quinta-feira, 19 de março de 2009

Finalmente descobri

Logo pela manhã um SMS:
Um bom dia para ti.
ass: filho
É com orgulho que venho sendo pai, por opção. Sempre quiz ser um bom pai e só muito, muito tarde é que descobri que para tal é imprescindivel ser-se um pai bom. Como é? Dificil.
Tão dificil como ser professor, não há formação que lhe valha, nem estagios integrados ou em exercício de funções.
Ser pai não é:
  • ser amigo. Amizades são os filhos que as fazem e as escolhem;
  • simplesmente veicular valores, regras, ou atitudes apreendidas.
Ser pai é:
  • alimentar o corpo e a alma;
  • deixar escolher caminhos;
  • saber ouvir nãos

mais do que agir para que nos venhamos a orgulhar dos filhos, bem melhor é que eles venham a orgulhar-se de si próprios

quarta-feira, 18 de março de 2009

Colapsos & lapsos

Volta e meia, faltando-lhe a memória, o meu computador vai a baixo.




Não me admira que o BPN tivesse colapsado.


***


Ocorre-me à memória os tempos de criança em que minha mãe me dizia:

-Mas o que é que disse, Erecteu?

Apanhado com a boca na botija, candidamente:

-Desculpe mãe, não me lembro.

Provávelmente, seguia-se uma nalgada.

-Esta é pela que fizeste.

Mas, invariavelmente, não falhava.

-Esta é para não te fazeres de sonso.


***

É obvio que altos quadros já não têm idade para serem tratados à nalgada, mas... podem ficar impunes?



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Mentira - Manu Chao

terça-feira, 17 de março de 2009

D. Filipa de Bragança tinha razão

Mais vale uma hora de rainha


que duquesa toda a vida

domingo, 15 de março de 2009

Fight and pray

Se.ssentar é tão bom!

O que não será se.tentar?


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Oh, Happy Day! - Sara Tavares & Shout

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Oh happy day (oh happy day)
Oh happy day (oh happy day)
When Jesus washed (when Jesus washed)
When Jesus washed (when Jesus washed)
Jesus washed (when Jesus washed)
Washed my sins away (oh happy day)
Oh happy day (oh happy day)

Oh happy day (oh happy day)
Oh happy day (oh happy day)
When Jesus washed (when Jesus washed)
When Jesus washed (when Jesus washed)
When my Jesus washed (when Jesus washed)
He washed my sins away

He taught me how (oh, He taught me how)
To wash (to wash, to wash)
Fight and pray (to fight and pray)
Fight and pray
And he taught me how to live rejoicing
yes, He did (and live rejoicing)
Oh yeah, every, every day (every, every day)
(oh yeah) Every day!

Oh happy day (oh happy day)
Oh happy day, yeah (oh happy day)
When Jesus washed (when Jesus washed)
When my Jesus washed (when Jesus washed)
When Jesus washed [hits high note] (when Jesus washed)
My sins away (oh happy day)
I'm talking about that happy day (oh happy day)

He taught me how (oh yeah, how)
To wash (to wash)
Fight and pray (sing it, sing it, c'mon and sing it)
Fight and pray
And to live
yeah, yeah, c'mon everybody (and live rejoicing every, every day)
Sing it like you mean it, oh....

Oh happy day (oh happy day)
I'm talking about the happy days (oh happy day)
C'mon and talk about the happy days (oh happy day)
Oh, oh, oh happy days (oh happy day)
Ooh talking about happy day (oh happy day)
Oh yeah, I know I'm talking about happy days (oh happy day)
Oh yeah, sing it, sing it, sing it, yeah, yeah (oh happy day)
Oh, oh, oh
Oh happy day.....

