domingo, 24 de junho de 2007

Empoleirado olho a rua deserta na frescura da manhã, esperando que venhas. O prédio em frente todo ele dorme, sei que virás.
O tempo passa e com ele vai passando devagar um carro ainda com as luzes acesas, aposto que vai em frente mas afinal vira à direita, outro virá. Lá vem um preto em passo aparentemente apressado, metendo a fralda para dentro, abranda e acaba por parar nas montras daquela loja, a minha loja preferida que se esconde debaixo das arcadas que só me deixam ver-lhe um pouquinho dela. Chamo-o: Hei, psst. Olha, para todo o lado e desiste, de novo: Hei, psst, de novo olha. Hei, psst , hei! agora olha na minha direcção. Aceno-lhe e ele ri branco no meio do negro e afasta-se. Hei, psst., hei, psst. Já não me liga, fica o tempo a passar.
Assomarás por aquela esquina montado na bicicleta, depois descerei pela mão da minha avó e então iremos, já não sei para onde, para a praia talvez.

sábado, 23 de junho de 2007

recuando por ruas e praças

O sol queima, a multidão em torno de turcos e tachos entre miras e ustedes parece buscar o pote de ouro no final de um arco-íris, a suposta alegria de um dia de férias não se conforma com o fervilhar de um euro pelas alminhas; estranha forma de vida. Por cima do vespeiro insinuam-se sons em crescendo com os passos que se dá até que nos depararmos com eles, sós na multidão de ferramentas na mão, alheios aos que passam, face a face, atacam a um gesto de olhar ou decidido avançar de queixo, alheios à moeda que por vezes tomba na caixa da guitarra.





As mãos percorrem a escala, não mais a esquecerei.

***


Abandonada a lancha, meia dúzia aqui, outra acolá são despejados em pensões de ruelas escuras, abandonadas as malas em apertados quartos, partem à descoberta. S. Marcos deserta no sol-posto de Maio, arcadas e longínquo som mistério revela-se sob o arco fronteiro. Prendem-se diante do corpo que se move ondulante. Trocam palavras em surdina tocados pela magia dos cheiros luz e som; acabou, o silêncio instala-se mas fica a magia do carinho com que passa o lenço pelas cordas; não sei quem avança e deposita umas liras na caixa, os outros seguem-lhe o exemplo, ela mais desinibida presenteia-o, in english, com uns elogios, ele devolve com um sorriso e um OBRIGADO.

Segue-se uma noite de alegria, de muitos copos, corpos e promessas não cumpridas.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Cantiga de Amigo





Nem um poema nem um verso nem um canto
tudo raso de ausência tudo liso de espanto
e nem Camões Virgílio Shelley Dante
o meu amigo está longe
e a distância é bastante.

Nem um som nem um grito nem um ai
tudo calado todos sem mãe nem pai
Ah não Camões Virgílio Shelley Dante!

o meu amigo está longe
e a tristeza é bastante.

Nada a não ser este silêncio tenso
que faz do amor sozinho o amor imenso.
Calai Camões Virgílio Shelley Dante:
e a saudade é bastante!
Ary dos Santos

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Chegam de repente, sem avisar, as notícias:
Está a querer ir embora.
O tempo pára, rola ao contrário, desenrolam-se imagens difusas, sorrisos, olhares, gestos, carícias.
Voo ao seu encontro, afinal ainda está. Perscruto-lhe os olhos, é mentira, ainda quer ficar. Vai ficar, vai ficar, vai ficar.
Desculpem, vou ali só dar-lhe a mão, devolver-lhe mil carícias e ternuras.
Quando voltar eu aviso.


sábado, 16 de junho de 2007

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Já não phalo dum Zippo

imagem de Robert Gligorov


Gostava de ser um Ronson.



















Um Dupont, não.











É uma mania como outra qualquer. Porquê Ronson? Porque soa a Bronson e Dupont a Dupond/TIN-TIN e tantã não me favorece o perfil.
Põe-se aqui o ser e o querer ser.
É-se o que s’é e temos que aprender a viver com isso, conformar-me, pôr-me dentro da “fôrma”, na “fórma” alinhadinho por mim mesmo.

