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quinta-feira, 20 de março de 2008
A nação do estado
segunda-feira, 17 de março de 2008
Crónica Atribulada do Esperançoso Fagundes
Na primeira pessoa:Na minha pessoa:
São quase bons, se lhes pedissem meças não davam Barraca, é um Teatro à maneira desComunal, sem pretenciosismos Cornucópianos. Soubessem eles divulgar-se (melhor) e poupavam esta trabalhêra mas a minha opinião vale o que vale. Atrevam-se a vir vê-los, que:
O Luís Paulo é um caso sério, A Ana Penas uma pena não lhe darem asas para voos mais largos, o José Geraldo a prometer (estreia-se aos 11 anos, a Nádia Penas filha de peixes nad(i)a em qualquer estilo, o João Campaniço um monstro que vai de quasi-modo ao que lhe pedirem, a Ju Soares uma surpreendente feiticeira, a Ana Rita um presente e Adelino Lopes a alma pater.
Ah!
Em Alcácer do Sal, dia 27, Quinta-feira. (Auditório Municipal)
Em Stº André, dia 29, Sábado.
PROGRAMA
da
CRÓNICA ATRIBULADA DO ESPERANÇOSO FAGUNDES
Escrita em 1979, é uma sátira de algumas fases cruciais da história de Portugal. A partir de três dos grandes momentos de ruptura – ditas “revoluções” – Sttau Monteiro coloca, num registo sarcástico, irónico e divertido, o que é, a seu ver, um dos grandes problemas de sempre deste país (e não só): mudam-se os velhos poderes, mas tudo fica na mesma.
O texto recua até às vésperas da Revolução de 1383, que coloca no trono D. João I, avança depois até à Revolução de 1820, onde os vintistas acabam com a monarquia absoluta, e passa pela revolução Republicana, procurando sempre estabelecer paralelismos entre estes momentos e a história recente do Portugal do pós-25 de Abril de 74.
Desbragado, desbocado, descarado, divertido e, sobretudo… implacável para com os poderes instituídos, de promessas sempre prometidas e nunca cumpridas!
do autor
Luís de Sttau Monteiro (1926-1993)
Nasceu em Lisboa, em 3 de Abril de 1926. Aos 13 anos foi viver para Londres, onde o seu pai desempenhava as funções de embaixador. O tempo que aí passou terá condicionado muitos aspectos da sua formação estética e literária. Nesses anos, viveu de perto a tragédia da Segunda Guerra Mundial. De regresso a Portugal, licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa, tendo exercido, por um breve período de tempo, a advocacia. Publicou o seu primeiro romance em 1960, Um Homem Não Chora. Em 1961, publica-se Angústia para o jantar, que o colocou, desde logo, num lugar de relevo no panorama da literatura portuguesa. Desse mesmo ano é também a peça Felizmente Há Luar!, que revelou um dos mais notáveis dramaturgos das nossas letras. Foi-lhe atribuído, em 1962, o “Grande Prémio de Teatro”. Por várias vezes, foi preso pela PIDE, devido ao cunho irreverente que impôs à sua obra. Fez parte do conselho redactorial de “A Mosca”, suplemento do Diário de Lisboa, onde se celebrizou pela criação da irreverente figura da Guidinha. Foi jornalista e colaborador regular de várias publicações - Diário de Lisboa, Se7e, O Jornal, Expresso. Principais obras do autor: Um Homem Não Chora, 1960 Angústia para o Jantar, 1961 Felizmente Há Luar!, 1961 Todos os Anos, pela Primavera, 1963 O Barão, 1964 Auto da Barca do Motor Fora de Borda, 1966 A Guerra Santa, 1967 A Estátua, 1967 As Mãos de Abraão Zacut, 1968 Sua Excelência, 1971 E se For Rapariga Chama-se Custódia, 1978 Crónica Atribulada do Esperançoso Fagundes, 1980 Chuva na Areia, 1982, adaptação televisiva de um romance que ficou inédito, Agarra o Verão, Guida, Agarra o Verão
FICHA TÉCNICA
encenação, adaptação e espaço cénico
Adelino Lopes
interpretação
(por ordem de entrada em cena)
Luís Paulo, Ana Penas,
José Geraldo, Nádia Penas,
João Campaniço, Ju Soares
Ana Rita, Adelino Lopes
supervisão técnica
João Campaniço
operador de luminotecnia
Carlos Pedro
operador de som
Rui Araújo
coordenação de adereços
Ana Rita
figurinos/guarda-roupa
criação colectiva
colaboração/agradecimentos
Estúdios VR (Vítor Rosa)
João Núncio (guitarra)
Manuel Jorge Pedro (apoio musical)
Paula, Silvestre e Rute (Rádio Mirasado) Joaquim Maurício
Eu pecador me confesso

Os novos sete pecados mortais, segundo o Vaticano:
1. Manipulação genética;
Não é comigo. Quanto muito genital.
