terça-feira, 17 de julho de 2007

1º mandamento

agora que uns se vão e outros até já se vêm,
cuidado com as curvas

domingo, 15 de julho de 2007





Filho, onde é que tens a cabeça?
Quis a natureza, digamos assim para simplificar, fazer-nos diferentes, mas nós teimamos na quimera de sermos iguais.
Atentem na contradição: Sendo a natureza perfeita, teimamos em refazer o que ela fez. Não será isto o rosto da vaidade humana?
Liliputianos, leva a nossa fragilidade em teimar alcandorarmo-nos em tamanquinhas que nos tirem preocupações. Se recuarmos às origens da nossa civilização damos com os gregos que se suportavam numa plêiade de divindades, os seus herdeiros, os romanos, empreendedores construtores de um novo império, nada mais fizeram do que um restyling da velha mitologia. À semelhança dos homens os deuses eram detentores das suas virtudes e defeitos; para nosso deleite, souberam os “homéricos” naradores, em astuciosa verve de entretenga traduzir no papel os conflitos humanos de que Ilíada e Odisséia são belo exemplo. Mais tarde Virgílio num perspicaz jogo de promoção da imagem de César Augusto, presenteia-o com a Eneida.

Subjugada a “Helénia” por Roma, não interessa agora se dos latinos e sabinos ou dos etruscos., estiveram os deuses postos em sossego até que Pedro, percursor do assalto magrebino de hoje, aparece com a ideia bizarra de que deus há só um, o que lhe valeu o glorioso fim de bizarramente acabar crucificado.
Diz a tradição que exigiu que o fosse de pernas para o ar, já que não se considerava digno de morrer da mesma forma que Cristo. Mas de que é que estava à espera, ele e os 32 que se lhe seguiram, à excepção de dois para confirmar a regra?

Os números é que mandam tendo sido precisos o 33, tantos quantos os anos de vida de Cristo, para que dessem a volta ao Imperador que é o mesmo que dar a volta ao Império. Foi ele Silvestre I que durante o reinado do imperador romano Constantino I, viu instaurado o cristianismo como religião do Estado. Vá lá, safou-se como um dos primeiros santos canonizados sem ter sofrido o martírio.
Desculpa lá Louçã, que lá são não sou e me perco por trilhos que não interessam.
Um "cavalo de Tróia" na península com o mesmo nome em protesto "contra os condomínios de luxo que põem em risco os ecossistemas costeiros e dificultam o acesso da população às praias".
Qual é a tua? Acessos às praias para quem? Para a horda de povo carregando sombrinhas, geleiras e adolescentes de pneu fastfoodiano, em algazarras impertinentes? Tem juízo e maneiras.
As praias que Deus ou deuses nos deram são para quem sabe gozar delas e não para quem as conspurca sem capacidade para as regenerar. Mas achas que D. Belmiro I, se dava ao trabalho de implodir e construir, investindo cacau para ficar tudo na mesma?
D. Belmiro I, concede-nos a graça de promover trabalho a milhares de gajos desocupados que de outra maneira cairiam mortos de tédio nas areias escaldantes da península.

Felizmente que tu gabiru muito terás de picar até me chegares aos miolos.
Não fora a superior visão dos autarcas CDU e PS dos Municípios de Alcácer, Grândola e Setúbal, ainda aquilo era um deserto a que tu chamarias de paraíso, como se quilómetros de areia, água salgada, trilhos de terra para lá chegar não fosse um inferno.

Abençoadas estratégia e tácticas concertadas de câmaras e empresários que possibilitam contornar a lei, e não me peçam para contar.
Jus de juris, o que é isso?

sexta-feira, 13 de julho de 2007

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Pois é

Temos que ser uns pás "outras", né?