Gostaria de ser homem de amores mas sou de paixões. Sinceramente não sei bem qual é a diferença. Dava-me jeito que fossem a mesma coisa mas algo me diz que o amor é permanente e a paixão…
A paixão será uma forma de amar só que… (?)
Será que o amor é como os isqueiros que se vão alimentando de gás e renovando a pedra por maneira a ter sempre a chama à mão, e a paixão é como o fósforo – combustão rápida, perecível? Um e outro são sensíveis a ventos e devem ser deles protegidos. Confortava-me a ideia que apaixonado é o ser com a capacidade de amar muito, muitas vezes.

Pois é gostava de ser um Ronson mas qual quê! nem um Dupond ou até um Zippo, sou. Contentar-me-ei com o ser uma caixa de fósforos. A porra é que mais de metade deles já lá vão e a lixa está pó lixadito.

continha quarenta amorfos





Deixa-me rir

Jorge Palma

Tu nunca lambeste uma lágrima
Desconheces os cambiantes do seu sabor
Nunca seguiste a sua pista
Do regaço à nascente
Não me venhas falar de amor
Pois é , pois é
Há quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor
O que vai dizer Segunda-Feira

Deixa-me rir
Tu nunca auscultaste esse engenho
De que que falas com tanto apreço
Esse curioso alambique
Onde são destilados
Noite e dia o choro e o riso
Deixa-me rir
Ou então deixa-me entrar em ti
Ser o teu mestre só por um instante
Iluminar o teu refúgio
Aquecer-te essas mãos
Rasgar-te a máscara sufocante

Pois é, pois é
Há quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor
O que vai dizer Segunda-Feira

c1




quinta-feira, 14 de junho de 2007

Separar de águas

Portugal agita-se perante o caso APITO DOURADO. Quem tenha ouvido o debate na TSF, testemunhará o empenho apaixonado das intervenções, a maior parte em defesa de Nuno Pinto da Costa.
Nuno está acusado como autor de crime de corrupção, nada mais que isso, presume-se por isso que é inocente.
Não há no activo da direcção desportiva de um clube alguém que se lhe compare pelos sucessos obtidos a nível nacional e internacional, nada mais que isso, o que não o torna impune face à lei em qualquer circunstância.
Presumindo a inocência de Nuno, admira-me que não seja ele o primeiro a regozijar-se pelo facto de estar a ser investigado, pois só a ilibação o limpará definitivamente de qualquer suspeição. Note-se que Nuno não tem que provar a sua inocência, é ao Ministério Público que compete provar a sua culpa. Se por acaso este caso culminar com uma absolvição por qualquer recurso a expedientes processuais, isso significará que Nuno é inocente?
A meu ver será difícil provar a sua culpa, pois no léxico comum, fruta e puta, são coisas diferentes. No telefonema escutado até pode ter sido utilizada uma comunicação criptada, mas isso terá de ser provado.
Este processo é reaberto a partir do conteúdo do livro de Catarina Salgado que, como é sabido, o publicou movida por despeito e provavelmente por conflitos de interesses materiais, o que não é propriamente um acto de grande nobreza.

Bom, mas as águas que eu quero separar, nem são bem estas, o que eu gostaria de separar verdadeiramente é o que é de objectiva importância para o país, do que é acessório. Infelizmente o futebol avançou muito para além do que deveria ter ido, de tal maneira que não há politico, que se preze de não ser anjinho, que não avalie muito calculistamente o que é que pode ganhar com ele, com o mundo do futebol.
Isto leva-nos a um problema, como é que funciona o “SISTEMA” de que há muito não ouço falar? Sabendo que em todos os clubes há gente que milita em todos os partidos, como é que funciona o “SISTEMA”? Confesso-vos que não sei. Na escola onde andei não havia essa cadeira, mas se perguntarem à Sra. D. Carolina Salgado, que é de outra escola, ela de certeza que sabe.

