segunda-feira, 10 de março de 2008

A terra

Voltei sem muito entusiasmo à terra que me pariu, não me puxava para aí a ideia, parecia que as adivinhava. À primeira impressão estava tudo conforme a deixara: ruas vazias, o mesmo canito de rabo entre as pernas, lombo arqueado e olhando sobre a espádua, atravessava em diagonal um cruzamento frente à viatura da guarda em velocidade e faróis mínimos; eram dez e meia mal dadas, e o camião de rações que me dera boleia, seguiu após a eloquente despedida a condizer com a eloquência da viagem. Do motorista ficará a memória da destreza com que manipulava o palito entre os dentes.
Dei a volta à tranca de madeira, aliviei a porta dos gonzos sem evitar que roçasse o chão; fiquei parado por momentos e entrei tranquilo ao ouvir o ronco do velho; a dois passos o bafo a vinho garantiu-me que só na manhã seguinte teria de responder às perguntas que ele não faria. Enrolei-me nos fios que restavam do cobertor enrodilhado ao pé da cama e deitei-me na ponta que não estava manca, amanhã se não a consertar dou-lhe a volta, pensei e assim me fiquei.

Via o palito a bailar estranhamente na minha boca, cuspia-o e o teimoso voltava, abri um olho e dei com o rabo do rebaptizado Plantão que Platão não vingara. Nem foi preciso enxota-lo, foi-se dando ao cu.
O cheiro a café de saco indicava que o velho já se pusera a pé, soergui-me e não me admirei de o não ver, espreitei pelo postigo e o quintal vazio e a porta da cagadeira aberta davam para concluir que abalara. Uma xícara de café e um canto de pão com linguiça depois, fiz-me à vila, desculpem, à cidade pois atão!
Rumei ao café do Eusébio desviando caminho pela tasca do Cebola. Lá estava o velho a três quartos no balcão enfiado no capote. Um olhar para mim, outro pó Cebola, um trejeito de cabeça e lá tinha eu que me haver com um copo de três. Pronto, estava de volta, pó velho nem sequer chegara a abalar.

Pousei os braços no balcão, olhei-o. O velho está porreiro: a mesma barba por fazer, a mesma boca teimosa, os olhos, os olhos... um pouco mais pequenos, talvez.

domingo, 9 de março de 2008

Olá. Ist’assim nã dá, olé.

Vivo de desilusão em desapontamento até ao final julgamento. Se já estava pelos poucos cabelos que me restam, imaginem como estarei agora que voltei quando deixei terras lusa feitas num caco para a reencontrar feita numa caca. Mal tirei o pé de Badajoz, teso como carapau, e com ele mal assente em Elvas, assalapou-se-me uma esquizofrenia que outros teimam em chamar-lhe esquisoide; o certo é que o canto de sereias das novas oportunidades, pelo primeiro ar que me dava nas ventas, abalou-me o dedão, subiu, foi subindo e instalou-se na virilha. Para trás estavam cinco meses de maior insusexo. Afinal Madrid não é o que contam! Não nego que nossas hermanas transpirem mucho salero –e não só– admito ainda que sejam muy guapas, –algumas– mas porra, aquilo é uma ilusão; tirando o chêro um pouco pó mais doce, a merda é igual: um gajo entra no elevador e a reacção a uma tentativa da menor sociabilização, encostam a pêda ao espelho, abraçam a mala junto ás mamas e põe o olhar no tecto.

Bom, adiante, não vos prendo com pormenores da viaje até Lisboa. Sem ideias preconcebidas, instalado na Suiça, resolvi dar por bem empregue os pouquitos €s que me sobravam: -Uma bica cheia por favor. Saco do Destak e, de olho na página, olho no passeio, armado de paciência lá vou vendo as pombinhas passar. O Rossio já foi chão que deu uvas ou então a porra do efeito de estufa deu cabo desta merda da primavera. Bifas nem vê-las! Se calhar é da recessão… mas então! Esta merda tá mesmo mudada, querm lá ver?
Por volta das duas o metro começa a despejar gajas e gajos vestidos de preto que se vão ajuntando. Há de tudo! Aquilo ia do marisco á bifana, não era dos 8 aos 80, mas garanto-vos que dos dezoito aos sessenta devia ser e se erro não será por muito. Há medida que se arrebanhavam começaram com missa cantada:
TÁ NA HORA TÁ NA HORA… fez-se-me luz, tínhamos manif. Ah a saudade! Aquilo bateu-me cá duma maneira! Mas as manif's já não são o que eram. Bons tempos em qu'um gajo dava o tempo e dor de pés por bem empregues: as amigas que fiz, o que aprendi, o calor humano, a comunhão de intenções e de gostos… Inda tenho lá para casa um porta chaves com uma estrela que me deu uma ruivita beijoqueira que se pudesse -e eu corresponedesse- dava mais quecas numa semana do que sardas tinha na cara. Bons tempos!
Adiante, tinha a abertura de caça à pombinha estragada, é o que era. Uma manif e ainda por cima mal organizada, mas prontos, não admira pelas conversas, aquilo era coisa de professores e a gente já sabe do qu’é quesses malandros são capazes, né?
Afinal… Afinal, a modos qu’a coisa não era bem assim. O metro não parava de arrotar gajos! Uns de rabo de cavalo, outras sei lá de quê e o TÁ NA HORA TÁ NA HORA não parava. Três e picos, ai jajus, aí vinham eles! Porra não vos conto que já vos enfiei tantas galgas que vocês vão pensar que é mais uma, mas vá lá, imaginem uma catrefada de gente, isso, ponham lá mais uns quantos e nã chega, ponham lá mais dez vezes mais uns quanto e nã chega.
Olha fui atrás dos gajos, pó qu’havia de me dar. Puz cara d’índignação, qu’eu nã sou lorpa, e s’olhassem pa mim de lado dizia qu’era professor de trabalhos manuais em Montemor. – O velho? Mas eu sou de lá!!! –Nã do Novo do NOVO, porra.