Ai! loirita
desatinada,
minha maluca,
onde tens a cuca?
Cá palpita,
ao Erecteu
pela mãe,
p'lo pai Lorpa,
que tu também
acabas morta,
sua desenfreada,
se não ao beijo,
que tanto desejo,
será à chapada.
Foste a má porta,
que o Lorpa se some.
Queres matar a fome?
http://com-menta.blogspot.com/
Entra de mansinho
sem ameaçar;
terás mui carinho
para começar.
Assim, devagarinho
vinagre não,
tá? Nem fel.
Como então?
Isso mesmo, mel.
Malgrado a tesão,
puxo do papel
Assim, vês,
António Manuel Revez?
Um abraço e boa sorte.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

A dar e a levar é sempr'à'ndar.

Sou pessoa
mui dada…
a prazeres.
Vais na loa
enganada
p’los dizeres.
Altruísta?
E o prazer
de dar,
mais
que receber!
O egoísta
quer saber.
ou olhar?
Jamais!
Se tiver
em vista
que quer
só dar,
olvidais
sequer
que o artista,
a bem dizer,
sem se ralar
por mais
que te doa,
coitada,
se quiseres
numa boa
ser dada…
vais perceber,
que foste levada
por receber
.

René Magritte



Viveu uma vida curta para tanto génio (1898-1967). Do Pós-impressionismo, Simbolismo, Expressionismo alemão, Fauvismo, Cubismo e finalmente Surrealismo, de tudo experimentou um pouco.

Toullouse-Lautrec, Cézanne, Gustave Moreau e Gauguin, James Ensor são alguns dos nomes com quem se identificou. Se sofreu influências, bem se vingou; muita gente ainda hoje lhe segue pos passos.

O sonho, o absurdo e o onirico e particularmente o erotismo marcam a sua obra a par do mistério.

d'aqui
"Ao procurar o mistério que envolve as coisas e os seres, Magritte concebeu quadros que, partindo da realidade quotidiana deveriam ter uma lógica diferente da habitual. Magritte representa o mundo do real e do imaginário com uma superficialidade misteriosa, que impõe ao observador a reflexão de que é através da lógica dos seus pensamentos e das suas associações e não da transfiguração sentimental que surge o misterioso.
Magritte cria também uma linguagem pictural que não podemos ignorar e que permite aprofundar a compreensão habitual do quadro"

Meuris,J.,Magritte, Taschen, 1993

Se o absoluto e a a moda não me fizessem urticária até diria que é uma das sete maravilhas da natureza.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Cá o rapaz é assim VIII



Acordara irritada e nada parava de a irritar. Há dias assim! Marcar um jantar para o dia seguinte e ainda por cima com aqueles convencidos, merdosos é que era.
-Vê lá como falas.
Era o que faltava, agora até com a maneira de falar entenicava!
-Pronto pirosos, interesseiros e, e… merdoso, disse desafiadora.
Gustavo olhou para ela, não disse nada, agarrou na pasta dirigiu-se para a porta, estacou voltou a traz e beijou-a na testa; apertou-lhe suavemente o ombro e disse-lhe: -Porque é que não sais? Vai até um cinema, liga a uma amiga…
-Não me apetece, faltava agora seres o meu guia!! Disse acabando a frase num tom ligeiramente alterado.
Sorriso amarelo ainda lhe atirou: -Porque não vais às compras? O Natal não tarda…
-Deixa-me, por favor deixa-me, respondeu a meia voz, olhos aguados.
-Está bem, por favor telefona-me, se qui… lá mais para diante. E saiu.
Um aperto no estômago apoderava-se dele, reviu os últimos anos das suas vidas, a entrega total à família, a boa situação que tinham, nada, nada parecia satisfazer Guta; durante uns tempos a coisa ainda foi indo, sem dúvida que o psicólogo ajudara. Maldita a hora em que brincara com isso, tinha sido simplesmente para banalizar, desvalorizar… maldita a hora.
Uma violenta buzinadela trouxe-o de volta, ia fazendo a bonita, nem deu pelo Stop! Concentrou-se, direccionou os pensamentos para a empresa.

Guta levantou-se de um pulo, passara mais de uma hora no sofá sem dar por isso, sem nada fazer. Dirigiu-se à pequena casa de banho, escovou rapidamente o cabelo, mirou-se e achou que devia por um pouco de cor no rosto, -à fava, pensou. Agarrou no carro e dirigiu-se para a estrada de Sintra, andou uma centena de metros e virou bruscamente o carro na outra direcção.