Tardiamente II

12 em 1...
e com toda a tranquilidade...
... na melhor máscara cai a nódoa.

sábado, 14 de março de 2009

Tardiamente I

uma homenagem a Darwin mas...


a evolução não pára...

sexta-feira, 13 de março de 2009

Merda de outono

Num dia primaveril de Março, voltava minha mãezinha, duma entrega de café e bacallao, que fizera, num monte que distava não mais do que um quilómetro de Rosal de la Frontera. Regressava aviada de açúcar e caramelos, quando já a menos de uma légua de Vila Verde de Ficalho poisa a trouxa e se agacha agarrada às saias desatando numa risada pegada. As camaradas que com ela vinham é que não estavam para brincadeiras…
-Raio da moça, toc’andar c’a muito pa palmilhar.
Mas ela ria, ria agarrada às saias até que foi alcançada por duas camaradas mais pesadotas.
-Anda Bia que as outras já lá vão.
Mas a Bia agachada é que não dava mostras de querer andar. Celeste, a quem até dava jeito acalmar a pontada nas cruzes parou amparando os rins.
-Mas que tens tu garota?
-Mijê-me pelas pernas abaixo.
-Ai Jesus, qual mijo! Ai que se te arrebentaram as águas.

Não se pode escolher o nascimento, assim nasci em casa do Dr. Alexandre, em Vila Verde de Ficalho depois de lá chegar de carroça com a minha mãe ateimando que nã podia ser pois dores nem vê-las, dizia.

Teria sido bem mais giro ter nascido numa gruta, mas foi assim mesmo, palhinhas pastores e magos é só para alguns, pelos vistos. Resta-me o consolo de lhe ter dado uma horinha feliz.


Como adivinharão o Dr. Alexandre acabou feito em padrinho o que, se tiver dado muito jeito a minha mãe redundou numa chatisse para mim: ainda não passara um ano e no dia em que a minha mãe fazia dezoito anos lá tive que mamar com o ritual um pucarinho d’água pela cabeça abaixo, depois disso, julgo que ainda não aprendera palavrões e já tinha que declinar na perfeição: A bênção meu padrinho, seguido de beijo na mão enfeitada por anel que, antecipo, mais do que uma vez provei na cara. Estranha maneira de um médico tratar da saúde, como ele gostava de dizer. Tirando isso, e pouco mais, até não era mau de todo pois fui tendo as mordomias distribuídas na cozinha pela criada: dos pasteis de baínha de grão à linguiça do fumeiro tudo me ofereciam, pena é que comer não fosse o meu forte.

Com o meu nascimento mudou a vida de minha mãe. Deixou as corridas até Espanha passando a fazer o que calhava na casa do Dr. Alexandre, isto até mê pai voltar da tropa, por onde andou mais do que a conta, como paga de alguma falta de aprumo que lhe sobejava noutras coisas. O certo é que entre detenções e prisões efectivas, entrou garoto e saiu homem mais que feito, pelo que tivesse sido não sei, mas quando chegou a Vila Verde, o Dr. Alexandre ter-lhe-á dito:
-Vê lá se deixas de ser gabiru, Xico, olha que tens um filho para criar.
Lá foi criando, não a gosto do Dr. Alexandre, mas ao meu. Passámos a viver numa casita, com um telheiro adossado, junto à extrema do outro lado da quinta do Dr. que dava para uma azinhaga.
Resta-me uma memória feliz dos primeiros anos que ali passei. Entre a horta e a oficina de meu pai os dias corriam bem.
Formaram-se duas equipas: eu e meu pai defrontávamos minha mãe e o doutor.
De um lado da quinta aprendia as boas maneiras, no outro as maneiras boas. Gostava mais das últimas, deliciava-me ver a perícia do manejar as ferramentas: a enchó e a polaina, o maço e os formões arrancavam aparas de madeira de cujo cheiro ainda hoje não me apartei; era bem melhor do que comer de boca fechada e manter os cotovelos junto ao corpo sem nunca poderem poisar na mesa, não há amêndoas nem pão-de-ló que o paguem.
Os confrontos entre as duas equipas lá se iam equilibrando mas houve um que perdemos irremediavelmente, ia fazer seis anos e, unilateralmente, os outros decidiram que eu iria para a escola. Porra de Outono!

Assim, rumo ao futuro, teve que marchar Veiga, Jaime Veiga, mesmo sem guia de marcha passada.

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Stravinsky: Le Sacre du printemps 6 -

quinta-feira, 12 de março de 2009

Com uma mão atrás e outra à frente












Independentemente de eu não morrer de amores por cruzados, aqui está uma boa notícia: A CGD e a Santoro Financial Holdings vão dar as mãos.


