quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Ave comum


O que é que se há-de fazer a um fodilhão compulsivo?
Vá lá meninas não se entusiasmem qu’ele não autoriza a divulgação do télélé. Ele sabe tratar da vida, gosta de caça mas não de ser caçado.
Desiludam-se para não se desiludirem. O gajo é uma merda. Preliminares são programa mínimo, ejaculação programa máximo, há quem lhe chame precoce.

Proponho para ele um castigo, castigo sério, a valer. Mas não me ocorre nada.
Puxo pela cabeça puxo e não sai nada. Admito que a cabeça é o meu ponto fraco, assim como a cabecinha é o ponto fraco dele.
Tenho que bolar uma lá isso tenho. Ajudem-me.
Ainda pensei naquela tipo “Laranja Mecânica”: cura pelo mal, ou seja obrigá-lo a foder, foder sem parar.
Quando começasse a dar mostras de estar consoladinho, adimistrava-se, aquele comprimidozinho azul e depois outro.
Exausto ligava-se o tipo à corrente. Fode cabrão, que é do que gostas.
-Ah, estás a ir-te abaixo? –ó Jaquim, (ou Jaquina, tanto faz), aumenta a voltagem e Zzzzut, lá vai mais uma. –Não consegues, pronto tá bem. Passamos à canzana mas tens de continuar. E depois vinha a galinha, intervalava-se com uma insuflável para rematar com a ovelhinha.. -Por hoje chega, podes ir embora mas amanhã, estás aqui às nove em ponto para a segunda sessão que o tratamento prescrito são quinze dias.

Bom admitamos que é mau, cruel até. Mas deixo ir o gajo, ouvi bem?
Ajudem-me porra que fazer-lhe? Deixo-o ir para continuar a foder compulsivamente?
Moles, vocês são uns moles, são uns frouxos e frouxas é oque é.

Ele está bem é para aquelas que se insinuam, arrulham, eriçam as penas, dão voltinhas para um lado e depois para o outro e… quando chega a altura zás: Ou é a dor de cabeça, o cansaço, o muito que fazer, ah, o período.
Bem essa do período já vai desaparecendo que há para aí quem não leve essa desculpa em conta –os papa tudo em permanência, qual farmácia de serviço.

Ainda há para aí quem queira dar uma queca?

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Na~O,

nA~o, haverá nada de pior que possa acontecer a um “home” do que trocar os nomes, a identidade, à(s) mulher(es).

Elas podem perdoar-te tudo, inclusive uma pequena facadita na relação, quando devidamente equilibrada com vingança, que neste particular é servida quente, friamente claro.

Começa a trocar as paixões, gatinhas por porquinhas, mete as marias pelos pés e estás numa bad, fora da bed, irremediavelmente, entras em parafuso condenas-te a uma viagem sem tempo e espaço conformado em elipse.

Baste-t 1 só erro e… índex. Pronto, ponto final.

Bem podes dizer: amiga, tava a brincar, anda lá sejas assim pa mim.
Estarás inexoravelmente (gostei desta), de pragas prenhe sem direito a interrupção, nem à uma nem às duas, fará às dez. Para sempre condenado e "para sempre" quer dizer: condenado a não desovar o pecado.

`e dior que tlocar retlas em enxame da 4ª.
...
;)
.

a banhos II

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O cabrão há-de tocar quando menos me apetece atender!
Deix’ó tocar.
Antecipo diariamente o gozo de me esticar no sofá, ou melhor, na manta que o cobre, ex-mostarda caminhando para o cobre pela mancha que dele se apodera, anunciando uma reforma que tenho relutância em conceder.
É uma longa luta entre mim e o Cágado, como ficou baptizada, no dia da adopção, a rastejante que a meus pés sumia a cabeça sob a ameaça de uma festa consentida. Ainda sem saber se era menina ou menino foi adoptada, ou fui eu?
Não há dia que ela não me receba com o ar indolento-indiferente, para depois me virar as costas e se assolapar no meu sofá que teima nosso. Uma festa pelo, lombo revolvendo-lhe o pêlo, um cachaço seguido do arremesso de um biscoito para junto da lareira, abrem-me o paraíso. Ainda estou para saber se gosta mais do biscoito se do sofá; o que é certo é que um biscoito diário me dá a primazia de usufruto do bem.
Deix’ó tocar
Se me levanto o Cágado não perdoa e aquela do biscoito só funciona uma vez. Corro para o telefone, volto-me rapidamente; ela lá está como se dali nunca tivesse saído.