2. Experiências científicas em cobaias humanas;
Comigo não deve ser. Se o brincar aos médicos com as meninas na escola porventura aí se enquadrassem, provavelmente, isso já prescreveu.
3. Poluição do meio ambiente;
Será comigo? O derreter de umas cigarrilhas e ocasionalmente de um charutito terão a favor o uso do GPL, espero.
4. Causar injustiça social;
Comigo nã é. Trabalhando por conta de outrem…
5. Causar pobreza;
Aqui tenho dúvidas. A consciência acusa de a auto-inflingir.
6. Enriquecimento obsceno;
Dá para rir! Não é por nada mas lido muito m
al com o termo obscenidade. Em geral sou a ela míope.7. Tomar drogas.
Só das leves: Café, do bom Dão ou alentejano, aspirinas, por vezes “guronsan”.
domingo, 16 de março de 2008
A pont-a-pé
Dizem uns que a culpa é da parteira, alcoólica inveterada, ter-me-á lançado tal bafo à nascença que fiquei para sempre assim. Dizem outros que não, assim sou porque Deus assim quis. Está bem pronto, por uma ou pela outra razão, por uma terceira talvez até, o certo é que vivo atarantado sem saber se hei-de cagar ou ir dar corda ao relógio.Vou-me no entanto orientando pela sensatez desta ou daquele, como a Marie-Baum ou a Hipatia-Gaivina (que ainda hoje os meus neurónios confundem) orientando-me dizia eu, quando mesmo assim não me confundem elas mesmas, isto a propósito de se insurgirem contra a possível proibição de piercings e tatuagens!
Sendo umas pombinhas porreiras, não escapam à fiabilidade da natureza humana pelo que, neste caso, deram passo mais longo que a perna que as levou a uma “espargata” monumental da qual dificilmente sairão. Correm o risco de ficarem com os glúteos –que eu efabulo de apetecíveis- colados ao chão por tempo gerúndio ou continuado.Não vêem aquelas alminhas que o Sr Zé vela pelo bem nosso? Não lhes entra na cabecinha, por qualquer parte dos corpinhos, que o seu mau feitio de calvinistas contestárias, em desacerto com a ordem luterana, não lhes traz outra felicidade senão o gozo efémero do trautear de um estafado cântico negro, regiano?
O sô Zé nã diz basta de piercings onde nervo, musculo ou zona herógena pulule, por capricho ou necessidade de afirmação de poder. Não porá cobro a grafittis corporais por fúteis razões ou discordância do seu valor estético. Os considerandos que suportam a futura limitação, do liberal uso dos nossos corpos, estão enunciados:
Reconsiderem, afinal, que pelo meio de: défices orçamentais, juros, recessões, desempregos, desacelerações da economia, alkaedas e doutas indignações na rua, se o nosso querido e estimado líder, camarada Zé concede a sua atenção ao arame na língua e à tinta da china na pele, é porque elevadas razões, ainda que ininteligíveis para nós, se agigantam.
Bom o tempo ruge e já vai longo, é altura de fazer a trouxa e zarpar, mas deixem que antes vos diga que me contorço de gozo ao imaginar a vossa cara quando souberem que a maratona de hoje é a ultima. Se nunca a fizeram... paciência, perderam a vossa oportunidade pois razões de saúde -e de estado- a partir de agora correr só será permitido a profissionais.Porquê?
