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domingo, 29 de abril de 2007
Ouro sobre azul seria
quinta-feira, 26 de abril de 2007
E os nomeados são...

E vai daí mandou-me fazer o TPC.Pronto tá bêeem.
Sabem? Aprecio-lhe, para além do estilo e correcção (embora cá o rapaz não pratique disso):
a finura,
a inteligência,
o humor,
a brejeirice e...
a afectividade de uma "mater blogus" mas aospois desculpa-se como menina de chupa na boca, salvo seja:
“Ah, não é nada, foi só o computador que avisou.”
MERDA, e eu e os outros, não temos computador, né?
Estas qualidades estão concentradinhas num blog à sombra de quem me sinto bem. Pois bem, não o menciono nem que uma maria me pendure numa arvore. Nem uma, nem duas nem três. Prontos e ponto afinal
E o TPC?
Isso é qu'era bom. Queriam, né? Nã vou dess'abaixo. Pra quê? Só cinco!
E os outro de quem o Erecteu tanto gosta!
Queriam ouvir dizer que tenho uma Paixão Faustosa , né? Pois tenho e qual é o problema?
Refilona e atanazadeira da classe, qu'ela tanto diz gostar e não compreender. Põe-me a cabeça a gravitar em elipse perfeita, sempre em movimento instavelmente acelerado. Gosto tanto daquele cantinho como de saltar pá cueca, de moçoila a chêrar bem, juro. Mas não a nomeio, foda-se, tá quieto.
E os outro de quem o Erecteu tanto gosta?
Eu sei… Estavam mesmo à espera que eu vos referisse simplesmente o meu “ai jesus, maria” qual bolachinha estaladiça onde apetece meter o dente. Tem um defeito, arrasta uma X que me enerva e faz roer de ciúme, mas escreve ao que parece, como bem canta - dizem que eu não ouvi- digo , isso sim que eu sei,que encanta.
Contudo não a nomeio porque...
E os outro de quem o Erecteu tanto gosta?
Mulherengo, eu? Uma merda! Ouviram? Querem lá ver!
Olhem vão Garfiar, ao bilhar grande, tá?
Aquilo são uns serões com a Kitty... Kitypariu! A Nanny que vos conte (Maio, né?). Mas não o nomeio, ainda que o gajo escreva como quem assobia a conduzir, piscando o olho ao gagêdo que passa. Pa ele é canja não custa nada e porque nada lhe custa... não o nomeio, né?
E os outro de quem o Erecteu tanto gosta?
Poderia referir outro rafeiro qualquer, até porque o cachorro vai longe na sua impertinência e ivaginação, ainda que com um senão: Tem uns ciumes danados do ideiafix * e por isso não gosta do Asterix.
E os outro de quem o Erecteu tanto gosta?
Bom esta merda já vai longa e tem que acabar.
Não o faço abruptamente sem contudo lembrar que poderia referir o MESTRE da caneta, sempre a molhar o bico (recomendo o perfil invejavel).
É que que com BINO, no teclado ou na cozinha, é um descanso, como com ele no cuzinho, garanto.
A ele muito devo da minha formação e sussexo. Devo dizer que há até dois Erecteus: o ante e o pós Bino, só não o nomeio porque...escreve para caralhos.
Ficavam a chuchar no dedo, era?
quarta-feira, 25 de abril de 2007
Cá o rapaz é assim VII
II...sempre juntava o útil ao agradável.
III...Eram quase 11:30.
IV...um risinho nervoso.
V...educador da classe operaria.
VI ... é uma prova da existência de Deus!
Arregalou os olhos e virou-se para a prima, dando com um sorriso d’orelha a orelha.
Contagiada, acabou por rir também, mudando de assunto.
-Mas o que é que pensas fazer agora?
Dina arqueou a sobrancelha, desfez o sorriso, olhou para o tecto.
-Quem é que te disse que estou a pensar? Não te preocupes, cortou.
-Mas…
-Mas nada. Virando-se para ele:
-Estás a gostar assim tanto? Tens de me dar uma ajuda, não estou com grande apetite.
Guta remexeu-se na cadeira, endireitou ainda mais as costas e resolveu atestar as baterias para o outro lado. –O que faz?
-Sou agente comercial, produtos de cosmética, respondeu ele, à inevitável pergunta. Trabalho com diversas marcas, se quiser alguma coisa dê-me uma lista que eu arranjo-os a um preço jeitoso.
Foi a vez de Dina mostrar alguma surpresa.
Entre trivialidades o almoço foi decorrendo melhor do que às tantas se adivinhava. De nota, somente o entrar de um casal, que foi encaminhado para um canto acolhedor. Teriam passados despercebidos não fosse o enlevo da rapariga em contraste com o mal disfarçado distanciamento do acompanhante. Pai e filha não são com certeza, pensou ele após uma análise sumária.
Acabou mesmo por dar uma ajuda a Dina que de facto mal tinha tocado do que se servira, e bem pouco tinha sido.
Chegada a altura da sobremesa, não houve unanimidade. Bolo de mel (de cana) para ele, salada de frutas tropicais frescas (papaia, abacaxi, manga), para Dina, enquanto Guta optou pela mousse de "maracujá".
A refeição chegava ao fim, Guta querendo aparentar naturalidade, acabou por abordar Dina, desajeitadamente. –Onde é que estás, dá-me o teu contacto. Mas foi desviada para canto.
-Dá-me tu o teu, depois ligo-te.
Acabaram por pedir os cafés. Atenciosamente foi-lhes oferecido um vinho da Madeira, recomendado como excelente digestivo. Ele declinou sendo-lhe então sugerido uma aguardente. -Para onde vais, Dina?
-Deixa-nos numa paragem de autocarros.
A negociação continuou tendo Dina, por fim, aceite que os deixassem no Centro Comercial.
A volta decorreu sem o entusiasmo da ida. Antes de os deixar Guta cedeu-lhes o número do telemóvel. A ela fez-lhe prometer que lhe ligaria; a ele que aceitava os préstimos. Iria ver do que precisava que depois lhe diria.
Guta viu-os serem engolidos pela pequena multidão que entrava e saía do centro comercial.
Sempre
Tempos a tempos lá vinha aquela conversa:–Não imaginas o que é andar de sapatos apertados.