A parceria é boa à partida até porque tem á frente a mãozinha de Isabel dos Santos, filha do Sr. Engº Santos e atrás, habituada a ganhar ao Monopólio, depois de ter investido uns milhanitos no BPP, de ter comprado (por um valor empolado) umas quantas acções a um Fino simpático, vai pôr a mão atrás recheada de 400 milhões meus, teus, vá lá nossos.

As vantagens são evidentes, nem é preciso publicitar ao estilo:




P'a'cabar uma rima à manêra PS:


Os que têm por aí a passear cacau


entre ofexores, em qualquer nau,


tenham lá pac'ência... acontece.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Cãs e bicos de bunsen

Folheava umas revistas, a três quartos, de olho no café onde usualmente ela toma a bica antes de subir ao laboratório para se envolver no seu romance diário com pipetas, provetas e a pôr o bico de bunsen a arder ao rubro quando senti uma carícia nos rins. Voltei-me mas não vi ninguém, do lado oposto ouvi um familiar: -Olá
Estivéramos muito tempo sem nos vermos; naquele dia em que resolvi, como quem não quer a coisa, fazer-lhe um rapa-pé, passava de caçador a caçado! Meio encabulado, fiz o meu melhor ar de surpreendido, abri os braços e devolvi o meu melhor - Oláaaa!
Seguiu-se uma bica rapidinha, mesmo ali, porque segundo ela já se ia fazendo tarde.
-Espera aí, desculpa lá, vais-te assim?
- Desculpa, é a vida.
E foi-se num doce balanço de saias. O seu perfume ficou, por momentos, mas também ele partiu arrastando-me para o nosso ultimo encontro na leitaria do Bairro Alto. Vejo-a tão nítidamente: uma boina preta que não dava conta de tanto caracol e aquele sorriso que dava conta de mim. Sorvia uma cuba livre, parou por um momento e meio séria, gaiata disse-me afagando-me a mão:
- Sabes, “uma mulher a partir dos 30 devia ter direito a dois homens: um jovem para o "mel" e um "grisalho" para a alma, as discussões filosóficas e para apreciar em conjunto uma refeição que não seja fast-food. ;).” *


Ah, como anseio por uns cabelos brancos!




* vil(ã)mente surripiado d'aqui

terça-feira, 10 de março de 2009

O Sr. Engº, Presidente da República Popular de Angola, está de visita ao nosso torrãozinho pátrio.









in:
  • Folgo por saber que o Sr. Presidente dos Santos, finalmente, começa a pagar uma divida antiga, da rubrica credibilidade.
  • Estranho tanta falta de imaginação por parte de António! Oh, Arnault, ambição? Isso para Eduardo são peanuts!

Boa estadia Sr. Presidente, e já agora, se precisar d'alguma coisa cá do Erecteu, nã s'acanhe, tá?

Estou em vias de pagar 9% do meu rendimento para deixar de fazer uma coisa de que gosto!
O aparente paradoxo desfaz-se sabendo que a perda, afinal, paga o livrar-me de enxovalhos, e de um ambiente onde se instalou a tacanhice liderada por arrivistas surfando na onda do poder.

Deixo para trás uns quantos velhos companheiros que a seu tempo, brevemente, também darão lugar a outros; deixo também outros que terão de bulir por uns tempitos mais…


Poderia congratular-me por ir usufruir o descanso, resultado de quarenta anos de trabalho efectivo e o benefício dos respectivos descontos, né?
Nã! O que, presumivelmente, vou usufruir, contando com o ovo no cu da galinha, é do que descontarão mensalmente, os que ficam a bulir: porreiro! Tá?
Nã! Né porreiro, nã. Não é porreiro porque sei que esses jovens camaradas, quando chegar a vez deles, irão receber, grosso modo, 50% daquilo que receberiam se se baldassem ao trabalho hoje!!!


Demito-me, obviamente porque não posso demitir uns quantos.