Porque a cada passada as articulações ficam sujeitas a esforços inimagináveis. Sabem quantas tendinites, contusões na coluna, e rotulas terão ido para o caralho quando tiver terminado a corrida? Não sabem, né? Bué delas.
Nunca tinham pensado nisso, né?
E quem paga o concerto disso tudo? Ah pois! O Serviço, gratuito, Nacional de Saúde. Certo?
sexta-feira, 14 de março de 2008
como eu para aqui
O relógio lá da parede, entalado entre a equipa do glorioso e do Atlético local, assinalou com o atraso devido as dez horas. Pediu uma rodada, o Cebola voltou a encher os dois copos.
-Disse uma rodada, e apontou-lhe para o peito.
O Cebola riu lembrando-lhe: Sabes que nunca bebo em serviço -manias que lhe ficaram da polícia- pensou resignado, mas o espanto foi vê-lo sacar de um copo e "enchê-lo" por meio.
Ergueu o copo com o tradicional à nossa, o Cebola mindinho espetado retorquiu: e aos ausentes, o velho anuiu –isso.
São assim de poucas falas e afectos ocultos, os homens da terra que os viu parir. Eu de longe, como que planando, confesso que os invejo, sobretudo porque parece que não invejam ninguém. Penso se não serão uns resignados…
Com um até atirado para o meio dos dois rumou a porta, antes de mergulhar na luz ainda apanhou: -Logo, depois de fechar, tenho uma cabeça de borrego.
Nós que a terra tece!
quarta-feira, 12 de março de 2008
Elementar, caro Watson
- Doi-me o peito Doutora. Será do cansaço? Do Bagaço?
- Outra vez? Já lhe dei uma data de remédios. Pronto, tome agora lá este.
- E vai fazer-me bem?
- Francamente não sei, pode até provocar-lhe um certo mal-estar, efeitos secundários, sabe o que é isso não é.
- Sei doutora, a senhora é que não sabe, ou não pode, ou não quer (?) fazer o diagnóstico correcto, né?
- Bem…
- Se calhar é melhor analisar melhor a situação doutora.
- Oh homem! A doutora sou eu, e a bem da ciência da educação, digo, da saúde as cobaias são sempre necessárias.
- Mas doutora, os efeitos secundários, sou eu que levo em cima né?
- Você é que sabe, mas olhe que corre o risco de, de…
- De quê doutora?
- De o retirar da lista dos bons pacientes. É isso que quer, veja lá bem.
dói-me o peito
do cigarro
do bagaço
do catarro
do cansaço
dói-me o peito
do caminho
de ida e volta
do meu quarto à oficina
sem parar
sempre a andar
sempre a dar
dói-me o peito
destes anos
tantos anos
de trabalho e combustão
dói-me o luxo
dói-me os fatos
dói-me os filhos
dói-me o carro
de quem pode
e eu a pé
sempre a pé
dói-me a esperança
dói-me a espera
pelo aumento
pela reforma
pelo transporte
pela vida e pela morte.
Dr.
já estou farto
de não ser
mais que um braço
para alugar
foi-se a força
e o meu corpo
é como o mosto pisado
como um pássaro insultado
por não poder mais voar.
Dr.
eu não sei ler
os caminhos
por dentro
dos hospitais
mas alguém há-de aprender
entre as rugas do meu rosto
o que não vem nos jornais
e não há nada no mundo
nem discurso
nem cartaz
capaz de gritar mais alto
que as palmas das minhas mãos
que o meu sorriso sem jeito,
Dr.
Dói-me o peito…
José Fanha, Eu sou Português aqui, ed. Ulmeiro
segunda-feira, 10 de março de 2008
A terra
Dei a volta à tranca de madeira, aliviei a porta dos gonzos sem evitar que roçasse o chão; fiquei parado por momentos e entrei tranquilo ao ouvir o ronco do velho; a dois passos o bafo a vinho garantiu-me que só na manhã seguinte teria de responder às perguntas que ele não faria. Enrolei-me nos fios que restavam do cobertor enrodilhado ao pé da cama e deitei-me na ponta que não estava manca, amanhã se não a consertar dou-lhe a volta, pensei e assim me fiquei.