-Que é isto?
-Isto o quê?
Encarnado como um tomate, gaguejou e nada convincente dissera-lhe: -Era para ti, tenho-a aí há nem sei quanto tempo.
-Para mim uma flor? Nunca me deste uma flor!
Irritado, encarnado, gago: -Ma… mas era.
Não voltaram a falar sobre o assunto, se ele pensava que a comia por parva, bem podia esperar sentado. Uma flor, uma simples flor já seca dera cabo de tudo.
Ficara-lhe a imagem dele mochila dela a tiracolo e dela apoiada no braço dele. Era uma parvoíce já lá iam quantos meses… fora em Abril, Maio? Dina prometera que ligaria mas… é o ligas…
Parqueou mesmo junto ao elevador e resolveu dar uma volta pelo shopping, tomou as escadas rolantes, deu uma volta pela FNAC com a sensação de que a poderia encontrar, caminhou por um lado e por outro atraída pelo pressentimento de que ela estaria por lá, se calhar no corredor oposto até, Assim deambulou até lhe doerem os pés, desistiu. Sentou-se no bar e para ali esteve até ter consciência que não serviam às mesas, foi buscar um café, beberricou um pouco e pô-lo de lado, não lhe sabia bem. Há dias assim. Sentiu-se perdida, não sabia o que fazer, decidiu-se por fim voltar ao carro, rumou às escadas, procurou as chaves, desequilibrando-se pois não dera pelo seu fim. Recompôs-se, prosseguia quando ouviu:
-Olá.
Não ligou, mas o olá repetiu-se.
Sorridente por trás dos óculos escuros, repetia-lhe enquanto tirava os óculos.
-Olá como está?
O coração parou-lhe para desenfrear depois, era ele.




desculpem a rapidinha, 30" foi o que se arranjou

Grito de Alerta
Primeiro você me azucrina,
me entorta a cabeça
Me bota na boca um gosto amargo de fel
Depois vem chorando desculpas , assim meiopedindo
Querendo ganhar um b ocado de mel
Não vê que então eu me rasgo
Engasgo, engulo, reflito, estendo a mão
E assim nossa vida é um rio secando
As pedras cortando, e eu vou perguntando: atéquando?
São tantas coisinhas miúdas, roendo, comendo
Amassando aos poucos com o nosso ideal
São frases perdidas num mundo de gritos e gestos
Num jogo de culpa que faz tanto mal
Não quero a razão pois eu sei o quanto estou errada
O quanto já fiz dest ruir
Só sinto no ar o momento em que o copo está cheio
E que já não dá mais pra engolir
Veja bem, nosso caso é uma porta entreaberta
Eu busquei a palavra mais certa
Vê se entende o meu grito de alerta
Veja bem, é o amor agitando meu coração
Há um lado carente dizendo que sim
E essa vida da gente gritando que não

Só feitos

Roma & Pavia não se fizeram-se num dia? Portugal também não. E quem faz Portugal? Os Portugueses, quem havia de ser! Fazem-no bem, mal? Fazem-no ao seu ritmo, ao longo de séculos, à sua maneira, devagarinho, não tanto como as portuguesas gostariam, mas avante.
Fazem um pinhal aqui, fazem uns barcos ali, inventam um sistema de velas que facilita a navegação, fazem-se à procura de Prestes João, perdem-se no mar e encontram Manaus e maná, calam-se bem caladinhos e num jogo da vermelhinha... Tordesilhas com eles, prontos final, não pretendo fazer história que a história já está feita e contada, coitada.

Coitada e mal paga, diga-se.
Querem que andemos ao ritmo de outros vinte e cinco, se não subirem a parada. Estamos feitos ao bife, esperem sentados.
Trabalhar depressa para quê, se o trabalho não acaba? –ensinaram a um amigo meu que me ensinou a mim que não preciso de vos ensinar.
Se pecado há nos Portugas, é a mania de fazer.
Têm a mania de fazer, fazer, não param; devagar mas passam a vida a fazer. Parem porra, porra parem. Que mania!
Gago: faz.
MaLino: faz.
Gonorreia de Campos: faz, faz.

