
Em artigo de opinião, in “É a estas perguntas que é urgente dar resposta. Ficamos à espera.”
Desculpe soutôra, gostei do magestático "Ficamos", mas quem sou eu, Erecteu, para me atrever a responder-lhe a tão elaborada reflexão, que remata vitoriosamente:
“Sendo os recursos escassos, o "sim" vai legitimar a redistribuição desses recursos em nome de uma política pública paga com os nossos impostos. Vão cortar na prevenção do cancro da mama ou do colo do útero? Vão passar de quatro para oito anos a lista de espera para o tratamento da infertilidade? Vão deixar cair, ainda mais, as disposições da lei do planeamento familiar, cortando consultas, anticonceptivos gratuitos e informação e formação às mulheres? Vão reduzir os médicos de família? Vão desinvestir nos doentes crónicos? Vão fechar os olhos às doenças neuro-degenerativas que afligem crescentemente os idosos? Vão fechar serviços de Saúde dificultando mais o acesso dos cidadãos? Como vai o Ministério da Saúde pagar a contratualização de clínicas privadas no caso, já dado como certo pelo ministro, de o SNS não ter capacidade de atendimento?”
E se lhe respondesse, de que valeria o trabalho? Sim, porque na melhor das hipóteses, vinte pessoas me leriam; se dessas metade concordasse, excederia as minhas expectativas, e por fim: comigo concordaria quem pensa como eu, o que significa que teria gasto o meu parvo latim para nada.
Olhe Sra. Doutora, a Sra. já me emprenhou a cabeça, e agora?
Posso interromper voluntariamente?














