Mal disposto e rezingão, o velho é uma seca.
Por acaso sinto hoje os pés um pouco apalpados.

sexta-feira, 20 de abril de 2007
Inspirado no exemplo de severidade, castidade e austeridade de um tio Botas, difuso ou oculto mas constantemente presente ladeando o crucifixo na mais modesta sala de aulas em remota escola de aldeia, repartição publica e muita casa de bons chefes de família, cedo se estruturou na ideia de que o pensar demais é perigoso e censurável.
Deus, Pátria e Autoridade e não só; Fado, Fátima e Futebol, foram elos de união de um Portugal uno, do Minho a Timor, orgulhosamente só, ao arrepio das moderneiras conceptuais de mascarada autodeterminação, dependente de imperiais ursos apreciadores de carne infantil pela fresquinha, como se dizia.
O Botas, Botinhas para os mais afectivos, entregou-se por inteiro à grei e em concordata mão dada com a celeste cerejeira. Sacrificando-se, prescindiu do fácil obedecer reservando para si o duro mandar, felizmente reconhecido em espontâneas manifestações, planeadas e organizadas criteriosamente, no mínimo três vezes ao ano: 28 de Maio, 10 de Junho e 1º de Dezembro, acontecimentos abrilhantados por uma legião de portugueses convictos e por: castrenses, bombeiros, ranchos folclóricos, alvos e atléticos ginastas, juventude portuguesa, comovente, cantando e rindo, compenetrada.
A vontade inquebrantável do Botas profusa e subtilmente apoiada no senil SNI, orquestrava uma imprensa controlada a lápis azul, pondo na ordem espertezas saloias de atrevidos e tresmalhados cronistas. Para os demais PIDE se refilares.
Foi assim por muitos e felizes anos não fora um incidente de percurso o ter estatelado no chão, por traição de uma fiel cadeira. Mas, os deuses põe e dispõe.
Uma primaveril época se anunciava com cativantes piscadelas de olho à esquerda e viragens à direita
Os ecos de Maio de 68 não tardaram a chegar a Coimbra onde o negar de estender de capas à passagem de Deus Thomaz são ecos que, ao que parece, não perduraram na memória colectiva. Assim a crise académica lá vai! Fica aqui a crise em imagens.
Mas não foi só, depois:
A 22 de Fevereiro de 1974 - É publicado o livro Portugal e o Futuro, do General António de Spínola, defendendo o fim da Guerra Colonial e a liberalização do regime.
14 de Março - O Governo demite os Generais Spínola e Costa Gomes dos cargos de Chefe e Vice-Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, alegando falta de comparência na cerimónia de solidariedade com o regime, levada a cabo pelos três ramos das Forças Armadas.
16 de Março - Tentativa de golpe militar contra o regime. Só o Regimento de Infantaria 5 das Caldas da Rainha marcha sobre Lisboa. O golpe falhou. São presos cerca de 200 militares.
Depois foi o que já sabem em reformas que não chegaram a reformar nada que o salvasse, o regime caiu gasto de velho, ao som de canções de protesto e de baionetas de cravos, beijos e abraços.
25 de Novembro
Gaveta com o Socialismo
Europa dos doze ou do quarteirão
O 25 de Abril, apresta-se.
Discursos de circunstância, disputas de lugares no palanque, musicas aqui e além promovidas por Municípios e colectividades, servirão de pano de fundo para a comemoração.
Pão, Paz , Saúde, Habitação
se calhar ainda ouvirão.
Mataram a utopia?
A utopia não se mata por muito que se esforcem.
domingo, 15 de abril de 2007
72
A DEMOCRACIA TEM LIMITES.
NELA SÓ CABEM OS DEMOCRATAS.
Foi um escândalo, a liberdade estava na rua, há menos de 72 horas.
Após isto, 72 semanas, o país assistia ao incendiar de sedes de partidos de esquerda, como consequência de um verão quente.
Bombas deflagravam, Padre Max era assassinado na região de Vila Real a 02 de Abril de 1976 com recurso a uma bomba colocada no seu carro, que matou também a estudante Maria de Lurdes, a quem o clérigo tinha dado boleia.
72 meses depois (1980) Diogo Freitas do Amaral sucede a Francisco Sá Carneiro, vitimado num desastre de avião em Camarate, cujas causas estão por esclarecer.
Não imagino o que se passará daqui a 72 anos.
Teremos o Castelo da Pena e o Palácio de Sintra com “Bandeira Azul”, face ao aquecimento global do planeta?
Espanha terá sido anexada a Portugal?
Pertenceremos à União dos Estados Unidos da Europa-Magreb-Médio-Oriente, gozando de uma agradável prosperidade sob a liderança de Israel?
Há 72 anos, 28 de Janeiro - A Islândia tornou-se o primeiro país do mundo a legalizar o aborto. Nós andamos aos papeis no que a isso respeita!
Hoje há pessoas que utilizam a razão da força para imporem ideias próprias e com marginal acolhimento. Consideram-se seres superiores e iluminados com o direito de tutelar consciências e vontades. Estranhamente essas pessoas têm lugar dentro do sistema democrático, mas, um país governado por uma alternância socialista / social-democrata, tolera o que me parece intolerável e maltrata os seus pares com assento no parlamento rotulando-os de “esquerda não democrática”.
quinta-feira, 12 de abril de 2007
Cá o rapaz é assim VI
II...sempre juntava o útil ao agradável.
III...Eram quase 11:30.
IV...um risinho nervoso.
V...educador da classe operaria.
De olho no plasma e no hall, lá estava ele ainda não era uma, o olhar periférico confirmava que se estava em dia não. Ou o gagêdo perdera o medo à chuva, ou já gastara o ordenado. Ainda não batia a uma e já se anunciavam as notícias: Bomba aqui, bomba acolá e por cá também, cum canudo! Começaram a juntar-se pessoas à volta do ecrã, os comentários cruzavam-se, entre tipos que jamais se falariam; as emoções afloravam, era altura de bazar, queria lá saber se o gajo tinha ou não tinha canudo, ala que se faz tarde.
Pouco esperou para as ver aparecer. Guta desculpou-se pelo ligeiro atraso, Dina rindo-se:
-Não é nada a que não estejas habituado, não é?