MiLou Rodrigues: faz, faz, faz.

Não param de dizer e fazer merda que hão-de comer.

Sócrates: faz pisca, pisca faz!
Sr(a). Ministro(a), Excelência, aquele menino disse, fez… Até os menos mediáticos fazem, nem que seja queixinhas!
E quem é o culpado? Eu assobio, tu assobias… eles assobiam para o lado.

Portugueses, façam merda, está na hora de desfazer.
Dizem que tenho a tendência para ser simplista, não concordo, é injusto. Simplório sim, façam justiça e o favor de serem felizes.
***
PS: Fizeram uma sondagem. Consta que, feitos os ajustes de erro, o Zé já tá feito em 16%.
Bem feito



Você abusou
Tirou partido de mim
Abusou
Tirou partido de mim
Abusou
Tirou partido de mim
Abusou

Mas não faz mal
É tão normal ter desamor
É tão cafona sofredor
Que já não sei se é meninice ou cafonice
O meu amor

Se o quadradismo dos meus versos
Vai de encontro aos intelectos
Que não usam o coração
Como expressão

Que me perdoe
Se eu insisto nesse tema
Mas não sei fazer poema ou canção
Que fale de outra coisa
Que não seja o amor

Se o quadradismo dos meus versos...

Hoje há Bethânia

quinta-feira, 5 de julho de 2007

O grande irmão olha por ti

Depois não digam

ah mas...


Eu aposto: Se arranjar bilhetes


DIAS 16 E 17 JULHO
Romeu e Julieta
Autoria: Oskaras Koršunovas
Oskaras Koršunovas Theatre
Vilnius City Theatre
Lituânia
21.30h – Teatro Nacional D. Maria II, Sala Garrett, Lisboa

LÍQUIDO ou LIQUIDO?

Na bomba de gasolina perguntam-me: -Precisa de recibo? O que é que respondo? Digo que NÃO e o gajo diz que sou um porreiro MAU cidadão, digo que SIM, para deitar fora, o homem pensa que sou maluco, ou chato, né?
Digo que sim, que não preciso mas que o estado blá blá blá blá, obrigado.
Olho para o dito e… 21% d’IVA lá cantam. Ganda negócio! Dei 1/5 ao estado, só? Parece-me que não, pelo menos é o que dizem as desgraçadas das gasolineiras. Será verdade? O recibo pelo menos nada diz sobre outras alcavalas. O Estado, é uma pessoa de bem, se assim fosse com certeza que diria: tanto para isto, e mais tanto para aquilo. Não diz, e se não diz, o gasolineiro é um ganda aldrabão que anda a encher o cu de dinheiro.
Tal como o tabaco e as bebidas.
E a BRISA mais as “PONTES”? Têm lá escarrapachado que se quiser recibo tenho que pedir! Porquê? Será decerto porque eles não fogem ao fisco, são pessoas de bem, não são com’ó galego das bifanas ou o merceeiro, estão acima da lei. Acima da lei com o consentimento do estado.
Até aqui tudo bem, só poderei ter suspeições esquizofrénicas de favorecimento, facilidades vá lá, o latino fechar de olhos, escandaloso ballet rose da economia que prenunciou uma queda de quarenta anos de poder musculado.