Para me tranquilizar explico o fenómeno, arquivando o processo: o “SISTEMA” é como as “BRUXAS”, não acredito nele e nelas.
pero que las hay, las hay.





Até Mais Não Poder Ser


Bonito
Eu só quero acordar e ver o mundo bonito
Abrir os olhos e ver alguém bonito
Sorrindo até mais não poder ser

Contente
Quero dar cambalhotas no ar e estar contente
Fazer amor e gostar de toda a gente
Contente até mais não poder ser

A erva é mais verde do outro lado da montanha
E as estrelas parecem mais brilhantes
Nos arquipélagos do Sul
Há quem diga que a vida é mais fácil para lá de Espanha
E há quem goste do céu mesmo quando ele não é azul
Há quem goste do céu mesmo quando ele não é azul

No peito
Eu só quero trazer o universo no peito
Ir encontrar as palavras lá no peito
Aberto até mais não poder ser

Mais tarde
Eu prefiro deixar a amargura para mais tarde
Fazer esperar a agonia até mais tarde
Mais tarde até mais não poder ser

A erva é mais verde do outro lado da montanha
E as estrelas parecem mais brilhantes
Nos arquipélagos do Sul
Há quem diga que a vida é mais fácil para lá de Espanha
E há quem goste do céu mesmo quando ele não é azul
Há quem goste do céu mesmo quando ele não é azul

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Nem ele lhe valeu


O Centro de Saúde de Vendas Novas foi encerrado por determinação ministerial, sucede que uma decisão judicial impôs a sua reabertura. O ministério da saúde não acatou, decidiu recorrer. Se está ou não no seu direito, não sei. Sei que uma população em peso manifestou a sua indignação pelo prejuízo que acarretaria o seu encerramento.
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Não sei como se chamava
Nem sei que idade tinha
Mas sei que ela morava
Ao lado da capelinha.
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A notícia correu, hoje, logo pela manhã, discreta, no meio das do rescaldo das marchas: Uma mulher residindo a 500 m do Centro de Saúde de Vendas Novas, acometida de um ataque cardíaco, teve de ser evacuada para o Hospital de Évora.
Sucede que a lei da vida não se conforma com as regras da administração pública e assim uma mulher de quem não sei o nome, a idade, ou a cor dos olhos, morreu.
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Há dias fiz uma paródia que me valeu comentários lisonjeiros pelo seu humor.
Porra, afinal aquilo não tinha piada nenhuma.
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***




Mandad’ ei comigo
Martin Codax (sec XIII)

Mandad’ ei comigo
ca yen meu amigo:
Eirey, madr' a Vigo!

Comigo’ ei mandado
ca vem meu amado:
Eirey, madr’ a Vigo!

Ca yen meu amigo
e yen san’ e vivo:
E irey, madr’ a Vigo!

Ca yen meu amado
e yen viv’ e sano:
E irey, madr’ a Vigo!

Ca yen san’e vivo
e d’el-rey amigo:
E irey, madr' a Vigo!

Ca yen viv’ e sano
e d’el-rey privado:
E irey, madr' a Vigo!

