segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Barrocas II

Quem não mordeu a maçã da índia parte desta vida sem conhecer um pouco do céu.

Não tardou muito que Alfredo aparecesse à varanda. Balançou o ramo onde se instalara, o suficiente para se fazer notada. –Hei! –ela nada– -Pauliiinha, tornou ele. Paulinha!!!! -já era coisa merecedora do: –Que é? –Viste o Dudu, o Lélé? –Foram pá Missão. –Cabrões! Oh Victor, os gajos foram pá Missão. –Cabrões, concordou logo o Victor. –E levaram as fisgas, picou ela.
Num foguete já estavam cá em baixo, e ela também. Espingarda de chumbos na mão Victor perseguido por Alfredo, capengando na sua perna marota, passo marcado pelos chumbos embolsados a chocalhar na caixa, eram por sua vez seguidos de perto por Paula. –Vai-t’embora. –Não vou nada, ora essa! Estacaram ameaçadores mas ela,também, ameaçadora disse: -Não foram pá Missão. –Então?! –Não foram. –Então, porra, merda, ENTÃO? –Só digo se puder ir. –Então? –Juras? –Juro. –E tu? –Juro, anda lá, porra… –Foram pás Barrocas. –Pás BARROCAS!? –dise um. –Pás Barrocas não vais disse o outro. –Mas… vocês juraram!!! –Mas não vais, isso é qu’era bom! (e poderia ter acrescentado: ponto final).
Quem jura… mais mente, mas o que ela em mente tinha…


Os Jovens Do Prenda - Lamento De Mãe

Afinal...

faltava contar as favas


domingo, 7 de setembro de 2008

depressões súbitas

A colega era nova. Queixava-se do horário, do quarto frio em cave escura e diminuto, da distância de casa, da enxaqueca… Convidei-a para um cafezinho que se prolongou entre silêncios embaraçosos e mais uns quantos lamentos. Lá dentro a rádio local emitia os sucessos do momento; de quando em quando metia informações úteis, tais como:


Segundo avança a Rádio Renascença, Leiria, Coimbra, Guarda, Viseu, Aveiro, Bragança, Vila Real, Porto, Braga e Viana do Castelo serão os distritos afectados, nas próximas horas, por chuva e ventos fortes, razão pela qual a Autoridade Nacional de Protecção Civil avançou já com os habituais conselhos de auto-protecção.



Perante tanto infortúnio e ainda para mais com tanto Gustavo e Ike a fazer estragos por aí, arrisquei:


-Com este tempo, se calhar, era bom ficares lá em minha casa…
-Obrigado, mas não ouvi falar no distrito de Setúbal!
-Pois não! Mas nunca se sabe como o tempo evolui, né?
-Obrigado na mesma, mas… estou em alerta vermelho.


Pegou na mala, levantou-se. Vi afastar-se num belo movimento de saias.


Não percebi nada. E elas é que se queixam de não nos perceberem!

Hurricane - Bob Dylan

Hurricane (Bob Dylan and Jacques Levy)


Pistol shots ring out in the barroom night
Enter Patty Valentine from the upper hall.
She sees the bartender in a pool of blood,
Cries out, "My God, they killed them all!"
Here comes the story of the Hurricane,
The man the authorities came to blame
For somethin' that he never done.
Put in a prison cell, but one time he could-a been
The champion of the world.

Three bodies lyin' there does Patty see
And another man named Bello, movin' around mysteriously.
"I didn't do it," he says, and he throws up his hands
"I was only robbin' the register, I hope you understand.
I saw them leavin'," he says, and he stops
"One of us had better call up the cops."
And so Patty calls the cops
And they arrive on the scene with their red lights flashin'
In the hot New Jersey night.

Meanwhile, far away in another part of town
Rubin Carter and a couple of friends are drivin' around.
Number one contender for the middleweight crown
Had no idea what kinda shit was about to go down
When a cop pulled him over to the side of the road
Just like the time before and the time before that.
In Paterson that's just the way things go.
If you're black you might as well not show up on the street
'Less you wanna draw the heat.

Alfred Bello had a partner and he had a rap for the cops.
Him and Arthur Dexter Bradley were just out prowlin' around
He said, "I saw two men runnin' out, they looked like middleweights
They jumped into a white car with out-of-state plates."
And Miss Patty Valentine just nodded her head.
Cop said, "Wait a minute, boys, this one's not dead"
So they took him to the infirmary
And though this man could hardly see
They told him that he could identify the guilty men.

Four in the mornin' and they haul Rubin in,
Take him to the hospital and they bring him upstairs.
The wounded man looks up through his one dyin' eye
Says, "Wha'd you bring him in here for? He ain't the guy!"
Yes, here's the story of the Hurricane,
The man the authorities came to blame
For somethin' that he never done.
Put in a prison cell, but one time he could-a been
The champion of the world.

Four months later, the ghettos are in flame,
Rubin's in South America, fightin' for his name
While Arthur Dexter Bradley's still in the robbery game
And the cops are puttin' the screws to him, lookin' for somebody to blame.
"Remember that murder that happened in a bar?"
"Remember you said you saw the getaway car?"
"You think you'd like to play ball with the law?"
"Think it might-a been that fighter that you saw runnin' that night?"
"Don't forget that you are white."