Olhou-as, acabando por rir com vontade, ao ler a piscadela de olho, em jeito de autocrítica.
Ao onde vamos de Guta, Dina de pronto sugeriu o Madeirense, bem acolhido pela anfitriã.
-Gosta de espetada?
-Se gosta! Disse Dina, em nova risada.
-Gosto, disse ele, mais do que divertido, agradado com a boa disposição da amiga. Voltava a ser a velha Dina, maliciosa e provocadora.
Dina enfiou-lhe o braço e arrastou-o em direcção às escadas, ele resistindo, apontou-lhe o caminho certo, na direcção contrária: -É lá em cima. – Não é não, teimou ela.
Deixando-se arrastar, meio confuso, lá foi ele no meio das duas em direcção ao parque, até que o esclareceram que o Madeirense era outro.
Apalpou os estofos de coiro mirando o espelho retrovisor onde se reflectiam uns olhos agradáveis, emoldurados por um cabelo despretensiosamente arranjado. Deixou-se embalar no movimento do carro e nos doces cheiros que o envolviam: o perfume dela, discreto, assomava ao de carro novo. O tagarelar delas era uma trilha sonora perfeita para o desenrolar da paisagem que fugia e se ia transformando de candeeiros em arvores e por fim em Tejo com a outra margem por fundo, até se deterem junto a um restaurante que prolongava até ao passeio um esmerado toldo.
Sentiu-se desolado pelo término da viagem, como se despertasse de um sonho agradável.
O porteiro abriu-lhes a porta, cumprimetou cerimoniosamente Guta, observou Dina e lançou-lhe um olhar reservado e de suspeição. d'aqui
Até chegarem à mesa, de mão em mão, passaram por mais dois empregados. Guta recusou a mesa que lhe sugeriram e escolheu uma ao pé da janela. Ia a sentar-se mas foi sustido pela mão de Dina, o empregado ajeitava a cadeira a Guta, e ele, por sua vez, resolveu fazer de criado, ajudando Dina a sentar-se; ficou na dúvida se era isso que deveria ter feito, sentando-se por sua vez.
Ao aproximar-se outro empregado com os cardápios encadernados em couro bordeau, Guta atalhou encomendando três espetadas, acompanhadas de legumes. Ao rapaz coube iniciar um incontido calculo mental tendente a apurar se umas batatitas estariam ou não incluídas na tal categoria de legumes.
Assim começava uma guerra que travou estoicamente, em duras batalhas: a dos copos e a dos talheres à qual se juntaram pequenas escaramuças como a do guardanapo. A tudo respondeu à altura graças à estratégia adoptada, e de acordo com os ensinamentos da velha que tanto o chateou em miúdo: “Nota bem, antes de tocares no que quer que seja espera que eu o faça e depois faz como eu.” Ainda parecia que a estava a ver mas o que é certo é que deu resultado, um resultadão! d'aqui
Não estava preparado era para a escolha do vinho, mas porra, pensou ele, Quinta da Bacalhoa, 60 €!, não há-de ser mau e deve embebedar com certeza. Venha ele, que a gaja não deve ter comprado o Audi a prestações.Olhou para ela a ver se lhe tinha dado o treco, mas recebeu um sorriso com o: -Não poderia ter escolhido melhor.
Soubesse eu disto e na verdade tinha posto o rapaz a escolher um de 120, mas andemos que não tarda, faz-se tarde, e cá pra mim isto já começa a chatear. Pessoal quem quiser salte aqui mas eu tenho que continuar.
Engoliu em seco e pensou nos nove euros que tinha no bolso porque aos vinte bem dobradinhos não queria fazer contas. Provou o vinho e acenou com a cabeça. O que ele queria dizer nem eu sei mas temo que não fosse nada abonatório ao princípio da relação qualidade-preço.
Começaram então a servir uns pratinhos entre os quais estavam uns rissóis que não passavam em qualquer outro lado. Lá bons eram eles mas com um tamanhinho daqueles nem ao diabo dum forreta passaria pela cabeça fazê-los. Lá no bairro seria motivo para protestos ainda que a um terço da tabela os tentassem impingir.
Lá foi morfando o que lhe parecia a si caber, acabando por se estender ao que em consciência não lhe competia, colhendo proveito do cuidado que Guta tinha com as anquinhas e da manifesta falta de apetite da Dina.
Já havia varrido o que se apresentara na mesa, à excepção claro, de umas iguarias que a vergonha e o instinto de decência aconselham, quando chegaram, com pompa e circunstancia, os três estranhos cabides de ferro, donde pendiam nacos de carne à mistura com pimentos e cebola, escorrentes em apoteótica alegria de um molho que largava um cheirinho, capaz de fazer um homem esquecer-se de uma gaja boa.Serviu-se com a delicadeza que a circunstancia pedia, levou o primeiro pedaço à boca, semicerrou os olhos deliciado em êxtase... quando se apercebeu que Guta o interpelava.
-Está a gostar?
-Porra, saiu-lhe, d’isto? Mas isto, isto... é uma prova da existência de Deus!
* há diefe, como promessa a cumprir.
quarta-feira, 11 de abril de 2007
Roxa Xeneider

aqui em pose: preso e uns anitos mais tarde, como um passarinho.
piquem a foto e seguirão a história, contada na primeira pessoa.
é o seu blog; uma frescura de escrita, de uma frescura de pessoa.
***
este saltimbamco, desaparecido na noite de natal.
Agradeço informações do seu paradeiro.
(ele que não tema que não sou pai de nenhuma das mulheres)
sábado, 7 de abril de 2007
Caixinha de surpresas
Vem isto a propósito do Sr. Zé, homem escorreito com um par de pernas que dá para duas meias maratonas, olhar ora meigo ora acutilante, de fácil verve e voz torniturante, surdo como dama honrada que se preze e quando convem.Quiz o destino que, o Sr. Engº Zé, sucedesse nos destinos da nação a figura apreciadora da noite e de agradavel convivio mormente com gentes da linha. Merecedor de risos tipo katespero, naufragou prematuramente com as suas santanetes.
O povo, Portugal, suspirou de alivio em maioria.
E o bom do Zé vai de dar nele. Humildemente começou por pedir desculpa e confessar a sua ignorancia acerca do estado da nação. Tivessemos paciencia, que afinal as coisas não iam ser exactamente como tinha dito porque, para nosso bem, era neceessario aumentar umas coisitas.