Via o palito a bailar estranhamente na minha boca, cuspia-o e o teimoso voltava, abri um olho e dei com o rabo do rebaptizado Plantão que Platão não vingara. Nem foi preciso enxota-lo, foi-se dando ao cu.
Rumei ao café do Eusébio desviando caminho pela tasca do Cebola. Lá estava o velho a três quartos no balcão enfiado no capote. Um olhar para mim, outro pó Cebola, um trejeito de cabeça e lá tinha eu que me haver com um copo de três. Pronto, estava de volta, pó velho nem sequer chegara a abalar.
Pousei os braços no balcão, olhei-o. O velho está porreiro: a mesma barba por fazer, a mesma boca teimosa, os olhos, os olhos... um pouco mais pequenos, talvez.
domingo, 9 de março de 2008
Olá. Ist’assim nã dá, olé.
Bom, adiante, não vos prendo com pormenores da viaje até Lisboa. Sem ideias preconcebidas, instalado na Suiça, resolvi
Por volta das duas o metro começa a despejar gajas e gajos vestidos de preto que se vão ajuntando. Há de tudo! Aquilo ia do marisco á bifana, não era dos 8 aos 80, mas garanto-vos que dos dezoito aos
TÁ NA HORA TÁ NA HORA… fez-se-me luz, tínhamos manif. Ah a saudade! Aquilo bateu-me cá duma maneira! Mas as manif's já não são o que eram. Bons tempos em qu'um gajo dava o tempo e dor de pés por bem empregues: as amigas que fiz, o que aprendi, o calor humano, a comunhão de intenções e de gostos… Inda tenho lá para casa um porta chaves com uma estrela que me deu uma ruivita beijoqueira que se pudesse -e eu corresponedesse- dava mais quecas numa semana do que sardas tinha na cara. Bons tempos!
Adiante, tinha a abertura de caça à pombinha estragada, é o que era. Uma manif e ainda por cima mal organizada, mas prontos, não admira pelas conversas, aquilo era coisa de professores e a gente já sabe do qu’é quesses malandros são capazes, né?
Afinal… Afinal, a modos qu’a coisa não era bem assim. O metro não parava de arrotar gajos! Uns de rabo de cavalo, outras sei lá de quê e o TÁ NA HORA TÁ NA HORA não parava. Três e picos, ai jajus, aí vinham eles! Porra não vos conto que já vos enfiei tantas galgas que vocês vão pensar que é mais uma, mas vá lá, imaginem uma catrefada de gente, isso, ponham lá mais uns quantos e
Olha fui atrás dos gajos, pó qu’havia de me dar. Puz cara d’índignação, qu’eu nã sou lorpa, e s’olhassem pa mim de lado dizia qu’era professor de trabalhos manuais em Montemor. – O velho? Mas eu sou de lá!!! –Nã do Novo do NOVO, porra.
Bem, lá fui eu. O Terreiro do Paço já tava composto sim senhor, até já mandavam bocas de que eram 80000, também não era preciso exagerar, né? Pelo andar da carruagem isto não acaba sem anunciarem que são cem mil, mordi eu p’ós meus botanitos, salvo seja, que o casaco tem fecho.
Olhem desculpem lá tá a dar-me a sonêra e o papo já vai longo.
Pode ser qu’eu volte ao assunto se entretanto nã abalar pa Copenhague e nã me faltar a tesão.

sábado, 8 de março de 2008
Os feios porcos e maus
Cada vez que se metem professores pelo meio… andamos às turras, e eu gosto tanto dela e ela de mim!
Dão muita jêto, não porque me permitam brilhar mas… vejamos:
Dos 100000 aquilo era tudo bom os que não eram ficaram em casa. Dava muita jêto, não dava?