terça-feira, 12 de junho de 2007

OTÁrios

Andava eu passeando o mê canito quando ele me desata a fugir, por entre as estevas, louco como quando dá com o cheiro de coelho ou perdiz agachados no meio do mato; lá o segui a pensar se teria fritada ou canja quando dei com ele arremetendo um paisano de cu pó ar que estava esgravatando o chão em torno de uns chaparros.
-Já qui Meco, mas o gajo fazia-se de desentendido. –Já qui olha que… e o gajo lá veio assolapado de rabo entre as pernas para ali se ficar a três passos, mirando o cajado, esperando a arrochada. Safou-se por obra e graça do senhor a que ele cobiçara as nalgas.
-Deixe lá o cão que não fez mal nenhum.
Tá visto que era um bom homem, mas estava visto que de cães não percebe nada. A confirmar qu’é bom, o homem ofereceu-me um cigarrito preto e a cheirar a mel que tirou de uma latita finória, pondo-se a tagarelar: Como se chamava o canito mais eu, ao que andava, enfim conversa de quem vem de longe e tem tempo de sobra porque não demorou a contar que andava aos cogumelos.
-Oh homem! Aos cogumelos?
Pois era, que eles cresciam em tempo de chuva e tivera o cuidado de ver o borda d’água da TV.
– Mas se já vamos em Junho! lá expliquei, pode ser que sim mas que tivesse paciência e que esperasse pela chuva para ver depois.
Mas o homem era um falador, que não se calava e vai daí pergunta-me o que achava da OTA.
–Da quê!
-Do aeroporto, não me diga que nunca andou de avião!
- De carreira já, sim senhor, mas d’avião para onde preciso d’ir não dava muito jeito.
-Então vocês aqui, precisam ou não precisam de aeroporto?
-Qual quê? Precisamos lá agora! A barulhêra que fazem, mais os terroristas que se apegam a eles, quer lá a gente uma coisa dessas, ainda nos dinamitavam a nossa rica ponte.
Os olhinhos brilharam, o sorriso abriu-se-lhe no rosto.
-E o senhor o que é que faz?
-Olhe, vou fazendo o que aparece e se não aparece... espero que apareça.
-Boa filosofia sim senhor. Era capaz de o convidar para meu assessor. Com esta é que o gajo me lixou! Ainda estou para saber o que é que o raio do homem queria dizer com aquilo.
– E isso é a modos de quê?
-Olhe, coisa pouca. Só tinha que e explicar às pessoas porque é que o aeroporto não faz falta aqui, e me ir dando umas ideias, para contentar estas gentes.
Gaita, disse cá para comigo, um emprego desses é que vinha mesmo a calhar. A jorna não deve ser longa e as costas não devem moer.
-Nunca se sabe, pois não e já agora adianto-lhe, de borla, diga lá ao seu patrão que o que pouparem no aeroporto, que aqui não faz falta, façam a mercê de construir uns canaizitos e nos trazer a água que ajuntaram lá no Alqueva de que pouco nos serve onde está.

***

I think I'm gonna be sad, I think it's today, Yeah
The girl that's driving me mad is going away
She's got a ticket to ride
She's got a ticket to ride
She's got a ticket to ride
but she don't care
She said that living with me is bringing her down, yeah
For she would never be free when I was around
She's got a ticket to ride
She's got a ticket to ride
She's got a ticket to ride
but she don't care

I don't know why she's riding so high
She ought to think right
She ought to do right by me
Before she gets to saying goodbye
She ought to think right
She ought to do right by me

I think I'm gonna be sad, I think it's today, Yeah
The girl that's driving me mad is going away, yeah, oh
She's got a ticket to ride
She's got a ticket to ride
She's got a ticket to ride
but she don't care
I don't know why she's riding so high
She ought to think right
She ought to do right by me
Before she gets to saying goodbye
She ought to think right
She ought to do right by me

She said that living with me is bringing her down, yeah
For she would never be free when I was around
She's got a ticket to ride
She's got a ticket to ride
She's got a ticket to ride
but she don't care
My baby don't care
My baby don't care
My baby don't care
My baby don't care
My baby don't care

Odisseia no espaço e no tempo

A DI tem lá no seu cantinho e convida-nos a ver que idade teriamos se vivêssemos noutro planeta, pois em:
Mercurio 241 anos.

Teria ultrapassado a minha esperança de vida.



Vénus 95 anos.


Estava quase lá


Terra 50 e muitos picos

A meia vida, lá vou gozando a meia-nau. De vez em quando vou até à proa. Vivi o suficiente para dar uns conselhos e ainda pouco para me aconselhar a mim próprio.Acho que devia de começar a fazer planos (não muito inclinados, claro).

Marte 31 anos.
Semanas longas e fins de semana curtos.
Uma época em que me propunha missões impossíveis, mas que afinal foram possíveis!!!
Disseram-me que tinha nascido com o cú virado para a lua.