Arthur Dexter Bradley said, "I'm really not sure."
Cops said, "A poor boy like you could use a break
We got you for the motel job and we're talkin' to your friend Bello
Now you don't wanta have to go back to jail, be a nice fellow.
You'll be doin' society a favor.
That sonofabitch is brave and gettin' braver.
We want to put his ass in stir
We want to pin this triple murder on him
He ain't no Gentleman Jim."

Rubin could take a man out with just one punch
But he never did like to talk about it all that much.
It's my work, he'd say, and I do it for pay
And when it's over I'd just as soon go on my way
Up to some paradise
Where the trout streams flow and the air is nice
And ride a horse along a trail.
But then they took him to the jailhouse
Where they try to turn a man into a mouse.

All of Rubin's cards were marked in advance
The trial was a pig-circus, he never had a chance.
The judge made Rubin's witnesses drunkards from the slums
To the white folks who watched he was a revolutionary bum
And to the black folks he was just a crazy nigger.
No one doubted that he pulled the trigger.
And though they could not produce the gun,
The D.A. said he was the one who did the deed
And the all-white jury agreed.

Rubin Carter was falsely tried.
The crime was murder "one," guess who testified?
Bello and Bradley and they both baldly lied
And the newspapers, they all went along for the ride.
How can the life of such a man
Be in the palm of some fool's hand?
To see him obviously framed
Couldn't help but make me feel ashamed to live in a land

Where justice is a game.

Now all the criminals in their coats and their ties
Are free to drink martinis and watch the sun rise
While Rubin sits like Buddha in a ten-foot cell
An innocent man in a living hell.
That's the story of the Hurricane,
But it won't be over till they clear his name
And give him back the time he's done.
Put in a prison cell, but one time he could-a been
The champion of the world.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Barrocas I

Ah malandra! – atazanava ela – Olha-me para esses pés, olha-me para essa blusa, para essa saia!
Fora apanhada a esgueirar-se para a casa de banho. - E isto é que são horas?

Para trás ficara o primeiro dia de férias. Sorrateiramente, logo que a avó, bem cedo, saíra de casa, voou para fora dela a morder o pão com goiabada, sem tempo de afivelar as sandálias, ao encontro da felicidade. E a felicidade morava, logo ali, onde terminava o alcatrão e começavam as cubatas: a do Dudu e da irmã, a do Lelé e das irmãs, restos entalando a casa de dois andares do Victor e do Alfredo, filhos do Sr.Silva camionista, que assinalava nova fase de conquista dos muceques, por uma cidade em expansão emperdenida. Vagueou entre elas perseguida pelo Pirolito. Ah o Pirolito! -cauda enrolada entre as pernas, em permanente zig-zag, no seu branco sujo manchado de negros, primeiro e incondicional compincha de todas as brincadeiras. À segunda volta, Lélé saindo de sua “casa”, espreguiçando o corpo dourado, costelas para fora, num cristo mal amanhado, recebeu-a com um muchocho, facilmente ultrapassado com a partilha do pão que ela roía e ele fez desaparecer em duas penadas; a Dudu bastou a primeira conversa para se apresentar com a sua carapinha desalinhada, dentes a destoar em tanto preto; o milagre do pão que restava aconteceu, mas pela última vez. Passivamente assistiu à decisão da programação do dia: Barrocas do Porto, por unanimidade e sem aclamação. O coração apertou-se-lhe porque barrocas não seriam brincadeira para ela, sabia-o bem. Viu-os recolherem as fisgas, escolherem as melhores pedras, as redondinhas, e partirem. Os “Bicos de Lacre” e “Peitos Celeste”, Cucos até, que se cuidassem.

Trepou à macieira da índia, escolheu as madurinhas, seguindo-os, lá do alto, viu-os atravessar o campo da bola para atalharem nas cubatas mais além.


Serenata do adeus.mp3 - Duo Ouro Negro

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Fado de amor, de amigo talvez

Espírito de leoa em outro corpo, lutando contra todos , é assim que a viam e a mordiam pelas costas. Não a viam lutando contra si mesma, presa a cadeias que a manietavam e diariamente rebentava, sabendo que outras nasceriam para se lhes ferrarem, mais que a carne, a alma.
Desenganem-se os que viam no seu rir ou no seu gesto desenvolto motivo de inveja; a sua língua certeira, e o olho em riste e de caras, que vos afrontavam e tanto temiam, a sua simples presença que vos fazia baixar a voz, ou até mudar de assunto não era uma ameaça porque incrivelmente desarmada andava ela.
Senhoras, aquele corpo de menina que tanto vos apoquentava, só aparentemente era frágil; saibam que os excessos correspondiam ao seu espírito. Quais excessos, muito amar? Amasse-se ela a si própria e ter-se-ia feito tão feliz como a tantos, acreditem, fez. Se quiserem falar de excessos, falem daqueles que se vos acumulam nas ancas, vos dilatam as barrigas e vos secam o ego.
Compreendo a vossa inveja mas não vos perdoo tanto mal querer, compreendo o mal dizer, afinal elogio vindo de quem vem, mas não vos perdoo a mentira e as suezes alusões. Na verdade até me merecem pena porque ela é a imagem que o vosso espelho não vos devolve. Não é?

Soubessem a dor que a assolava, quando via faltar a outros o que não lhe sobejava... como se ressentia do sofrimento de cão ou gato... como desejou ganhar asas e como se ateve, quase conformada, a um destino...