Bem, lá fui eu. O Terreiro do Paço já tava composto sim senhor, até já mandavam bocas de que eram 80000, também não era preciso exagerar, né? Pelo andar da carruagem isto não acaba sem anunciarem que são cem mil, mordi eu p’ós meus botanitos, salvo seja, que o casaco tem fecho.

Olhem desculpem lá tá a dar-me a sonêra e o papo já vai longo.
Pode ser qu’eu volte ao assunto se entretanto nã abalar pa Copenhague e nã me faltar a tesão.

sábado, 8 de março de 2008

Os feios porcos e maus

Cada vez que se metem professores pelo meio… andamos às turras, e eu gosto tanto dela e ela de mim!

Dão muita jêto, não porque me permitam brilhar mas… vejamos:
Dos 100000 aquilo era tudo bom os que não eram ficaram em casa. Dava muita jêto, não dava?
Quantos calaceirões não andaram avenida abaixo com o ESTÁ NA HORA, ESTÁ NA HORA na boca? E desses quantos não terão sido reconhecidos ali mesmo na rua, ou nas fotos que dispararam por aí? Tou mesmo a ouvir: -Olha, olha aquele malandro que passava a vida de atestado só porque a mana é médica no Santa Maria. Cambada de malandros vão mas é pá estiva. Fosse eu ministro da educação e esses apontados a dedo não iam pá rua, pelo menos, enquanto a avaliação não estivesse toda encaixada nalgas acima, óbvio não é?E de quem é a culpa? Sem cinismo; dos prof’s. E porquê?

  • Porque têm a mania de dizer que dão aulas, armados em beneméritos, quando as vendem (e caras na opinião de muita gente), é verdade que o custo hora é “ligeiramente” mais baixo do que o de um mecânico, mas justifica-se pois um suja as mãos de óleo e os prof´s, bah! Pó de giz e já se queixam de alergias;
  • Porque se gabavam, os mentirosos, de trabalhar 22 horas por semana escamoteando as reuniões, preparação de aulas, correcção de testes, planificações, preparação de actividades extracurriculares e abstenho-me do etc. porque ficava mal visto;
  • Porque passam a vida vangloriando-se –Hoje não dei aulas, fui a uma visita de estudo; Note-se que se fartou de gozar: andou quase à galheta com os pintas que queriam palmar um telélé ao Rui, mamou Cheese Burger porque os putos acham que no Mc é qu'é fixe, foi à farmácia comprar "Alkaselsa" porque houve qualquer coisa que lhe caiu mal no "estomágo" e ainda poude apreciar o Jerónimos mais um tempito porque a Rute foi ali.
  • Porque aquilo é um forró, dia da arvore, do pai e da mãe, quando não andam atrás de putos bexigosos e de aparelho nos dentes a organizar o baile dos finalista, o pedypaper ou o rugby na lama.
  • Porque aquilo é uma calhandrisse pegada entrando na vida das famílias a querer saber porque é que a gorda se ameaça matar, o matulão deu na passa e o preto agora até já na preta bateu.
  • Porque ostentam computadores portáteis, abrilhantam gandas máquinas a gasoil fazendo 80 Kms pa ir trabalhar, por vezes por horários incompletos, só de ricos!
  • Porque refilam se a minha tia lhes entra casa alugada adentro quando quer ir estender roupa ao sótão;


Porque, porque e porque.


