O nosso imaginário reflecte a imagem de Padeiras de Aljubarrota e Marias da Fonte. As nossas heroínas projectam, nos filhos, pelo menos neste filho da mãe, criado ao vosso dispor, valores que se foram tornando em dogmas.
A minha rica padeirinha, corajosa, capaz de enfrentar à pazada sete valentes castelhanos, não tem a existência confirmada e, reza a lenda, era feia que nem um bode não lhe faltando profícuos folículos pilosos.
A Maria, da tal Fontarcada, personificou a luta do povo contra: o recrutamento militar; a obrigatoriedade do registo de propriedades para introdução da contribuição predial; a proibição de enterros em igrejas, por questões de saúde pública.
Os Cabrãolistas, vai de impor; os mais avessos ao progresso, principalmente nas zonas rurais de acentuado fanatismo religioso, e os sobreviventes pró-absolutistas, vai de aproveitar a cena.
O rastilho aceso no Minho, rapidamente incendiou as Beiras, Trás-os-Montes e a Estremadura. (…) “feita por homens de saco ao ombro e de foice roçadora na mão, para destruir fazendas, assassinar, incendiar a propriedade, roubar os habitantes das terras que percorrem e lançar fogo aos cartórios, reduzindo a cinzas os arquivos”. Tal ia a moenga, heim!
Moral da história: cuidado com os mitos (principalmente os feios), porque para mito basto eu, e a Padeirita, coitada, se estava a ser fodida pelos liberais, não se livrou de ser enrabada belos absolutistas, que senhores duma ganda peida, para ela se estavam cagando.
Bom já viram que liberais e "neon"-liberais, nã papo e absolutistas nêm chêrari. Atão, (perguntam vocemessês) por aí nã se papa nada?
Pronto, vá lá, confesso que por vezes, com ou sem laranja, pactuo absolutamente.
Recolhi-me naquela sala vermelha fugindo de um luar que me sufocava, que roubava o brilho às estrelas para o entregar, cúmplice da humidade fria da noite, à pedra da calçada. Aqui prevalece a penumbra, as palavras ciciadas não adquirem significado, os gestos são lentos, aparentemente calmos; as mesas abandonadas fazem companhia aos instrumentos lá no canto, aquele cigarro esquecido, esvaindo-se, liberta o fumo que desaparece no ar, mas dele fica o doce cheiro.
Vou sorvendo a bebida que me aquece a alma fria à medida que me afasto no tempo, resistindo ao regresso do vermelho desta sala turbulenta aquecida no embalado movimento de corpos e olhos colados, na cadencia sincopada das notas libertadas de um piano e do acordeão que abraças em meneio do corpo e, resisto, à perseguição do teu olhar vergando o meu. Não é verdade que estejas diante de mim, que me tomes e me arrastes, me domes a compasso de um piano tocando só; como marioneta presa dos teus dedos, suspensa nos teus braços e do calor da tua respiração, perco-me. Quero esquecer, o que, mudamente, disseste com o arquear de sobrancelhas, e me apartares do teu copo, rodopiando; quero esquecer as promessas que fizeste com os lábios fechados, ao tomares-me de novo; quero esquecer a última nota do piano pairando no ar, o teu corpo sobre mim debruçado, tal como a melodia do teu rosto.
Soam acordes, para me despertarem, trazerem a esta sala vermelha, quase cheia; o piano ataca seguido de um violino, um par entrelaça-se, por um momento quietos, desafiam-se num olhar e partem sem acordeão.
Quase tudo te perdoo, mas o teres levado outra na tua última viagem de mota, não. Um dia esquecerei o teu rosto, até o teu cheiro, talvez.
Percanta que me amuraste en lo mejor de mi vida, dejándome el alma herida y esplín en el corazón, sabiendo que te quería, que vos eras mi alegria y mi sueño abrasador, para mí ya no hay consuelo y por eso me encurdelo pa´olvidarme de tu amor
Cuando voy a mi cotorro y lo veo desarreglado, todo triste, abandonado, me dan ganas de llorar; me detengo largo rato campaneando tu retrato pa´poderme consolar.
Ya no hay en el bulín aquellos lindos frasquitos adornados con moñitos todos del mismo color. El espejo está empañado y parece que ha llorado por la ausencia de tu amor.
De noche, cuando me acuesto, no puedo cerrar la puerta, porque dejándola abierta me hago la ilusión que volvés. Siempre llevo bizcochitos pa´tomar con matecitos como si estuvieras vos, y si vieras la catrera cómo se pone cabrera cuando no nos ve a los dos.
La guitarra en el ropero todavía está colgada, nadie en ella canta nada ni hace sus cuerdas vibrar. Y la lámpara del cuarto también tu ausencia ha sentido porque su luz no ha querido mi noche triste alumbrar.