Agora a história é outra, assisto ao desenrolar de um thriller à maneira de transformer, ao ganhar de musculo de um governo que de promessa/esperança se proclama em messiânico salvador.
É um sacar vilanagem! Atente-se ao posso quero e mando, por exemplo: Sobre a aquisição de um bem acresce o Imposto sobre as Viaturas (ISV), antigo Imposto Automóvel (IA), acresce também sobre esse bem o IVA, só que o IVA é cobrado sobre o bem e sobre o ISV, esperto, não é? Vamos lá a ver se a cambota não lhes sai pelo escape, como a esperteza pelo cú.
O clube dos super-heróis apalpa e avança de acordo com a estratégia de um resguardado guardião
-Fiat lux, diz socraticamente um Luxor, e algo corre mal, as trevas adensam-se:
Gonorreia de Campos salta para a ribalta, moderando o que não é moderável, tratando-nos competentemente da saúde como lhe não compete;
Milu Rodrigues dispara a sua teia ensinando e mal o que já estava esquecido, surgem bufas asquerosas por todo o lado, é tanto o tiro no pé que duvido que ainda lhe doa;
Teixeira dos Diabos lança maroscas linianas subindo IVAs, sobre taxando ao arrepio comunitário ;
Malino, qual camelo, não ota nem desota mas lança perdigotos além da bota, desertifica, desacredita-se.

Irrita-me que castos indignados se indignem com o direito à indignação, que se alterem as leis do jogo a meio dele, como é o caso das reformas, que à pala de uma gestão rigorosa se atirem para trabalho forçado pessoas doentes para morrerem agrilhoadas pela angústia a doenças terminais
Quando olho para o meu recibo de vencimento, vejo deduzido do chamado “ilíquido” uma substantiva quantia para o IRS, aposentação, assistência, e sei lá mais o quê. Depois aparece uma parcela a que chamam o ordenado “líquido”.



Será líquido porque o vejo escoar por entre os dedos logo que o recebo?
Ou será liquido porque rebento com ele em menos de um pau de fósforo?

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Vocês sabem lá

As andorinhas. Bom o festival é contínuo, a cidade divide-se entre os que as amam e as que odeiam. Os que as odeiam têm dificuldade em admiti-lo, pois não é lá muito fácil defender essa hostilidade, mas eu percebo. Percebo que é uma chatisse ver os beirados ocupados, sem prévio licenciamento, por montes de casinhas de barro, num quadro de vazio legal dado que o PDM nada prevê, acresce que as marotas, indiferentes a quem passa, cagam d’alto, ou segundo outros, preferencialmente em quem traje de escuro, use madeixas ou seja careca.
A Câmara é a primeira a prevenir-se: instala franjas de fitas junto aos beirados e às resistentes envia brigadas de intervenção rápida, especialista em demolições, munidas de escadotes e longas varas; em meia hora pimba, ou pimba em meia hora, como preferirem, aqui “JAZ TÁ”, vão nidificar para o domínio privado. Quem saia à rua depois das oito não dá por nada, os mais madrugadores têm mais com que se entretrer.
*Referência em baixo

Ninho feito e ovos postos, criadas as ninhadas, andam por aí feitas tontas ao pôr-do-sol em voos desarrumados dando neles, mosquitos, melgas e afins. É uma meia hora diária de festival.
A alegria que é vê-las partir! Assim com se veem, vão-se, de repente.
Ainda não percebi bem como é. Há uma que deve piscar o olho e zut abalam, à uma. Pode ser que não, que seja resultado de uma combina pois a viagem é longa e algum atavio deve ser necessário. Este ano vou estar atento, se descobrir depois eu conto, o que é certo é que me perdi, o que eu queria era falar das pombinhas.

As pombinhas vêem-se quando as andorinhas se vão, ou melhor, vinham-se…
A reforma determina que este ano não se venham. Agora vir-se-ão só de três em três anos.
As jovens pombinhas chegavam cada uma do seu canto, para se instalarem lá no alto das casas, nos quentes sótãos alugados por um ano, quentes de verão frios de Inverno, não lhes tocam o coração. As locadoras, senhoras de apurado instinto maternal, invariavelmente lá deixam uma arca ou estendal que com elas partilham, dizem desinteressadamente, com a vantagem de assim saberem de algo que lhes falte ou moralmente lhes sobre, tenho duvidas na ordem.
Aos poucos vão saindo, primeiro dos sótãos e depois das cascas para serem apreciadas pelos olhares voluptuosos dos maridos de virtuosas senhoras, intransigentes defensoras de missionárias posições, insuspeitas donas e senhoras de invioláveis pontos x, y, z e G.
de Graça Martins