Pois é estavam mal habituados:
Era a treta da soberania e autoridade na aula. Agora? Chapadão nas ventas e por muitos que putos e familiares em primeiro, segundo e terceiro grau lhes afinfem, ainda fica muita palmatoada e canada por ajustar, afinal aquelas que todos nós carregamos nos genes, desde a cartilha maternal, e é para não ir mais longe.
Coitadinhos! Trabalham uma horita, vá lá, hora e "meiíta" e descansam cinco minutos ás vezes dez até.
Tadinhos! Aquilo é tudo gente frágil, se têm mais de vinte alunos na aula… -Ai Jesus, aqui del-Rei, já não aguento mais da cabeça.


Olhem, sabem que mais? Porque, no caso do meu primo, é parvo (estúpido, não tem nada a ver com o latino parvus, parva, parvum=pequeno) parvo mesmo porque se podia ter reformado aos 57 e com a mania de que estava bom para as curvas, não contou quatro anos que trabalhou no ultramar.


BEM FEITO
VAI GOZAR, GOZAR, GOZAR A BOA VIDA DE PROFSSOR ATÉ 2012

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Tirem-me daqui

Não é que’eu seja um liberal militante mas isso não quer dizer que seja adepto do estado providencia, fará adepto do patrão providencia.
Esta relação que me prende ao tipo que me deu vida, segundo ele afirma, tem de acabar. Já pedi a minha desvinculação e o sonso faz-se de mouco ou, eufemismisticamente pequeno, parvo para ser mais preciso.
Que tenha paciência agora porque lhe morreu a avó, logo a seguir a prima. - Isto há-de compor-se, diz-me com voz doce e depois… depois não dá porque agora finou-se a tia e, quando ia dar, nem na anedota de alentejanos justificando a falta à segunda-feira… morre-lhe o paizinho!
Oh! meu amigo, tenha paciência, chega de desculpas mais esfarrapadas que chapéu de maltês, ou isto anda ou quero a carta. Qual carta? A de alforria, pois então! Mais um tempito? Querem lá ver? Vá lá mais um tempito e depois... toca a tocar a caneta.

E assim vou eu esperando por Godot, sem saber se o genocídio familiar é causa ou efeito, se valerá a pena esperar. Assim vou eu escriba virtual e para todo o serviço, dependurado em cabide de cornos de veado. Para aqui estou pele amorfa, ansiando que me vistas de vez, me animes, te dispas de desânimos.

É agora? Não? O quê ? O filho “atirou-se-te” à linha do comboio! Deixa-me rir, trespassa-me, vende-me ou mata-me.
Não dá? Olha então mata-te.
Assim não dá.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Queijadas Vargas

Fazia, como se costuma dizer, contas de cabeça, a coisa não corria mal de todo. Em boa hora se despedira da Rodoviária e se dedicara ao negócio da mulher. Parecia impossível como a vida se encaminhara. O Vargas, praguejou com a buzinadela e a ultrapassagem à maluca da mota, encostou logo à frente para descarregar mais uma encomenda; em menos dum esfregar de olho continuou para o novo cliente na volta da sexta, uma volta complicada pela intensidade do trânsito. Era assim e às segundas também e então em início do mês… ainda era pior. De novo voltou ao fio da vida: em garoto quando ajudava o avô Vergas sabia que não acabaria a vida a fazer cestos e vassouras.

O Vergas, apelido que ganhara, cuidava do neto com os tostões arrecadados nas feiras saloias, da Ericeira à Malveira carregando a carroça com a cestaria e o neto que não conhecera o pai, caído no cumprimento do dever, como dizia a filha da puta da carta que desfizera a sua vontade de viver. Restava-lhe a consolação do puto ter saído com a cara chapada do pai e não da rameira que se pusera a andar sem ter acabado de lhe dar de mamar.
E a volta continuava da mesma forma que começara de madrugada em Stº Isidoro: uma dúzia aqui, meia mais à frente, na ida por Mafra e na volta por Loures, naquele dia cismando mais do que nos outros; sorria agora com o seu próprio nome, promovido de Vergas a Vargas, não sabia bem se por golpe de asa do padrinho se por erro da conservatória.
A lembrança do avô toldou-lhe o coração e quase lamentou não ter ficado mesmo Vergas, é verdade que para isso contribuía a opinião do filho que até punha a hipótese de retomar o nome se viesse a ter descendência.
O olhar iluminou-se só de pensar nele, no grande homem em que se tornara, como estudara sempre a ajudá-los e como o empurrara para virar o negócio numa empresa invejável. Não fora ele a picar a mãe que tanto jeito tinha para lhe dar a volta e ainda amassavam e coziam no anexo da casa. Agora… agora era um empresário a sério. Uma fábrica com tudo do que há de mais moderno, quatro operárias, cinco carrinhas, com caixa frigorifica, calcorreando léguas por dia a distribuir as “Queijadas Vargas” por supermercados, mercearias e pastelarias: Coimbra, Figueira, Leiria eram o destino e já Aveiro e até o Porto bailavam na cabeça do filho! Bem o avisava: Não dês o passo maior que a perna… e a danada da mulher, sempre aliada ao filho, logo ripostava: Está tudo pago não está?
Estava. Estava tudo pago mas não havia necessidade de esticar a corda. O filho, o Dr. João Vargas –sorriu– explicava que a rentabilidade e a garantia de ocupação do mercado e a estratégia de … eles lá sabiam, queria lá saber...
Seguia agora por Campolide, a volta compunha-se e na próxima entrega, longe do controle da mulher, tomaria um cafezinho e um rissol marcharia porque o “os diabretes” até andavam controladitos.
O para-arranca continuava quando PUM.
Um estrondo, uma dor aguda no peito, cegou! Aos poucos recuperou, não percebendo como entalado no volante e pelo vidro estilhaçado se via enfeixado num carro estacionado á sua direita. Ajudaram-no a sair, e deitaram-no chão. Via rostos sobre si e uma voz clara:
-O sacana do velho atropelou o rapaz.
Fez-se escuro.