Deixo aqui o último testemunho que prefacia o Rocha Cheneider.
João Silva tem dois filhos que lhe sacaram os "defeitos", dedicou-se à agricultura e pecuária, lá para os lados da Cela, imagino que tivesse plantado árvores, e deixa-nos um belo livro. Nada disto seria necessário que tivesse feito para ser um grande homem, o caracter a isso o condenou, se nasceu com ele ou se ele o construiu, não sei nem me importa. A ele lhe devo também o, pouco, que tenho de bom.
«ISSO FAZ-ME LEMBRAR UMA HISTÓRIA...»
A memória mais antiga que temos dele é do som da sua voz, quando ainda lhe cabíamos no colo e ele nos embalava com os mistérios do mato, dos animais, do mundo mágico do cinema, do teatro e da fotografia. «Isso faz-me lembrar uma história...» Quantas vezes ao longo dos anos não ouvimos isto? Quantas vezes não bastava um pequeno pormenor, uma palavra, um vulto que passava, uma expressão escutada, uma música, uma fotografia, uma pintura, a referência a um livro ou autor, para que ele fosse por aí fora, desfiando memórias deliciosas de um tempo perdido. A família, os amigos, todos sabem como qualquer detalhe serve para que mais um pedaço de uma vida cheia nos fosse desvendado. «Isso faz-me lembrar uma história...» E lá ia ele, pelas ruas da Alfama dos anos 20 do século passado, pelos estúdios da Tobis da época áurea do cinema português, pela prisão dos Açores, por um recanto remoto da Angola dos anos 50. Estivéssemos à mesa de jantar, numa tertúlia com amigos; estivesse ele no autocarro da Carris, apanhado anos a fio, manhãzinha cedo, a caminho da CGTR Tudo servia para nele despertar uma memória. E quem o ouvia sorria, na certeza de encontrar ali uma história política, um pormenor pitoresco, o descrever de um tipo humano, tantas vezes razões para se emocionar. Vantagens dos cabelos brancos, dirão da facilidade com que desfiava memórias como quem respira. Vantagens de quem viveu uma vida cheia, dizemos nós. De quem lutou pela liberdade num tempo em que era palavra proibida, de quem privou com vultos maiores do cinema português, de quem palmilhou (a expressão é a correcta, foi mesmo palmo a palmo) aquele semi-continente selvagem e maravilhoso que é Angola. Mas o João que nós conhecemos não é só o magnífico contador de estorias. É um pai atento e um avô dedicado. Firme na hora de nos fazer estudar e respeitar os compromissos. Pleno de energia quando nos levava a nadar, a jogar à bola ou a correr pela marginal. Cada um de nós tem as suas ideias e seguiu livremente o seu caminho. Mas todos, sem excepção, fomos beber ao que o João nos ensinou quando se tratava de respeitar o próximo, lutar por uma sociedade mais justa ou não perdermos nunca a capacidade de nos indignarmos perante uma injustiça. Há uns poucos anos, quando as pernas deixaram de lhe responder com a rapidez que a cabeça pedia, decidiu-se. «Como é isso dos blogues?», perguntou, naquela curiosidade permanente de miúdo, com os olhinhos a brilhar. De então para cá, dezenas, centenas de histórias foram sendo postas a escrito. Sem outro critério que não fosse o ir pondo no papel (ou melhor, no ecrã) episódios que viveu. Ingénuos, uns, dolorosos outros, alegres, outros ainda. Mas episódios que dificilmente nos deixam indiferentes. Não é uma história do último século que aqui é posta a escrito. Longe disso. Mas são histórias, episódios, que ajudam a perceber aquilo que somos e de onde vimos. «Isso faz-me lembrar uma história...»
Duas mulheres que têm tendência para saltar para o outro lado da vida. Saltaram o muro de uma vida em liberdade e aos olhos implantados em cabeças escorreitas, com formatações perfeitas mas de vistas estreitas, ousam construir os seus próprios afectos que infectos aos vigilantes olhares que as rodeiam os vêem como impróprios, merecendo tal namoro tratamento digno de filhos de Montéquio e Capuleto, pelo que estão apartadas, despojadas de seus bens. Está montada a trama para que entre Frei Lourenço. No elenco, entra a matar Fernando Namora que, espero, se a alguma der um elixir que iluda os carrascos, não se esqueça de contar à outra o final da tragédia de Romeu e Julieta.