-Ligaste amor? Reconheço-lhe a voz, -Oi Teresa, interrompe-me:
-Telma, meu sacana.
Isto começa mal, digo cá para mim .
–Desculpa amor, é da PDI, tesouro. Encolho os ombros e instalo-me no que me sobra do sofá, preparando-me para a seca.
-Estive a ler o teu blog, aquela história é verdadeira? A da Odete, ou da Olga é comigo?
-Porra amor, podia lá ser!
-Não me convences. Ainda para mais com a engenheira. Pelos vistos já metes outra pelo meio com cenas de teatro.
-Mas amor, a ficção é mesmo assim, a gente inventa, não compreendes? Sabes que te amo, não t’estou constantemente a dizer?
-Tens, é, muita lábia, meu malandrote, minha enguia doce. O que fazes na sexta?
-Ah, docinho, sexta, sim sexta, tenho qualquer coisa… ah, tenho a reunião dos encarregados de educação.
-E sábado, fofo?
-Sábado amor, já te tinha dito, não tinha flor? Tenho o jantar dos…
-Porra Daniel, é sempre a mesma merda, vai-te lixar.
Fico para ali, telefone na mão pendurado. O Cágado enroscado, testa franzida, mira-me por um olho com ar de pena ou de gozo, não sei.

Se ao menos encontrasse o guardanapo com os telefones da Cristina e da Sónia… tenho de me organizar.

Acendo um cigarro, pego no que resta da garrafa do almoço e vou lá para fora para o quintal.

Desta vez Cágado levou a melhor.

http://www.planetaterra.org.br/imagem/Cao.jpg

sábado, 10 de fevereiro de 2007

O JOCKER: a bem dizer, cantiga

-Vocês aí ao fundo
não se importam de calar?
Ouça como é profundo,
o professor a dissertar.

Roda, como o mundo
Verborreia sem parar
ufano, ri contundo
com perdigotos a voar.

-Ao curto SIM junto
o NÃO despenalizar.
-Simplesmente confundo
os que querem SIM votar.

Atentem, é de espantar
Não diz NÃO nem diz SIM,
Em retórica exemplar,
Aconselha agora o NIM!


Cale-se já, não ouviu?
Escute o saber douto,
Quem é que se insurgiu?
-Eu, que de poeta e louco,
de tudo tenho um pouco.
Doutor, PUTA QUE O PARIU.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

O Guelas -Tempo de reflexão





Sete anos passaram sem que um dia passasse sem a tua fotografia olhar; aquela com que retribuíste a que te dei, quando tratámos do bilhete de identidade para irmos fazer o exame da quarta.

Guardarei para sempre as cartas que trocámos entre o Sena e o Sado primeiro, e depois, neste último ano, o Tejo.
Quis o destino que nos separássemos com o meu salto para França e a tua ida para a faculdade. Não te guardarei rancor por lá teres encontrado um amor, juro-te. É verdade que me doeu, doeu muito mas amar-te-ei para sempre.
O que eu não te perdoarei é teres feito essa loucura. Se ele não queria o filho, queria-o eu. Queria-o tanto como te queria a ti. Bastava-me que fosse teu.
O que me devora e enlouquece é não poder ter ido despedir-me de ti. Lanço esta flor nas águas na vã esperança que te possa encontrar.

Malvada aquela que nos apartou,
arda para sempre nos infernos.

Porque fizeste isso, Ofélia, meu amor.
-----
Dedico a pretensão de conto, “O Guelas”: A uma amiga a quem saquei, sem pedir, o logotipo “blogpelosim2a” , a um amigo que me sugeriu que contasse umas histórias do meu lugar profundo e, às “Ofélias” passadas, na esperança que o amanhã seja um dia diferente.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Dr.

começou por ser um sonho estranho.


Uma estranha luz, em permanente e suave mudança, assumindo tons quentes, alaranjados, acompanhada de um som imperceptível que, mutante, preenche totalmente a minha cabeça


até explodir
para tudo se tornar vazio num negro profundo e sem som;
depois emerge um nascer do sol , que se liquefaz num oceano de densas nuvens, invadindo-me um frio inquietante à medida que vai tomando forma uma paisagem edílica, o jardim do édem, plenamente florido.


Os sons reaparecem, em crescendo, até se reconhecer o timbre de um naipe de violinos em turbilhão.


Irrompem cheiros a mar desajustados às flores que vejo atravessar o meu corpo imatérico a uma velocidade estonteante.
Sinto-me a arder como se ao inferno tivesse chegado.

Debato-me.
Sei que o inferno não é assim; poderá ser quente como o fogo que me rodeia, mas bonito não é com certeza!
Todo eu estremeço. Entro em convulsão
Por fim acordo com a voz dela:



Porra, amanhã tenho de trabalhar, estou cansada, deixa-me dormir.
imagens:

