A DI tem lá no seu cantinho e convida-nos a ver que idade teriamos se vivêssemos noutro planeta, pois em:
Mercurio 241 anos.
Teria ultrapassado a minha esperança de vida.
Vénus 95 anos.
Estava quase lá
Terra 50 e muitos picos
A meia vida, lá vou gozando a meia-nau. De vez em quando vou até à proa. Vivi o suficiente para dar uns conselhos e ainda pouco para me aconselhar a mim próprio.Acho que devia de começar a fazer planos (não muito inclinados, claro).
Marte 31 anos.
Semanas longas e fins de semana curtos.
Uma época em que me propunha missões impossíveis, mas que afinal foram possíveis!!!
Disseram-me que tinha nascido com o cú virado para a lua.
Júpiter 5 anos.
Uma merda, dias curtíssimos.
A angustia de o dia ter acabado e de não ter brincado nada. A descoberta que ou crescia rápido ou tinha que passar a vida a comer sopa e fruta.
Saturno 2 anos.
Dizem que me preparava para uma primeira batalha que viria a vencer: "primo-infecção-pulmunar". Não me atribuíram mérito algum mas sim a um tal Fleming que inventou a "penincelina" . Descubri que afinal foi a penicilina.
Comecei a ver estrelas, lá pelas 10:00. Estaria lá, não estava? Às 14:30 sabia que estava, mas era pequena. Deus é grande.
quinta e sexta
as estrelas continuam e ela no vai-vém.
sábado
cinco da matina, Oi! lá se vem ela; outra vez. Ai!! Bem bom. Agora é a sério. Calhaus que vos pôs, quem e quando vos levam? Seis horas de notável hospitalidade, sempre a dar na veia.
22:00 - Parece que vejo fazer-se luz
23:30 - Foi-se, espero.
Domingo
6:30 - Foi-se mesmo!!! Espero que não voltes, vaya con Dios.
Os senhores deixem trabalhar quem sabe, parem com os bitaites e as senhoras, que parem, continuem a parir. Onde? No local mais próximo do rebentar das águas claro. Nada de chiadeiras que a rede está lançada. Nada de palpites porque as que ainda não pariram não percebem da poda e as que pariram no sistema antigo, até experimentarem o novo, também não têm voto na matéria. Confiem e descansem, tá? Senão vejam, ou melhor, leiam:
Perceberam agora, dá pa estarem quedas? Não! O sr. Ministro não tem experiência no parir? Porra isso é um argumento mal parido, desculpem lá. Agora António Fernando Correia de Campos tinha que dar à luz primeiro para vos satisfazer as necessidades depois, era? Mas isso é impossível ! ! !
Forjado na escola da vida - sim porque do currículo não consta a “Independente” - , e incondicional do velho estoicismo, sentenciou:
- Diz quem sabe que comparável ao parto só uma cólica renal.
Eu cá nã sei mas se parto sem epidural é como uma cólica renal, tá bem, tá!!! Ainda bem que a minha múltipla afirmação paternal não teve o encargo de parir pois só o primeiro é que me enganava, e por ali ficava, pois as duas cólicas que já tive, mais um ameaço de terceira, deram em serenatas cantadas de improviso que ofuscam as de qualquer Madalena arrependida das noites longas da Alfredo da Costa.
Mas propôs ele, valente: - Para Odemira ou pá Sonega e em força, já. Simples Tó serei e assim o sistema testarei.
Se bem o disse melhor o fez. Lá pelas duas da matina, induziram ao caudilho da saúde, dentro da Ford Transit do padeiro, Presidente da Junta e militante de base, uma cólica renal das boas e depois… pôs-se o sistema a funcionar, apelando para os recursos locais. Como o Centro de Saúde tinha sido fechado, por Sua Excelencia, o ministro… Bombeiros. Os Bombeiros não puderam dar resposta pois, bramava o Comandante, ex-sargento de engenharia com duas comissões, uma em Angola e outra na Graça: -Isto assim é uma merda, agora é que a bateria da ambulância é que havia de dar o berro!!! -Oh Pereira (o maqueiro) e tu e tu, toca a empurrar; e sem cerimónias atirou-se logo ele ao guarda-lama traseiro da Peugeot 504. Foi um gosto ver a Bina Maria, nome que herdara da madrinha que a baptizou, percorridos trinta metros, pegar numa apoteose de fumo negro. –Acelera, nã pares, vai dar a volta pelo mercado; puxa dum SG Ventil aguardando o retorno da viatura. Já o comandante fumava o filtro quando vê o condutor a penantes. –Deixaste-a ir abaixo, foi? Meu merdas ! –Nã mê comandanti, faltou o ga ga…gasóli, disse atrapalhado. –Foda-se, disse o comandante fodido.
Bom o Tó recebeu a notícia já sem saber se lhe doía o colhão esquerdo ou o olho do cu, mas fez um sorriso, que ao Presidente da Junta, pareceu um esgar. -Chama o INEM, para o Sr. Ministro, disse ao escriturário em vias de ser admitido no partido. –Ministro? –Sim Ministro, calé ádmiração? Nã vês cu home se chama António Ministro? O escriturário só fez: aaah!