Voltou a si, uma multidão pululava, o som estridente de uma ambulância desfazia-se, uma voz amiga confortou-o:
-O homem está bem, teve sorte, caiu do terceiro andar em cima de si, se tivesse sido na estrada...

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Carta aberta à minha lady

Di,Dizem, e eu concordo, que nasci com o cu virado para a lua, mas na verdade a lua move-se tal como eu e por isso a conjunção de cu/lua desfez-se momentaneamente.

A Augusta, o rapaz e o pátio, quando vier aí um quarto crescente a caminho de lua cheia, por certo voltarão. Por agora faço o papel de Sebastião Carvalho e Melo, cuidando dos vivos.

Em momentos fugazes deixarei registos como este:

O carácter julga-se?
Vem isto ao caso de Maria de Lurdes Rodrigues, na qualidade de figura pública, independentemente do direito de lutar pelas suas convicções e de exercer o legitimo poder que lhe confere o cargo, ser uma excelente comunicadora: verbaliza muito bem, responde ao que lhe convêm e ignora o que lhe interessa. Mais... na sua excelente performance na entrevista de ontem, socorre-se de formas de comunicação elaboradas tais como a expressão gestual, do olhar e de todas a cambiante de timbres que vão do delicodoce ao agridoce maternal.
Louvo-lhe a competência demonstrada na tentativa de dar o dito por não dito quando “
Na entrevista que deu ao DN, na terça-feira, a ministra da Educação reafirmou a intenção do novo Estatuto do Aluno de não chumbar ninguém por faltas.”(…) e na entrevista nega que a versão final do Estatuto do estudante, tenha sido alterado pelo parlamento. Tapa o sol com uma peneira. Parabéns à Sra. Ministra.
Inevitavelmente sim, o carácter julga-se, espero que a pessoa seja mais digna que a politiqueira.

É assim Di, não dá para mais.

Um beijo do teu,

Erecteu

sábado, 27 de outubro de 2007

O céu não existe.

E se por acaso existe mesmo? Não será melhor precavermo-nos não vá ele desabar sobre as nossas cabeças?

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Falta-me a pica

quando vejo a tragédia abater-se sobre meio milhão de pessoas.

Em três dias o horror instalou-se no lugar dos sonhos. Aqueles que já não sonhavam convivem agora com o pesadelo.
É bem feito, é castigo, soa-me dali onde rebolando-se de gozo vêm na Califórnia Sodoma e Gomorra. Os quatro elementos rebelam-se, o apocalipse vem por ondas: primeiro de mar e vento, agora de fogo, depois se verá, pensarão os moralistas decepcionados com a partida do tempo que não atenta a números redondos. Passámos 1000, chegámos a 2000 e se tivermos juízo a 3000 chegaremos; tratemos convenientemente do nosso ninho.

Falta-me a pica, mesmo quando ela se abate sobre uma cabeça.
Acordei e vi sinteticamente escarrapachado:

Grávida aos 11 anos
Criança espanhola pode ter sido vítima de violação
As autoridades espanholas estão a investigar o caso de uma criança de 11 anos, grávida de vários meses, que deu entrada num hospital em Léon.

Falta-me a pica quando leio a seguir:

A criança terá mais de três meses de gravidez, o que, de acordo com a lei espanhola, impede a realização de um aborto, mesmo tratando-se de uma violação.