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

O Guelas - Tempo real


Noventa e um dias era o tempo real, mas quando Pucarinho e Pombinho se voltaram a ver tinha passado, para eles, uma eternidade.
Os primeiros dias, no posto da guarda, viriam a revelar-se uma doce memória, face ao pesadelo que se seguiu.
Primeiro em Évora onde os três inspectores, à uma ou à vez não davam descanso, descanso mesmo. Depois em Lisboa, em pé ouviam repetidamente as perguntas e os insultos misturados com gritos e empurrões; quando os olhos se fechavam vinha o humilhante estalo em plena cara ou o jorro de água fria.
-BURRO, teimoso de merda, o teu camarada já contou tudo.
Podia lá ser! Se ele aguentasse não seria pelo compadre Pucarinho que eles pegavam.
Aquele corpo forte, desfeito pelo cansaço, já não obedecia. Os braços teimavam em baixar ainda que soubesse o que se seguiria. Há muito que horas ou semanas, dia ou noite tinham deixado de fazer sentido. O pensamento refugiava-se na imagem da terra e dos seus que para lá labutavam. Aí se refugiava.

apanha da maçã, Pissaro

Pois ali estavam, agora na mesma sala ainda que separados pelos guardas. Cruzaram os olhos e o que lhes restava do coração deu para entender que nenhum rachara.

*
**
Três anos para um, cinco para o outro, vá-se lá saber porquê mas fora essa a sentença. Sábia é a Justiça e com ela devemos aprender. O diacho é que não aprendem todos o mesmo e por vezes há alguns que não aprendem mesmo nada.

Mas eles aprenderam um mundo novo: que o sol também se deita por trás de uma ilha, que água do mar tem cheiro e que as traineiras não passam frente ao forte sem saudar por três vezes os que lá estão.
Os dias voltavam a ser mais curtos, quando receberam as primeiras visitas. Na cesta comum para os dois, vinha um pouco de todos: linguiça, azeitonas, queijo e ainda pães. Ah, aqueles pães com algum travo azedo, diz-se que do suor que a terra foi empapando desde que mouros, ainda, o grão lançavam depois da terra rasgada.





Do regaço de Bia saiu aquele papel.
No monte, o meu Zeca é o primeiro, porra.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

O Guelas - Voos

O Zeca passou uma semana a fazer cópias no intervalo. Ainda lhe faltavam duas mas a soussora, deixou-o ir ao intervalo da tarde. Ele prometeu que fazia as cópias em casa mais os trabalhos que temos; são só contas! Será que se esqueceu de marcar a cópia?
Nunca tínhamos tido um intervalo tão grande. O Zeca foi para a oliveira grande e por lá ficou. Depois os meninos começaram a juntar-se à roda dele e do passarinho, do Bico como ele lhe chama. Não queríamos acreditar. O Bico já quer voar! Ele pô-lo num ramo e o Bico começou a piar, depois saltou para o Zeca a bater aflito as asinhas, o Zeca apanhou-o no ar e disse: -Pá semana já voas maganão. Todos queriam agarrar no Bico, o Zeca deixou todos os que quiseram mas estava sempre –Não o apertes.
A professora veio ter connosco, despenteou o Zeca e disse-lhe: Parabéns Zeca e ele, -Oh. Ficou que parecia um tomate. Foi a primeira vez que a ouvi chamar-lhe assim.

*
**

Ainda hoje o Bico é a alegria da escola; juntou-se ao bando de pardais mas não esqueceu a mãe Zeca. Vive na oliveira grande mas mal vê o Zeca voa para ele. Sabe que tem sempre um miminho. O miúdo trás com ele bicharada que me metia nojo, por sinal, já não me fazem nenhuma impressão, as larvas de varejeira.
Aprendi a diferença entre o ser malcriado e talvez, o ser mal-educado. Rebelde como tudo, não, arisco, arisco é que é, explode à primeira. Tem um sentido de justiça exacerbado que o leva a meter-se constantemente em confusões. O que lhe reservará o futuro, nas condições em que vive? Esperto e esforçado, tem superado as insuficiências que trazia, a ponto de estar entre os melhores alunos. Dá muitos menos erros, lê maravilhosamente, interessa-se pela história como ainda não tinha visto. Vejo-me aflita para dar conta dele, dada a rapidez com que resolve os problemas. O fraco dele é a geografia. –Para que quero eu saber essa coisa dos rios e das serras? –Para seres mais culto.

Oh, cultura não enche a barriga lá no monti.
Que lhe faço?

Não confio nela e não posso sem ela viver.

O BOM, O MAU
E O VILÃO
É uma merda a sacana da justiça.

No caso de Esmeralda, vejo a criança a ser disputada por um pai afectivo e um pai biológico. Um é-me apresentado como motivado pelo amor o outro, aqui, como um ser horrível que quer fazer mais valias com uma queca confirmada pela análise de ADN.

O bom Sr. Sargento, tinha "E" 3 meses, adquiriu o direito sobre a criança com registo notarial e tudo! "E" por via desse direito é, agora, Ana Filipa.
O outro, o mau, quando a justiça lhe disse que era pai, segundo indicações da mãe, terá dito: Tenho dúvidas mas, se for verdade, assumirei as minhas responsabilidades. Ganda malandro! -digo eu, o vilão
O pai bom, foge com a criança, como fugiu aos longos, preceitos de adopção. Está no seu direito pois ele queria tanto uma criança.
Esse querer tanto tê-lo-á levado a usar todos os expedientes processuais que dilataram no tempo uma resolução a seu favor, mas, a ser assim, fê-lo por amor, ele é bom e cuidou da menina afastando-a do mal: da fome, de uma mãe sem recursos e confusa e, agora, de um mau pai desnaturado, natural.
Ah, mas o povo, o bom povo, está atento, esse bom povo que quando é necessário apedreja, cospe e vilependia, está atento e a tempo reage.