O mundo tão grande e a sua mão tão pequenina!
Fui dizer mal de ti a toda a gente,
Jurei, teimei, a todos convenci
Que eras um impostor que nada sente
E ainda hoje disse mal de ti!

Afirmei que me bates, que me oprimes,
Que és covarde, que és cínico e promíscuo!
Serias bem capaz dos maiores crimes,
Se te pagassem bem! Disse tudo isto!

Todos me acreditaram cegamente!
Nalguns olhos vi lágrimas luzindo!
Chorei, gritei, gemi cinicamente,
Mas cá dentro minha alma ia sorrindo!

Na boca das mulheres vi o lume
Do ódio, do rancor que eu acendi!
Menti a toda a gente por ciúme!
Só eu quero gostar, gostar de ti!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Como os chapéus, há muitos… III

Centristas

Não falo daqueles que peroram no parlamento ainda que sentados à direita. Ainda que se diga que é no meio que está a virtude, de virtudes está o inferno cheio e na terra ainda sobram muitas... pelo menos é o que ecoa.
Falo sim dos que do Vale do Coa ao Zambeze, dos que do Minho a Timor, sem temor, alardeiam a necessidade da manutenção dos ecossistemas e quando começa a vir à baila a porra dos sistemas…


Da formiguinha ao lince da Malcata, do imbondeiro ao aloé ou à doce ervinha, né?, da porra do jacaré à merda da hiena ou à merda de guano, tudo é para manter, pronto aceito.

E eu? Quem me mantém? Quando é que me metem no (eco)sistema? Tá bem, sei que sou um predador de viúvas, se elegantes, e seria de teenagers se isso nã desse cadeia. Papo tudo que seja de boa carne e só se safam os legumes, as frutas e os verdes porque me fazem cair o cabelo, principalmente os verdes. Ah por falar em verdes e queda de cabelo, vem-me à memória Fulguroso Esperto. E porquê? Esperto até é senhor de farta cabeleira! Mas as associações de ideias, como as cerejas, fizeram-me chegar a D. Ferreira, XICo. Esse mesmo o dos minutos verdes e dos vulgos carvalhos, lat. Quercus, pois foi, este mesmo, o mentor de Fulguroso.
Fulguroso ,é de bater Palmas, e não só. Acérrimo defensor dos sistemas, com ele não há carvalho que vá abaixo ou barragem que vá acima, não há aeroportos, pontes e TVG’s, sem estudos de impacto ambiental, , ou impacte, feito por empresa idónea e por eles recomendada; nada avança sem queixa para Bruxelas; co-incinerações ou aterros sanitários… isso é qu’era bom, a ver vamos quem fez o projecto.


Bom a conversa vai longa, chega de gastar latim com os ecocêntricos, pois.


Fulguroso Esperto, nascido a 25 de Abril de 1974, ao dar um passo mais longo do que a perna permitia, foi vítima de forte distensão na virilha.


Vai amanhã, definitivamente, a enterrar e não lamento nada.

Mas quem sou eu para…




Os Demitidos - Jorge Palma

Estás demitido, obviamente demitido
tu nunca roubaste um beijo
e fazes pouco das emoções
és o espantalho dos amantes.
Estás demitido, obviamente demitido
evitas a competência
não reconheces o mérito
és um pilar da cepa torta

E assim vamos vivendo
na província dos obséquios
cedendo e pactuando enquanto der
filósofos sem arte, afugentamos o desejo
temos preguiça de viver

Estás demitido, obviamente demitido
subornas os próprios filhos
trocaste o tempo por máquinas
tu és um pai desnaturado.
Estás demitido, obviamente demitido
arrasas a obra alheia
às vezes usas pseudónimo
tu és um crítico de merda

E assim vamos vivendo...

Estás demitido, obviamente demitido
encostas-te às convergências
nunca investiste num ideal
tu sempre foste um demitido
tu foste sempre um demitido
já nasceste demitido!

sábado, 23 de agosto de 2008

Poema pequenino *

Contrariamente ao habitual deitou-se cedo e adormeceu logo. Dormiu de seguida para acordar com o sol a despontar, surpreendentemente bem disposto; pronto já está, pensou, sessenta já cá cantam e não custou nada. Desfez a barba de três dias que há anos o acompanhavam, saltou para a banheira e após um duche rápido que culminou a água fria, baldou-se da banheira e dirigiu-se à cozinha chapinhando a tijoleira, com cuidado, não fosse o demo tecê-las. Fez um café forte e dirigiu-se á varanda de trás, sentado na cadeira de lona, fez escorregar o rabo e apoiou os calcanhares no murete. Mirou os pelos do peito, cada vez mais brancos, meteu as mãos entre as pernas e afagou os tomates pensativo; foi afagando, afagando… Sobreveio uma erecção em crescendo, tomou o resto do café de uma assentada, fechou os olhos e continuou o, deliciado, doce afago acariciando o peito até que sentiu o corpo ser percorrido por um agradável tremor; ofegante deixou-se ficar por instantes de olhos fechados com um quase sorriso nos lábios.
Levantou-se rindo, com aquele riso que o persegue deste sempre.


-Parabéns, conta muitos, disse ainda gargalhando.