Uma hora de ais e uis, depois de chamado o INEM, lá lhe arranjaram um Buscopan que enfiado pelas nalgas acima, deixou o Tó animado no propósito a que se cometera, se bem que a cólica persistisse. Passadas mais uma hora, andava o Tó à reboleta de um lado para o outro, quando chega a equipa INEM. Enfiam com o soro no braço e o Tó na maca e aí vão eles, ninóni até Beja, de pirilampo a dar a dar por essas curvas e buracos, com o tempo andando mais devagar que os quilómetros, maqueiro, condutor e médico tagarelando lá à frente, o Tó rebolando-se cá atrás sem achar piada nenhuma à anedota que contavam de um tal engenheiro do canudo. O esforço foi demais, o homem foi-se nos sentidos e já delirava; já se via gravemente grávido com a dor de rins. Recobrou ao entrar no Hospital quando lhe perguntarem a identidade: -Como se chama? -Tó,Tó… - Tótó, quê? Mas mais não disse, apagou-se de novo. Só acordou no dia seguinte com uma simpática enfermêra à cabecêra: -Quer vêri o que dêtou fora? -Sim, disse com voz doce, foi menino ou menina?
Vivi olhando com alguma sobranceria a minha avó que dava cabo das lâmpadas num estranho ritual de apagar e acender luzes, comprometedor da esperança de vida dos filamentos, e entre sermões de necessidade de poupança. Herdei sem saber os tiques de guardar lixo que atafulham gavetas e dispensas com vista a uma necessidade futura, inevitavelmente relegado para o esquecimento não servindo absolutamente para nada.
Paula rego Untitled-10
Era enervante aturar as suas manias mas eu lá condescendia, julgo que de forma inconsciente, a troco do carinho que recebia.Os cortes para calças ou camisas eram comprados após avaliações de alturas ou larguras sempre tendo em conta uma folgada bainha dado vaticinar que eu ainda iria dar um pulo. Virava colarinhos e punhos, botavam-se solas e meias solas com protectores metálicos, tão do meu agrado pelo partido que tirava deles, mais não fosse, em sapateados balançados segundo a inspiração da última “cóboiada” ou episódio do Bonanza. Na cozinha as metamorfoses sucediam-se em deliciosas propostas que podiam evoluir de cozido à portuguesa em empadão ou de carne estufada em croquetes tal como os restos de uma pescada cozida com todos se finava em deliciosa tortilha. A “roupa velha” não conta porque resultava de uma acção premeditada em vésperas de Natal. Se uma torneira pingava havia algum recipiente que se encarregava de recolher durante o dia ou noite para posterior utilização em lavagens ou mesmo cozinhados. Ah! as braseiras. Para quem seja familiar, eram dois ou três objectos que cirandavam pelos quartos da casa, incluindo o quarto de banho. Uma dela era a rica, de cobre, as outras, as de folha-de-flandres, não me lembro de lhes ter sido dito nada, mas seriam as pobres, coitadas! Por engenho da "velha" e o muito moer o ferreiro, sofreram um up-grade: uma grelha em ferro forjado, pensarão vocês que por questões de segurança, talvez; mas o certo é que levavam em cima com um jarro de esmalte que se não vertesse as águas numa espécie de bidé, para algum banho checo ou lavar de pé, acabava entre lençois numas botijas de barro ou em ultimo caso no alguidar de lavar a louça. Tostão era tostão, lençol velho não morria como tal. O carvão do fogareiro, assadas as sardinhas, era salvo por uma baldada e ficava a secar esperando um carapau. Com ela tudo produzia e se possível mais do que uma vez e uma coisa. No quintal, o que produzia sombra também produzia figos, as galinhas ou produziam ovos ou antecipavam a produção de carne e as desgraçadas das coelhas como nunca se habituaram a pôr ovos punham coelhinhos ou eram rapidamente associados à vinha-d’alhos. Com a genica que tinha e capacidade de polivalência se me tenho lembrado de a inscrever na independente, não sei, com a crise que para aqui vai… Ambiente, Economia?
Sábado, lorpamente, além Tejo, oiço gostosamente Mozart sem saber se é a 39ª ou a 29ª, sei lá se posso confiar no Independente, e leio com ar de simplório arrogante:
E escrevinho entre umas fumaças, sorrisinhos irónicos, e consultas do Francisco Torrinha.
“O resto é paisagem” é uma expressão utilizada, normalmente, em contextos de ironia provocatória, de forma que se enquadra no domínio da afectividade.
-Onde vais? -Para a província. -Ah! Que bom. Bons ares, gente boa, boa comida… O resto acrescentam vossencias, o que vos aprouver.
Mas só? Não. Sabemos que Lisboa é a “CAPITAL”, a cabeça, pelo que é incontestável: O que é bom para a cabeça é bom para o resto, faço jus, sem prescindir da verdade inversa. Já na jus romana se entendia tão simples principio e aos territórios conquistados fora da “Itália” (leia-se Roma em sentido lato), às províncias e aos “provincialis” eram reconhecidos os direitos de Roma, o que só prova a importância da estruturação administrativa e a requintada sensibilidade dos nossos ancestrais patrícios.