Merda para a justiça
mais para os que nela não confiam,
como é o meu caso.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

O Guelas - Cópias minhas

Sim, não ia à escola há três dias. Saía de casa montava na carreta do Águamorna, nos quatro caminhos saltava e ala para o pinhal apanhar púcaras e outros cogumelos que não se podem comer mas que o Ti Alfredo compra, acho que para mandar para Espanha.
Hoje deu-me uma grande vontade de voltar.
Fui até lá mas não fui capaz. Fiquei no alto do cabeço de onde os via ir chegando e ficarem a brincar no recreio.
Eles estavam a jogar ao prego, elas brincavam à macaca.











Daqui ouço algumas vozes e distingui perfeitamente a voz dela. A sineta tocou, foram para dentro; o silêncio instalou-se; fiquei mais algum tempo, vi chegar o João a correr, atrasado como de costume, depois para ali fiquei na companhia do bico que não parava de piar. Dei-lhe algumas formigas, mas do que ele gosta mais ainda é de pão mastigado; começaram a crescer-lhe algumas penas, está espevitado e forte, vai safar-se com certeza. Cansado adormeci debaixo do pinheiro tendo acordado um pouco depois com frio. Fui até à vila e andei pelo mercado e pela rua junto ao rio; ía dando de caras com o mainate da herdade, o Severino, pirei-me a tempo, acho que não deu por mim.

***

A professora estava a corrigir os trabalhos de casa e nós a fazer uma cópia quando chegou um homem para falar com a professora. Ela saiu e a Joana ficou a tomar conta da aula; já apontou no quadro o nome do Rodrigo por se ter levantado e ter dado um carolo ao Rui, os outros desataram a rir e a gritar. Se ela não tirar o nome está tramado: fica sem recreio ou apanha, se calhar, as duas coisas porque não é a primeira vez.
A professora, voltou e trouxe com ela o Zeca. Ele foi para o lugar mas não se sentou; ficou de pé ao lado da carteira, a professora também não, ficou de pé em frente da secretária, virou a cara para ele e levantou as sobrancelhas. O Zeca disse:
-Peço desculpa, à soussora por ter saído da aula
-E…
-Por ter dito porra.
-Vais, ficar sem recreios até teres todas as cópias que não fizeste enquanto faltaste, senta-te.

Estou lixado, detesto cópias. Eles estão a brincar lá fora, gritam e riem, felizmente que tenho o bico por companhia, parece que ele gosta da escola, saltita no tampo da carteira, escorrega constantemente.
A Maria trouxe as amigas para brincar ao pé da janela, estão a jogar ao elástico,
agora está no meio, o cabelo e a saia saltam, está a abanar assim com a mão, parece que me está a querer dizer adeus,
olhou para mim, perdeu.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Da primeira, afiambrara-me a pensar que ia haver festa e a tipa atalhara de imediato: -Foi muito agradável, amanhã tenho montes de coisas para… -Não faz mal, eu compreendo, deixa lá. Dois beijinhos e aí estava despachado. Na verdade nem pretendia saltar-lhe logo, à primeira, para a cueca mas sabe-se lá, um café e um brandy, mais um pouco de conversa; criar alguma forma de aproximação. Era isso mesmo! A expectativa era essa. Oportunidade de a conhecer melhor, até porque mal a vi achei-a interessante: elegante, algo nervosa e armada de uma atitude que não deixa qualquer um pisar-lhe os terrenos.
Puta de vida. Outra vez? Teatro e cama? Vejam lá, eu ao deus dará! Merda pá ideia de a convidar, já tenho idade para ter juízo. Conversa porreira, pele macia, e alguma meiguice é o que não falta para aí. Foda-se, podia ter aceite o convite da do cartório, -é Olga ou Odete?-, ou ter telefonado à engenheira que cada vez que me vê não perde a ocasião de mandar a boca de que deveríamos combinar um programinha.
Puxo de um cigarro, uma e meia!.. -Traga lá mais outra. Bebo esta e piro-me. Bem… aquelas que entraram há bocado, estão para ali com fosquices, ainda vamos ter conversa, a morena até é jeitosa. Ora! Parece que adivinhava, não teriam mais ninguém a quem pedir lume? -Com certeza, faz favor. –Já agora, chamo-me Daniel. -Cristina e Sónia, é? –Muito gosto. –Ah, se estão sozinhas, faço-vos companhia, o que é que estão a tomar?
000

Até parece que te deixaste apanhar pelos TLEBS, ou foi por não estares completamente acordadita.

