., tá?



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A Todos Um Bom Natal - Coro Infantil De Santo Amaro D