Regozijo-me com a herança preservada. Aprecio o requinte embora, confesso, o tente disfarçar sem saber bem porquê nem interessa, pois para o caso em questão está a provincial importância da herança requintada. O importante, de capital importância, é a subtileza, a acuidade e finura herdadas, como por exemplo, quando na ONU, encostados entre a tribuna e o espaldar das cadeiras, víamos o nosso império colonial ameaçado. Entregámos de mão beijada o ouro aos bárbaros bandidos? Nem é preciso responder! Qual colónias qual quê! Um só país uma só nação, do Minho a Timor, um Portugal semeadinho de províncias é que era, vissem bem, exigíamos orgulhosamente sós. Pouco atempadamente, na década de sessenta, fizeram-se as maiores reformas da nossa história: Onde se lia Colónia passou a ler-se Provincia, despediu-se o Ministro das Colónias, a CCN - Companhia Colonial de Navegação foi-se a martelo e pouco mais que eu me lembre, mas já foi muito. Os brancos de segunda e os indígenas mesclaram-se em Portugueses com os Portugueses de gema. Foi tão bonito!
Benfica e Sporinguê, rebita e fandango, Afonso Henriques e Rainha Ginga, muamba e cabidela, avé-marias e batuques, coisa com coiso.
Não vos massacro mais, senão falava-vos dos iluminados míopes deserdados que do alto de uma das sete colinas enxergam o deserto nesta margem, enquanto me perco em pensamentos ouvindo lá do azul aviões passando para o Portugal viçoso.
As coisa têm nomes. Por vezes é possível determinar a sua origem ou explicar a razão porque foram assim designadas. -Tu és Petrus e Pedro ficou, senão seria Simão. E pedra é pedra porque “petra” era a denominação para “rocha” e vai daí somos mais ou menos empedernidos, porque senão seríamos mais ou menos outra coisa qualquer. O Glorioso Benfica, mais um pouquinho e poderia até ter sido “Alvalade” mas convenhamos que Benfica é que fica bem. E o cão que me dava umas corridas lá na rua? Era Benfica! Porque não Leão? Ou Tejo, por exemplo? Mas não, era o que o dono lhe quis pôr e por muito que eu lhe chamasse cabrão, Benfica é que era. Aidida saberá porque é que é, Porto Rui? Pode ser que não saiba, até pode não saber porque é que pôs o nome de Esmeralda à filha; não terá sido por a menina ser verde, seria mais lindo associar a ideia de que pudesse ser-lhe “preciosa”, sabemos nós lá! Agora, ela sabe porque é que a Esmeralda, agora, é Ana Filipa, que afinal é muita mais giro, não é? Esmeralda! Esmeralda só, vá lá, Esmeralda Porto, que disparate! Ana Filipa é que é porque Luís Gomes quis e eventualmente Adelina Lagarto pode ter sugerido: Ana Filipa, prontos. E Benfica prontos, e Pedra, digo, Pedro prontos e Lagarto prontos, pronto final. Uma coisa vos confesso, para escrever esta baboseira vi-me à rasca, à rasquinha. Não queiram saber o trabalhão que tive para saber o nome afectivo e o efectivo da filha de Aidida Rui Porto e de Baltazar Qualquercoisa. Percorri artigos e mais artigos e só encontrava: a criança, a menina, a pequena e por aí fora. Mas o mais estranho é que ao longo dos meses em que acompanhei este caso, não estranhei. Estranho, não é? Bom no fim, ela, a criança, a menina Esmeralda ou a menina Ana Filipa, com alguma coisa há-de ficar; espero… Espero é que não seja com um nó na cabeça. Relendo mentalmente esta treta até admito que me queiram chamar cabrão, mas porra, o dono do cão escolhe, o dono afectivo, digo, pai afectivo escolhe, atão… eu escolhi ERECTEU, ou pa mim já nã vale?
***
Quando essa boca disser o seu nome, venha voando Mesmo que a boca só diga seu nome de vez em quando (repete) Posso enxergar no seu rosto um dia tão claro e luminoso Quero provar desse gosto ainda tão raro e misterioso do amor... Refrão: Quero que você me dê o que tiver de bom pra dar Ficar junto de você é como ouvir o som do mar Se você não vem me amar é maré cheia, amor Ter você é ver o sol deitado na areia (repete)
Quando quiser entrar e encontrar o trinco trancado Saiba que meu coração é um barraco de zinco todo cuidado (repete)
Não traga a tempestade depois que o sol se pôr Nem venha com piedade porque piedade não é amor (repete)
Amanhã, lá estareireforçado pela ideia de que não há ameaças que cheguem para impedir o exercício de um direito conquistado por muita gente, à custa de muita porradinha.
Nota: Esta melodia encontrei-a referida num blog que visitei.
Quando queremos fazemos associações que não lembra ao diabo.
"Quero ver como..." coacções e perseguições rimam com justificações.
Os tomates não saiem das das arvores, mas estes de lá vieram. E vieram de uma nossa senhora provida de um bom par deles, in situs, que à primeira até parece sofrer de elefantiase. Bem negros por sinal !
Nã sou pessoa de levar e ficar-me. Até podia não os devolver a mais ninguém mas desculpa lá, Maria, mas levas com outros de volta chez toi.
Não se riam que ainda há aqui tomates para mandar e vender a, por exemplo:
Rafeiro Perfumado , uns tomates tipo cereja que para rafeirote a imaginar pelo escroto, mais não dá.
JP, Fazdeconta que levas com um tomate protestante, tá?
Bem pó Bino nada se arranja senão um tomate atípico Ah! bruto sexual !
e a brincar a brincar, por entre gargalhadas e levezas lá vai batendo como quem não quer a coisa. É de Garfiar , quando há tempo.
Espero que os tomates não vos estorvem, com'a mim.
A 27 de Maio de 1977 ocorreu em Angola o “Golpe de Nito Alves”.