Quantos calaceirões não andaram avenida abaixo com o ESTÁ NA HORA, ESTÁ NA HORA na boca? E desses quantos não terão sido reconhecidos ali mesmo na rua, ou nas fotos que dispararam por aí? Tou mesmo a ouvir: -Olha, olha aquele malandro que passava a vida de atestado só porque a mana é médica no Santa Maria. Cambada de malandros vão mas é pá estiva. Fosse eu ministro da educação e esses apontados a dedo não iam pá rua, pelo menos, enquanto a avaliação não estivesse toda encaixada nalgas acima, óbvio não é?E de quem é a culpa? Sem cinismo; dos prof’s. E porquê?
- Porque têm a mania de dizer que dão aulas, armados em beneméritos, quando as vendem (e caras na opinião de muita gente), é verdade que o custo hora é “ligeiramente” mais baixo do que o de um mecânico, mas justifica-se pois um suja as mãos de óleo e os prof´s, bah! Pó de giz e já se queixam de alergias;
- Porque se gabavam, os mentirosos, de trabalhar 22 horas por semana escamoteando as reuniões, preparação de aulas, correcção de testes, planificações, preparação de actividades extracurriculares e abstenho-me do etc. porque ficava mal visto;
- Porque passam a vida vangloriando-se –Hoje não dei aulas, fui a uma visita de estudo; Note-se que se fartou de gozar: andou quase à galheta com os pintas que queriam palmar um telélé ao Rui, mamou Cheese Burger porque os putos acham que no Mc é qu'é fixe, foi à farmácia comprar "Alkaselsa" porque houve qualquer coisa que lhe caiu mal no "estomágo" e ainda poude apreciar o Jerónimos mais um tempito porque a Rute foi ali.
- Porque aquilo é um forró, dia da arvore, do pai e da mãe, quando não andam atrás de putos bexigosos e de aparelho nos dentes a organizar o baile dos finalista, o pedypaper ou o rugby na lama.
- Porque aquilo é uma calhandrisse pegada entrando na vida das famílias a querer saber porque é que a gorda se ameaça matar, o matulão deu na passa e o preto agora até já na preta bateu.
- Porque ostentam computadores portáteis, abrilhantam gandas máquinas a gasoil fazendo 80 Kms pa ir trabalhar, por vezes por horários incompletos, só de ricos!
- Porque refilam se a minha tia lhes entra casa alugada adentro quando quer ir estender roupa ao sótão;
Porque, porque e porque.
Pois é estavam mal habituados:
Era a treta da soberania e autoridade na aula. Agora? Chapadão nas ventas e por muitos que putos e familiares em primeiro, segundo e terceiro grau lhes afinfem, ainda fica muita palmatoada e canada por ajustar, afinal aquelas que todos nós carregamos nos genes, desde a cartilha maternal, e é para não ir mais longe.
Coitadinhos! Trabalham uma horita, vá lá, hora e "meiíta" e descansam cinco minutos ás vezes dez até.
Tadinhos! Aquilo é tudo gente frágil, se têm mais de vinte alunos na aula… -Ai Jesus, aqui del-Rei, já não aguento mais da cabeça.
Olhem, sabem que mais? Porque, no caso do meu primo, é parvo (estúpido, não tem nada a ver com o latino parvus, parva, parvum=pequeno) parvo mesmo porque se podia ter reformado aos 57 e com a mania de que estava bom para as curvas, não contou quatro anos que trabalhou no ultramar.
BEM FEITO
VAI GOZAR, GOZAR, GOZAR A BOA VIDA DE PROFSSOR ATÉ 2012
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Tirem-me daqui
Esta relação que me prende ao tipo que me deu vida, segundo ele afirma, tem de acabar. Já pedi a minha desvinculação e o sonso faz-se de mouco ou, eufemismisticamente pequeno, parvo para ser mais preciso.
Que tenha paciência agora porque lhe morreu a avó, logo a seguir a prima. - Isto há-de compor-se, diz-me com voz doce e depois… depois não dá porque agora finou-se a tia e, quando ia dar, nem na anedota de alentejanos justificando a falta à segunda-feira… morre-lhe o paizinho!