Saídas as cobiçadas pombinhas, aos poucos se vão agregando, bando aqui, bando acolá. É um prazer vê-las revelarem-se quando começam a desabrochar: os olhares furtivos, os risos de cumplicidade e os comentários que trocam… ah! Os comentários! o que eu não daria para ser pombinha por um minuto para um ou outro partilhar. Não sou, paciência, resta-me o prazer de os inventar ao sabor da minha pérfida imaginação.
Recordo com particular ternura um bando que aqui há uns tempos se formou. Bando exemplarmente coeso, agiam em bloco, para onde uma iam as outras seguiam, sem temores cirandando por onde lhes apetecia, não se viam a sós senão por fugazes momentos e em transito , acabaram por ser designadas por MONOBLOCO. Ah monobloco! A saudade que tenho de vocês. Por onde andam?


Bom, pombinhas só daqui a dois ano, maldita Maria de Lourdes, à falta delas vou cuidando das penas apenas e treinando, ora para um lado ora para outro, as voltinhas e os arrulhos. Os arrulhos são muito importantes pás pombinhas, garanto.

d'aqui

São assim os pássaros e as passarinhas.

*******

"O fotógrafo é médico pediatra em Videira-SC.Afirma ter duas paixões: a fotografia e motocicletas. Começou com uma velha Pentax K1000 no tempo da Faculdade, de modo "totalmente amador" (segundo suas palavras). Cita a frase de José Medeiros "fotografamos o que vemos e o que vemos depende do que somos", e considera suas fotos obras "entre o real e o virtual". Para conhecer mais trabalhos de Maurilio visite o site: http://www.photoblink.com/ppages.asp?authorID=1755"

Pop Art

terça-feira, 3 de julho de 2007

O tempo não abunda

e a vida é curta.
É uma chatisse mas mais uma vez a minha maria tinha razão. Fui ver


uma delicia, pelo menos para mim que tenho muita dificuldade em ler. A malta usa palavras difíceis, falam de coisas que não percebo, ler faz-me sono, emfim... sempre vou lendo umas coisitas, O Pato Donald e (para me armar) a Mafalda.


estou tão feliz, maria!