No jogo viril pretende-se de facto foder; as canelas o calcalhar d'Aquiles, o menisco etc. mas... sempre sem que o adversário e muito menos o arbitro possam dizer que foi por maldade.

Depois há o contexto.
Já viste o Erecteu abereisar-se de ti e segredar: -Fausta, Paixão minha, estou cheio de virilidade.
Tu rias-te, prantavas no blog e eu era objecto do maior gozo passando pelo Garfiar, Marias, acabando no Bino.
Por outro lado, se te bichanasse ao ouvido: ESTOU CHEIO DE TESÃO. Chamavas-me parvo, inconveniente, sei lá...

Bom adiante. O que interessa é que o Benfica lhes enfiou com duas nas nalgas, embora, lamentavelmente, não viesse de lá virgem.

Beijinhos

PS - Não desesperes. Também não compreendo as mulheres, e olha que bem me esforço.

Estranho fenómeno, este, o do referendo.

Ao contrário de 1998 este referendo, nesta altura, aponta para que seja vinculativo, por se configurar a possibilidade de uma participação superior a 50% de votantes:

O referendo está marcado para uma data que não coincide com férias;
Os abstencionistas terão sentido que deixaram uma questão importante por resolver;
A diferença foi escassa.
O SIM perde terreno face a um NÃO, quando este último se mobiliza, não é de admirar, é natural, contudo as sondagens, ainda, lhe são favoráveis.
Isto deveria ser motivo de satisfação para quem defende a despenalização do aborto mas, só o é em parte, porque a efectiva despenalização do aborto não é uma questão jurídica como se está a querer fazer crer.
A despenalização é dar condições à mulher para que, se o necessitar, o pratique em condições de total segurança clínica e psicológica, passe a redundância.
O SIM conta agora com o compromisso activo do PS -partido do governo-, de um número significativo de militantes do PSD –partido alternante- e dos restantes partidos com representação parlamentar, à excepção do CDS; naturalmente.

Como é que se sentirão motivados a participar os eleitores que, partidários do SIM, se vêem completamente abandonados, sem uma estrutura hospitalar e apoio médico ao nível dos cuidados primários de saúde?
O inferno dos hospitais, sente-se na pele, quando dele se necessita e se vê que não existe, Sta Maria, Prelada, S. José...
E quando afastados dos grandes centros, só os ecos noticiosos chegam para noticiar a morte de um e mais outro e outro, por falta de condições de apoio, logo esquecidas,

o inferno não existe?

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

O Guelas - História pouco edificante

Gosto muito da escola. Agora não tem sido muito bom, o Zeca tem faltado, espero que volte. Não sei se foi por se ter zangado com a professora.

Ele é nosso amigo, é bom, só é mau quando gozam com ele. Ensina-me muitas coisas. Ele sabe tanto! No outro dia apanhámos um passarinho que caiu da árvore, foi a Joana que o apanhou. Levámos à soussora e ela disse para irmos pôr na árvore qu’ele ia morrer. O Zeca disse: -Nã mórri nada. Su prantarem lá é que morri. A professora não gostou. Disse –Prantarem, prantarem… puseREM.
Os meninos riram-se. Ele não gosta nada disso e eles estão sempre a rir. A soussora até ralhou com eles.

Fomos pô-lo na arvore, quando tocou a sineta, ele pediu-me pão mastigou e pôs a cabeça do passarinho na boca dele e deixou lá estar algum tempo, punha e tirava, depois cuspiu-lhe pó bico. Voltou a pôr na arvore mas quando acabou a aula da manhã foi buscá-lo e pô-lo aconchegado no bolso da camisa. Metia água na boca e metia-a na boca do passarinho, por fim era com o dedo que deixava escorrer umas gotas e o passarinho já abria o bico.
Os meninos foram fazer queixinhas. –O Rolha tá com o passarinho. A professora foi ver. A professora deixou o Zeca tomar conta dele, até disse que o podia levar para a aula. Bem feito.

À tarde tivemos aritmética. Já estamos a estudar a tabuada dos seis. Aí é que foram elas. O Zeca é o que faz mais rápido de todos e eu acho que a professora não quer que ele faça como faz.

A profesora começou a escrever no quadro:
.
6X1=
6X2=
6X3=
.... e ele de seguida: Sês, dôzi, dezôito
A soussora parou, olhou para ele e perguntou.
–Quem te ensinou?
-Sê, vi mê paí fazêri!
Mandou-o ao quadro e ele fez:
-Ai é? E quando for 4 X 12, é igual a quê? Vais passar a tarde a contar bolinhas, é?
Ele fez logo de fugida nem pôs bolinhas:
Eu não percebi nada. Ela ficou a olhar para ele e disse: -Tá certo vai-te sentar. Quando ele ia a “assentar-se”, ela disse a rir –É a lei da rolha. Os meninos desataram a rir. Ele não se sentou; agarrou nas coisas pôs na sacola e ía a sair. A soussora perguntou:

-Onde vais, que é isso?
-Éi a lê da porra

Uma pérola, como as que usa no lóbulo.