Júpiter 5 anos.
Uma merda, dias curtíssimos.
A angustia de o dia ter acabado e de não ter brincado nada.
A descoberta que ou crescia rápido ou tinha que passar a vida a comer sopa e fruta.

Saturno 2 anos.

Dizem que me preparava para uma primeira batalha que viria a vencer: "primo-infecção-pulmunar". Não me atribuíram mérito algum mas sim a um tal Fleming que inventou a "penincelina" . Descubri que afinal foi a penicilina.


Como diz a Di: Daqui para baixo sabe-se lá.

Neptuno 8 meses
Urano 5 meses

Plutão 3 meses


domingo, 10 de junho de 2007

Ao quarto dia fez-se luz


quarta feira
Comecei a ver estrelas, lá pelas 10:00. Estaria lá, não estava? Às 14:30 sabia que estava, mas era pequena. Deus é grande.
quinta e sexta
as estrelas continuam e ela no vai-vém.

sábado

cinco da matina, Oi! lá se vem ela; outra vez. Ai!! Bem bom. Agora é a sério. Calhaus que vos pôs, quem e quando vos levam? Seis horas de notável hospitalidade, sempre a dar na veia.

22:00 - Parece que vejo fazer-se luz

23:30 - Foi-se, espero.

Domingo

6:30 - Foi-se mesmo!!! Espero que não voltes, vaya con Dios.

d'aqui

9:20 - Afinal a puta está cá para me moer, devagarinho mas ainda moi. Vou já tratar dela e logo se verá.

12:00 - Foi-se mesmo. Ganda pedrada

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Não enteniquem, por favor,

Os senhores deixem trabalhar quem sabe, parem com os bitaites e as senhoras, que parem, continuem a parir. Onde? No local mais próximo do rebentar das águas claro.
Nada de chiadeiras que a rede está lançada. Nada de palpites porque as que ainda não pariram não percebem da poda e as que pariram no sistema antigo, até experimentarem o novo, também não têm voto na matéria. Confiem e descansem, tá? Senão vejam, ou melhor, leiam:

Especialista em economia da saúde, cuidados de saúde a idosos, política de saúde e equidade, segurança social e administração pública, sendo, nestas áreas único autor de 5 livros e editor de outros três e autor de cerca de cem artigos científicos em revistas nacionais e estrangeiras.

in portal do governo
Perceberam agora, dá pa estarem quedas? Não! O sr. Ministro não tem experiência no parir? Porra isso é um argumento mal parido, desculpem lá. Agora António Fernando Correia de Campos tinha que dar à luz primeiro para vos satisfazer as necessidades depois, era? Mas isso é impossível ! ! !

Forjado na escola da vida - sim porque do currículo não consta a “Independente” - , e incondicional do velho estoicismo, sentenciou:

- Diz quem sabe que comparável ao parto só uma cólica renal.

Eu cá nã sei mas se parto sem epidural é como uma cólica renal, tá bem, tá!!! Ainda bem que a minha múltipla afirmação paternal não teve o encargo de parir pois só o primeiro é que me enganava, e por ali ficava, pois as duas cólicas que já tive, mais um ameaço de terceira, deram em serenatas cantadas de improviso que ofuscam as de qualquer Madalena arrependida das noites longas da Alfredo da Costa.

Mas propôs ele, valente: - Para Odemira ou pá Sonega e em força, já. Simples Tó serei e assim o sistema testarei.
Se bem o disse melhor o fez.
Lá pelas duas da matina, induziram ao caudilho da saúde, dentro da Ford Transit do padeiro, Presidente da Junta e militante de base, uma cólica renal das boas e depois… pôs-se o sistema a funcionar, apelando para os recursos locais.
Como o Centro de Saúde tinha sido fechado, por Sua Excelencia, o ministro… Bombeiros.
Os Bombeiros não puderam dar resposta pois, bramava o Comandante, ex-sargento de engenharia com duas comissões, uma em Angola e outra na Graça:
-Isto assim é uma merda, agora é que a bateria da ambulância é que havia de dar o berro!!! -Oh Pereira (o maqueiro) e tu e tu, toca a empurrar; e sem cerimónias atirou-se logo ele ao guarda-lama traseiro da Peugeot 504. Foi um gosto ver a Bina Maria, nome que herdara da madrinha que a baptizou, percorridos trinta metros, pegar numa apoteose de fumo negro.
–Acelera, nã pares, vai dar a volta pelo mercado; puxa dum SG Ventil aguardando o retorno da viatura. Já o comandante fumava o filtro quando vê o condutor a penantes.
–Deixaste-a ir abaixo, foi? Meu merdas !
–Nã mê comandanti, faltou o ga ga…gasóli, disse atrapalhado.
–Foda-se, disse o comandante fodido.