Oh! meu amigo, tenha paciência, chega de desculpas mais esfarrapadas que chapéu de maltês, ou isto anda ou quero a carta. Qual carta? A de alforria, pois então! Mais um tempito? Querem lá ver? Vá lá mais um tempito e depois... toca a tocar a caneta.
E assim vou eu esperando por Godot, sem saber se o genocídio familiar é causa ou efeito, se valerá a pena esperar. Assim vou eu escriba virtual e para todo o serviço, dependurado em cabide de cornos de veado. Para aqui estou pele amorfa, ansiando que me vistas de vez, me animes, te dispas de desânimos.
É agora? Não? O quê ? O filho “atirou-se-te” à linha do comboio! Deixa-me rir, trespassa-me, vende-me ou mata-me.
Assim não dá.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Queijadas Vargas
O Vergas, apelido que ganhara, cuidava do neto com os tostões arrecadados nas feiras saloias, da Ericeira à Malveira carregando a carroça com a cestaria e o neto que não conhecera o pai, caído no cumprimento do dever, como dizia a filha da puta da carta que desfizera a sua vontade de viver. Restava-lhe a consolação do puto ter saído com a cara chapada do pai e não da rameira que se pusera a andar sem ter acabado de lhe dar de mamar.
E a volta continuava da mesma forma que começara de madrugada em Stº Isidoro: uma dúzia aqui, meia mais à frente, na ida por Mafra e na volta por Loures, naquele dia cismando mais do que nos outros; sorria agora com o seu próprio nome, promovido de Vergas a Vargas, não sabia bem se por golpe de asa do padrinho se por erro da conservatória.
A lembrança do avô toldou-lhe o coração e quase lamentou não ter ficado mesmo Vergas, é verdade que para isso contribuía a opinião do filho que até punha a hipótese de retomar o nome se viesse a ter descendência.
O olhar iluminou-se só de pensar nele, no grande homem em que se tornara, como estudara sempre a ajudá-los e como o empurrara para virar o negócio numa empresa invejável. Não fora ele a picar a mãe que tanto jeito tinha para lhe dar a volta e ainda amassavam e coziam no anexo da casa. Agora… agora era um empresário a sério. Uma fábrica com tudo do que há de mais moderno, quatro operárias, cinco carrinhas, com caixa frigorifica, calcorreando léguas por dia a distribuir as “Queijadas Vargas” por supermercados, mercearias e pastelarias: Coimbra, Figueira, Leiria eram o destino e já Aveiro e até o Porto bailavam na cabeça do filho! Bem o avisava: Não dês o passo maior que a perna… e a danada da mulher, sempre aliada ao filho, logo ripostava: Está tudo pago não está?
Estava. Estava tudo pago mas não havia necessidade de esticar a corda. O filho, o Dr. João Vargas –sorriu– explicava que a rentabilidade e a garantia de ocupação do mercado e a estratégia de … eles lá sabiam, queria lá saber...
Seguia agora por Campolide, a volta compunha-se e na próxima entrega, longe do controle da mulher, tomaria um cafezinho e um rissol marcharia porque o “os diabretes” até andavam controladitos.
O para-arranca continuava quando PUM.
Um estrondo, uma dor aguda no peito, cegou! Aos poucos recuperou, não percebendo como entalado no volante e pelo vidro estilhaçado se via enfeixado num carro estacionado á sua direita. Ajudaram-no a sair, e deitaram-no chão. Via rostos sobre si e uma voz clara:
-O sacana do velho atropelou o rapaz.
Fez-se escuro.
Voltou a si, uma multidão pululava, o som estridente de uma ambulância desfazia-se, uma voz amiga confortou-o:
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Carta aberta à minha lady
A Augusta, o rapaz e o pátio, quando vier aí um quarto crescente a caminho de lua cheia, por certo voltarão. Por agora faço o papel de Sebastião Carvalho e Melo, cuidando dos vivos.
Em momentos fugazes deixarei registos como este:
O carácter julga-se?