A obra que agora lançamos representa uma justa homenagem da CGTP-IN, e dos colegas que com ele tiveram o privilégio de trabalhar, ao João Silva, repórter fotográfico desta Confederação entre 1979 e 2007. O conjunto de textos que a compõem são o resultado de uma selecção de muitos outros que o João um dia deixou na CGTP-IN e alguns a que tivemos acesso através da sua família. A sua organização nos nove capítulos em que se encontra estruturada a obra é da nossa responsabilidade e procurou, sobretudo, destacar a variedade e riqueza de experiências de que as respectivas histórias de vida são o testemunho. O homem tem momentos sublimes de enamoramento, por uma pessoa, uma ocupação, pela vida. João Silva consegue transmitir esse enamoramento constante nas suas palavras, nos seus gestos, em cada expressão do seu rosto. E a força e vivacidade desses momentos são visíveis nas pessoas que o rodeiam e acarinham, reflectem-se na sua boa disposição, no sorriso, às vezes gargalhada, no semblante melancólico ou nostálgico, enfim, nas mais variadas emoções que as multifacetadas histórias do João conseguem despoletar nos seus interlocutores. E a natureza da escrita que caracteriza estes textos é, necessariamente, o reflexo dessa faceta de um sedutor contador de histórias. Trata-se, portanto, de uma escrita com a marca da oralidade que precedeu o seu registo, uma escrita escorreita, acessível, viva e que, à medida que nos conduz pelos mais diversos percursos, nos presenteia, nos recompensa, com os odores, o colorido, os sons de uma Alfama dos anos vinte e trinta, de uma África entre os anos cinquenta e setenta, com as peripécias nos bastidores do cinema português das décadas de trinta e quarenta do século passado e as afoitas tentativas de fuga das prisões por onde passou, enfim, com o humor, a ironia e a sensibilidade que pontuam estes relatos e caracterizam o seu autor. Uma última nota sobre o trabalho que queda por fazer quanto à preservação da memória daqueles camaradas que trabalharam na CGTP-IN e no Movimento Sindical Unitário, em geral, e aqueles que coordenaram a sua actividade ao longo destes anos de história. A edição deste livro representa para a CGTP-IN um importante compromisso face ao trabalho de preservação e valorização da sua memória. Entendemo-lo como uma espécie de "alavanca", recuperando a designação do jornal produzido pela CGTP-IN logo a partir de 1974 e para o qual também contribuiu, com o seu labor empenhado e incansável, o João Silva. A todos quantos contribuíram para a concretização desta homenagem, saudando, em particular, a família do João, o nosso reconhecido agradecimento.
Fernando Gomes Departamento de Cultura e Tempos Livres CGTP-IN
Porventura, nesta batida, estão na porta certa e na forma certa: quietos e vigilantemente pacientes. No momento certo visarão a sua presa com grande probabilidade de não falharem.
Não estamos onde estamos por acaso. Estamos aqui porque um projecto de construção de um estado social foi metido na gaveta por quem podia e mandava, e porque quem o deveria defender, não conseguiu erguê-lo. Uma economia de estado detentora da banca, da energia, dos transportes, dos seguros, da saúde e da educação entendeu por bem privatiza-los ou abri-los à iniciativa privada. Ainda bem que o fizeram porque as empresas estatais serviram mal e muito pior serviram os que dela faziam parte: dos porteiros aos presidentes das administrações. As razões de tão mal serviço são tantas que é melhor, por agora, não ir muito mais longe.
De Aeroporto, onde não sei, pecisamos; de TGV se precisarmos não será imediatamente fundamental, de uma quarta operador de telefones móveis não será necessário para regular o serviço e desregular a sua, actual, actividade concertada, mas está aí!!!
Tudo o que dê lucro, do lixo à água, está na mira tanto dos neo-liberais como da camorra. Em Portugal progredimos em movimento fortemente acelerado para entregar a exploração da água à iniciativa privada, a isto opõe-se um movimento baseado em estruturas afectas ou próximas do PCP, isso mesmo: Partido Comunista Português, papador de criancinhas ao pequeno almoço, o que dá logo para desconfiar e pôr de lado, né?
Bom, os ne-liberais, já a gente sabe onde estão e os socialistas?