Se bem o disse melhor fez, aumentou: os impostos, taxas moderadoras, idade de reforma, o número de colaboradores do seu gabinete, é um aumentar a olhos vistos.
Perdão. Justiça seja feita que na inversa diminui: o número de servidores do estado, regalias sociais, direitos laborais e outras coisas que tais ou tal, não sei bem, para meu mal.
Tudo na boa em Lisboa, até ao dia em que terramoto gerado pelo choque entre comadres, com epicentro localizdo lá para os lados da Independente e réplicas configuradas em diamantes, boas e más acções, reuniões, demissões e nomeações, com encontrões á mistura, pontapés nas portas, pelo meio de bocas tortas, de tudo houve um pouco.
Tal desastre, cá para mim, tem exactamente o mesmo resultado que o bater de asas de uma borboleta no outro lado do globo, pode redundar em catástrofe ou não dar em nada que é o mais certo.
Acontece porém, que os OCS – orgãos de comunicação social – ávidos de mexer em porcarias que vendem bem o seu mister, se põe para aqui e agora a meter a mão em coisas que não interessam a ninguém, a não ser aos que nada mais têm para fazer. E por onde passam eles? Pois é! Exactamente pelo produto final dos serviços prestados pela Universidade Independente, sem aterem ao prejuízo que isso possa acarretar para terceiros.
Mas calma, isto não é regabofe e o Sr Zé, licenciado em engenharia, como agora consta no up-date do sítio governamental, de acordo com a ordem da ordem, atento às conveniencias da situação, logo tranquiliza a nação, com aviso à navegação: Os alunos da Universidade Independente não serão lesados por qualquer erro de ordem administrativa da responsabilidade da universidade, por esta, eventualmente (?), cometido.
E quem são esses alunos seu Zé?
Parabéns sô Zé que pelo jus faz ao nome que carrega, o Zé-povinho está-lhe agradecido e orgulhoso por não lhe desfeitear a esperteza.
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Cá o rapaz é assim V
A conversa não era para ele e dali não levava nada, mas jogo para situações destas tinha ele de sobra.
-Vou dar uma volta, já nos vemos por aí.
Era bom não era? Qual quê!
-Desculpe o nosso entusiasmo, mas não nos víamos há… Vai para seis anos, não é Dina?
-Mais ou menos, sim, seis ou sete.
-Esperamos aqui por si, depois podíamos ir almoçar juntos.
Não fosse a Dina e bem podia a “madama” esperar, e quanto ao almoçar já não lhe restava mais que nove euros e o tabaco a chegar ao fim.
-Eu não almoço, disse Dina.
-E eu desculpem, tenho qu’ir à casa de banho, rematou como um cheque-mate.
-Então… é meio dia e meio, encontramo-nos ali no hall à uma. Assim mesmo. Disse, aprovou e promulgou, sem consulta prévia, estava publicado, acrescentando: -São meus convidados.
Olhou para Dina, e pelo encolher de ombros e sorriso, convenceu-se que assim seria, pelo que se pôs a andar, decidido a não voltar, caso razões de ordem profissional o impedissem, mas o que é certo é que a crise a todos toca; bateu perfumarias e sapatarias resignando-
se, pois o gagêdo como o peixe, dá quando dá, assim lhe ensinara o Tio João, com a infeliz coincidência de tanto não dar nada, como para de repente desatar a dar, não tendo um homem mãos a medir nem meio de conservar todo o bem que bem poderia apanhar.Assim se perdia o rapaz em recordações. O tio João! Por onde andaria agora? Merda p’rá política, que acabara para os pôr chateados, quando até lá tinham sido unha com carne. O sacana que não tinha onde cair morto e havia de teimar em defender o dono da fábrica, para no fim levar um grandessíssimo pontapé no cú. Acontecimentos destes levam a grandes zangas na vida, como foi o caso da cisão com o seu tio João, somente quinze anos mais velho, pessoa de quem muito gostava e a quem devia a primeira ida às putas. Gajo porreiro, não deixava de ser burro e naturalmente teimoso, pelo que cismava que à porta da missa é que era, e ele, já em processo avançado de auto determinação, clarividente, apontava para os portões das universidades. Mas não há cisão que não dê em coligação, esta é que é a verdade, como atesta o seu caso, mas eu conto: Quiz o acaso que, altas horas da noite, subindo ele o jardim de Entre-Campos visse um estranho acampamento armado no relvado da universidade, onde à volta de uma fogueira, pouco mais de uma dúzia de vultos, com cobertores pela cabeça, levavam até ele os ecos de conversa e risos,
Eu ouvi um passarinho
às quatro da madrugada,
Cantando lindas cantigas
à porta da sua amada.
Ao ouvir cantar tão bem
a sua amada chorou.
Às quatro da madrugada
o passarinho cantou.
foi o bastante para arrepiar caminho para melhor ver de perto e, na verdade vos digo, que em boa hora o fez pois em menos de um esfregar de olhos já estava de caneca de café na mão, embrulhado em cobertor que tinha que dar para dois, acrescentando ao repertório:
Alentejo quando canta,
vê quebrada a solidão;
traz a alma na garganta
e o sonho no coração.
Alentejo, terra rasa,
toda coberta de pão;
a sua espiga doirada
lembra mãos em oração.
Que insistisse o Tio João nas esperas à porta da igreja porque... bem, o resto não cabe nesta história que a ela me tenho de remeter disciplinadamente, sem me deixar arrastar pelos pensamentos do rapaz, esclarecendo contudo que o facto de o cobertor ser partilhado com uma pombinha chamada Dina, não é de todo despiciendo, ficando ainda registado que estavam lançadas as bases de uma futura coligação entre soldados e uma proeminente figura, quadro estreitamente ligado a um educador da classe operaria.
quinta-feira, 5 de abril de 2007
Vinicius

Data 04 Abr.
Horário 21h30
Local / Locais
Auditório Municipal Fernando Lopes Graça
Descrição
Nascido em 1913 no Rio de Janeiro, Vinícius de Moraes testemunhou e foi personagem de uma série de transformações na cidade, tendo criado para si um dos percursos mais relevantes da cultura brasileira no século XX.