Em artigo de opinião, in Sexta, 26 de Janeiro de 2007, a Sra. Dra. Maria José Nogueira Pinto, remata com a seguinte questão:

“É a estas perguntas que é urgente dar resposta. Ficamos à espera.”

Desculpe soutôra, gostei do magestático "Ficamos", mas quem sou eu, Erecteu, para me atrever a responder-lhe a tão elaborada reflexão, que remata vitoriosamente:

“Sendo os recursos escassos, o "sim" vai legitimar a redistribuição desses recursos em nome de uma política pública paga com os nossos impostos. Vão cortar na prevenção do cancro da mama ou do colo do útero? Vão passar de quatro para oito anos a lista de espera para o tratamento da infertilidade? Vão deixar cair, ainda mais, as disposições da lei do planeamento familiar, cortando consultas, anticonceptivos gratuitos e informação e formação às mulheres? Vão reduzir os médicos de família? Vão desinvestir nos doentes crónicos? Vão fechar os olhos às doenças neuro-degenerativas que afligem crescentemente os idosos? Vão fechar serviços de Saúde dificultando mais o acesso dos cidadãos? Como vai o Ministério da Saúde pagar a contratualização de clínicas privadas no caso, já dado como certo pelo ministro, de o SNS não ter capacidade de atendimento?”

E se lhe respondesse, de que valeria o trabalho? Sim, porque na melhor das hipóteses, vinte pessoas me leriam; se dessas metade concordasse, excederia as minhas expectativas, e por fim: comigo concordaria quem pensa como eu, o que significa que teria gasto o meu parvo latim para nada.
Aos méritos e competências que já lhe reconhecia, legitimamente, junto mais um: É UMA GANDA DEMAGOGA

Olhe Sra. Doutora, a Sra. já me emprenhou a cabeça, e agora?
Posso interromper voluntariamente?
------
PS: Ah, está preocupada com questões orçamentais e operativas?
Já leu, a esta hora concerteza,
exactamente na mesma edição em que opinou.
Em 86 pelo eqivalente a 1,25 €, resolvia-se o problema.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

O Guelas - O Sol que ilumina também cega

Chegámos ao fim da quarta. Fizemos exames. Fiz dois, o da Quarta e o de Admissão aos Liceus; alguns fizeram três como foi o caso do Zé Rolha que também fez o exame de Admissão às Escolas Industriais e Comerciais, não acreditava que se safasse mas, não sei como, lá se safou.
O Zeca como gostava de ser chamado, era um tipo estranho. Ficou Rolha porque o meu Pai conhecia o dele de ginjeira. Não enganava ninguém até que teve a sorte que merecia. Foi dentro quando quis organizar uma revolução lá na herdade.
Um dia à frente do rancho das mulheres disse que no dia seguinte não queriam trabalhar porque era um de Maio. O meu pai já sabia de tudo; uma semana antes, estivera lá a jantar o inspector Faria e alguns colegas do Pai, tinham informações de que se preparava qualquer coisa.

– Amanhã patrão, não trabalhamos.
– Não trabalham, não ganham.
– É assim mesmo patrão, não ganhamos e ganhamos, disse com um sorriso nos olhos.
– Depois veremos.
– Depois de amanhã, patrão, veremos.

Teimava em ter a última palavra. Era o melhor corticeiro da herdade, como fora o pai e o avô mas não saía em feitio aos velhos Rolhas. Fernando Pucarinho degenerara: assinava o nome e pouco mais, mas já desde miúdo, como aguadeiro, arvorava ares de sabichão.

* * *

Reunimo-nos antes de o sol raiar, o frio cortava – em Maio cerejas ao borralho.

Pusemo-nos a caminho do açude cantando.

"Boa herva é o poejo,
Que faz açorda aos ganhões.
É a primeira que vejo:
Cantar chibos em funções

Ôlivêras, ôlivêras,
Ao longe são ôlivais:
Por muito que tu me quêras,
Ainda te quero mais!

Por causa de um saramago
Arranqui um pé de trigo.
Olha a vontade que eu trago,
Amor, de falar contigo!"