sábado, 30 de junho de 2007

Não garanto

In illo tempore, a lot years ago, viele zeit, há boé d’anos même, ainda os animais falavam, vivia uma família - que me convém dizer - feliz, e que mais tarde se tornaria típica: casal e dois filhos.
Viviam no maior T.zero que possam imaginar, open space. Ali dormiam, ali cagavam e foder era onde calhava se lhes apetecia.
Os putos, qual putos qual quê, os marmanjões, assim é que é, já na casa dos trinta, não descolavam e se a mãe não os enxotasse a esta hora ainda mamavam, e ao colo!
Bom, voltemos à felicidade. Não lhes faltava nada, esticavam a mão e era uma banana, uma toranja ou um mamão, por ali se bastavam dada a vantagem de serem vegetarianos. Atenção, só não valia maçãs pois havia a estranha superstição de que davam azar. Como abaixo refiro, fartei-me de investigar a razão de tal crença mas não consegui apurar com rigor científico que prezo e confesso copiar em estilo gesto e timbre até, ao Professor Hermano.
Desculpa, estava na felicidade, pois é. Nada lhes faltava. Eram tão felizes, tão felizes, que até chateava, pronto.
A mãe extremosa compensava uma certa dose de impaciência do marido que se vinha acentuando desde que após parir, fora acometida por um estranho humor que a levava a sopetar a manápula do parceiro quando este lhe afagava a bunda. Mais tarde, já todos tinham ido desta para melhor, passe a figura de estilo cujo nome não me ocorre, ah! eufemismo talvez, se veio a designar por depressão post-parto. Tenham paciência que me desvio, eu sei, falava de impaciência. A patriarcal impaciência acentuou-se desde quando ainda putos nas brincadeiras, os gaiatos brigavam.
Consta que as primeiras brigas aconteceram, um ainda mal andava, quando brincavam com um cágado em cima de uma enorme laje que por sinal viria muito mais tarde a ser utilizada como chapéu ou tampa numa anta, para uns, dólmen para outros. Foram crescendo e as putas das disputas não paravam, aumentavam até em baritonos berreiros com expressões que inventavam no momento e – cito Umbeto Eco, que sabe destas merdas para caralhos – viriam a dar origem à chamada linguagem venácula, que só uso informalmente e da qual nesta comunicação de cariz científico sou obrigado a abster-me.
Cabe aqui dizer que um deles foi acalmando. Deixou de ligar ao irmão quando aquele queria merda;
-Ai é? Queres barraquinha! – dizia.
Dizia, levantava-se, pegava numa, ovelhinha, ia para trás de umas moitas. Voltava uns tempos depois com um sorriso nos lábios, olhar sereno de borrego, cara de anjo por inventar. A paz voltava; às provocações não ligava e quando a coisa era demais… lá pegava ele na ovelhinha e seguia para trás das moitas, até que um dia… estavam todos eles a dormir a sesta, cada qual debaixo do seu carvalho ("Quercus suber", para ser mais preciso), ouve-se um ganda e seco estrondo na sêca tarde que a Agosto corresponde no nosso calendário (mas que de tal forma não era designado, atentem ao facto onde espaço-temporalmente decorre a acção) que os faz dar um pinote para fora dos sonhos onde estavam alapados e alapardados, apardalados, sabiam lá com o cagaçoi que apanharam, altas chamas vêm eclodir das já referidas moitas e exangue a branca ovelhinha deitar a língua de fora para em seguida esticar um pernil.
-Raios foi ele, malvado.
-Fui eu o quê! Raios de feitio, acalma-te que moitas há muitas.
-Fodeste-me a ovelha.
-Fodi a ovelha? Que é isso de foder?
-Ainda te fodo um dia, vais ver.
O pai passou-se. Virou costas largou um peido e foi pó rio. A mãe lá ficou agarrada à bronca e tentou acalmar a situação.
-Oh filho, não foi nada o teu irmão, garanto-te.
-Lá tás tu a desculpá-lo, cara.. (ia a dizer mas emendou respeitoso) CARAGO.
A mãe ciente da verdade mas atrapalhada, pois não queria dizer que até estava a dar de mamar ao mano, dada a nega que na véspera lhe dera… vocês sabem como é, adiante.
-Não foi meu filho, nós até estávamos ali a jogar à sardinha, não é? disse piscando o olho de soslaio para o outro.
-Ai é? Então foi o pai, não!

-Qual quê, o pai não, disse entaladinha, deve ter sido DEUS, ocorreu-lhe em vez de gambuzino.
Deus? Quem é esse gajo disseram os manos olhando à volta.
-É um ser omnipotente, omnisciente, omnipresente e invisível disse ela para se desenrascar.
Ah! fizeram os manos, e a coisa ficou por aqui, dizem.
***
Como informação complementar digo-vos eu:
Treze dias mais tarde, numa discussão sobre um pássaro em que um teimava que era pêga e o outro que não, que era melro, nervos em franja, sem moitas nem ovelhinha que o acalmasse, rapa do já citado cágado, eleva-o a duas mãos sobre a cabeça enquanto o voltava de papo para o céu e em movimento uniformemente acelerado, ZUMBA, afinfou-o pelo fraterno ocipital.
Lingua de fora, seguiu-se o esticar de pernil, pois Abel não era lá muito criativo.
A Caim, coitado, os pais mandaram-no para o cabrão do corno de África, não houve então Deus que lhe valesse.
Há mães assim já a minha torce sempre pelo cabrão do meu irmão.
***
Os meus agradecimentos a:
- Fontes geralmente bem informadas:
Raf, Bino, Cap & Somebody-Else-As-Garf Asociated.
- Cardeal Erectrinnsky, curador
daBiblioteca do Vait&cano
- Myria-Baum Yurion da
FundaSão Estrela De Seis Pontas
- Dimitri K.x.B., Acessor do Instituto
de Ciências ParaAnormais
- António Silva, Sócio Gerente da C e A
- Gush Beorge Jr.,General World
Wilde Well-advisor
Consultoria e revisão oficial:
- Maluro, ME
- Lino, OP
- C. Campos, MS