Bom o Tó recebeu a notícia já sem saber se lhe doía o colhão esquerdo ou o olho do cu, mas fez um sorriso, que ao Presidente da Junta, pareceu um esgar.
-Chama o INEM, para o Sr. Ministro, disse ao escriturário em vias de ser admitido no partido.
–Ministro?
–Sim Ministro, calé ádmiração? Nã vês cu home se chama António Ministro?
O escriturário só fez: aaah!

Uma hora de ais e uis, depois de chamado o INEM, lá lhe arranjaram um Buscopan que enfiado pelas nalgas acima, deixou o Tó animado no propósito a que se cometera, se bem que a cólica persistisse. Passadas mais uma hora, andava o Tó à reboleta de um lado para o outro, quando chega a equipa INEM. Enfiam com o soro no braço e o Tó na maca e aí vão eles, ninóni até Beja, de pirilampo a dar a dar por essas curvas e buracos, com o tempo andando mais devagar que os quilómetros, maqueiro, condutor e médico tagarelando lá à frente, o Tó rebolando-se cá atrás sem achar piada nenhuma à anedota que contavam de um tal engenheiro do canudo.
O esforço foi demais, o homem foi-se nos sentidos e já delirava; já se via gravemente grávido com a dor de rins. Recobrou ao entrar no Hospital quando lhe perguntarem a identidade:
-Como se chama?
-Tó,Tó…
- Tótó, quê?
Mas mais não disse, apagou-se de novo. Só acordou no dia seguinte com uma simpática enfermêra à cabecêra:
-Quer vêri o que dêtou fora?
-Sim, disse com voz doce, foi menino ou menina?

terça-feira, 5 de junho de 2007

mal me quer



bem mebem me quer quer




* E esta heim!
Fiz esta brincadeira, dia 5, salvei-a em draft, e só hoje dia 6 a publiquei.
A imaginação pelos vistos é tão pequena quanto o mundo, as ideias encontram-se por aí como as pessoas, mesmo quando estão muito longe.
Só Toix, my friend, perceberá!!!
Tivesse acontecido com outro blog e retiraria o post de imediato.






segunda-feira, 4 de junho de 2007

Felizmente cresci numa época de abundância e optimismo.

Vivi olhando com alguma sobranceria a minha avó que dava cabo das lâmpadas num estranho ritual de apagar e acender luzes, comprometedor da esperança de vida dos filamentos, e entre sermões de necessidade de poupança. Herdei sem saber os tiques de guardar lixo que atafulham gavetas e dispensas com vista a uma necessidade futura, inevitavelmente relegado para o esquecimento não servindo absolutamente para nada.