Com Maria Bethânia e Gilberto Gil
Realização: Miguel Faria Jr.
Documentário / Musical
Organização
Câmara Municipal de AlmadaAuditório Municipal Fernando Lopes Graça
Condições de Participação Bilhete: € 3
BOAS AMENDOAS PARA TODOS
ADEUS, ATÉ AO MEU REGRESSO
sexta-feira, 30 de março de 2007
Cá o rapaz é assim IV
Voltou-se e deu com um sorriso de olhos marcados por velhas e novas rugas, num rosto conhecido. Levantou-se de um salto ao reconhece-la, pelo sorriso retorcido meio terno meio trocista.
-Dina! Cum caneco!
Foi buscar um tamborete e fê-la sentar-se na mesa alta.
-Conta-me, fala-me de ti. Como resposta recebeu um poisar de mão no seu braço e um prolongado baixar de cabeça que revelou o despontar branco dos cabelos que espreitavam sob a última pintura.Com algum constrangimento afagou-lhe a mão e por fim ousou levantar-lha a cabeça que foi cedendo para revelar um olhar húmido e quente.
-E um café que tomas? Perguntou para quebrar o silêncio. Obteve um “carioca” cavo que lhe permitiu levantar-se. Do balcão observou-a: ar distante, queixo apoiado no polegar; achou-a mais magra, bela na sua tez morena, um moreno estranho que logo atribuiu à iluminação. Voltou para a mesa e colocou-lhe o café e um bolo de arroz á sua frente.
–Ainda te lembras! Disse agradecida.
-Dos teus gostos… muito mais do que julgas!
Dina atirou-se ao bolo com vontade mas não passou de meio, entregando-se ao beberricar do café.
O silêncio instalou-se de novo, Dina sem cerimónias serviu-se de um cigarro
-Não comes o resto? Disse levando a mão ao bolo. Como resposta viu, atónito, Dina levar a mão ao bolo e esfrangalha-lo e ao seu manifesto espanto dizer: -Pareceu-me estragado.
-Estragado, um bolo sem creme?
-Vamos dar uma volta por aí? Disse levantando-se e agarrando na mochila outrora preta.
Vamos, disse ele tirando-lha das mãos. Foram pelos corredores quase vazios e um pouco mais à frente detiveram-se na zona dos livros. Dina deambulando familiarmente pelos escaparates, ele seguindo-a a esmo. Dina aqui e acolá pegava, folheava e voltava a depositar livro após livro.
Assim passaram de secção em secção, por fim Dina recolheu um “Corto Maltese” e refugiou-se num banco. Ele, por sua vez, sentou-se noutro ao lado e encostado a uma coluna observou-a. Dina ia lendo atenta sendo-lhe possível, de certa forma, acompanhar a história pela mudança de expressões de Dina; assim esteve deliciado até se aperceber que o livro ia descaindo sobre o magro peito enquanto Dina cerrava os olhos. Para ali ficou vendo-a, acabando por perceber, pelo suave movimento do livro, que adormecera. O seu tom de pele já não era o mesmo de outrora; apresentava-se mais amarelado, nada que uns dias de praia não corrigiriam, agora que o sol viera para ficar, pensou ele.Focou a sua atenção na silhueta feminina que aparecera no extremo do corredor.
-Guta, quero apresentar-te um velho amigo.
Aproximou-se, declinou o seu nome arrevesado, recebendo em troca uma mão, de costas para cima, meio morta, e um “encantada” que não correspondia, nada, nadinha, à sua expressão. Avaliou-lhe os anéis e afinfou-lhe com um aperto de mão que a fez fazer uma ligeira genuflexão, acompanhada de um risinho nervoso.
Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
é ela menina, que vem e que passa
Num doce balanço a caminho do mar
Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
é a coisa mais linda que já vi passar
Ai! Como estou tão sozinho
Ai! Como tudo é tão triste
Ai! A beleza que existe
A beleza que não é só minha
E também passa sozinha
Ai! Se ela soubesse que quando ela passa
O mundo interinho se enche de graça
E fica mais lindo por causa do amor
Só por causa do amor...
Vinicius de Moraes
terça-feira, 27 de março de 2007
Sócrates o maior deste curto século
Independentemente do estímulo de que possa servir o resultado desta dita brincadeira, para uma franja saudosista e veneradora de um ditador, servirá também de aviso à navegação dos políticos responsáveis pelo descrédito do regime democrático.
Lamento dizer, mas o assalto ao poder através de programas eleitorais não implementados, é tão infame como um golpe militar, talvez ainda mais, porque é torpe.
Reconhecer que não se está a cumprir o programa eleitoral por antecipadamente se desconhecer o estado da Nação é revelador de falta de capacidade para governar. No mínimo, nesta situação, o vencedor deveria preparar de imediato um novo sufrágio remetendo-se a GOVERNO DE TRANSIÇÃO, anunciando a verdadeira situação do país e as medidas necessárias para a resolver.
Sei que sou ingénuo, lorpa até, mas é isto que penso.
segunda-feira, 26 de março de 2007
Coisas boas
E as muito boas?
domingo, 25 de março de 2007
Cá o rapaz é assim III
Enquanto descia as escadas, pensou que deveria reforçar o programa no ginásio pois, ou muito se enganava ou estava a ficar menos tónico. Decidiu também que os sábados ficariam destinados ao ténis, o golf ficava reduzido aos domingos.
Chegado á sala de jantar, cumprimentou com um beijo na testa a mulher e jovialmente sem olhar para ela: -Bom dia Guta, dormiu bem?
Sentou-se e procedeu ao trivial pequeno almoço: Torrada com ligeiro doce + sumo de laranja + Jornal Económico. –Desculpa, disse ele levantando os olhos para a mulher quando se apercebeu que dizia qualquer coisa.
-Como quer fazer?
-Fazer, o quê, amor?
-Levamos os dois carros?
-Não querida, vou consigo no seu. O motorista leva o Volvo directamente para a assistência e nós podemos ir pela Marginal. Acha bem?
-Perfeito querido.