Construção / Deus lhe pague

Chico Buarque
Composição: Chico Buarque

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Deus Lhe Pague

Chico Buarque
Composição: Chico Buarque

Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer, e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague

Pelo prazer de chorar e pelo "estamos aí"
Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar e um samba pra distrair
Deus lhe pague

Por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui
O amor malfeito depressa, fazer a barba e partir
Pelo domingo que é lindo, novela, missa e gibi
Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair
Deus lhe pague

Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir
Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir
E pelo grito demente que nos ajuda a fugir
Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas-bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague

domingo, 24 de junho de 2007

Empoleirado olho a rua deserta na frescura da manhã, esperando que venhas. O prédio em frente todo ele dorme, sei que virás.
O tempo passa e com ele vai passando devagar um carro ainda com as luzes acesas, aposto que vai em frente mas afinal vira à direita, outro virá. Lá vem um preto em passo aparentemente apressado, metendo a fralda para dentro, abranda e acaba por parar nas montras daquela loja, a minha loja preferida que se esconde debaixo das arcadas que só me deixam ver-lhe um pouquinho dela. Chamo-o: Hei, psst. Olha, para todo o lado e desiste, de novo: Hei, psst, de novo olha. Hei, psst , hei! agora olha na minha direcção. Aceno-lhe e ele ri branco no meio do negro e afasta-se. Hei, psst., hei, psst. Já não me liga, fica o tempo a passar.
Assomarás por aquela esquina montado na bicicleta, depois descerei pela mão da minha avó e então iremos, já não sei para onde, para a praia talvez.

sábado, 23 de junho de 2007

recuando por ruas e praças

O sol queima, a multidão em torno de turcos e tachos entre miras e ustedes parece buscar o pote de ouro no final de um arco-íris, a suposta alegria de um dia de férias não se conforma com o fervilhar de um euro pelas alminhas; estranha forma de vida. Por cima do vespeiro insinuam-se sons em crescendo com os passos que se dá até que nos depararmos com eles, sós na multidão de ferramentas na mão, alheios aos que passam, face a face, atacam a um gesto de olhar ou decidido avançar de queixo, alheios à moeda que por vezes tomba na caixa da guitarra.





As mãos percorrem a escala, não mais a esquecerei.

***


Abandonada a lancha, meia dúzia aqui, outra acolá são despejados em pensões de ruelas escuras, abandonadas as malas em apertados quartos, partem à descoberta. S. Marcos deserta no sol-posto de Maio, arcadas e longínquo som mistério revela-se sob o arco fronteiro. Prendem-se diante do corpo que se move ondulante. Trocam palavras em surdina tocados pela magia dos cheiros luz e som; acabou, o silêncio instala-se mas fica a magia do carinho com que passa o lenço pelas cordas; não sei quem avança e deposita umas liras na caixa, os outros seguem-lhe o exemplo, ela mais desinibida presenteia-o, in english, com uns elogios, ele devolve com um sorriso e um OBRIGADO.

Segue-se uma noite de alegria, de muitos copos, corpos e promessas não cumpridas.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Cantiga de Amigo





Nem um poema nem um verso nem um canto
tudo raso de ausência tudo liso de espanto
e nem Camões Virgílio Shelley Dante
o meu amigo está longe
e a distância é bastante.

Nem um som nem um grito nem um ai
tudo calado todos sem mãe nem pai
Ah não Camões Virgílio Shelley Dante!

o meu amigo está longe
e a tristeza é bastante.

Nada a não ser este silêncio tenso
que faz do amor sozinho o amor imenso.
Calai Camões Virgílio Shelley Dante:
e a saudade é bastante!
Ary dos Santos