Paula rego Untitled-10


Era enervante aturar as suas manias mas eu lá condescendia, julgo que de forma inconsciente, a troco do carinho que recebia.Os cortes para calças ou camisas eram comprados após avaliações de alturas ou larguras sempre tendo em conta uma folgada bainha dado vaticinar que eu ainda iria dar um pulo. Virava colarinhos e punhos, botavam-se solas e meias solas com protectores metálicos, tão do meu agrado pelo partido que tirava deles, mais não fosse, em sapateados balançados segundo a inspiração da última “cóboiada” ou episódio do Bonanza.
Na cozinha as metamorfoses sucediam-se em deliciosas propostas que podiam evoluir de cozido à portuguesa em empadão ou de carne estufada em croquetes tal como os restos de uma pescada cozida com todos se finava em deliciosa tortilha. A “roupa velha” não conta porque resultava de uma acção premeditada em vésperas de Natal.
Se uma torneira pingava havia algum recipiente que se encarregava de recolher durante o dia ou noite para posterior utilização em lavagens ou mesmo cozinhados.
Ah! as braseiras. Para quem seja familiar, eram dois ou três objectos que cirandavam pelos quartos da casa, incluindo o quarto de banho. Uma dela era a rica, de cobre, as outras, as de folha-de-flandres, não me lembro de lhes ter sido dito nada, mas seriam as pobres, coitadas! Por engenho da "velha" e o muito moer o ferreiro, sofreram um up-grade: uma grelha em ferro forjado, pensarão vocês que por questões de segurança, talvez; mas o certo é que levavam em cima com um jarro de esmalte que se não vertesse as águas numa espécie de bidé, para algum banho checo ou lavar de pé, acabava entre lençois numas botijas de barro ou em ultimo caso no alguidar de lavar a louça.
Tostão era tostão, lençol velho não morria como tal. O carvão do fogareiro, assadas as sardinhas, era salvo por uma baldada e ficava a secar esperando um carapau.
Com ela tudo produzia e se possível mais do que uma vez e uma coisa. No quintal, o que produzia sombra também produzia figos, as galinhas ou produziam ovos ou antecipavam a produção de carne e as desgraçadas das coelhas como nunca se habituaram a pôr ovos punham coelhinhos ou eram rapidamente associados à vinha-d’alhos.
Com a genica que tinha e capacidade de polivalência se me tenho lembrado de a inscrever na independente, não sei, com a crise que para aqui vai… Ambiente, Economia?




Paula Rego Assumption

uma mulher com A grande

Paula Rego


bravoOO

sábado, 2 de junho de 2007

Provincianismo


Sábado, lorpamente, além Tejo, oiço gostosamente Mozart sem saber se é a 39ª ou a 29ª, sei lá se posso confiar no Independente, e leio com ar de simplório arrogante:
E escrevinho entre umas fumaças, sorrisinhos irónicos, e consultas do Francisco Torrinha.

“O resto é paisagem” é uma expressão utilizada, normalmente, em contextos de ironia provocatória, de forma que se enquadra no domínio da afectividade.

-Onde vais?
-Para a província.
-Ah! Que bom. Bons ares, gente boa, boa comida… O resto acrescentam vossencias, o que vos aprouver.

Mas só? Não.
Sabemos que Lisboa é a “CAPITAL”, a cabeça, pelo que é incontestável: O que é bom para a cabeça é bom para o resto, faço jus, sem prescindir da verdade inversa.
Já na jus romana se entendia tão simples principio e aos territórios conquistados fora da “Itália” (leia-se Roma em sentido lato), às províncias e aos “provincialis” eram reconhecidos os direitos de Roma, o que só prova a importância da estruturação administrativa e a requintada sensibilidade dos nossos ancestrais patrícios.

Regozijo-me com a herança preservada. Aprecio o requinte embora, confesso, o tente disfarçar sem saber bem porquê nem interessa, pois para o caso em questão está a provincial importância da herança requintada.
O importante, de capital importância, é a subtileza, a acuidade e finura herdadas, como por exemplo, quando na ONU, encostados entre a tribuna e o espaldar das cadeiras, víamos o nosso império colonial ameaçado. Entregámos de mão beijada o ouro aos bárbaros bandidos? Nem é preciso responder!
Qual colónias qual quê! Um só país uma só nação, do Minho a Timor, um Portugal semeadinho de províncias é que era, vissem bem, exigíamos orgulhosamente sós.
Pouco atempadamente, na década de sessenta, fizeram-se as maiores reformas da nossa história: Onde se lia Colónia passou a ler-se Provincia, despediu-se o Ministro das Colónias, a CCN - Companhia Colonial de Navegação foi-se a martelo e pouco mais que eu me lembre, mas já foi muito.
Os brancos de segunda e os indígenas mesclaram-se em Portugueses com os Portugueses de gema. Foi tão bonito!
Benfica e Sporinguê,
rebita e fandango,
Afonso Henriques e Rainha Ginga,
muamba e cabidela,
avé-marias e batuques,
coisa com coiso.
Não vos massacro mais, senão falava-vos dos iluminados míopes deserdados que do alto de uma das sete colinas enxergam o deserto nesta margem, enquanto me perco em pensamentos ouvindo lá do azul aviões passando para o Portugal viçoso.
.