Vem isto ao caso de Maria de Lurdes Rodrigues, na qualidade de figura pública, independentemente do direito de lutar pelas suas convicções e de exercer o legitimo poder que lhe confere o cargo, ser uma excelente comunicadora: verbaliza muito bem, responde ao que lhe convêm e ignora o que lhe interessa. Mais... na sua excelente performance na entrevista de ontem, socorre-se de formas de comunicação elaboradas tais como a expressão gestual, do olhar e de todas a cambiante de timbres que vão do delicodoce ao agridoce maternal.
Louvo-lhe a competência demonstrada na tentativa de dar o dito por não dito quando “Na entrevista que deu ao DN, na terça-feira, a ministra da Educação reafirmou a intenção do novo Estatuto do Aluno de não chumbar ninguém por faltas.”(…) e na entrevista nega que a versão final do Estatuto do estudante, tenha sido alterado pelo parlamento. Tapa o sol com uma peneira. Parabéns à Sra. Ministra.
Inevitavelmente sim, o carácter julga-se, espero que a pessoa seja mais digna que a politiqueira.
É assim Di, não dá para mais.
Um beijo do teu,
Erecteu
sábado, 27 de outubro de 2007
O céu não existe.
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Falta-me a pica
Em três dias o horror instalou-se no lugar dos sonhos. Aqueles que já não sonhavam convivem agora com o pesadelo.
É bem feito, é castigo, soa-me dali onde rebolando-se de gozo vêm na Califórnia Sodoma e Gomorra. Os quatro elementos rebelam-se, o apocalipse vem por ondas: primeiro de mar e vento, agora de fogo, depois se verá, pensarão os moralistas decepcionados com a partida do tempo que não atenta a números redondos. Passámos 1000, chegámos a 2000 e se tivermos juízo a 3000 chegaremos; tratemos convenientemente do nosso ninho.
Falta-me a pica, mesmo quando ela se abate sobre uma cabeça.
Acordei e vi sinteticamente escarrapachado:
Grávida aos 11 anos
Criança espanhola pode ter sido vítima de violação
As autoridades espanholas estão a investigar o caso de uma criança de 11 anos, grávida de vários meses, que deu entrada num hospital em Léon.
Falta-me a pica quando leio a seguir:
A criança terá mais de três meses de gravidez, o que, de acordo com a lei espanhola, impede a realização de um aborto, mesmo tratando-se de uma violação.
Ainda bem, pensarão convictamente os "defensores da vida", assim não há legalmente a possibilidade de intervir. Talvez tenham razão, se Aquele em que acreditam tomar conta da criança, tudo bem. Se por acaso o destino lhe antecipar o inferno na terra, não me digam que dele é, depois, o reino dos céus. Se entretanto a vida não lhe for mãe, se de esticão nos levar a carteira, não sejamos madrastos, intercedamos junto do juíz, apelemos à atenuante da sua natividade.
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Quando o avião aqui chegouquando o mês de Maio começoueu olhei para tientão entendifoi um sonho mau que já passoufoi um mau bocado que acabouTinha esta viola numa mãouma flor vermelha n'outra mãotinha um grande amormarcado pela dore quando a fronteira me abraçoufoi esta bagagem que encontrouEu vim de longede muito longeo que eu andei p'ra'qui chegarEu vou p'ra longep'ra muito longeonde nos vamos encontrarcom o que temos p'ra nos darE então olhei à minha voltavi tanta esperança andar à soltaque não exiteie os hinos canteiforam feitos do meu coraçãofeitos de alegria e de paixãoQuando a nossa festa s'estragoue o mês de Novembro se vingoueu olhei p'ra tie então entendifoi um sonho lindo que acabouhouve aqui alguém que se enganouTinha esta viola numa mãocoisas começadas noutra mãotinha um grande amormarcado pela dore quando a espingarda se viroufoi p'ra esta força que apontou
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
As Cimeiras e as ciumeiras
Composição: Moacyr Franco e Rita Lee
A buchada e o cabrito
O cinzento e o colorido
A ditadura e o oprimido
O prometido e não cumprido
E o programa do partido
Tudo vira bosta...