* a uma amiga que com os seus doces afagos me consegue fazer vir... em palavras; e com esta me devo ir, até para a semana. Bjs.


고마워요 (Thank You) (Duet 배슬기) - 안젤로

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Como os chapéus, há muitos… II

Grilos

Não falo daqueles que competem com as cigarras no alegrar dos verões, ainda que deles se diga que só moem a cabeça, não deixam dormir, ainda que em noite de aperto, com o calor a morder e o barulho do silêncio instalado na cabeça, se rebole na cama. Falo sim dos grilos da consciência, daqueles que nos sussurram sobre o ombro qual o caminho a trilhar. Falo por exemplo de Fulguroso Esperto, que me apontava o dedo ao peito advertindo-me para a possível negritude dos meus pulmões.


Ainda a (des)conhecida (para o Sô Zé) lei do tabaco estava a muitos anos de parir e já Fulguroso Esperto entrava em crises de asma, só por me ver levar a mão ao bolso da camisa; pusesse eu o cigarrito nos lábios e Fulguroso ficava roxinho; chegada a chama ao tabaco, Esperto, enrouquecia. Enrouquecido e meio desfalecido perorava:


-È uma questão de força de vontade e de respeito pelos outros; eu que fumei durante trinta anos…

Mas que fazer? Força eu tenho alguma, mas vontade... vontade não tenho nenhuma.


Fulguroso Esperto, nascido a 25 de Abril de 1974, foi vítima de aneurisma anal.
Vai amanhã a enterrar. Lamento que não tivesse deixado de fumar um ano mais cedo, talvez o hemorroidal tivesse resistido mais um pouco.


Mas quem sou eu para…



Saudade - Luis Represas

Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade...

Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade...

Chegou hoje no correio a notícia
É preciso avisar por esses povos
Que turbulências e ventos se aproximam
Ahhh, cuidado...

Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade...

Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade...

Foi chão que deu uvas, alguém disse
Umas porém colhe-se o trigo, faz-se o pão
E se ouvimos os contos de um tinto velho
Ahhh, bebemos a saudade...

Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade...

E vem o dia em que dobramos os nossos cabos
Da roca a S. Vicente em boa esperança
E de poder vaguear com as ondas
Ahhh, saudades do futuro...

Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade.

Como os chapéus, há muitos… I

Policias
Não falo daqueles que faltam em esquadras e ruas, ainda que se diga sobrarem enquanto folgam as costas; porque em momento de aperto, quando o pau vem e a carteira se vai, de esticão, o carro muda de mãos fruto, ou furto, de um tal, afamado Car Jacking… aqui d’el rei.

Falo sim dos policias que residem dentro de nós, que nos fazem buzinar. Buzina-se por dá cá aquela manobra! Buzina-se em rotundas por hipotéticos atropelos de prioridade, buzina-se porque alguém vai a velocidade errada, depressa ou devagar demais. Buzina-se e incendeiam-se os faróis porque indevidamente se ultrapassou, ou porque a galinha, que nos precede, nunca mais ultrapassa o camião…

Os polícias que dentro de nós habitam, buzinam, buzinam e castigam:

Quando seguia na sua mão, junto a traço contínuo, Fulguroso Esperto, nascido a 25 de Abril de 1974, foi vítima de colisão frontal.
Vai amanhã a enterrar. Lamento o seu azar, saúdo a sua coragem, louvo o seu sacrifício: ainda que dispusesse de uns generosos seis metros à sua direita, não abdicou dos seus direitos.

Mas quem sou eu para…


Sê um GNR - G.N.R.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Tão amigos que nós éramos!

O estado português é sustentado por órgãos cujos poderes se pretendem independentes. A sua organização administrativa contempla, para alem do governo central, a administração autárquica e a esta acresce a administração regional, de momento e até que outras sejam criadas, da Madeira e dos Açores.
Organiza-se, segundo princípios democráticos que visam a independência dos seus órgãos e existe contudo a possibilidade da fiscalização de uns órgãos pelos outros. O Presidente da República (PR) é o mais alto magistrado da nação, emanando o seu poder de sufrágio universal e directo, está obrigado a respeitar e fazer respeitar o texto constitucional.
O poder legislativo e executivo é assumido após renhidas lutas politicas; umas públicas, ruidosas e agitadas, e outras intestinas, surdas e calculistas.

Temos um PR, de todos os portugueses, de coração marcado pelas setas populares ou social-democratas e um governo central, sustentado por uma maioria parlamentar/legislativa, com a marca d’água de uma rosa “apunhalada” ou de um punho “rosado”.

Do PR, do Governo e da oposição:
Tivemos até agora uma louvável cooperação institucional que superou as expectativas e deitou por terra os arautos da desgraça, os nostradamus apocalípticos que peroraram sobre os perigos de um presidente de direita. A desorganização da oposição PSD/PPD e a execução de reformas por parte do PS que o fariam dizer delas, se não estivesse no poder, o que o profeta não disse do toucinho, poderão ser a justificação de tanta harmonia. Resta a oposição de esquerda que deita o olho guloso ao eleitorado descontente, sujeita a regimes de baixo teor calórico, e adivinhando algum aumento de peso nos próximos banquetes eleitorais –não se esqueçam eles de que a amnésia do povo é longa.

