Gosto muito da escola. Agora não tem sido muito bom, o Zeca tem faltado, espero que volte. Não sei se foi por se ter zangado com a professora.
Ele é nosso amigo, é bom, só é mau quando gozam com ele. Ensina-me muitas coisas. Ele sabe tanto! No outro dia apanhámos um passarinho que caiu da árvore, foi a Joana que o apanhou. Levámos à soussora e ela disse para irmos pôr na árvore qu’ele ia morrer. O Zeca disse: -Nã mórri nada. Su prantarem lá é que morri. A professora não gostou. Disse –Prantarem, prantarem… puseREM. Fomos pô-lo na arvore, quando tocou a sineta, ele pediu-me pão mastigou e pôs a cabeça do passarinho na boca dele e deixou lá estar algum tempo, punha e tirava, depois cuspiu-lhe pó bico. Voltou a pôr na arvore mas quando acabou a aula da manhã foi buscá-lo e pô-lo aconchegado no bolso da camisa. Metia água na boca e metia-a na boca do passarinho, por fim era com o dedo que deixava escorrer umas gotas e o passarinho já abria o bico.
Os meninos foram fazer queixinhas. –O Rolha tá com o passarinho. A professora foi ver. A professora deixou o Zeca tomar conta dele, até disse que o podia levar para a aula. Bem feito.
À tarde tivemos aritmética. Já estamos a estudar a tabuada dos seis. Aí é que foram elas. O Zeca é o que faz mais rápido de todos e eu acho que a professora não quer que ele faça como faz.
A profesora começou a escrever no quadro:
.
6X1=
6X2=
6X3=
.... e ele de seguida: Sês, dôzi, dezôito
–Quem te ensinou?
-Sê, vi mê paí fazêri!
Mandou-o ao quadro e ele fez:
-Ai é? E quando for 4 X 12, é igual a quê? Vais passar a tarde a contar bolinhas, é?Ele fez logo de fugida nem pôs bolinhas:
Eu não percebi nada. Ela ficou a olhar para ele e disse: -Tá certo vai-te sentar. Quando ele ia a “assentar-se”, ela disse a rir –É a lei da rolha. Os meninos desataram a rir. Ele não se sentou; agarrou nas coisas pôs na sacola e ía a sair. A soussora perguntou:-Éi a lê da porra













