Tinha que ser. As fabulosas memórias e histórias de João Silva não se podiam perder. Incluo-me entre aqueles que insistiram para que ele passasse a papel ou a outro suporte duradouro os divertidíssimos episódios por ele vividos ou presenciados e que, de viva voz, nos foi contando ao longos de anos de convivência e amizade, em almoços, encontros, viagens e, aqui que ninguém nos ouve, no próprio local de trabalho. Foram momentos de profundos prazer e aprendizagem. De prazer, porque João Silva é dotado de um poder de comunicação que pede meças a muitos comunicadores encartados, com a vantagem de ser senhor de um humor fino e inteligente. Ouvi-lo é uma delícia, sempre. Onde ele está é uma festa. Mas ao mesmo tempo sentimos estar perante um homem sério, de vasta cultura e duma mundividência fora do comum, demonstrando, em cada momento, que nada do que é humano lhe é estranho. A sua memória não vacila e, malgrado não ter frequentado academias nem elites intelectuais, impressionam o leque e o volume dos seus conhecimentos. Bento de Jesus Caraça, cujo funeral João Silva filmou e por via disso foi pela segunda vez parar aos calabouços da polícia política, teria sem dúvida rejubilado por encontrar nele os elementos fundamentais do que designava de cultura integral do indivíduo, isto é, uma cultura com sentido ético, que se adquire em contacto com o mundo e intervindo sempre no sentido de fazer desse mundo um lugar melhor, porque mais justo. Homens deste calibre não são, infelizmente, assim tão frequentes. Estou convencido de que João Silva sempre entendeu ser esta a primeira condição para se sentir bem consigo próprio. O seu conceito de felicidade passa por aqui. Esta tem sido a plataforma segura donde tem tomado balanço para novas aventuras e experiências, incluindo esta de, aos 90 anos, abalançar a escrever Rocha Chenaider. Eu fui testemunha do seu processo de elaboração. Primeiro, manuscreveu algumas histórias. Depois, convenceu-se de que a coisa poderia resultar melhor desde que passada a computador, e assim fez. Acrescentou-lhe novos títulos. Reorganizou-os e publicou-os no blogue que deu o nome ao livro. A isto chama-se ter capacidade, organização, força de vontade, criatividade e modernidade. Para quem o conhece, nada disto é novidade. João Silva assume em tudo o que faz a atitude exigente, rigorosa e estrutural do artista, que sempre foi e continua a ser, como comprova este seu livro. No seu trabalho de repórter fotográfico na CGTP-IN, que me lembre, nunca falhou um serviço, e em todos eles conseguia um ou vários "bonecos" de se lhe tirar o chapéu. Nem que, para isso, tivesse de subir até quintos andares sem elevador ou trepar a candeeiros de iluminação das ruas e avenidas onde a CGTP-IN se manifestasse. Punha neste trabalho o mesmo empenho e fervor que, sabemos, aplicou no seu labor cinematográfico com ilustres realizadores como Jorge Brum do Canto, Ettore Scola, entre muitos outros. Mas não se preocupava apenas em fazer bem, preocupava-se também com a qualidade do produto final e com a sua possível repercussão. Foi por isso que, por exemplo, desenvolveu uma autêntica cruzada para que se salvasse, através de microfilmagem, o espólio de imagem da confederação. Pessoas destas engrandecem as organizações com que colaboram. Com Rocha Chenaider, autor e editor ficarão quites.
Porque o tempo urge e a promessa está feita fica um de vários testemunhos, que publicarei,
recolhidos do Livro Rocha Chenaider:
HOMEM DA LIBERDADE E DO SINDICALISMO
A entrada do João Silva na CGTP-IN, em Novembro de 1979, munido da sua inseparável "máquina de fazer bonecos", significou um sopro de vitalidade e cores novas no Alavanca, que emanavam da sua personalidade, do seu saber, da sua experiência de vida vivida. Viril, nas suas 63 primaveras, João Silva, pela sua atitude e postura positivas perante a vida, pela capacidade de brincar falando sério e de seduzir, foi ensi¬nando a todos que com ele trabalhavam ou conviviam em espaço de trabalho, como se pode construir e guardar o "segredo" da juventude. O João foi capaz de pegar no trabalho dos seus antecessores - que eram homens criativos e construtores do Alavanca como importante órgão de in¬formação sindical em contexto de revolução e de resistência à contra-revolu-ção - dignificou-o pela continuidade garantida, pela revitalização conseguida através das expressões novas, fruto do seu olhar específico sobre os seres humanos, as suas práticas e formas de agir. A sua permanente jovialidade, a inquietude, a destreza na captação das melhores e mais expressivas imagens dos muitos acontecimentos da vida sindical, mas também, a sua preocupação em deixar a memória fotográfica desses momentos, de que foi construtor, foram fazendo dele uma referência insubstituível na vida da CGTP-IN. Conhecendo, pelo que já havia vivido individual e colectivamente, o valor das causas dos trabalhadores, da