Se isto da redução dos poderes presidenciais, no que diz respeito ao Estatuto Político-Administrativo dos Açores, desse para o torto, que não dará, se a maioria parlamentar somente corrigir os atropelos detectados pelo Tribunal Constitucional, o que é possível, este sistema semi-presidencialista permite que o PR, ouvidos os que tiver ouvir, convoque eleições antecipadas, o que não me cheira.

Então…! Então, parafraseando: nada se perde mas, mas pelo menos, algo se transforma. Transforma-se e não é a partir do nada. Transforma-se a partir do momento que o Leite, derramado no PPD/PSD, de Manuela Ferreira, lhe dá alguma esperança de vida.

“Governais… é bem feito.” Disse Almeida Santos em memorável discurso, quando pela primeira vez, in illo tempore, o PS cedeu o poder a favor do PPD/PSD, à laia de, digo eu, “se soubésseis, quão difícil é governar…”. Pois bem, vaticino que, contra o que é de momento projectado, as favas não estão contadas. A harmonia vai continuar entre Belém e S. Bento; vai continuar mas tensa. A dupla Cavaco/Leite, o grão-mestre e a mestrina, preparam pela certa um conserto, a orquestra de câmara já existe e para que tudo corra bem há que silenciar os desafinados.

A tempestuosa comunicação do PR, bem vistas as coisas, não passa de tempestade em copo de água. Queixa-se o PR de não ser admissível que lhe limitem os poderes, o que se me afigura de falacioso, na medida em que o seu poder de dissolução do Parlamento regional açoriano se mantém - ainda que possa que ter que ouvir, em coro, o Conselho de Estado e a solo o presidente do Governo Regional. Ganda coisa!

Olhem, para mim chateia-me muito mais conviver com a ideia de ser governado por um senhor que promete umas coisas bué de interessantes e que depois confessa não estar à altura de governar, porque afinal desconhecia o estado da nação -estou até disposto em alinhar no pagamento dos custos da repetição de eleições quando se verificarem aldrabices eleitorais, sem prejuízo de os aldrabões serem irradiados da participação na vida politica. Em consequência da aludida ignorância temos que mamar com exactamente o contrário do que nos fora prometido, é caso para dizer que foi uma tanga.

Da tanga, passámos a nus, e ele passa sem que lhe atirem à cara que ele, qual rei, também nu vai.
É obra né?
A Constituição é que não pode ser atropelada, de resto vale tudo inclusive mudá-la, mas para isso é preciso uma maioria qualificada e aí não é a porca que torce o rabo mas sim o rabo que torce a porca.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Assim era pois assim nascera: virado do avesso.
Chegada a hora de pular para a vida não se fez de rogado, recusando o vulgaríssimo mas apreciado atirar-se de cabeça, optou por oferecer aos presentes os pezinhos.
A primeira patada fora dele, é verdade, mas muitas lhe seriam devidas, como prenuncia o popular aviso de que o primeiro milho é para os pardais.
Para celebrar a chegada começou logo por levar duas nalgadas a pretexto de que era imperioso pôr os pulmões a bulir, ao que respondeu com uma respeitável choradeira, choradeira essa que no decorrer da sua feliz infância lhe valeriam outras tantas boas surras até aprender o que eram as birras. Não terão sido propriamente birras as xinfrineiras que fazia, mas até ser sentenciado à sua doce mãe que o leite que esta lhe oferecia carecia de certificação de qualidade, pode-se dizer que o petiz tinha as orelhas a arder pelas quase pragas que lhe eram unanimemente lançadas pelo pessoal lá da casa e que mais tarde veio a tomar consciência de ser a família. Enfim, passado ao regime do leite em pó, as coisa lá se foram compondo.
Há quem diga que quem torto nasce, tarde ou nunca se endireita mas uma apurada educação baseada no são principio de que é de pequenino que se torce o pepino salvaram-no, à força de muito bom conselho e de muiiiiitas e melhores palmadas de maus caminhos, como por exemplo o de alimentar a horda dos sinistros podendo hoje orgulhar-se de ser um excelente exemplar de dextro desajeitado.
Têm razão. E esta porra interessa a quem?
À laia de consolação deixo-vos este video que não é propriamente ortodoxo.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

O pão, o pau e a nau.

O conforto deste divã permite abrir o que trazemos trancado na alma: pieguices, fantasmas ou efabulações.
Construímos histórias bonitas, ancoramos a fé onde podemos ou dá jeito, como é o caso da ideia que tenho da grande reserva de solidariedade a que se permitem os que muito pouco têm. Refiro-me concretamente ao meu conhecimento, relativamente próximo, de comunidades africanas que demandaram Portugal em busca de tranquilidade e de (alguma) dignidade social. LOTAÇÃO ESGOTADA era conceito desconhecido para tais comunidades, ou famílias se preferirem, havendo sempre lugar para mais um que chegasse, entendendo-se por lugar: cobertor, pão ou um módulo de transporte.
Estas comunidades viviam em crise e geriam-na, aos olhos da sociedade onde pretendiam inserir-se, de forma incompreensível.
O que recentemente se passa na República Sul-africana (RSA) leva-me a pensar que se deve ter cuidado ao olhar a floresta que esconde a arvore. Tomar a parte pelo todo, generalizar, é um passo para conclusões erradas, o inverso é igualmente verdadeiro.
O sentimento de pertença que tão fortes implicações cria, cria por outro lado sentimentos de rejeição. Sabido que a grande nau corresponde proporcional tormenta, desenrolam-se, num ambiente de incontroláveis emoções, cenas degradantes que, suspeito e quero crer, de espontâneas só têm a aparência.
Escasseia a razão quando o pão a partilhar escasseia, e porque uma reserva de mão de obra (um pouco) mais barata, ao alcance de detentores de bens e meios de produção, deste modo rouba tão pouco pão… assistimos a um triste milagre da transformação do pão em perseguições que culminam em linchamentos. Quando, como e onde vai parar este milagre que horroriza meio mundo?