Ainda bem, pensarão convictamente os "defensores da vida", assim não há legalmente a possibilidade de intervir. Talvez tenham razão, se Aquele em que acreditam tomar conta da criança, tudo bem. Se por acaso o destino lhe antecipar o inferno na terra, não me digam que dele é, depois, o reino dos céus. Se entretanto a vida não lhe for mãe, se de esticão nos levar a carteira, não sejamos madrastos, intercedamos junto do juíz, apelemos à atenuante da sua natividade.
Falta-me a pica, porra.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

picap'ampliar
falta-m'a pica, acho que é melhor parar, por uns tempos, talvez

Quando o avião aqui chegouquando o mês de Maio começoueu olhei para tientão entendifoi um sonho mau que já passoufoi um mau bocado que acabouTinha esta viola numa mãouma flor vermelha n'outra mãotinha um grande amormarcado pela dore quando a fronteira me abraçoufoi esta bagagem que encontrouEu vim de longede muito longeo que eu andei p'ra'qui chegarEu vou p'ra longep'ra muito longeonde nos vamos encontrarcom o que temos p'ra nos darE então olhei à minha voltavi tanta esperança andar à soltaque não exiteie os hinos canteiforam feitos do meu coraçãofeitos de alegria e de paixãoQuando a nossa festa s'estragoue o mês de Novembro se vingoueu olhei p'ra tie então entendifoi um sonho lindo que acabouhouve aqui alguém que se enganouTinha esta viola numa mãocoisas começadas noutra mãotinha um grande amormarcado pela dore quando a espingarda se viroufoi p'ra esta força que apontou

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

As Cimeiras e as ciumeiras

Os países da União Europeia e de África encontrar-se-ão por aí numa cimeira. O encontro será cimeiro se vierem os cimeiros representantes e aí começa a chatisse.
Não há chatisse sem chatos e Mugabe é um ganda chato para a Inglaterra, (não falando do seu povo), tal como a Inglaterra é para a cimeira se fizer birra. Vá lá que não estará só porque na birra também já entram os Checos (célebres inventores do dito banho, ocorre-me).
O Mugabe é chato porque é bruto e não tem maneiras, dizem os bifes e eu concordo. Se só fosse bruto e soubesse fazer as coisinhas, não o afrontavam e se o afrontassem... defecava.
Defecava como está defecando a coroa em Gibraltar, por exemplo, ou como o vai fazendo na Irlanda sem ter tempo para ter limpo convenientemente "The Royal Ass".



Tudo Vira Bosta
Rita Lee
Composição: Moacyr Franco e Rita Lee
O ovo frito, o caviar e o cozido
A buchada e o cabrito
O cinzento e o colorido
A ditadura e o oprimido
O prometido e não cumprido
E o programa do partido
Tudo vira bosta...

O vinho branco, a cachaça, o chope escuro
O herói e o dedo-duro
O grafite lá no muro
Seu cartão e seu seguro
Quem cobrou ou pagou juro
Meu passado e meu futuro
Tudo vira bosta...

(Refrão)
Um dia depois
Não me vire as costas
Salvemos nós dois
Tudo vira bosta...

Filé 'minhão', 'champinhão', 'Don Perrinhão'
Salsichão, arroz, feijão
Mulçumano e cristão
A Mercedes e o Fuscão
A patroa do patrão
Meu salário e meu tesão
Tudo vira bosta...
O pão-de-ló, brevidade da vovó
O fondue, o mocotó
Pavaroti, Xororó
Minha Eguinha Pocotó
Ninguém vai escapar do pó
Sua boca e seu loló
Tudo vira bosta...

(Refrão 2x)
Um dia depois
Não me vire as costas
Salvemos nós dois
Tudo vira bosta...

A rabada, o tutu, o frango assado
O jiló e o quiabo
Prostituta e deputado
A virtude e o pecado
Esse governo e o passado
Vai você que eu 'tô cansado'
Tudo vira bosta...

(Refrão 2x)
Um dia depois
Não me vire as costas
Salvemos nós dois
Tudo vira bosta...

Tudo vira bosta...(5x)

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Trova do vento que passa

Adriano Correia de Oliveira, um senhor da canção, que decerto preferiria que lhe chamassem um camarada da canção (de protesto), elevou-se com a voz para lá do Olimpo há 25 anos.
Foto sacada de Cantaremos Adriano (Blog)
Ombreou com muitos e bons como atesta nesta foto, da esquerda para a direita: José Barata Moura, Vitorino, José Jorge Letria, Fausto, Manuel Freire, Zeca Afonso, e Adriano.


Cantou-se a ele próprio o que bastaria. Cantou contudo muitos poetas mais, como por exemplo Manuel da Fonseca e Manuel Alegre que em premonitória chave de ouro encerra a Trova do vento que passa desta forma:


Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.


Passados vinte e cinco anos a Trova não passa, resiste porque prepotência e despudor ainda existe vindo de onde não se espera, como lobos encapotados de cordeiros.
Trova do vento que passa:
Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.


Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.


Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.


Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.


Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.


Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.


E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.


Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.


Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).


Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.


E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.


Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.


E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.


Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.


Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.


Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.



Manuel Alegre


sexta-feira, 12 de outubro de 2007

eNOBELeceu

Prometia, o dia nasceu bonito, pelo menos por cá de norte a sul, céu limpo sem nuvens. Como muita gente se engana! Pelo meio dia soube-se a notícia. O laureado não era português, como há dez anos.


Não foi mais um patrício a juntar-se ao inventor da "pólvora", não senhor. Confirmou-se, como para a eleição dos papas, que nome badalado não tem hipótese. Não entregaram o ouro nem o louro ao Lobo. Paciência, desconfio que ele não ficou chateado. Mas fiquei eu porque o prémio, em cem anos, foi concedido pela 11ª vez a uma mulher e porque essa mulher se tem batido pela denuncia de injustiças, como descriminação racial, e igualdade de direitos da mulher. Assim onde é que vamos parar?
Doris Lessing quem é? Sei agora que é uma simpática veterana em idade e campeã de prémios, o que é que poderei e deveria saber mais? Compro-lhe um livro? Qual e para quê?

A pilha deles cresce tal como a angústia pelo tempo perdido.

Uniões




Luis Filipe e Pedro Miguel estão em vias de entendimento, a consumar-se a união de facto, é caso para dizer: parabéns, assim não se estragam mais lares.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Missiva

Compadre,
Lá dentro, sem que necessário fosse dar-te consentimento, acrescentarás ou retirarás o que te aprouver, e com certeza a tua arte encontrará os melhores planos e luz para fixar o momento; entretanto o capricho, liberdade do narrador ou eventual e episódica reminiscência do passado, porão o puto a ver as coisas assim:

Uma sala que nunca poderia ser generosa dada a quantidade de mobília que a recheia. Um aparador com cristaleira uma mesa de um inútil abrir, quatro cadeiras encafuadas, e adossados às paredes um divã à direita e uma cama à esquerda. Resta uma área exígua que dá para percorrer de lado o espaço entre um quarto na mesma atafulhado por uma mobilia completa reforçada pela companhia de uma Nechi, onde Augusta se farta de pedalar e a uma divisão que não destoa do resto na estreiteza que tem para cozinhar e comer.
Mais nada? Mais nada que é como quem diz, se levantares aquele tampo de madeira, à cabeceira da mesa, descobre-se uma pia para todo o serviço.

Lá dentro só isto, aproveitemos para espreitar a casinha aqui em frente, entra e não estranhes a confusão que há de tudo um pouco e pouco utilizado, excepção feita às três peças de minha devoção e que qualquer dia poderão muito bem aparecer à venda em qualquer casa da Calçada com o letreiro “Antiques”à porta: o ferro de engomar, o pulverizador de cobre, o petromax e, ah! Afinal são quatro, o grande alguidar de zinco parcimoniosamente utilizado porque banhos a mais não dão saúde a ninguém, como toda a gente ali bem sabe.

Aproveita para ver o pátio. Esta correnteza de casas tão iguais, não nos deixemos iludir pela diferença das aparências, são de famílias quase iguais à de Augusta Maria. Têm todas cá fora o estendal da roupa, a casinha com as mesmas coisas, mais coisa menos coisa, e ao longo do muro capoeiras, coelheiras, as leiras com pouco mais do que couves galegas que terão as folhas arrancadas uma a uma e morrerão cozidas no prato em companhia de uma batatita, regadas a fio de azeite. Aqueles gaiatos que brincam sentados no peal não são mas é como se fossem irmãos, bulham e amam-se exactamente da mesma maneira, pelo menos por enquanto.

Mais o quê? Ah! Os animais. Aqui é que há as diferenças: aqueles são pelos canários e piriquitos, os a seguir pelo gato e lá ao fundo pelo cão, mais canito que outra coisa; sim esse mesmo que passa a vida correndo atrás do próprio rabo.
Pronto, há ainda outras diferenças que os separam, as devoções. As santinhas delas e os clubes deles.
E política? Oh Rui! … era melhor não nos metermos por aí, evitemos tá?

Vá, vamos embora. Por agora fechemos a porta que ainda é cedo e as almas que a habitam o 23 ainda não vieram da labuta.

Um abraço do teu compadre amigo
Erecteu


sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Este sol de Outono

Este sol de Outono trouxe a à memória, coisa estranha, até porque nem era Outono mas sim fim do Inverno. Não sei por onde começar para vos falar da Augusta Maria, talvez dizer que a vejo debaixo para cima: pés enfiados numas socas, uma meia de lã subindo até meio da perna grossa, enquanto a outra se quedava no gémeo carnudo e de invejável pêlo, distinguia-se por uma aconchegada saia às coxas porque no demais era “igualinha” às colegas, camaradas como ela dizia. Não se distinguia pelo avental que, mais cor menos folho todas usavam; usavam também arrecadas esticando os lóbulos e carrapitos luzentes; até mesmo nas bochechas coradas pelo frio que certamente alguma sopa de cavalo cansado acentuava, se assemelhavam!