O dia amanheceu coberto de uma neblina densa acompanhada de chuva miudinha. Tínhamos os pés molhados e gelados quando chegámos ao açude, o rancho estava animado porque o sol prometia vencer. Dirigimo-nos para os sobreiros grandes onde se fará a merenda.
Outro rancho chegou da Herdade dos Coutos, assumindo ao cabeço Manuel Pombinho cantava:
.
"Regala-me o tê cantar,
E o tê cantar me regala;
E ê regala-me ôvir dar
Reqebros à tua fala"
.
Ao que o nosso respondeu:
.
"O sol, quando nasce, é rê
E às dez horas é c'roado
E à tarde já vai doente,
E à noite é que é sepultado."
.
Os ranchos não tardaram em misturar-se. Apartei-me com Pombinho para conversar-mos. De repente a algazarra quedou-se. Olhei para o alto e vi a fila da guarda a cavalo que se dirigiu, a trote formando um largo arco.
-Manuel Pombinho , Fernando Pucarinho, estão presos. O resto segue para as herdades. Já. - esganiçou em falsete o tenente, sabre na mão.
Seguimos no meio de dos seis cavalos. No alto do cabeço, vi por cima do ombro, os ranchos apartados seguirem ladeados pelos cavalos e bestas. Recebi do tenente uma chibatada em pleno rosto que me cegou, ou foi do sol que despontava com toda a força?

* * *
No dia seguinte, franzina, a mana Bia destacou-se do rancho:
-Patrão, a partir de hoje, a gente trabalha oito horas.

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nota: quadras recolhidas:
in José Leite de Vasconcelos, OPÚSCULOS.Volume VII – Etnologia (Parte II),Lisboa, Imprensa Nacional, 1938

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

O Guelas - so chicha

SIM, ela foi sempre minha companheira mas nunca ficámos juntos na mesma carteira. É muito boa aluna a tudo mas dizia que eu é que era esperto, só porque a ajudava nas contas.
Sentava-se de lado a fazer as cópias, os ditados também; quando acabava, olhava para mim. Parecia que olhava por baixo do braço e sorria um pouquinho mas eu, então, não tinha a certeza. Quando a sousora me deu o livro, fiquei muito contente. Gostava de ler e gostava quando a professora dizia que eu tinha boa entoação. Dava era muitos erros; não vos digo quantos porque uma vez, na tropa, disse e os camaradas chamaram-me pintor. Só vos digo que cada erro era uma reguada e que eu era o único que não levava a dose toda. Esticava a mão e não fugia com ela, apetecia-me muito fugir mas tinha medo que ela estivesse a olhar. Via a régua a subir e pensava, vai doer, vai doer muito, muito e depois… doía menos.

No intervalo ela brincava com as amigas e poucas vezes me via, até porque as professoras não queria que brincássemos com as meninas, mas às vezes deixava, diziam que era quando não estava a senhora directora.
Parece que quando eu não levava a merenda, ela adivinhava. Vinha ter comigo e dizia –Ajuda-me que eu não consigo. Até o leite me dava! Os lanches dela eram tão bons! Umas vezes eram doce, eu perguntava e ela dizia: tomate, pêssego, amora, eu comi de tudo, até de morango que esse é que era muito bom, deixava cá um gosto nos bêços! mas também havia de ovo, de queijo e uma linguiça mole, muito boa.
-É isto que é “só chicha”! Dobrou-se para a frente pôs as mãos juntas entre as pernas, os cabelos tombaram para a frente; atirou-os para trás e disse a rir, segurando-me o braço -SAL-CI-CHA.
Gostava de salciha, mas gostei mais de a ver rir, SIM

domingo, 21 de janeiro de 2007

O Guelas

Sim, conheci-a no primeiro dia de escola. Fui dos primeiros a chegar. Na sacola de pano que a minha Mãezinha fizera, pouco havia: um lápis partido, um caderno novo de duas linhas, os sapatos e um pão com linguiça –Não o comas todo de uma vez, não sejas lambão, dissera-me aquela santinha; -Não penses que pode ser todos os dias assim, acrescentara ela. Viera primeiro de boleia na carroça do Águamorna, até aos quatro caminhos. Ao princípio foi bom, ia contente, ia prá escola! Depois deu-me o sono e devo ter adormecido porque o Água gritou: -Moço dum cabrão, salta Zeca. E eu saltei.
Vim por lá fora e para ali fiquei sentado no muro. Já me doía o cú e me regelavam as nalgas quando chegou o primeiro menino. Sentou-se lá longe a mirar, ora os meus, ora os pés dele. Não sou parvo, tirei a merda dos sapatos da sacola, calcei-os; o magano não foi capaz de me olhar outra vez, pantomineiro! Depois, ao mesmo tempo, começaram a chegar os outros que vinham pela mão das mães. Iam logo lá pra dentro e alguns desatavam a chorar quando as mães se queriam ir embora. Estava a ser giro, os meninos da vila são mesmo esquisitos. Já se me arrepanhavam os pés quando ela chegou. A mãe levou-a até ao portão, deu-lhe um beijinho, acenou à soussora e disse-lhe vai, e ela foi. O recreio foi ficando deserto. E tu, não vens?
Mandou-me sentar, fiquei lá no fundo, ainda bem. Via a sala toda e via tudo lá para fora. Depois disse muitas, muitas coisas, já não sei o quê. Mandou-nos tirar o material(?); tirei o caderno e o lápis; mandou-me tirar tudo; tirei o panito com a linguiça e riram-se todos, quase todos, só ela não se riu. Não percebi. A soussora, a rir, perguntou-me: -E o livro? –Qual livro? –só ela não riu. A professora saiu e voltou com um livro novinho, perguntou-me como me chamava, disse-lhe que era Zeca, e ela que era José, prantou-lhe o meu nome, deu-mo e disse que cuidasse dele.
Tocou a sineta, fomos todos brincar. Eu fiquei a vê-los, corriam e empurravam-se, gritavam muito; ela ficou sentada no degrau do alpendre. Fui ao pé dela, mostrei-lhe o meu guelas. Olhou para ele e depois ficou a olhar para mim. As meninas têm uns olhos tão lindos, tão lindos… gostava de ter os olhos dela; entravam pela minha cabeça, doces, mas sem saber o que diziam. –Queres? Mordeu o lábio, atirou a cabeça para o lado, o cabelo esvoaçou para ficar poisado no ombro, quase loiro brilhava ao sol de Outubro, dia sete; ficou assim algum tempo, muito tempo. Fui-me embora, senti passos atrás de mim, pegarem-me na mão.
Ao voltar-me via-a muito séria, de mão estendida dizer-me baixinho: -SIM