Saíram com o pequeno Audi 4 pelos portões de ferro forjado que se abriram automaticamente, ela sorriu ao leve apertar de joelho. Contornaram a o Forte da Cidadela, passaram pelo mercado, estação, Jumbo e só a partir daí o trânsito começou a fluir. Gustavo ligou o rádio,
Guta colocou os óculos de sol, reclinou ligeiramente o encosto, virou a cabeça para a janela recebendo o sol morno do meio da manhã.
No parque de estacionamento, declinou o amável convite para subir.
-Então o que vai fazer?
-Sinceramente… não sei, apetece-me fazer qualquer coisa de diferente.
-Não quer almoçar comigo?
-Obrigada querido, mas sei que os seus almoços são trabalho.
-De facto… Não tenho nada na agenda mas não me admirava se me encaixarem qualquer coisa à última da hora.
Trocaram de lugares, antes de fechar a porta, curvado Gustavo beijou-a suavemente nos lábios, apertou-lhe com o nó dos dedos a face, disse-lhe adeus sorrindo –Porte-se bem e dirigiu-se para os elevadores.
Guta subiu a rampa sentindo-se encadeada pela luz do dia.
Gustavo saiu no décimo primeiro piso, dirigiu-se para o seu gabinete respondendo aos cumprimentos, abriu a porta onde uma discreta chapa de cobre indicava:
Director Geral
Foi até à secretária sem naquele dia reparar no verde de Monsanto nem no azul do Tejo.
Guta foi conduzindo pela cidade, desceu a Calçada de Campolide, passou pela Praça de Espanha, perdeu-se em pensamentos e viu-se na 2ª circular estranhamente perdida. Parou no parque de estacionamento exterior. Quando ali entrou, pela segunda vez, interrogou-se se estaria bem pois abominava Centros Comerciais. Eram quase 11:30.
sexta-feira, 23 de março de 2007
Cá o rapaz é assim II
… enquanto ajeitava o lenço no pescoço assobiando.
Passou pelo elevador com a porta rebentada mas compensado com as múltiplas grafitagens. Pensou lá para com ele – os chavalecos não podem ir longe, só pá veia é o que é – desceu os lances de escada evitando pisar o lixo acumulado que aumentava à medida que descia. Ao sair do prédio sacou dos persol, levou a mão ao bolso e verificou o dinheiro; apartou a nota de vinte que conquistara na véspera colocando-a no bolsito que o sinto protegia, e o resto – doze oiritos – enfiou-os no bolso de trás, que à peida ninguém lhe ia.
Atalhou direito à paragem e acelerou o passo para apanhar o autocarro; esticou a mão ainda de costas, e deu uma pequena corrida, a porta abriu-se olhou para o condutor e decidiu mandá-lo seguir com um desculpe. Foi até à pastelaria que ficava do outro lado, esperou calmamente pela atenção da empregada que esfregava o tampo de inox, quando ela se resolveu a um olhar de soslaio, empurrou com um dedo os óculos para a testa e sussurrou:
-Uma bica, baby.
A tal de baby, sacou por sua vez do sorriso monalisa, e perguntou-lhe, -Como? Ao que ele mirando-lhe o decote respondeu –Hum… cheiinha baby, cheiinha, e levou a mão ao bolso de trás. –Pag’á casa. Arqueou as sobrancelhas e a baby continuou, -É pela ajuda que deu com o desatino do outro dia. – Há, isso! São uns putos porreiros, não a chateiam mais, obrigado.
Pegou na bica e foi até uma mesa junto à janela para gozar o sol, pelo caminho arrebanhou os jornais do dia anterior; decidiu-se pelo Correio da Manhã para ver como paravam as modas, pois ouvira que tinha havido cegada no bairro ao lado. Beberricando e folheando acabou por desistir, não deu por qualquer notícia que se referisse à zona. Acendeu um cigarro e ignorou os movimentos da empregada que continuava a esfregadela na ponta do balcão mais próxima dele. Calculou o tempo decidindo que era melhor ir andando, ao sair levou mudo dois dedos em direcção a um possível chapéu e lá foi com o sentimento que tinha deixado um qualquer rasto atrás de si.
Não esperou muito na paragem, o autocarro parou sem ser preciso fazer sinal, cumprimentou o motorista ao entrar, passou pelo obliterador sem se deter e dirigiu-se para a porta de trás. Ao olhar que o condutor lhe deitou pelo espelho respondeu com um discreto acenar de mão que foi retribuído com um acenar de cabeça.
modelo do rapaz
em traje domingueiro
A viagem prosseguiu parando aqui e ali para troca de passageiros que se iam avolumando. Na avenida, em frente ao centro comercial o autocarro abrandou abrindo a porta pelo justo momento de ele saltar. Fê-lo com a elegância estudada, e assim foram às suas vidas.A caminho do Centro Comercial foi programando a estratégia. Quase onze horas, ao passar pelo segurança decidiu começar por bater as professorinhas na livraria da Fnac. O sucesso era remoto mas o dia era longo e se alguma caísse sempre juntava o útil ao agradável.
in Astronomy Picturesquarta-feira, 21 de março de 2007
Um dia ele chegou tão diferente
do seu jeito sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente
do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto
era seu jeito sempre falar
E nem a deixou só num canto,
para seu grande espanto convidou-a pra rodar
Então ela se fez bonita
como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado
cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços
como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça
foram para a praia e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança
que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade
que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que todo mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz
Música: Vinicius de Moraes
Letra: Chico Buarque
Equinócio
Do Sono
Da arvore
A primavera veio para ficar!
O calor desperta no sangue ardores,
Os dias em constante alongar.
Luz inimiga de clandestinos amores,
Afinal o que há para festejar?
segunda-feira, 19 de março de 2007
sexta-feira, 16 de março de 2007
Não há direito
Fiquem numa boa que o Erecteu vai para uma fossa.
Três noites e dois dias dias de mar: caç'á vela, orça, não, não, arriba porra, arriba...
Desculpem lá qualquer coisinha mas lá terá que ser.

o mimo sabe bem, obrigado
Tristeza não tem fim 
Felicidade, sim
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do Carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
E tudo se acabar na quarta feira
Tristeza não tem fim
Felicidade, sim
A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor
Tristeza não tem fim
Felicidade, sim
Tom Jobin
quinta-feira, 15 de março de 2007
quarta-feira, 14 de março de 2007
Erecteu à Brás
Bolachinha, mais uma vez desafiado, qualquer dia pareço um bacalhau.6h33: uma mijinha e volto para a cama para fumar. Ligo a TV ponho os auscultadores e vejo notícias.
