E este, não pisca? Ai pisca, pisca, garanto-vos, se não vejam:
Acho que é altura de fazer

E este, não pisca? Ai pisca, pisca, garanto-vos, se não vejam:
Acho que é altura de fazer

não racha
* ainda que a luta encetada em !!86 por uma jornada de trabalho de oito horas, tenha neste cantinho à beira mar plantado pleno significado , face à chantagem das empresas que se aproveitam de uma propalada crise, para imporem intoleraveis condições de trabalho.
* As horas de Maria ou a lógica do 8, em Chez Maria suscitaram esta adenda
[...] O secretário de Estado adjunto e da Administração Interna quis ontem sublinhar que a proibição das manifestações "só pode ter lugar excepcionalmente". No blogue A Nossa Opinião, do Ministério da Administração Interna, José Magalhães(*) frisa que numa sociedade livre e democrática, e parafraseando o ministro António Costa, "a superioridade dos amantes da liberdade e dos democratas é sujeitarem a extrema-direita, que é inimiga da liberdade, a ter de beneficiar dela". [...]
as, em representação do PCP (1983-1990), como deputado independente após ruptura política (1990-1991) e deputado independente nas listas do Partido Socialista (1991-1999), aderindo ao PS formalmente em Janeiro de 1999”
E vai daí mandou-me fazer o TPC.
Acabaram por pedir os cafés. Atenciosamente foi-lhes oferecido um vinho da Madeira, recomendado como excelente digestivo. Ele declinou sendo-lhe então sugerido uma aguardente.
Tempos a tempos lá vinha aquela conversa:
Mas não foi só, depois:
A 22 de Fevereiro de 1974 - É publicado o livro Portugal e o Futuro, do General António de Spínola, defendendo o fim da Guerra Colonial e a liberalização do regime.
14 de Março - O Governo demite os Generais Spínola e Costa Gomes dos cargos de Chefe e Vice-Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, alegando falta de comparência na cerimónia de solidariedade com o regime, levada a cabo pelos três ramos das Forças Armadas.
16 de Março - Tentativa de golpe militar contra o regime. Só o Regimento de Infantaria 5 das Caldas da Rainha marcha sobre Lisboa. O golpe falhou. São presos cerca de 200 militares.
Depois foi o que já sabem em reformas que não chegaram a reformar nada que o salvasse, o regime caiu gasto de velho, ao som de canções de protesto e de baionetas de cravos, beijos e abraços.
Até chegarem à mesa, de mão em mão, passaram por mais dois empregados. Guta recusou a mesa que lhe sugeriram e escolheu uma ao pé da janela. Ia a sentar-se mas foi sustido pela mão de Dina, o empregado ajeitava a cadeira a Guta, e ele, por sua vez, resolveu fazer de criado, ajudando Dina a sentar-se; ficou na dúvida se era isso que deveria ter feito, sentando-se por sua vez.
Ao aproximar-se outro empregado com os cardápios encadernados em couro bordeau, Guta atalhou encomendando três espetadas, acompanhadas de legumes. Ao rapaz coube iniciar um incontido calculo mental tendente a apurar se umas batatitas estariam ou não incluídas na tal categoria de legumes.
Assim começava uma guerra que travou estoicamente, em duras batalhas: a dos copos e a dos talheres à qual se juntaram pequenas escaramuças como a do guardanapo. A tudo respondeu à altura graças à estratégia adoptada, e de acordo com os ensinamentos da velha que tanto o chateou em miúdo: “Nota bem, antes de tocares no que quer que seja espera que eu o faça e depois faz como eu.” Ainda parecia que a estava a ver mas o que é certo é que deu resultado, um resultadão! d'aqui
Não estava preparado era para a escolha do vinho, mas porra, pensou ele, Quinta da Bacalhoa, 60 €!, não há-de ser mau e deve embebedar com certeza. Venha ele, que a gaja não deve ter comprado o Audi a prestações.
Já havia varrido o que se apresentara na mesa, à excepção claro, de umas iguarias que a vergonha e o instinto de decência aconselham, quando chegaram, com pompa e circunstancia, os três estranhos cabides de ferro, donde pendiam nacos de carne à mistura com pimentos e cebola, escorrentes em apoteótica alegria de um molho que largava um cheirinho, capaz de fazer um homem esquecer-se de uma gaja boa.
aqui em pose: preso e uns anitos mais tarde, como um passarinho.
piquem a foto e seguirão a história, contada na primeira pessoa.
***
este saltimbamco, desaparecido na noite de natal.
Agradeço informações do seu paradeiro.
(ele que não tema que não sou pai de nenhuma das mulheres)
Vem isto a propósito do Sr. Zé, homem escorreito com um par de pernas que dá para duas meias maratonas, olhar ora meigo ora acutilante, de fácil verve e voz torniturante, surdo como dama honrada que se preze e quando convem.
se, pois o gagêdo como o peixe, dá quando dá, assim lhe ensinara o Tio João, com a infeliz coincidência de tanto não dar nada, como para de repente desatar a dar, não tendo um homem mãos a medir nem meio de conservar todo o bem que bem poderia apanhar.Assim se perdia o rapaz em recordações. O tio João! Por onde andaria agora? Merda p’rá política, que acabara para os pôr chateados, quando até lá tinham sido unha com carne. O sacana que não tinha onde cair morto e havia de teimar em defender o dono da fábrica, para no fim levar um grandessíssimo pontapé no cú. Acontecimentos destes levam a grandes zangas na vida, como foi o caso da cisão com o seu tio João, somente quinze anos mais velho, pessoa de quem muito gostava e a quem devia a primeira ida às putas. Gajo porreiro, não deixava de ser burro e naturalmente teimoso, pelo que cismava que à porta da missa é que era, e ele, já em processo avançado de auto determinação, clarividente, apontava para os portões das universidades. Mas não há cisão que não dê em coligação, esta é que é a verdade, como atesta o seu caso, mas eu conto: Quiz o acaso que, altas horas da noite, subindo ele o jardim de Entre-Campos visse um estranho acampamento armado no relvado da universidade, onde à volta de uma fogueira, pouco mais de uma dúzia de vultos, com cobertores pela cabeça, levavam até ele os ecos de conversa e risos,
Eu ouvi um passarinho
às quatro da madrugada,
Cantando lindas cantigas
à porta da sua amada.
Ao ouvir cantar tão bem
a sua amada chorou.
Às quatro da madrugada
o passarinho cantou.
foi o bastante para arrepiar caminho para melhor ver de perto e, na verdade vos digo, que em boa hora o fez pois em menos de um esfregar de olhos já estava de caneca de café na mão, embrulhado em cobertor que tinha que dar para dois, acrescentando ao repertório:
Alentejo quando canta,
vê quebrada a solidão;
traz a alma na garganta
e o sonho no coração.
Alentejo, terra rasa,
toda coberta de pão;
a sua espiga doirada
lembra mãos em oração.
Que insistisse o Tio João nas esperas à porta da igreja porque... bem, o resto não cabe nesta história que a ela me tenho de remeter disciplinadamente, sem me deixar arrastar pelos pensamentos do rapaz, esclarecendo contudo que o facto de o cobertor ser partilhado com uma pombinha chamada Dina, não é de todo despiciendo, ficando ainda registado que estavam lançadas as bases de uma futura coligação entre soldados e uma proeminente figura, quadro estreitamente ligado a um educador da classe operaria.