O golpe teve o apoio de serviços da União Soviética com vista a colocar no poder um homem favorável aos seus interesses e depor Agostinho Neto, tido como próximo de Cuba. Deste golpe falhado resultou a captura de Nito, entregue pela população do local onde se refugiara, de acordo com a versão fornecida à data; terá sido entregue pela Embaixada da União Soviética, onde se refugiou, segundo relata Rafael del Pino no seu livro, Proa a la Libertad (Rumo à Liberdade). Foi fuzilado e o corpo terá sido lançado ao mar atado a pedras.
Do golpe resultou a morte de, conforme um comunicado do Bureau Político do MPLA, de 12 de Julho de 1977, entre outros, o major Saydi Mingas (ministro das Finanças), os comandantes Paulo da Silva Mungugu "Dangereux", Eurico Gonçalves, ambos do Estado-Maior-General das FAPLA, e Eugénio Veríssimo da Costa "Nzaji", chefe de Segurança das FAPLA.
Próximos de Nito estavam José Van Dunen, detido enquanto cumpria o serviço militar no Grupo de Cavalaria 1, por actividade política, em 1972. e Sita Valles, antiga aluna do Liceu Salvador Correia, posterior dirigente da UEC - União dos Estudantes Comunistas.
Ambos foram detidos e posteriormente fuzilados. Muitas vítimas mais houve, de um e do outro lado, continuando a ser dadas como desparecidas muitas e muitas...
Relembro o Sr. Canas, de nome e mérito. Odiado pela pontaria a que nem o da última fila escapava, era uma figura mistério que entre torneiras a encher por um lado e água a sair pelo outro, estações e apeadeiros do ramal do Tua, reis e cognomes da quarta dinastia ,ou complementos, predicados e sujeitos era capaz de no recreio fazer meia parte por um lado e a outra meia pelo outro em jogos de basquete de onde as meninas não eram excluídas. Era assim às quartas e sábados no pátio do João das Regras. Distraídos, cabulas e engraçadinhos eram premiados com a cana da índia de ponta flexível num apreciável naipe de técnicas, a saber: parte lisa e nó destinados ao cocuruto sendo a ponteira reservada para as orelhas. ZÁS, PLOC E ZIM eram o nome de código que lhes tínhamos atribuído. Era frequente ao regressar a casa contabilizarmos ou comentarmos. -Eh pá o Sacanas afinfou-me cá com um PLOC! -Olha lá e o meu ZIM?
Também constituía mistério o facto de o Sacanas não recorrer à palmatória, embora passeasse pela sala remirando-a de um lado e do outro, especialmente enquanto fazíamos problemas ou cópias. Minto. Usou-a uma vez que me lembre: Tocou o badalo para o intervalo, um grupo ao invés de sair fixou ansioso os olhos na Natércia. Foi cómico vê-la puxar pelo vestido distraidamente enquanto conversava com a companheira de carteira, mais cómica foi a transformação da sua expressão até desatar em choro ao aperceber-se que estava presa a um “chuinga” (chwing-gum) zelosamente mastigado. -Alto e pára o baile, quem foi, quem não foi, queria o Sacanas saber. A turma… moita carrasco. -Ninguém se acusa? Não há recreio para ninguém. A turma… moita. Enquanto revirava a menina-de-cinco-olhos, prelecção para aqui e acolá mais, por causa de um cobardolas pagam todos e … o Rodrigo: -Foi o Vasco Sr. Professor. -Anda cá Vasco. A turma redobrou o silencio viu a palmatória por quatro vezes subir e descer, juntando a nossa dor à dele. Seguimo-lo no regresso à carteira venerando o estoicismo com que recebera o castigo de lábios cerrados e olhos secos. -Anda cá Rodrigo, ouvimos para nosso espanto. Dessa vez a menina só deu dois pulos. Não sei se os olhos marejados se deviam à dor ou a algum sentimento de injustiça mas o que me fez reter na memória esta história foi a leitura do acórdão: -Vasco levaste duas em cada mão para aprenderes a assumir e tu, Rodrigo, para aprenderes que na minha aula não há queixinhas. Todos para o recreio, o Rodrigo fica na aula a pensar.
A honra é feita de códigos. Independentemente do grupo a que se pertença há, os honrados e os outros. Assim o exige a pertença à, sociedade ou organização, seja ela secreta, marginal ou até informal. Os códigos de honra não se ensinam, não estão escritos; simplesmente apreendem-se e a violação determina, no mínimo a censura senão a exclusão directa.
Alguém me explica os códigos dos delatores e o dos que promovem a delação?
bom, deixemo-nos de merdas que hoje é sexta e tenho que garfiar
Declaro-me um consumista nato. Prazer puro não será porque o complexo de culpa salta-me ás nalgas, instala-se nas entranhas. Resultado, para perservação das ditas lá, alternadamente, me vou auto censurando e cedendo.
Sempre gostei de misturas, o pior é quando não se consegue conciliar no mesmo momento, o que gostamos. É verdade que a indecisão é sinal de que há por onde escolher. Por exemplo: entre um bom livro e uma mulher boa, com’é? Entre livros e mulheres... não sei, uhm... Para valer a pena é necessária muita concentração. Quase tanta como exige o comer uma navalheira, que dá cá um gozo chupar-lhe as perninhas, folhear o corpinho! Mas dão uma trabalhêra! Bem, de comum, faça-se justiça, livros e mulheres, marcham bem com um tinto, uma aguardente velha até. Engraçado, já a navalheira pede antes uma cerveja geladinha, ou duas! Bem, não interessa a navalheira não vem ao caso, por agora.