liberdade e da democracia, abraçou o projecto sindical da CGTP-IN, identificou-se com toda a naturalidade nele, integrou-se no colectivo e nas suas formas de acção. Por isso foi vivendo com tanto inte-resse e sensibilidade cada manifestação, cada debate, plenário, conferência ou congresso, tornando-se participante obrigatório de todos eles. No seu espaço de trabalho houve sempre algo para criar. Foi, de facto, o João Silva que deu um cunho organizativo mais estruturado ao arquivo foto¬gráfico da CGTP-IN, e é graças a esse seu trabalho que dispomos hoje de um repositório histórico de inestimável valor para a vida sindical. Como repórter fotográfico com carteira profissional de jornalista, João Silva cobriu muitas centenas de acontecimentos sindicais num trabalho em que caldeava o sentido operário do dever profissional com uma apurada concep¬ção artística da fotografia, "vício" certamente alimentado pelas suas aventu¬ras de ser humano curioso, perante as mais diversas expressões de vida e de comportamentos e, também, pela sua experiência de assistente de imagem e profissional de múltiplas actividades na produção cinematográfica. Ao meter mãos-à-obra para transportar para a escrita as suas fabulosas histórias, João Silva sossegou todos aqueles que, sendo seus privilegiados ouvintes, entendiam ser uma perda irreparável as suas narrativas não pode¬rem chegar a muito mais gente. Maior surpresa é o facto de, nesta sempre difícil transposição do oral para o escrito, nada se ter perdido em termos da imagem do real e da vivacidade do discurso, o que revela mais uma qualidade do João que, até agora, estava escondida. No percurso que vai das histórias de Lisboa aos olhares deliciosos sobre pedaços da vida africana de Angola e Moçambique, dos episódios pessoais às recordações da prisão, da tropa e do cinema, e ainda, na expressão do seu pensamento político, encontramos relatos reais que reflectem o amor à liber¬dade, a cultura e o sentido ético da vida que nos habituámos a reconhecer ao João Silva. O 25 de Abril devolveu ao João Silva a Liberdade por que lutou de forma so¬lidária ao longo da sua vida. Conta ele que estava no Andulo, Angola, quando soube do que se passava então em Lisboa e diz-nos "Não chorara na véspera à noite, mas chorei naquela manhã". Ao lermos as histórias do João sentimo-nos reconduzidos à situação de crianças deslumbradas, tal é a originalidade, o sentido de humor e, sobretu¬do, o afecto e o humanismo, que nelas perpassam. João, todos nós, teus amigos e companheiros de tantas vivências no dia-a-dia do sindicalismo, das relações humanas, intervenção e luta social que ele significa, nos sentimos em dívida para contigo face aos ensinamentos imensos que nos vens oferecendo e vais continuar a oferecer. Havemos de ter a arte e o engenho necessários, a capacidade de dedicação às causas em que estamos, a alegria e confiança no futuro, suficientes para te irmos retribuindo. Sabemos também que essa vai ser a atitude daqueles que te conhecerem, pela primeira vez, através da leitura deste teu belo livro.
"Nasceu a 7 de Abril de 1916,em Lisboa, nos confins dopopular bairro lisboeta de Alfama. Começou a trabalhar aos 12 anos, como escriturário. Aos 17 anos troca o escritório pelos estúdios de cinema da Tobis. A sua ligação à sétima arte manteve-se até aos 49 anos, com duas interrupções forçadas. A primeira deu-se logo em 1934, ano da sua admissão na Tóbis, tendo como causa directa a sua participação na Revolta do 18 de Janeiro. O arrojo custou-lhe dois anos de degredo nos Açores. A segunda, por um período mais curto, veio na sequência do funeral de Bento de Jesus Caraça. João Silva estava a filmar a manifestação de democratas que a cerimónia do funeral constituiu, quando a polícia lhe arrancou o filme da máquina e enviou o seu autor, uma vez mais, para a prisão.
No cinema, João Silva foi sucessivamente claquette-boy, assistente de operador e operador, tendo chegado a ser assistente do realizador italiano Ettore Scola, no filme Perdido em África, rodado no deserto de Moçâmedes. Entre outros, trabalhou com os seguintes realizadores: Cottinelli Telmo, Chianca de Garcia, Jorge Brum do Canto, Arthur Duarte, António Lopes Ribeiro, Francisco Ribeiro, Alexandre Onuchi, Leitão de Barros, Perdigão Queiroga e Henrique Campos. O seu nome figura na ficha técnica de filmes como Canção de Lisboa, Bocage, Aldeia da Roupa Branca, João Ratão, Pai Tirano, O Leão da Estrela, Pátio das Cantigas, Fátima–Terra de Fé, Um Homem às Direitas, Ladrão Precisa-se, A Morgadinha dos Canaviais, Camões, Fado, Vendaval Maravilhoso, Filho do Homem do Ribatejo, Kill or be killed (fita americana), Cantiga da Rua e do já referido Perdido em África, de Ettore Scola, e do filme francês Singrid.
Cineclubista activo, João Silva pertenceu ao Círculo de Cinema, que acabou por ser encerrado pela Pide, e os seus membros mais destacados mandados para Caxias.