O vinho branco, a cachaça, o chope escuro
O herói e o dedo-duro
O grafite lá no muro
Seu cartão e seu seguro
Quem cobrou ou pagou juro
Meu passado e meu futuro
Tudo vira bosta...
(Refrão)
Um dia depois
Não me vire as costas
Salvemos nós dois
Tudo vira bosta...
Filé 'minhão', 'champinhão', 'Don Perrinhão'
Salsichão, arroz, feijão
Mulçumano e cristão
A Mercedes e o Fuscão
A patroa do patrão
Meu salário e meu tesão
Tudo vira bosta...
O pão-de-ló, brevidade da vovó
O fondue, o mocotó
Pavaroti, Xororó
Minha Eguinha Pocotó
Ninguém vai escapar do pó
Sua boca e seu loló
Tudo vira bosta...
(Refrão 2x)
Um dia depois
Não me vire as costas
Salvemos nós dois
Tudo vira bosta...
A rabada, o tutu, o frango assado
O jiló e o quiabo
Prostituta e deputado
A virtude e o pecado
Esse governo e o passado
Vai você que eu 'tô cansado'
Tudo vira bosta...
(Refrão 2x)
Um dia depois
Não me vire as costas
Salvemos nós dois
Tudo vira bosta...
Tudo vira bosta...(5x)
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Trova do vento que passa

notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
eNOBELeceu

Uniões
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Missiva
Uma sala que nunca poderia ser generosa dada a quantidade de mobília que a recheia. Um aparador com cristaleira uma mesa de um inútil abrir, quatro cadeiras encafuadas, e adossados às paredes um divã à direita e uma cama à esquerda. Resta uma área exígua que dá para percorrer de lado o espaço entre um quarto na mesma atafulhado por uma mobilia completa reforçada pela companhia de uma Nechi, onde Augusta se farta de pedalar e a uma divisão que não destoa do resto na estreiteza que tem para cozinhar e comer.
Mais nada? Mais nada que é como quem diz, se levantares aquele tampo de madeira, à cabeceira da mesa, descobre-se uma pia para todo o serviço.
Lá dentro só isto, aproveitemos para espreitar a casinha aqui em frente, entra e não estranhes a confusão que há de tudo um pouco e pouco utilizado, excepção feita às três peças de minha devoção e que qualquer dia poderão muito bem aparecer à venda em qualquer casa da Calçada com o letreiro “Antiques”à porta: o ferro de engomar, o pulverizador de cobre, o petromax e, ah! Afinal são quatro, o grande alguidar de zinco parcimoniosamente utilizado porque banhos a mais não dão saúde a ninguém, como toda a gente ali bem sabe.
Aproveita para ver o pátio. Esta correnteza de casas tão iguais, não nos deixemos iludir pela diferença das aparências, são de famílias quase iguais à de Augusta Maria. Têm todas cá fora o estendal da roupa, a casinha com as mesmas coisas, mais coisa menos coisa, e ao longo do muro capoeiras, coelheiras, as leiras com pouco mais do que couves galegas que terão as folhas arrancadas uma a uma e morrerão cozidas no prato em companhia de uma batatita, regadas a fio de azeite. Aqueles gaiatos que brincam sentados no peal não são mas é como se fossem irmãos, bulham e amam-se exactamente da mesma maneira, pelo menos por enquanto.
Mais o quê? Ah! Os animais. Aqui é que há as diferenças: aqueles são pelos canários e piriquitos, os a seguir pelo gato e lá ao fundo pelo cão, mais canito que outra coisa; sim esse mesmo que passa a vida correndo atrás do próprio rabo.
Pronto, há ainda outras diferenças que os separam, as devoções. As santinhas delas e os clubes deles.
E política? Oh Rui! … era melhor não nos metermos por aí, evitemos tá?
Vá, vamos embora. Por agora fechemos a porta que ainda é cedo e as almas que a habitam o 23 ainda não vieram da labuta.
Um abraço do teu compadre amigo
Erecteu