As palavras são boas, enriquecem o espírito, prontos. Uhm... e elas! também; apaziguam o corpo e por via disso a alma. Com’é então? Já tentei pô-las a ler em voz alta, mas aquilo é como misturar farinha com água, acaba sempre por fazer gorgulhos. Os livros não têm pernas, esperam por nós, mas se elas as têm para se porem a andar, também terão para voltar, né? Confesso que já tentei também a formula: dois bons livros e uma mulher boa, mas qual quê, não resulta. A páginas tantas, não interessa quem:
-Ouve isto, que giro.
Tá o caldo entornado. Páginas tantas estamos os dois no mesmo sofá e os livros: um mais amarrotado que a minha camisa e o outro desencapado como ela. Está visto. O que não tem solução, está solucionado. Vou comer uma navalheira, beber uma cervejinha bem gelada, ou duas. Até já.
I celebrate myself; And what I assume you shall assume;
For every atom belonging to me, as good belongs to you.
O Captain! My Captain!
1
O CAPTAIN! my Captain! our fearful trip is done; The ship has weather’d every rack, the prize we sought is won; The port is near, the bells I hear, the people all exulting, While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring: But O heart! heart! heart! O the bleeding drops of red, Where on the deck my Captain lies, Fallen cold and dead.
2
O Captain! my Captain! rise up and hear the bells; Rise up—for you the flag is flung—for you the bugle trills; For you bouquets and ribbon’d wreaths—for you the shores a-crowding; For you they call, the swaying mass, their eager faces turning; Here Captain! dear father! This arm beneath your head; It is some dream that on the deck, You’ve fallen cold and dead.
3
My Captain does not answer, his lips are pale and still; My father does not feel my arm, he has no pulse nor will; The ship is anchor’d safe and sound, its voyage closed and done; From fearful trip, the victor ship, comes in with object won; Exult, O shores, and ring, O bells! But I, with mournful tread, Walk the deck my Captain lies, Fallen cold and dead.
“Não deixes que termine o día sem teres crescido um pouco sem teres sido feliz, sem teres aumentado os teus sonhos. Não te deixes vencer pelo desalento. Não permitas que alguém retire o direito de te expressares, que é quase um dever. Não abandones as ânsias de fazer da tua vida algo extraordinário. Não deixes de acreditar que as palavras e a poesía podem mudar o mundo. Aconteça o que acontecer a nossa essência ficará intacta. Somos seres cheios de paixão. A vida é deserto e oásis. Derruba-nos, ensina-nos, converte-nos em protagonistas de nossa própria história. Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua: tu podes tocar uma estrofe. Não deixes nunca de sonhar, porque os sonhos tornam o homem livre.”
-Bem, se ouvisses… Boa na cama. Bem boa… -Na cama? E no sofá e no… -Oh pá, gosta de festa. -Há! A boazona é chavalita, né? - Não, é… -Não é boa! -É boa na cama, porra, bem boa mas… -Prefere as festas, já vi. -?! Qual festas gaita! É BOA.NA.CAMA mas não se cala e… -Ui! Já vi tudo. Tipo sirene: Ohhh, oohhoo, ooohhhoooo, o… -Tás parvo? Olh’ó pessoal a olhar pa nós. Nada disso… Ah! Mais ai? Ai, ai, aiii, AIIi… -Olha, acabou. -Vens-te logo, já vi. -Não viste, nem… -Claro que não vi! Sou algum espreita, é? -Não viste, não vais ver, NEM IMAGINAS, pronto. -Não digas, com’é? -!!!?? -Com’é, vá lá. -!!!?? -Vá lá. -Gosta do amanso e… -E…? E queixaste! -Não me queixo. Teorisa. -Eu?! -Não, ela é que teorisa. -UI! As teóricas… Já vi tudo. -IndABEM. -Porra, não se pode falar contigo, caralho.
Pois é, a gaja dá-me uma trabalheira do caraças: ainda não percebi o que distingue uma da outra porque parece que são duas, escreve nas linhas e nas "entretelinhas" e ainda me manda trabalho de casa, pois é! Né?
Não sou pessoa de lançar desafios, nem de muitas virtudes mas acho que compenso com muitos e bons defeitos; não é para me gabar, de A a Z não deve falhar nenhum.
O meu melhor é talvez o T.
Não há mérito nenhum, é somente o meu gift. Tenho-o comigo desde puto, quando vóvós e titis, sentadas no quintal abanando-se com redundantes abanos de palha, pernas abertas na tentativa de beneficiarem de alguma frescura vã, enlevadas vaticinavam, coitadas:
A vida, esta coisa de pequenos nadas, de encontros e desencontros, de sol, searas e vento Ousar pedir não dá. É lutar ou fugir de cá, é clamar resistir já. Um magala, um corpo, uma bala, um morto jaz na vala Puta de luta de vida perdida.