Em Janeiro de 1950, João Silva demanda terras de Angola, onde se dedica ao documentário, designadamente ao serviço da Telecine-Angola, e garante, durante vários anos, o Jornal de Actualidades.
Depois da independência de Angola, é convidado pela Televisão da República Popular de Angola para chefiar os serviços de cinema. Aceita o convite, mas cedo abdica da função de chefia, preferindo voltar para trás das câmaras. Regressa a Portugal em Agosto de 1979, sendo desde esse ano repórter fotográfico no departamento de informação CGTP-IN."
Posto isto que é muito meritório, falemos dos defeitos: Imaterialista incorrigível, solidário incondicional, narrador insuperável, modesto que até chateia, blogueiro invejável, não abre a boca para pedir e...porra:
Ainda diz que faço o favor de ser seu amigo!
Quem lhe desse com um valente abração em cima é que fazia bem
Congratulo-me com a medida, todas as que sejam tomadas para colmatar a carência da prestação dos cuidados de saúde constitucionalmente prestados,
[Artigo 64.º(Saúde)1. Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover.2. O direito à protecção da saúde é realizado:a) Através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito]
são bem vindas.
Interrogo-me: não temos capacidade para formar mais médicos, ou não temos candidatos à altura das exigências das faculdades de medicina com perfil?
É sabido que muitas famílias recorrem a Espanha para que os seus filhotes, excluídos do ensino médico em Portugal, realizem os seus anseios; por outro lado o nosso sistema de ensino investe em cursos que, sabemos de antemão, não terão saída.
Ah, como eu gostaria de compreender coisas aparentemente tão simples.
Comissão Europeia vai proibir produtos para crianças da China "A União Europeia vai impor um embargo total aos produtos para crianças provenientes da China considerados como produtos de risco, na sequência do escândalo do leite contaminado chinês, anunciou esta quinta-feira a Comissão Europeia."
Estamos perante uma sansão, né? Ou, "és feio não brinco mais contigo". É uma lógica do caraças! Bem gostaria de a ver aplicada aos óleos adulterados, provenientes de Espanha, ou ao vinho nacional, a martelo.
Na verdade quatro crianças, até ao momento, já não é pouco; cheguem-lhes sanções a sério e já agora que tal falar de brinquedos e brincadeiras: que tal menos restrições à produção de leite? E que tal criar excedentes para os enviar prós Biafras e Somálias?
Coro de escárnio e lamentação dos cornudos em volta de S.Pedro Coplas dedicadas às fogosas e vampirescas mulheres daBeira,de quem já Abel Botelho disse o que disse. Monólogo do primeiro cornudo: Acordei um triste dia Com uns cornos bem bonitos E perguntei à Maria Porque me pôs os palitos Jurou por alma da mãe (Com mil tretas de mulher) Que era mentira Tambem,ainda me custava a crer Fiquei de olho espevitado Que calado é o mehor E para não re-ser enganado Redobrei gozos de amor Tais canseiras dei ao físico Tal ardor pus nos abraços Que caí morto de tísico Com o sexo em pedaços Já esperava por isto a magana? Já previra o que se deu? Do Além via-a na cama Com um tipo pior que eu Vi-o dar ao rabo a valer Fornicando a preceito Sabia daquele mistério Que puxa muito do peito Foi a hora de me eu rir Que a vingança tem seus quês O mais certo é para aqui vir Ainda antes que passe um mês Arranjei um bom lugar Na pensão de Mestre Pedro Onde todos vão parar Embora com muito medo Não passava de uma semana O meu dito estava escrito Vítima daquela magana Pobre tísico,tadito Dueto dos dois cornudos: Agora já somos dois A espreitar de cá de cima Calados como dois bois Vendo o que passa na vida Meteu na cama mais gente Um,dois,três logo a seguir Não há piça que a contente É tudo o que tiver de vir São Pedro,indignado,pragueja: É demais,arre diabo-berra S.Pedro,sandeu- E mortos por dar ao rabo,lá vêm eles p'ró ceu... Coro,pianíssimo,lirismo nas vozes: Quem morre como um anjinho... Quem morre por muito amar... Coro,agora narrativo ou explicativo: Já formamos um ranchinho,de cá de cima a espreitar Aparte do autor das coplas:-coitadinhos Passam meses,passa tempo e a bela não se consola Já somos um regimento como esses que vão para a Angola Fazemos apostas lindas sempre que vem cara nova Cálculos,medidas infindas,como ela terá a cova! Há quem diga que por si já não lhe tocou o fundo Outros juram que era assim do tamanho deste mundo Parecia uma piscina!