7h00: Ligo o compudador, vou fazer o pequeno-almoço, e como kuskando e comendo, simplesmente Bolachinha
7h15: Vou fazer um café expresso, assalta-me uma ideia e volto para escrever meia dúzia de frases no doc1, o café arrefece.
7h35: Vou fazer outro e já não me deixo enganar. Volto para o computador mas já não largo a chávena. Escrevo umas frases com a mão esquerda enquanto beberrico.
8h35: Já passou mais de uma hora! Vou largar a chávena e sigo directo para a casa de banho, para fazer o que melhor sei.
8h39: Feita a cagada, lavo cu e as mãos à maneira árabe, os dentes à maneira e enfio a roupa do dia anterior.
Qual banho ou barba! Porque hoje é sábado…
8h45: Volto ao computador, vejo se há comments, que sei não poder haver, vou ao mail , sou assaltado por um ataque de ansiedade, largo tudo e piro-me.
9h10: Entro no mercado e passeio pelas bancas cumprimentando quem me olha. Compro carne, pão, feijão verde, pimentos e acabo na banca da D. Ana que me aconselha o peixe que de melhor tem para grelhar, atendendo ao custo qualidade. Da sarda ao robalo vale tudo, ela é que sabe.
Aproveito para comprar o Expresso que eu já sei que não lerei um quarto sequer.
10h10: Volto para casa, deixo o avio na cozinha.
Chega o Custodio. Arranco para a reforma agrária. É dia de poda no pomar, sim que tenho um pomar constituído por uma laranjeira e um limoeiro. O Custódio poda e eu acarreto os ramos para o lixo. Aproveito os limões que distribuo DIScriminadamente pelos vizinhos.
11h30: Bebemos uma cerveja que o sol aperta.
12h00: A poda tá feita. Decido que a relva também vai de co, digo, vai de cana, agarro na máquina e atiro-me aos 24 m2 de relvado que nem um rambo atacando hoste comunista.
12:25: Vencedor e convencido da minha superioridade moral, chamo o puto para pôr a relva no lixo.
O puto resiste e eu cedo.
-Tá bem, vai acender o lume que eu vou ao lixo.
Ele cede.
-Tá beeeeem, eu vou, acendes tu o lume.
12h45: Lume aceso, pimentos a assar, panelas ao lume com água a aquecer,
13h00: Vou tomar um banho e acabo por fazer a barba.
13h15: Sinto-me seis horas mais novo.
Enfio batatas e feijão verde nas panelas. Sim em panelas diferentes que, se eu gosto de misturas, não é na cozinha.
Duas generosas douradas escaladas, untadinhas com uma marinada de alhos coentros, sal e azeite estão prontas para o sacrifício do fogo e redimirem os pecados do mundo em lume brando.
13:35: Escorridas as panelas, pelados os pimentos, as douradas acabam em lume forte.
13:45: Aberta uma garrafa de vinho tinto da Comporta e uma garrafa de trina laranja, começamos a comer.
14h30: Dou mais uma vez uso à DeLonghi, reforço a dose, encho um balão com CRF, acendo um purito e esparramo-me no sofá.
15:00: Hora de desporto. Ligo o canal 2, e puxo o saco cama.
16:00: Acordo. Já chega de desporto, vou aos blogs e concluo que deve andar toda a gente na galderice, não há comentários que se vejam.
Escrevo indisciplinadamente, kusko, vou ao google, ao goear.
18h00: Já! Hesito. Vou ou não vou dar uma volta?
Chateio o puto que resiste e não quer.
Não vou.
18h30: Pego no Expresso, leio um pouco. Dou pelo findar do melhor dia da semana.
18h55: Vou aviar a minha receita: Duas latinhas. Uma, FUMAR MATA a outra, Fumar preju…
É pra isto que um homem anda a pagar impostos?
Vou até ao rio e fico a ver o subir da noite.
Telefono para casa a desafiar o puto para ir jantar fora que resiste mas desiste.
20h00: Vamos jantar. Conversamos um pouco, picamo-nos um ao outro que é a nossa forma de dizermos que nos amamos.
21h05: Voltamos a casa.
-Vou sair com os amigos.
-Precisas de dinheiro?
-Ainda tenho.
-Não voltes tarde.
-Meia noite, se me atrasar telefono, já sei.
Ponho-me no meu bLUGAR
23h55: -Olá, chega o puto, tenho o último beijinho do dia, -Vou-me deitar.
Não fiques até tarde.
Que descaramento! Onde já se viu, isto?
… continuo blogando
2h00: JÁ!?
Vou-me deitar.
Porque hoje é sábado, comprei um violão para minha filha Susana, a fim de que ela aprenda dó maior e cante um dia, ao pé do leito de morte de seu pai, a valsa "Lágrimas de dor", de Pixinguinha – e seu pai possa assim cerrar para sempre os olhos entre prantos e galgar a eternidade ajudado pela mão negra e fraterna do grande valsista...Porque hoje é Sábado, desejarei ser de novo jovem e tremer, como outrora, à idéia de encontrar a mulher casada, de pés de açucena; desejarei ser jovem e olhar, como outrora, meus bícepes fortes diante do espelho...Porque hoje é Sábado, desejarei estar num trem indo de Oxford para Londres, e à passagem da estação de Reading lembrar-me de Oscar Wilde, a escrever na prisão que o homem mata tudo o que ele ama...Porque hoje é Sábado, desejarei estar de novo num botequim do Leblon, com meu amigo Rubem Braga, ambos negros de sol e com os cabelos, ai, sem brancores; desejarei ser de novo moreno de sol e de amores, eu e meu amigo Rubem Braga, pelas calçadas luminosas da praia atlântica, a pele salgada de mar e de saliva de mulher, ai...Porque hoje é Sábado, desejarei receber uma carta súbita, contendo sobre uma folha de papel de linho azul a marca em batom de uns grossos lábios femininos, e ver carimbado no timbre o nome Florença...Porque hoje é Sábado, desejarei que a lua nasça em castidade, e que eu a olhe no céu por longos momentos, e que ela me olhe também com seus grandes olhos brancos cheios de segredo…Porque hoje é Sábado, desejarei escrever novamente o poema sobre o dia de hoje, sentindo a antiga perplexidade diante da palavra escrita em poesia e como dantes, levantar-me com medo da coisa escrita e ir olhar-me ao espelho para ver se eu era eu mesmo...Porque hoje é Sábado, desejarei ouvir cantar minha mãe em velhas canções perdidas, quando a tarde deixava um alto silêncio na casa vazia de tudo que não fosse sua voz infantil...Porque hoje é Sábado, desejarei ser fiel, ser para sempre fiel; ser com o corpo, com o espírito, com o coração fiel à amiga, àquela que me traz no seu regaço desde as origens do tempo e que, com mãos de pluma, limpa de preocupações e angústia a minha fronte imensa e tormentosa...