Chamava-se Catarina O Alentejo a viu nascer Serranas viram-na em vida Baleizão a viu morrer
Ceifeiras na manhã fria Flores na campa lhe vão pôr Ficou vermelha a campina Do sangue que então brotou
Acalma o furor campina Que o teu pranto não findou Quem viu morrer Catarina Não perdoa a quem matou
Aquela pomba tão branca Todos a querem p’ra si Ó Alentejo queimado Ninguém se lembra de ti
Aquela andorinha negra Bate as asas p’ra voar Ó Alentejo esquecido Inda um dia hás-de cantar
Elle même vai de prachar e zut, afinfa-me com uma coisinha simples: debitar o meu meme. Pois, uma coisa simples para um gajo complicado, né?! Mem’assim direi que o que eu meme queria era ter um meme novo. Mas nã tenho. Prontos, fica o velho:
Temos que ser uns pás outras
Camindando por las calles sin parar De arriba a abajo De arriba a abajo Camindando por las calles sin parar De arriba a abajo De arriba a abajo
Al poco rato que ya me sentia borracho No podia encontrar lo que yo andaba buscando Al poco rato que ya me sentia borracho No podia encontrar lo que yo andaba buscando
(hey maestro que es lo que passa con esta banda? Que que es lo que pasa con esta banda??? Lo que pasa que esta banda está borracha, está borracha,está borracha Lo que pasa que la banda esta borracha) Camindando por las calles sin parar De arriba a abajo De arriba a abajo Camindando por las calles sin parar De arriba a abajo De arriba a abajo
Al poco rato que ya me sentia borracho No podia encontrar lo que yo andaba buscando Al poco rato que ya me sentia borracho No podia encontrar lo que yo andaba buscando Hey maestro otra vez la musica mala, ese acordeon, ese bajo... Otra vez me preguntas, por que me paras pues hombre, la banda vez como esta? Lo que pasa que la banda está borracha, está borracha,está borracha Lo que pasa que la banda esta borracha)
Cada vez que havia pasteis, era um sarrabulho lá em casa. Ele: - A Mãe não os fazia assim. Ela, revirava os olhos para o tecto, sacava de um "a la pate", mastigava-o lentamente de boca escancarada. Só. Até que um dia: - A Mãe não os fazia assim. Não revirou os olhos, não sacou do pastel. Levantou-se, sacou da carteira, lançou-lhe um sorriso doce com os olhos, semicerrou os dentes e por entre eles: -Tchau.
Antes de fechar a porta devagarinho, ainda o brindou:
Os balanços, e o último golinho faziam-me uma sonolência terrível, terrivelmente agradável. O som do motor e a chiadeira dos carris não eram suficientes para me perturbar. Um ou outro solavanco evitavam que a figura se descompusesse para alem do tolerável. Ainda que tal sucedesse, nenhum mal viria ao mundo; vantagens de nos diluirmos na imensidão da cidade e de na hora o eléctrico seguir quase vazio. Lá á frente, encostado à cabine do condutor, um negro seguia ferrado com o saco das ferramentas entre os pés; escoltando o guardo freio seguia o eterno policia em conversa que se adivinhava através dos vidros: futebol, última jornada, rapto de menina, talvez.
Do lugar dos palermas nada mais via, encostei a cabeça fechei os olhos e deixei-me ir com a imagem da Sé, rememorando a sua simplicidade: o portal coroado pela generosa rosácea, as discretas frestas e os vãos sineiros, os merlões na casa do Senhor. Assim embalado fui fantasiando momentos passados: D.Gilberto de Hastings, ao melhor estilo de Rafael Nadal, tanto batia à direita ao longo da linha como a duas mãos firmava o báculo para desferir impiedosas esquerdas cruzadas, convertendo os infiéis sarracenos em… Um solavanco devolveu-me ao mundo de boca aberta, não, escancarada.
Uma simpática velhinha vinda do nada, posso jurar, abraçada à carteira sorria-me como se docemente me beijasse, o seu olhar percorrendo-me aconchegou-me um mágico cobertor ao redor do pescoço entalando-o por trás dos ombros. Sem jeito procurei retribuir carícias tamanhas. O seu sorriso embalava-me, o rosto revelava uma estranha beleza; cerrei por breves momentos os olhos, vi-a em todo o esplendor juvenil: um rosto perfeito emoldurado por um cabelo rebelde, olhar penetrante e felino, lábios carnudos de morango crescente… De novo despertei, dirigi-lhe o olhar…
*"... de uma minoria religiosa do Curdistão iraquiano, foi apedrejada até à morte depois de se ter apaixonado por um jovem sunita. O apedrejamento foi em Abril, mas ganhou relevância internacional porque os carrascos gravaram o crime ."
Quem não cabulou uma frequência, um trabalho? Quem não foi elogiado pelos seus pares pelo desenrascanso? O episódio está encerrado, já ninguém desfaz o que está feito.
Pessoalmente considero que foi um feito académico invejável, digno mesmo de quem só poderia ir muito longe.
Longe até demais
nota: só tenho pena que tivesem encerrado, ou tentem encerrar, a "Independente Vniveritas" pois tenho uns parentes que se aprestavam a adquirir uma qualificação jeitosinha; àfinal deve haver o direito de igualdade de oportunidades, né?
"Adendando": felizmente a exposição estará até dia 30 de Maio.
Não se trata de uma exposição monumental. Vale contudo pela modéstia, pelo despretencisosismo e pela riqueza do material apresentado, face aos meios disponiveis. Constitui sem dúvida uma velada homenagem a João Faria, Arqueólogo que muito contribuiu. Lá no Olimpo vejo-lhe "aquele" sorriso de menino.
"Fragmentos da vida privada na Salacia Vrbs Imperatoria"
Integrada na iniciativa Maio-Mês da Cultura, inspirada no período romano, a mostra levanta um pouco do véu sobre como viviam os cidadãos romanos na intimidade.