-diz um do lado,espantado- Nunca vi uma menina num estado tão desgraçado (Aparte do autor,antigo militante das esquerdas baixas) Num estado tão desgraçado,parece-me ouvir o povo Chorando seu triste fado nas garras do Estado Novo O ultimo que cegou cá morreu que nem um patego Afogado e era mar nos abismos daquele pêgo O coro dos cornudos acompanhado por S.Pedro em surdina,entoa a moralidade,após ter limpado as últimas lagrimetas e suspirado como só os cornudos sabem:ahh! Mulher não queiras sabida Nem com vício desusado Que podes perder a vida Na estafa de dar ao rabo Escolhe donzela discreta Com os três no seu lugar Examina-lhe bem a greta Não te vá ela enganar E depois de lhe veres o bicho E as mamadeiras que tem A funcionar a capricho Já sabes se te convem Mulher calma,é estima-la Como a santa no altar Cabra doida,é rifa-la Que não venhas cá parar Este conselho te dão E não te levam dinheiro Os cornudos que aqui estão Com São Pedro hospitaleiro Invejosos,quase todos Dos cornos que o mundo guarda Fazem mais um bocado de lamentação (Nota do autor-quase,porque,entretanto alguns brincavam uns com os outros.Rabolices... Mas se fornicas a rodos tua vida aqui não tarda Recomeça a moralidade,estilo 'estão verdes,não prestam' Alguns bêbedos,cornudos despeitados ou amargurados,vozes pastosas (deve ler-se vinho...velhinho) Melhor que a mulher é o vinho Que faz esquecer a mulher Que faz do amor já velhinho Ressurgir de novo o prazer Finale muito católico Assim termina o lamento Pois recordar é sofrer A mãe fode É bom sustento E por nós reza o pater Luiz Pacheco,num dia em que se achou mais pachorrento.
Farsa trágico-cómica. Peça em muitos actos (ainda não se sabe quantos)
Personagens:
Isabel Soares, chefe de gabinete do vice-presidente da Câmara de Lisboa, ex-presidente da Gebalis, empresa municipal que gere a habitação social de Lisboa. dr. José Bastos director do departamento de apoio aos órgãos do município, tenta comprar casa da câmara em boas condições (a defenir o que são boas condições). Ana Sara Brito, actual vereadora da Habitação e Acção Social, ex-Presidente de Freguesias António Costa Chefe de autarquia, sub-chefe de maioria nacional Comentador telegénico Ex-corredor da modalidade Porsch vs Burro Santana Lopes: Ex-primeiro ministro. Presidente da CML Presidente de um partido, quase completamente. irá também ser constituído arguido Helena Lopes da Costa. A actual deputada do quase comletamente. constituída arguida num processo de alegado favorecimento na atribuição de habitações Miguel Almeida, também deputado do tal partido também constituído arguido Manuela Ferreira Leite, Presidente do completamente partido, testemunha de um dos arguidos no caso,
Margarida Sousa Uva, mulher de presidente emigrado testemunha arrolada. Miguel Relvas
misteriosa figura Marco Almeida, vice-presidente da autarquia Sintrense.
Sinopse:
Zangam-se as comadres e não se descobrem as verdades, talqualmente. Helena é acossada arrastando consigo para a rua, enlameada, das amarguras: Pedro, e Miguel. Ficará isto assim? Não! Põe a boca no trombone e… das brumas surge... Isabel, que tem uma casa atribuída pela autarquia há 18 anos, já não vive nela; na casa está agora o seu filho. Isabel tenta adquirir a casa, a um preço abaixo do valor de mercado. O processo acaba por ser aprovado, a data da escritura marcada, mas... o processo esbarrara na vereadora Helena, que tinha o pelouro da Habitação Social, e que acaba por remeter o assunto, juntamente com um outro – o do dr. Bastos -, para o gabinete do, na altura, presidente Santana.
Entram em cena com sus trajes andaluces, e peruquerias: Manela, Pedro e muitos outros…
TU ME QUIERES alba, Me quieres de espumas, Me quieres de nácar. Que sea azucena Sobre todas, casta. De perfume tenue. Corola cerrada
Ni un rayo de luna Filtrado me haya. Ni una Margarita Se diga mi hermana. Tú me quieres nívea, Tú me quieres blanca, Tú me quieres alba.
Tú que hubiste todas Las copas a mano, De frutos y mieles Los labios morados. Tú que en el banquete Cubierto de pámpanos Dejaste las carnes Festejando a Baco. Tú que en los jardines Negros del Engaño Vestido de rojo Corriste al Estrago.
Tú que el esqueleto Conservas intacto No sé todavia Por cuáles milagros, Me pretendes blanca (Dios te lo perdone), Me pretendes casta (Dios te lo perdone), ¡Me pretendes alba!