Por outro lado: quem será o outro meio mundo que a isto assiste?

.
A Nau Catrineta (Versão de Lisboa) - Fausto
.

Lá vem a Nau Catrineta,
que tem muito que contar!
Ouvide, agora, senhores,
Uma história de pasmar."

Passava mais de ano e dia,
que iam na volta do mar.
Já não tinham que comer,
nem tão pouco que manjar.

Já mataram o seu galo,
que tinham para cantar.
Já mataram o seu cão,
que tinham para ladrar."

"Já não tinham que comer,
nem tão pouco que manjar.
Deitaram sola de molho,
para o outro dia jantar.

Mas a sola era tão rija,
que a não puderam tragar."
"Deitaram sortes ao fundo,
qual se havia de matar.

Logo a sorte foi cair
no capitão general"

- "Sobe, sobe, marujinho,
àquele mastro real,
vê se vês terras de Espanha,
ou praias de Portugal."

- "Não vejo terras de Espanha,
nem praias de Portugal.
Vejo sete espadas nuas,
que estão para te matar."

- "Acima, acima, gajeiro,
acima ao tope real!
Olha se vês minhas terras,
ou reinos de Portugal."

- "Alvíssaras, senhor alvissaras,
meu capitão general!
Que eu já vejo tuas terras,
e reinos de Portugal.
Se não nos faltar o vento,
a terra iremos jantar.

Lá vejo muitas ribeiras,
lavadeiras a lavar;
vejo muito forno aceso,
padeiras a padejar,
e vejo muitos açougues,
carniceiros a matar.

Também vejo três meninas,
debaixo de um laranjal.
Uma sentada a coser,
outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas,
está no meio a chorar."

- "Todas três são minhas filhas,
Oh! quem mas dera abraçar!
A mais formosa de todas
Contigo a hei-de casar"

- "A vossa filha não quero,
Que vos custou a criar.
Que eu tenho mulher em França,
filhinhos de sustentar.
Quero a Nau Catrineta,
para nela navegar."

- "A Nau Catrineta, amigo,
eu não te posso dar;
assim que chegar a terra,
logo ela vai a queimar.
- "Dou-te o meu cavalo branco,
Que nunca houve outro igual."

- "Guardai o vosso cavalo,
Que vos custou a ensinar."
- "Dar-te-ei tanto dinheiro
Que o não possas contar"

- "Não quero o vosso dinheiro
Pois vos custou a ganhar.
Quero a Nau Catrineta,
para nela navegar.
Que assim como escapou desta,
doutra ainda há-de escapar"

Lá vai a Nau Catrineta,
leva muito que contar.
Estava a noite a cair,
e ela em terra a varar.

terça-feira, 20 de maio de 2008

De Vossa Excelência, atenciosamente

Não fica lá muito bem gabar-me mas já que ninguém o faz, desculpem lá, faço-o eu.
Confesso que tenho dificuldade em fazer tal coisa, não por qualquer questão de modéstia ou de limitações éticas, -qual quê!- mas pela simples razão de que o meu cesto de tão roto, tão rotinho, não há quem o queira na vindima, só isso.
Ficamos onde, então? Porque sou perseverante, embora me vejam mais teimoso, na gabarolice, tá claro. E com isto voltamos ao mesmo: de que me gabo eu? Bem, aqui é que o rabo torce a porca e para gabar, gabar… à falta de melhor, desculpem lá, não há nada como começar por me pôr a nu antes que outros o façam e que se perceba que pelo peixe morre a boca, sim que burro de todo não sou, e de parvo não vos quero fazer evitando assim o efeito de ricochete.
Abreviando: bom, bom mesmo, como eu não há muitos. Como eu, a fazer merda, não há quem, pena é que me falte a flexibilidade para sair em fic-flac à retaguarda como bons artistas da nossa praça, que por sinal tanto eu invejo. Deste modo, na falta de unhas e de guitarra, não há nada como agachar-me até ao limite da visão da cuequita, consciente de ter calos e da sua inconveniência para apertos.