A temática passa pela "cidade dos vivos", com um retrato das actividades quotidianas dos cidadãos romanos, hábitos de higiene, vaidades, prazeres, vícios e excessos, passando depois para a "cidade dos mortos", com os seus rituais fúnebres e a reprodução de uma necrópole da época. A mostra pode ser visitada de 3ª feira a sábado, das 10 às 12h30 e das 14h30 às 19 horas.
Gostaria de vos dizer mais, sobre a exposição em particular e sobre "Maio-Mês da Cultura", em geral, mas para meu desencanto a página da Câmara nada refere.
Colhi a informação da página da Radio Mirasado, *contra sua saecula rectus.
Queria postar mas aposto que não posto. É só apostar. Postar só a gosto, que é como eu gosto. Agosto, só para lá do sol posto… Que ria, o magano, mais o mano, mas não arredo do posto, aposto até num jogo, mano a mano. Que seria catano? Assim… não posto. Não posso, para meu desgosto.
"Caminhava eu com dois amigos pela estrada, então o sol pôs-se; de repente, o céu tornou-se vermelho como o sangue. Parei, apoiei-me no muro, morto de cansaço. Línguas de fogo e sangue estendiam-se sobre o fiorde azul, negro. Os meus amigos continuaram a andar enquanto eu, sozinho e tremendo de medo, senti o grito imenso, infinito, da natureza."
Edvard Munch,
Aposto ou continuado:
formas distorcidas, linhas violentas e ondulantes, fortes contrastes cromáticos, violentas distorções da cor, acentuação da perspectiva;
É melhor ser alegre que ser triste Alegria é a melhor coisa que existe É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba com beleza É preciso um bocado de tristeza É preciso um bocado de tristeza Senão, não se faz um samba não
Falado
Senão é como amar uma mulher só linda E daí? Uma mulher tem que ter Qualquer coisa além de beleza Qualquer coisa de triste Qualquer coisa que chora Qualquer coisa que sente saudade Um molejo de amor machucado Uma beleza que vem da tristeza De se saber mulher Feita apenas para amar Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão
Cantado
Fazer samba não é contar piada E quem faz samba assim não é de nada O bom samba é uma forma de oração Porque o samba é a tristeza que balança E a tristeza tem sempre uma esperança A tristeza tem sempre uma esperança De um dia não ser mais triste não
Ponha um pouco de amor numa cadência E vai ver que ninguém no mundo vence A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia E se hoje ele é branco na poesia Se hoje ele é branco na poesia Ele é negro demais no coração
Falado
Eu, por exemplo, o capitão do mato Vinicius de Moraes Poeta e diplomata O branco mais preto do Brasil Na linha direta de Xangô, saravá! A bênção, Senhora A maior ialorixá da Bahia Terra de Caymmi e João Gilberto A bênção, Pixinguinha Tu que choraste na flauta Todas as minhas mágoas de amor A bênção, Cartola, a benção, Sinhô A bênção, Ismael Silva Sua bênção, Heitor dos Prazeres A bênção, Nelson Cavaquinho A bênção, Geraldo Pinheiro A bênção, meu bom Cyro Monteiro Você, sobrinho de Nonô A bênção, Noel, sua bênção, Ary A bênção, todos os grandes Sambistas do Brasil Branco, preto, mulato Lindo como a pele macia de Oxum A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim Parceiro e amigo querido Que já viajaste tantas canções comigo E ainda há tantas por viajar A bênção, Carlinhos Lyra Parceiro cem por cento Você que une a ação ao sentimento E ao pensamento Feito essa gente que anda por aí Brincando com a vida Cuidado, companheiro! A vida é pra valer E não se engane não, tem uma só Duas mesmo que é bom Ninguém vai me dizer que tem Sem provar muito bem provado Com certidão passada em cartório do céu E assinado embaixo: Deus E com firma reconhecida! A vida não é brincadeira, amigo A vida é arte do encontro Embora haja tanto desencontro pela vida Há sempre uma mulher à sua espera Com os olhos cheios de carinho E as mãos cheias de perdão Ponha um pouco de amor na sua vida Como no seu samba A bênção, a bênção, Baden Powell Amigo novo, parceiro novo Que fizeste este samba comigo A bênção, amigo A bênção, maestro Moacir Santos Não és um só, és tantos como O meu Brasil de todos os santos Inclusive meu São Sebastião Saravá! A bênção, que eu vou partir Eu vou ter que dizer adeus
Cantado
Ponha um pouco de amor numa cadência E vai ver que ninguém no mundo vence A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia E se hoje ele é branco na poesia Se hoje ele é branco na poesia Ele é negro demais no coração
Dizem os entendidos no problema da droga, que: A prevenção é a melhor forma de agir;
O consumo de tabaco propicia o consumo de drogas proibidas;
A recuperação de um consumidor é mais eficaz que a repressão.
Cá pra mim é desta vez que me decido a mandar prá veia
***
… Voltei a fumar numa bela tarde numa esplanada com os “Pézinhos na Água” ao pôr do sol. Esperava um filho e a futura mamãe que havia deixado de fumar, para meu enlevo, entre velhos amigos, cervejolas, camarões e graçolas, resolve pedir uma passa. Vocês sabem lá! Jovem leão aguerrido, compenetrado do seu papel: -Ai fumas? Então também fumo. Resultado: a mamãe deu as passas que quis até ao fim da gravidez; aprendi que não vale a pena desafiar uma peixe; passei a fumar por longos anos;
Voltei a parar. Como? Talvez conte se me der na bolha.