© Vicente Rodríguez-Madridejos Ortega (alterado o formato)

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Comadres e compadres

estou com a

Houve tempos e lugares em que pessoas eram donas de pessoas.
Noutros tempos, pessoas eram donas das terras e de tudo o mais que lá estivesse; às pessoas que lá estavam, chamava-se servos da gleba. Sobre os servos da gleba tinham os senhores poderes e direitos, hoje, difíceis de conceber.
Por três vinténs tinham a primazia de aceder às donzelas dos seus domínios, diz-se, porque desses tempos já cá ninguém mora que o possa assegurar. Tempos que já lá vão.

Desses tempos há contudo reflexo – o latifúndio. Esta situação gerou uma cultura peculiar. O senhor não larga mão dos seus direitos, mas tem de ceder por forma a que o assalariado não faça a trouxa e parta para o Barreiro.

Na grande propriedade o trabalhador recebe, por vezes, autorização de construir a sua própria casa, quando lá trabalha. Acontece, porem, que a casa é uma benfeitoria em terreno alheio, sujeita a tributação mas de inviável registo de propriedade. Quanto à subsistência, sujeito à contratação, recorre ao rabisco e ao rabiscão para fazer face às suas necessidades, entenderam? – Então eu explico, tomando por exemplo a azeitona.
O rabisco consiste na apanha da azeitona que cai fora das lonas de recolha, quando a oliveira é varejada. São grupos de familiares que seguem os trabalhadores: idosos, crianças e outros desocupados.
O rabiscão, é um direito consensualmente adquirido pelos assalariados de voltarem a varejar as oliveiras, passado um tempo, a fim de recolherem a azeitona verde que teimara em ficar agarrada à arvore.


É preciso muita arte para varejar com a força suficiente para que a azeitona caia fora da lona, e para que muita lá fique sem cair, esperando pelo rabiscão

Vivo no segundo maior concelho da Europa, com uma área muito próxima dos 1500 Km2, tem 10 habitantes por Km2, diz a estatística.
Acontece que metade vive na cidade-sede, a outra metade distribui-se assimetricamente por três sedes de fregesia e mais meia dúzia de lugarejos.
Há propriedades privadas com área superior a alguns concelhos da grande Lisboa.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

A BATALHA DAS CONSCIÊNCIAS

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Jacinta Romão in Quarta, 10 de Janeiro de 2007

Está lançada a guerra.
À partida o "NÃO" está em condições de ganhar, temo.
Assim penso porque o SIM, irá defrontar uma opinião sustentada por uma instituição organizada, poderosa e supranacional. Acresce, a isto, que a campanha pelo não, esgrime os seus argumentos recorrendo à chantagem emocional, à manipulação afectiva e não só.

Pasme-se! Eurico de Melo reforça o "não" com a ideia de que a decrescente demografia requer que as mulheres portuguesas aumentem a sua produção!
O liberalismo estaca a fundo nas questões económicas, porque a liberdade de consciência, aí, não tem lugar.

Para quê legislar sobre uma matéria, diz uma senhora -com ar de muito senhora-, que, há mais de trinta anos, não remete para a prisão nenhuma mulher que tenha praticado o aborto clandestino?
Palavras para quê? O estado confronta-se com uma realidade que está desajustada juridicamente, ignora-a; tropeça com na sua falta de capacidade e de vontade em cumprir o seu papel social em relação às crianças, que por aí andam, sem quem lhes valha económica e muito menos afectivamente.
Será que o "não" esta carente e saudoso de um lumpemproletariado, ou está seguro da sua capacidade de gestão da mão de obra de que tanto carece?
Pede-se às mulheres que ponham à disposição da nação a sua função reprodutora; que sejam um passivo objecto parideiro.

"NÃOS", NÃO ME EMPRENHEM, POR FAVOR