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Que força é essa - Sérgio Godinho feat. José Mário Branco
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Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Construir as cidades para os outros
Carregar pedras, desperdiçar
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa
Que força é essa
Que trazes nos braços
Que só te serve para obedecer
Que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Que te põe de bem com outros
E de mal contigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo

Não me digas que não me compreendes
Quando os dias se tornam azedos
Não me digas que nunca sentiste
Uma força a crescer-te nos dedos
E uma raiva a crescer-te nos dentes
Não me digas que não me compreendes

Que força é essa
Que força é essa
Que trazes nos braços
Que só te serve para obedecer
Que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Que te põe de bem com outros
E de mal contigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo

Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Construir as cidades para os outros
Carregar pedras, desperdiçar
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa
Que força é essa
Que trazes nos braços
Que só te serve para obedecer
Que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Que te põe de bem com outros
E de mal contigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo

segunda-feira, 9 de março de 2009

O meu nome é

Não é verdade que tenha estado para aqui de pau ao alto, pelo contrário, tenho-me espremido para ver se invento uma história; na verdade aprontei até duas ou três, mas Gracinda, felizmente, tem-me cortado as vasas, poupando-me à vergonha de vos apresentar coisas que, segundo ela, são mais velhas que o cagar.
Não fora ela e, salvo a vossa infinita tolerância, arriscava-me à denúncia de plágios, muito mal amanhados, da Agatha, de La Fotainne ou de um tal Xenofonte, ou será Xequepoint, nã sê bem como se escreve! Pois é, não fora ela e andava eu para aqui de orelhas aquecidas.
Quem é a Gracinda? Bom, é a minha prima, filha do Zeca, dois anos e picos mais nova, minha guia desde sempre. Gracinda, tem feito o favor de pôr e tirar virgulas, meter assentos nos sítios sertos e, por vezes trocar-me os esses por cês, quando as gralhas me ocorrem, ao longo da existência intermitente deste blog. Muita coisa mais há para dizer dela e provavelmente assim farei, mais tarde e... adiante.
Na verdade, para mal dos meus pecados, nã me sai nada que outros não tenham já, há muito, rabiscado. Resta-me, se para tanto tiver engenho e arte (esta, também não é daminha lavra, acho que é do Sócrates), resta-me, dizia, contar-vos a História da Minha Vida” .
Papem lá isto como prólogo e passemos à proposição.

Vou contar a minha vida à maneira do Hergé: Timtim por Timtim, não no estilo comics, qu’ela, minha vida, nã é para rir, muito pelo contrário; contá-la-ei à minha manêra, fielmente, com nomes preto no branco, sem a treta de que qualquer semelhança com… blá blábá.
Ficará, o que ficar, aqui tudinho escarrapachado, sem aleivosias literárias cerventianas. Recorrerei contudo a figuras literárias, e é certo que poderei fazer incursões por, sei lá… hipérboles e redundâncias mas eufemismos não, cá comigo, mesmo metáfora e alegorias são como as pernas de mulher, são coisas de pôr pó lado.
Nomes, locais e tempo ficarão aqui, fidedignamente registados, para sempre ou, pelo menos, até ao big crack final.
Desenganem-se já os que tiverem a expectativa de encontrarem algo de interessante nesta narrativa, pelo contrário; verão em cada linha, em cada conto (sem ponto acrescentado) episódios edificantes a ponto de fazer estremecer de inveja as relíquias de qualquer santo, Stª Teresinha Extasiada incluída.
Denunciarei os que me atormentaram e envolverei em névoa suficiente os que brilharam, salvaguardando assim a sua natural modéstia.

Para proposição acho que já chega. Passemos aos finalmentes:



A História da Minha Vida



O meu nome é Veiga, Jaime Veiga...

PS. Sultões e Sultanas, desculpem lá, por agora nã sê que mais dizer, façam o favor de imaginarem-me um Xerazade e voltem cá mais tarde, pá semana.
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Geni e o zepelim - Chico Buarque

domingo, 8 de março de 2009

Dia Mundial da Mulher

Não percebo porquê mas no Rio comemora-se assim o Dia Mundial da Mulher, calculo que seja por falta de uma Virgem Maria com a mesma escala.
Faço votos que se concretize o desejo da minha Maria: Que venha o dia em que o deixemos de comemorar.
Às mulheres, com um beijo, permito-me deixar esta lição que tanto me comove.



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Geni e o zepelim - Chico Buarque