Imperava a boa disposição nas bancas do Mercado do Rato, ainda que não fosse daqueles dias em que a freguesia abundasse. Os gritos de uma ou de outra sobrepunham-se esganiçados sobre a algarviada constante, os de Augusta eram diferentes, troavam uma oitava acima. Ao fundo aparece uma figura aperaltada dando origem a troca de olhares e sorrisos cúmplices, Augusta advertiu a Rosinda: -Lá vem a Fiscala.
A “Fiscala” percorreu as bancas detendo-se em observações sagazes ao brilho dos olhos, chegando mesmo a pedir que abrissem o operculo para melhor ajuizar. Era um ritual mais que conhecido a que sujeitava os robalos e chernes para não raramente optar pelo chicharro ou cavala, que tão boa era cozida fresquinha, ou escalada e em dois dias de salmoira, recomendava a "Fiscala". Como sempre a "Fiscala" passava, nariz frio e de olhar em frente, sem se deter na banca de Augusta. O salto era compensado na banca de Rosinda, a conversa estendia-se emoldurada em simpatias de gestos, tom de voz meloso e sorrisos, mesmo debaixo do seu buço, virada a três quartos estratégicos.
Era assim desde o dia em que numa das suas inspecções ordinárias, negócio acertado e de embrulho na mão resolvera fazer uma última inspecção à pescada que Augusta atestara ser merecedora da mesa de Sua Magestade D. Carlos. Vendo-a franzir o sobrolho, ainda de nariz enfiado no embrulho, trovejou-lhe:
Querem lá ver que o peixe se cagou?
A Augusta Maria caiu-me na vida, ou melhor, caí-lhe eu na dela sem sabermos bem como.
Esperava-me no cais do Conde da Rocha ao sabor do movimento de corpos que se comprimiam, como a ondulação do cais de cá para lá. Vi a eu primeiro de fotografia na mão sobressaindo sobre as cabeças, era essa a senha. Nem me dei ao trabalho de levantar a minha pois ela olhava em toda a direcção menos na minha; de repente focou os olhos em mim e gritou: -Ai o meu rico menino!
Não percebi bem como mas passou para o outro lado das grades e ora me via encharcado em desconfortáveis beijos ora tinha o rosto mergulhado no meio de um agridoce par de mamas. Entre uma e outra coisa, agarrado pelos ombros, via o seu rosto abanando e as madeixas soltando-se.

Não me perguntem como foi mas vejo-a agora rindo com os que riam no seu sobe e desce a empurrar as malas para dentro de um eléctrico, tal como me vem à memória o badamerda que lançou para a finória que estava cheia de pressa. A etapa não foi longa, dela ficaram os solavancos e especialmente os sinos: um accionado por um fio de couro e por quem bem entendesse e o outro, demorei um pouco a descobrir, furiosamente manobrado pelo condutor, vulgo guarda-freio, à patada. A segunda etapa mais calma, sempre a subir, levou-nos só até meio da Calçada de S. Bento. Para ali fiquei sentado em cima das malas que era a melhor forma de tomar conta delas, até Augusta reaparecer seguida por duas vizinhas e de um rancho de miúdos e miúdas. Estávamos ainda longe da descoberta da pílula e de termómetros não me lembro de ver por ali.

Lá fomos, transposto um arco que era tudo menos de triunfo. Outro mundo se abriu, por caminhos que vagamente se assemelhavam a pavimentados, seguimos até ao 23, uma porta com postigo ao cimo de um bataréu ladeada à esquerda, por uma modesta janela e à direita por uma janeleca mais um óculo com pretensões a oval.
Lá dentro… lá dentro não interessa.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

As cataratas

Che é a figura romântica da história. A memória pode até ser curta, mas passadas dezenas de anos, um estranho fenómeno impede a sua morte: a sua constante presença icónica. Cuba realça o elevado carácter de Che, médico-guerrilheiro de vocação internacionalista. Imaginado, muitas vezes emprestou a pele: montando uma mota, e ironia do destino, em barricadas opostas, por matas de África, foi-lhe copiado o bigode e a forma de colocar a boina.
Imagino o jovem Che fazendo o Juramento de Hipócrates, tendo dificuldade em aceitar que o médico se recusasse a prestar os cuidados devidos a Mario Terán.
E para finalizar, vejo ainda Mario Terán “claramente vendo” diante de si um pelotão de fuzilamento sob as ordens de El Comandante gritando.