Data 04 Abr.
Horário 21h30
Local / Locais
Auditório Municipal Fernando Lopes Graça
Descrição
Nascido em 1913 no Rio de Janeiro, Vinícius de Moraes testemunhou e foi personagem de uma série de transformações na cidade, tendo criado para si um dos percursos mais relevantes da cultura brasileira no século XX.
Com Maria Bethânia e Gilberto Gil
Realização: Miguel Faria Jr.
Documentário / Musical
Organização
Câmara Municipal de AlmadaAuditório Municipal Fernando Lopes Graça
Condições de Participação Bilhete: € 3
BOAS AMENDOAS PARA TODOS
ADEUS, ATÉ AO MEU REGRESSO
Assim passaram de secção em secção, por fim Dina recolheu um “Corto Maltese” e refugiou-se num banco. Ele, por sua vez, sentou-se noutro ao lado e encostado a uma coluna observou-a. Dina ia lendo atenta sendo-lhe possível, de certa forma, acompanhar a história pela mudança de expressões de Dina; assim esteve deliciado até se aperceber que o livro ia descaindo sobre o magro peito enquanto Dina cerrava os olhos. Para ali ficou vendo-a, acabando por perceber, pelo suave movimento do livro, que adormecera. O seu tom de pele já não era o mesmo de outrora; apresentava-se mais amarelado, nada que uns dias de praia não corrigiriam, agora que o sol viera para ficar, pensou ele.
modelo do rapaz
em traje domingueiro
A viagem prosseguiu parando aqui e ali para troca de passageiros que se iam avolumando. Na avenida, em frente ao centro comercial o autocarro abrandou abrindo a porta pelo justo momento de ele saltar. Fê-lo com a elegância estudada, e assim foram às suas vidas.A caminho do Centro Comercial foi programando a estratégia. Quase onze horas, ao passar pelo segurança decidiu começar por bater as professorinhas na livraria da Fnac. O sucesso era remoto mas o dia era longo e se alguma caísse sempre juntava o útil ao agradável.
in Astronomy Pictures
Um dia ele chegou tão diferente
do seu jeito sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente
do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto
era seu jeito sempre falar
E nem a deixou só num canto,
para seu grande espanto convidou-a pra rodar
Então ela se fez bonita
como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado
cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços
como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça
foram para a praia e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança
que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade
que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que todo mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz
Música: Vinicius de Moraes
Letra: Chico Buarque

Tristeza não tem fim 
Felicidade, sim
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do Carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
E tudo se acabar na quarta feira
Tristeza não tem fim
Felicidade, sim
A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor
Tristeza não tem fim
Felicidade, sim
Tom Jobin
Bolachinha, mais uma vez desafiado, qualquer dia pareço um bacalhau.