segunda-feira, 12 de março de 2007
Por tudo e por nada
Eu que me comovoPor tudo e por nada
Deixei-te parada
Na berma da estrada
Usei o teu corpo
Paguei o teu preço
Esqueci o teu nome
Limpei-me com o lenço
Olhei-te a cintura
De pé no alcatrão
Levantei-te as saias
Deitei-te no banco
Num bosque de faias
De mala na mão
Nem sequer falaste
Nem sequer beijaste
Nem sequer gemeste,
Mordeste, abraçaste
Quinhentos escudos
Foi o que disseste
Tinhas quinze anosDezasseis, dezassete
Cheiravas a mato
À sopa dos pobres
A infância sem quarto
A suor, a chiclete
Saíste do carro
Alisando a blusa
Espiei da janela
Rosto de aguarela
Coxa em semifusa
Soltei o travão
Voltei para casa
De chaves na mão
Sobrancelha em asa
Disse: fiz serão
Ao filho e à mulher
Repeti a frutaAcabei a ceia
Larguei o talher
Estendi-me na cama
De ouvido à escuta
E perna cruzada
Que de olhos em chama
Só tinha na ideia
Teu corpo parado
Na berma da estrada
Eu que me comovo
Por tudo e por nada
Acrílicos Tania Leal
BOLERO DO CORONEL SENSÍVEL QUE FEZ AMOR EM MONSANTO
sábado, 10 de março de 2007
Cá o rapaz é assim
Dói-lhe a cabeça da noitada e pelo que de si deu, para além do estabelecido e consensualmente convencionado.
Hesita mas acaba por se levantar. Atravessa o quarto vai até à kitchnet, aquece no microondas uma xícara do café que sobrara do dia anterior, liga a TV a que não presta a atenção, puxa dum Marlboro e senta-se à janela do quarto olhando nada.
O dia tá lindo, o sol sobeja caté met'inveja. Perdido em vagos pensamentos, dá por si a filosofar se um dia daqueles é ou não bom para a caça. Acaba por concluir que de caça não percebe nada. Deriva para a pesca e conclui que não, pois tem de ouvido, que a sombra na água espanta o peixe. Afinal actividades ao ar livre não são a sua especialidade; de captura de espécies não percebe patavina, tirando aquela a que amiúde se dedica nos centros comerciais, com técnicas apuradas em muitos anos de prática - tiro ao borracho. Para essa arte é preciso mais saber do que têm esses amadores domingueiros, de sequeiro ou de águas lusas.
As técnicas podem assemelhar-se: o engodo, a espera, o cerco ou o arrastar, mas para a sua arte há que dominar o canto e encanto à distância; é preciso o golpe de asa rasante, a abordagem subtil e o desconcertar para atacar com audácia temerária, mas acima de tudo há que ter calo e calma.
Quantas vezes não teve de enfrentar o insucesso? Aí, no infortúnio, é que se faz a diferença, se vê a classe do rapaz: retirada elegante e sorriso convincente impõe-se, pois fair-play não é só pá bola. Sobretudo nada de desatinos ou despeitados insultos entre dentes que cada peça que foge é uma lição a não esquecer e a juntar ao património acumulado para posterior tratamento de dados e correcção da acção.
Por fim esticou as pernas, entrelaçou as mãos atrás da nuca e estirou-se gozando um longo bocejo acompanhado de um som vagamente semelhante a loba com o cio. Levantou-se energicamente e dirigiu-se à pequena casa de banho. Passou água pela cara e pelo cabelo, escovou rapidamente os dentes e entregou-se por fim ao sagrado ritual de se barbear. Espalhou o foam pela cara, foi buscar a Wilkinson de três lâminas, mirou-a hesitando se as renovaria; decidiu que ainda não era altura de as trocar, esse prazer ficava adiado para posterior altura face ao agravamento do custo de vida. Colocou-se em frente ao espelho de pernas entreabertas em pose que adoptara do Saturday Night Fever. Em movimentos disco foi talhando e remirando-se ao espelho contornando lentamente o bigode e acertando as patilhas. Passou a máquina por água corrente e aspergiu a cara com água fria. Cheirou os sovacos e resolveu-se a levar mais longe a higiene, tendo o cuidado de não molhar a camisola interior. Dirigiu-se para a porta e antes de a fechar fez um exame rápido decidindo que deixara tudo em impecável ordem fechou a luz e a porta.
Enfiou rapidamente as calças justas e pela cabeça a camisa que não chegara a desabotoar, enfiou a fralda dentro das calças, afivelou o largo cinto, calçou as botas que adorava: tacões em cunha., um pouco cambados, biqueira afiada e pespontos rematando a arte aplicada de sabor texano. Enfiou o colete que comprara baratíssimo a um marroquino armado em esperto, e que até a couro cheirava. Sacou de cima do cunhete de granadas que servia de mesa-de-cabeceira, o “Mont Blanc” genuíno que uma amiga lhe oferecera. Esticou o queixo e passou a boca do frasco directamente nas faces, estimulando a circulação com secas palmadas.Decidiu que era altura de partir.
Fechou o apartamento a duas voltas de chave e lá foi pela galeria do sétimo piso: passada enérgica, arrastando ligeiramente os tacões, em direcção às escadas, enquanto ajeitava o lenço no pescoço assobiando.
sexta-feira, 9 de março de 2007
6 meses depois
Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar
Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar
Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei
Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só
Eu Vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar
Mafalda Veiga