FUEGO



Aprendimos a quererte
Desde la historica altura
Donde el sol de tu bravura
Le puso cerco a la muerte

Estribillo:
Aqui se queda la clara
La entraniable transparencia
De tu querida presencia
Comandante Che Gevara


Vienes quemando la brisa
Con soles de primavera
Para plantar la bandera
Con la luz de tu sonrisa

Estribillo


Tu mano gloriosa y fuerte
Sobre la historia dispara
Cuando todo Santa Clara
Se despierta para verte

Estribillo

Seguiremos adelante
Como junto a ti seguimos
Y con Cuba te decimos
Hasta Siempre, Comandante

Estribillo

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

3 em 1, noves fora nada

Estou-me cagando mas o uso desta forma verbal foi proibido lá para terras de Vera-Cruz, por razões que não serão naturalmente resolvidas com esta medida, mas vou indo...

Quando for grande, se alguma vez vier a ser, é bom que não se esqueça de que esta vida funciona segundo o princípio muito fiável, mas não infalível, do “shutle”, do vai-vem. Por vezes estrala lá no ar como os foguetes que festejam a vitória de Menezes, outras estrala-nos nas mãos, como no dia em que se tem que mostrar no estendal a roupa mais intima.

Para quem contava com todos caso ganhasse, sem que se explique convenientemente, não fica lá muito bem demitir-se das funções que desempenhava, sob pena de ficar a ideia de que se trataram de inconvenientes cuspidelas para o ar, ou de que o ego é bem maior do que a estatura fisica.
Os homens não se medindo aos palmos de alguma forma se medirão.



terça-feira, 2 de outubro de 2007

De preferência

Gosto de viajar, pois gosto. De todas as maneiras: quer faça sol ou chuva, sozinho ou acompanhado de preferencia de uma mulher, e só... somente em ultimo recurso até porque não sou dos que trocam uma pessoa, de preferência uma mulher, por um cão que há quem diga ser o melhor amigo do homem.
Frases feitas, é o que é. Valem o que valem como:

ainda deMora muito?

É o cabo d'arco

uma carga de trabalhos

A talho de foice.

Andar aos S´sà partida: O mosquito é o pior inimigo do para-brisas

A senhora que passou por mim e me fez aquele jesto de dedo em pirueta sobre a testa, tem razão. Concordo; de câmara na mão debruçado sobre o tablier, pode não vir expresso no código mas... quando ando sózinho dá-me para inventar, desculpe.

Mas... desculpe lá, o seu marido a quanto ia? A 140 ia eu!

Não sou de modas

Sento-me para escrever este texto, depois de estar para cima de 72 horas sem blogar! É obra.
Dirão, tá bem mas andas p'aí a roer as unhas e...
Falso. É falso, o que é que as unhas têm a ver com as cuecas? É verdade que as rato até ao sabugo, mas poderá ser pela abstinência. Abstinência do tabaco ou de outra qualquer, né?
72 horas sem as minhas marias e maneis, é algo de tão grandioso que me sinto no direito de ter o nome inscrito a par dos Marques e dos Meneses, dos Gamas, Cabrais e Camões, dos Silvas e Costas até.

Fui-me com a notícia da eleição de Meneses, e volto com o país em alerta amarelo, estranha coincidência. Nada de mais a não ser que a tendência para o Outono / Inverno deste ano, pelo menos, é de saias pelo meio da perna a par de juros a subirem e acções a descerem. As cores da moda serão vivas em contraste com o cinzentismo que, abaixo e acima, andam pela Calçada de S. Bento. As peças folgadas em drapeados largos afrontarão o apertar dos cintos familiares e o estreitar do investimento público. A flexibilidade da escolha de adornos ofuscará a insegurança daqueles a quem é oferecida uma maior mobilidade no emprego, a caminho do desemprego.

Por último, os tecidos serão finos, leves e diáfanos, propiciando um invejável ar de aparente frescura, de tal modo que ouvir-se-ão, vindas do Restelo ou Belém, velhas vozes clamar:
Mas o gajo vai nu!


E por falar em frescura, os que há mais tempo por aí calcorreiam, sob pena de verem o deficiente sistema imunitário a colapsar, e ainda que a eficácia seja reduzida, vacinem-se, aproveitem o sistema de saúde.


Não sei é se vão a tempo

sábado, 29 de setembro de 2007

APREensão

estou APREensivo, mas não se preocupem, é comigo mesmo
chega Menezes em estilo, sem pompa ou circunstancia,


vai-se Mendes pela direita baixa, no seu estilo e nas circunstancias que me deixam APREensivo


somente porque nunca me imaginei a desejar tanto a alternância
APRE!