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quinta-feira, 15 de maio de 2008

Remoendo


A moinha pingando, à porta do trabalho, e eu remoendo pensamentos preguiçosos que o cigarrito solitário a tal obriga, agora que o socialmente correcto assim impõe e o legal a tanto obriga.
O que parecia tão penoso, a menos que seja desculpa de mau fumador, tornou-se afinal num ritual assaz interessante, somente comparável à sociabilização dos que passeiam viralatas ao cair da tarde.
É verdade! Não fora o condicionalismo do nicotoide consumo e, pelo menos da minha parte, jamais teria encetado algumas cavaqueiras que ultrapassaram, em muito, o blá-blá de circunstância.
Remoía eu nisto, quando os malinos pensamentos se desviaram para o recente caso do Sr. Zé, apanhado em executivas passas num fretado aparelho da nossa frota nacional. E remoendo, senti calores apossando-se de mim segregados por uma glândula, a descobrir, que perante a hipocrisia começa logo a bulir…

- Atão não é hipocrisia!!!!
Arrepelam-se me as entranhas quando dou de caras com o oportunismo serôdio dos que não se coíbem de malhar no ceguinho.
- Aqui d’el rei que o homem foi caaçdo a fumar no avião.
E depois, qual é o problema? O homem até ía em trabalho! E com otrabalho não se brinca, né?
Pois é, com o trabalho, e o do sô Zé também, não se brinca.

… e fui remoendo no ao que chega a hipocrisia dos que, por dá cá aquela palha, zurzem por zurzir, zurzindo e amealhando pontos: Uma vez é porque é bicho que nem parece humano, outras porque em flagrante deslize, comum de humano, aqui vai d’isto que o rei vai nu. Sabem que mais, filisteus protestantes? O nosso Zé tem os mesmíssimos direitos que qualquer um de nós, tá?
Se o Zé-povinho pode fumar á porta do trabalho, se o sô Zé ia a trabalhar, qual é o drama?
Já percebi! Queriam que o méne fosse fumar pó pé da porta do avião, a 30.000 pés, é?


Ide badamerda, mas’é, prontos.


sexta-feira, 25 de abril de 2008

E o resto? Não dá zero!

Dos inquiridos, metade entre os 15 e os 18 e 1/3 dos 19 aos não sei quantos (34? pois 34 tem abril) não sabem: quantos paises constituem a União Europeia; quem foi o primeiro Presidente da Republica, eleito após o 25 de Abril; se o PS tem a maioria absoluta!!!
Ora tomem lá.

E já agora, obrigado Aníbal que em boa hora mandaste fazer esse inquérito, mas se não te importas venham de lá essas conclusões e respectivas medidas, antes que alguém clame que está comprovada a teoria da "geração rasca".
Quem diria! Quem diria que não sabem, pelo menos, que são mais de doze e menos de trinta? Quem diria que não têm a vaga ideia da figura prussiana, apinochetada, de um general que afinal não era bem o que parecia, que não gostava de coboiadas aventureiras e que de chaimite em riste pôs fim à sétima cavalaria? Quem diria que não sentem que um mar de rosas de promessas eleitorais tomou de assalto o parlamento, qual corsarios das caraíbas, e se tornou num mar de rosas de reformas?
Pfff, que juventude!
Atrevidamente, sugiro-te Aníbal que lhes dês un estalo sem luva. Manda inquerir, se te aprouver, se os teus cidadãos seniores sabem sobre o Tratado de Lisboa:
  • O que é?
  • Como foi adoptado pelo Estado Português (e como tinha sido prometido fazê-lo)?
  • Quem contribuiu para a forma como foi aprovado, e porquê?
É sabido que esta geração não é fruto de geração espontânea, né?

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E já agora, porque os corsarios vieram à baila, permitam-me a "piratisse" e entendam-se com o Camané, que não tem nada a ver com ete assunto.







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Ciúme da saudade (Manuela de Freitas)

se não matas a saudade
quando morres de vontade
de pôr à saudade fim
é talvez porque preferes
ter da saudade o que queres
e não me pedes a mim
é talvez porque preferes

ter da saudade o que queres

mas não me pedes a mim
a saudade em que me deixas
é penhor das tuas queixas
por não dizeres a verdade
bastava que me pedisses
de cada vez que me visses
o que pedes à saudade
o que dás se me não vês
não consigo que me dês
por timidez ou vaidade
e a saudade que vais tendo
com ela vives morrendo
para me matares de saudade
talvez seja o que tu queres
e é por isso que preferes
a saudade em vez de mim
morrendo os dois de saudade
temos toda a eternidade
para pôr à saudade fim

segunda-feira, 21 de abril de 2008

http://al-qasr-abu-danis.blogspot.com/

Não é debalde que de balde a balde se vai desenterrando o passado em Qasr Abu Danis, vulgo Alcácer dos Sal. Fiat lux e eles não se fazem rogados; Marisol, Rafael Carvalho, montados em pachorra que faz inveja ao mais teimoso dos alentejanos, com a sua genética simplicidade e saber feito, acorrem onde é preciso pois este vale de ostra e ameijoa garante que cada cavadela é uma minhoca.
Celebra-se a inauguração da Cripta Arqueológica do Castelo de Alcácer. Quem por estes assuntos se interessar vá lá http://al-qasr-abu-danis.blogspot.com/
Está lá do bom, se não concordarem... pago eu a despesa.
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E já agora juntando o útil ao agradável... puxem dos dobrões à bolsa e corram a comprar. Não precisam de correr muito pois saiu hoje e amanhã ainda deve haver uns poucos de "Sempre de mim"
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Sei de um rio


sei de um rio
em que as únicas estrelas
nele sempre debruçadas
são as luzes da cidade

Sei de um rio
sei de um rio
rio onde a própria mentira
tem o sabor da verdade
sei de um rio

Meu amor dá-me os teus lábios
dá-me os lábios desse rio
que nasceu na minha sede
mas o sonho continua

E a minha boca até quando
ao separar-se da tua
vai repetindo e lembrando
sei de um rio
sei de um rio
E a minha boca até quando
ao separar-se da tua
vai repetindo e lembrando
sei de um rio
sei de um rio

Sei de um rio
até quando

Camané - Sempre de mim

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Sou um igénuo é o qu'é.