Quand vient la fin de l'été sur la plage Il faut alors se quitter peut-être pour toujours Oublier cette plage et nos baisers Quand vient la fin de l'été sur la plage L'amour va se terminer comme il a commence Doucement sur la plage par un baiser
Le soleil est plus pale mais nos deux corps sont bronzes Crois-tu qu'après un long hiver notre amour aura changé ? Quand vient la fin de l'été sur la plage Il faut alors se quitter les vacances ont duré Lorsque vient septembre et nos baisers
Quand vient la fin de l'été sur la plage Il faut alors se quitter peut-être pour toujours Oublier cette plage et nos baisers, et nos baisers Et nos baisers
As farras, as entradas "à pato" com a conivência de alguma menina no interior :) A pose de copo de cerveja na mão, os olhares la(n)çados das rodas das meninas por meio de risos, os travões de antebraço, a movimentação estratégica para a próxima dança... Danças, ou já tens gajo?
Há palavras que valem por si. Estas mereceram um tratamento musical que parece ser muito difícil de superar. A musicalidade aliada à fluência da palavra, impregnadas de sentimento, tornam esta canção num marco da canção de protesto.
O poema relata uma realidade que não estava assumida por um grande número de pessoas. Vivia-se acriticamente, era assim.
"cabeças de pretos para os doutores"! - Não há muita gente que imagine a piada de mau gosto que está subjacente. Muita história está por fazer.
Naquela roça grande não tem chuva é o suor do meu rosto que rega as plantações; Naquela roça grande tem café maduro e aquele vermelho-cereja são gotas do meu sangue feitas seiva. O café vai ser torrado pisado, torturado, vai ficar negro, negro da cor do contratado. Negro da cor do contratado! Perguntem as aves que cantam, aos regatos de alegre serpentear e ao vento forte do sertão: Quem se levanta cedo? quem vai a tonga? Quem traz pela estrada longa a tipoia ou o cacho de dendém? Quem capina e em paga recebe desdém fuba podre, peixe podre, panos ruins, cinquenta angolares "porrada se refilares"? Quem? Quem faz o milho crescer e os laranjais florescer - Quem? Quem dá dinheiro para o patrão comprar maquinas, carros, senhoras e cabeças de pretos para os doutores? Quem faz o branco prosperar, ter barriga grande - ter dinheiro? - Quem? E as aves que cantam, os regatos de alegre serpentear e o vento forte do sertão responderão: - "Monangambééé..." Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras Deixem-me beber maruvo, maruvo e esquecer diluído nas minhas bebedeiras - "Monangambéé...'"
António Jacinto (Poeta angolano, 1924-1991) de Poemas, 1961
Fumar é um desafio tão grande como deixar de o fazer. Começei aí pelos seis (6) anos. Cigarro roubado do maço de um tio, partilhado com uma prima, deitados na cobertura de um terraço a que dava acesso à casa das máquinas de um elevador. Era porreiro!
A prevaricação multiplicava-se com a troca de acesso ao que cada um tinha que o outro não tivesse. Era porreiro! Tinha de bom o risco de sermos vistos pois o prédio em frente tinha mais um andar.
De tabaco no bolso comecei a andar lá pelos onze anos. Era porreiro! Meio cigarro em cada intervalo, quando havia, partilhado com os que não tivessem, -Dás-me uma chupa? -Vá, não abuses. Aos do terceiro ano lá tinha que ir dando um cigarrito, pois na selva interna que era o colégio, o lugar no grupo vai-se aprendendo, como aprendem os chimpanzés, tal e qual. Dava-me um ar importante e compunha a capa e batina que fedelho passei a usar, lá para os treze anos, e como era comum naquele colégio.
Deste modo fumei até ao dia em que saí da tropa. Há meses que o pessoal projectava esse dia de liberdade: Praia ou viagens de um mês era o mais comum. A mim, por opção e necessidade de me desconspurcar de dois anos e meio de zona de guerra e de um mundo kafkiano, calhava-me começar a trabalhar logo no dia seguinte. Faltava uma boa forma de comemorar. Decidi secretamente na véspera do grande dia 12 de Junho: Fumo o último cigarro a passar a porta de armas e não vou ao barbeiro o mesmo tempo que estive na tropa.
Cada vez que me apetecia um cigarrito ou quando passado o stress da privação, via alguém puxar dele, sentia o prazer de estar livre. É estúpido mas era porreiro! Fui perdendo este prazer à medida que fui deixando de sentir falta do tabaco e deixei de receber elogios pela força de vontade e coragem (!). Felizmente o cabelo foi crescendo, lembrando o que não queria esquecer. Ao barbeiro não fui durante trinta meses, é verdade, mas a barba, mais que o cabelo, ganhou tais proporções que cedi aos argumentos da minha companheira e aos cuidados da sua tesoura e um pente laminado. Estou-lhe eternamente reconhecido; primeiro porque me aliviou de uma penitência dura, segundo porque me deixava com suficiente ar de troglodita que me tranquilizava relativamente à jura não cumprida verdadeiramente.
Estive, assim, sem fumar o tempo que estive na tropa, até que a isto voltei. Como? Eu talvez conte. Mas só se pedirem muito. É mentira, conto se der na bolha.