Barragem do Ferrozinho by Lorpa


quinta-feira, 31 de maio de 2007

Benfica, Porto e Lagarto.




As coisa têm nomes. Por vezes é possível determinar a sua origem ou explicar a razão porque foram assim designadas.
-Tu és Petrus e Pedro ficou, senão seria Simão. E pedra é pedra porque “petra” era a denominação para “rocha” e vai daí somos mais ou menos empedernidos, porque senão seríamos mais ou menos outra coisa qualquer.
O Glorioso Benfica, mais um pouquinho e poderia até ter sido “Alvalade” mas convenhamos que Benfica é que fica bem.
E o cão que me dava umas corridas lá na rua? Era Benfica! Porque não Leão? Ou Tejo, por exemplo? Mas não, era o que o dono lhe quis pôr e por muito que eu lhe chamasse cabrão, Benfica é que era.
Aidida saberá porque é que é, Porto Rui? Pode ser que não saiba, até pode não saber porque é que pôs o nome de Esmeralda à filha; não terá sido por a menina ser verde, seria mais lindo associar a ideia de que pudesse ser-lhe “preciosa”, sabemos nós lá!
Agora, ela sabe porque é que a Esmeralda, agora, é Ana Filipa, que afinal é muita mais giro, não é? Esmeralda! Esmeralda só, vá lá, Esmeralda Porto, que disparate! Ana Filipa é que é porque Luís Gomes quis e eventualmente Adelina Lagarto pode ter sugerido: Ana Filipa, prontos.
E Benfica prontos, e Pedra, digo, Pedro prontos e Lagarto prontos, pronto final.
Uma coisa vos confesso, para escrever esta baboseira vi-me à rasca, à rasquinha. Não queiram saber o trabalhão que tive para saber o nome afectivo e o efectivo da filha de Aidida Rui Porto e de Baltazar Qualquercoisa. Percorri artigos e mais artigos e só encontrava: a criança, a menina, a pequena e por aí fora. Mas o mais estranho é que ao longo dos meses em que acompanhei este caso, não estranhei. Estranho, não é?
Bom no fim, ela, a criança, a menina Esmeralda ou a menina Ana Filipa, com alguma coisa há-de ficar; espero… Espero é que não seja com um nó na cabeça.
Relendo mentalmente esta treta até admito que me queiram chamar cabrão, mas porra, o dono do cão escolhe, o dono afectivo, digo, pai afectivo escolhe, atão… eu escolhi ERECTEU, ou pa mim já nã vale?
***
Quando essa boca disser o seu nome, venha voando
Mesmo que a boca só diga seu nome de vez em quando
(repete)
Posso enxergar no seu rosto um dia tão claro e luminoso
Quero provar desse gosto ainda tão raro e misterioso do amor...
Refrão:
Quero que você me dê o que tiver de bom pra dar
Ficar junto de você é como ouvir o som do mar
Se você não vem me amar é maré cheia, amor
Ter você é ver o sol deitado na areia
(repete)

Quando quiser entrar e encontrar o trinco trancado
Saiba que meu coração é um barraco de zinco todo cuidado
(repete)

Não traga a tempestade depois que o sol se pôr
Nem venha com piedade porque piedade não é amor
(repete)
Seu Nome
Luiza Possi
Composição: Vander Lee

Tributo a Van Gogh

já estamos todos a bulir, asim até dá gosto?
Uma alma amargurada, uma sensibilidade afinada, tão grandes num homem
tão só!