Parece-me que estamos de acordo, quase, aviados; estamos em via de pôr a cruzinha no desacordo ortográphico e no processo complicado de avaliação de professores. Aproveito o que nos resta desta reta final e para afiambrar, pé cá, pé lá, o presente e o futuro trocando os “pp” pelas acentuações.
E, de acordo falando, s’isso é bom não olvidemos o ótimo, seu inimigo.

Acordo, ortográfico porquê? José Mauro de Vasconcelos, Vinicios ou Amado não me atrapalharam, quando menino e moço; já as legendas do “MGM” me dariam água pela barba se imberbe não fosse, não por ortográficas, mas sim por sintácticas, ou sintaticas, razões, sei lá eu bem com'é.
Entenicam os nossos irmãos d’além mar com “cc e pp” numa ação concertada com a lógica da incomodativa falta de correspondência de fonética com grafia, razão “primêra” anunciada por ilustre operária de letras poéticas, em animado “Pró & Contras”, como se assim a bota batesse com a perdigota!
Não empaniqêmos; não consta que pela antanha revisão ortogrpahica a malta de Orpheu tivesse padecido de dores de cabeça que os fizesse recorrer aos serviços pharmaceuticos ou de qualquer botica do Chiado. Venha lá esse acordo, valeu cara?

E por falar em caras… a cara ministra que nos educa de lés a lés, concede, concerteza a bem da nação, a simplificação do sistema de avaliação, calminha, não se precepitem, concede a simplificação somente por este ano lectivo, pasme-se!
Sim, estou pasmado e desiludido. Sinto-me enganado por todos os lados: Afinal não é verdade que a Sra. D. Ministra é inflexível, ainda que pelas ruas 1000.000 o voltem a clamar; afinal teremos que esperar que,uma parte, da reforma apregoada ministerialmente -e pelas suas indefectiveis correias de transmissão- como o suprassumo da barbatana, afinal será moda Outono/Inverno em vez de Primavera/Verão; verão afinal que o inadiável, o irrecusável, o..., o…, o inevitável aconteceu. Prontos final

Sou um ingénuo. Sou um ingénuo. Sou um ingénuo, repetirei, por tempo ideterminado, ao deitar e ao levantar .
É o qu’lho digo ou o qu’lhão, possivelmente, dizer.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

SO LONG

Tido como racionalista viveu a arquitectura apaixonadamente.

Armou as casas "em pradarias" arranhou os céus de Chicago, debruçou-se em cascatas, sonhou com broadacre, por fim enterrou-se no deserto.
Ontem carpiu-se a sua morte. Faz tempo demais que partiu. Partiu mas deixou-nos muito e bom regalo.
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So long, Frank Lloyd Wright.
I can't believe your song is gone so soon.
I barely learned the tune
So soon
So soon.

I'll remember Frank Lloyd Wright.
All of the nights we'd harmonize till dawn.
I never laughed so long
So long
So long.

CHORUS

Architects may come and
Architects may go and
Never change your point of view.
When I run dry
I stop awhile and think of you

So long, Frank Lloyd Wright
All of the nights we'd harmonize till dawn.
I never laughed so long
So long
So long.




sábado, 5 de abril de 2008

O umbiquito da Sra. D. Leonor


Ontem foi um acontecimento: O auditório engalanou-se para receber a ante estreia de “Fernando Mil Pessoas Uma Musa e …”
Pelos vistos a terra mexe, agora Leonor, de Alcácer seguirá para Inglaterra. Saber que uma filha da terra, como para aqui se diz amiúde, se tornou ilustre pelo seu trabalho e tem asas para voar longe, sabe-me bem.
Aproveito, já agora, para lhe fazer um pedidinho, que lá longe não cometa a "gaffe" de dizer que nada mais há para além do seu projecto. Ficar-lhe-á bem referir que muitas outras instituições, como por exemplo as denominadas Calceteira, Pazoa e Rancho Folclórico de Alcácer dão, exactamente como ela, um mui digno contributo cultural.
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Até lhe perdoo que ignore o Teatro do Rio!
Compreendo o que a motivará a fazê-lo...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Gato por lebre - TEATRO DO RIO

Sei que não viram porque estive de plantão e não me cheirou a blogueiros.
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Os rapazes até nem se saem mal. E agora? É desfazer a tenda e começar outra (o "Holocausto" vem a caminho). Pena é que não haja por aí quem os desafie, talvez uma Câmara Municipal ou Junta de Freguesia se lembre deles. Pelo que sei por umas bifanas (e pouco mais) estes saltimbancos facilmente se fazem à estrada.

Na verdade, porem, vos digo que é tragar gato por lebre, pois os meninos apresentam-se como amadores mas quando arregaçam as mangas... cuidem-se até ós "prós", não lhe peçam meças.

É verdade que ninguém me encomendou o sermão mas... aqui fica um cheirinho de ajudante de aprendiz de fotógrafo:


nos bastidores e... começando

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...e continuando

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ainda continuando...
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continuando, ainda
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por fim... acabando.
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