Huye hacia los bosques, Vete a la montaña; Límpiate la boca; Vive en las cabañas; Toca con las manos La tierra mojada; Alimenta el cuerpo Con raíz amarga; Bebe de las rocas; Duerme sobre escarcha; Renueva tejidos Con salitre y agua; Habla con los pájaros Y lévate al alba. Y cuando las carnes Te sean tornadas, Y cuando hayas puesto En ellas el alma Que por las alcobas Se quedó enredada, Entonces, buen hombre, Preténdeme blanca, Preténdeme nívea, Preténdeme casta.
E já agora, mais casta e mais fiel... ao textoPerdi-o mas encontrei este.
Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara, Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele; E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha (Exceto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro: Não sou parvo nem romancista russo, aplicado, E romantismo, sim, mas devagar...). Sinto uma simpatia por essa gente toda, Sobretudo quando não merece simpatia. Sim, eu sou também vadio e pedinte, E sou-o também por minha culpa. Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte: E' estar ao lado da escala social, E' não ser adaptável às normas da vida, 'As normas reais ou sentimentais da vida - Não ser Juiz do Supremo, empregado certo, prostituta, Não ser pobre a valer, operário explorado, Não ser doente de uma doença incurável, Não ser sedento da justiça, ou capitão de cavalaria, Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas Que se fartam de letras porque tem razão para chorar lagrimas, E se revoltam contra a vida social porque tem razão para isso supor.
Não: tudo menos ter razão! Tudo menos importar-se com a humanidade! Tudo menos ceder ao humanitarismo! De que serve uma sensação se ha uma razão exterior a ela?
Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou, Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente: E' ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio, E' ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte.
Tudo o mais é estúpido como um Dostoiewski ou um Gorki. Tudo o mais é ter fome ou não ter o que vestir. E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece.
Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato, E estou-me rebolando numa grande caridade por mim.
Coitado do Álvaro de Campos! Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações! Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia! Coitado dele, que com lagrimas (autenticas) nos olhos, Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita, Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha olhos tristes por profissão
Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa! Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!
E, sim, coitado dele! Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam, Que são pedintes e pedem, Porque a alma humana é um abismo.
Eu é que sei. Coitado dele! Que bom poder-me revoltar num comício dentro de minha alma!
Mas até nem parvo sou! Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais. Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido.
Não me queiram converter a convicção: sou lúcido!
Já disse: sou lúcido. Nada de estéticas com coração: sou lúcido. Merda! Sou lúcido.
Surgiram por fim; direitos à aventura de muitas de umas férias promissoras, pulando degrau a degrau para alcançarem mais abaixo a vereda encravada entre morros e o vazio orlado por capim. Deu-lhes o avanço necessário para não “levar uma corrida” e afoitou-se. O peito apertava-se, finalmente podia penetrar no mundo proibido, e se achava que o cenário correspondia às descrições, achava também que uma grande dose de exagero havia no que dizia respeito aos perigos narrados. Procurava reter cada pormenor, guardava a miscelânea de sensações que a assaltavam: cores, sons e cheiros; pela certa que ali não voltaria. O caminho ao princípio largo e de acentuado declive, tornava-se mais plano e estreito.Reconheceu o começo da Tundavala, nome roubado pelos rapazes para se referirem à estreita garganta que rasgava o morro que como um rio começava estreita e, serpenteando, se ia alargando e afundando. O caminho estreitava cada vez mais e ela cada vez mais se cozia à parede do morro, pernas tremendo. De repente estacou. O caminho, cada vez mais estreito, desaparecia numa curva apertada, como que suspenso no ar. Sentou-se, sentido o coração crescer no peito, olhou para trás e reprimiu as lágrimas juntando coragem para fazer o caminho de volta. Algum tempo passou porque sentiu o sol queimar-lhe o corpo. Tomou coragem, levantou-se, deu dois passos de volta e quando pressentiu um movimento na suas costas; voltou-se aterrorizada e… viu o Pirolito correndo na sua direcção. O rosto iluminou-se-lhe de alegria, o canito endiabrado atirava-se-lhe às pernas, ladrava aflito, fugia por onde tinha vindo e voltava ao mesmo. Percebeu que queria que o seguisse. Venceu a curva temida coladinha à parede do morro, juntou forças para ultrapassar uns degraus escavados na terra, observada pelo Pirolito como que a incentivá-la, e viu-o partir de novo correndo. -Pirolito, gritou, anda cá já –mas ele nada. -Pirolito!!! Pareceu-lhe ouvir gritarem: -Ajuda-me… Pôs o ouvido à escuta: -Ajuda-me, ajuda-me… Correu caminho abaixo sem querer saber se era largo ou estreito, deparou com Alfredo, suspenso sobre a ravina,, agarrado ao capim, o Pirolito mordendo-lhe os cabelos. Correu para eles, sentou-se no chão, deu-lhe uma mão e puxou, puxou…