domingo, 21 de janeiro de 2007

O Guelas

Sim, conheci-a no primeiro dia de escola. Fui dos primeiros a chegar. Na sacola de pano que a minha Mãezinha fizera, pouco havia: um lápis partido, um caderno novo de duas linhas, os sapatos e um pão com linguiça –Não o comas todo de uma vez, não sejas lambão, dissera-me aquela santinha; -Não penses que pode ser todos os dias assim, acrescentara ela. Viera primeiro de boleia na carroça do Águamorna, até aos quatro caminhos. Ao princípio foi bom, ia contente, ia prá escola! Depois deu-me o sono e devo ter adormecido porque o Água gritou: -Moço dum cabrão, salta Zeca. E eu saltei.
Vim por lá fora e para ali fiquei sentado no muro. Já me doía o cú e me regelavam as nalgas quando chegou o primeiro menino. Sentou-se lá longe a mirar, ora os meus, ora os pés dele. Não sou parvo, tirei a merda dos sapatos da sacola, calcei-os; o magano não foi capaz de me olhar outra vez, pantomineiro! Depois, ao mesmo tempo, começaram a chegar os outros que vinham pela mão das mães. Iam logo lá pra dentro e alguns desatavam a chorar quando as mães se queriam ir embora. Estava a ser giro, os meninos da vila são mesmo esquisitos. Já se me arrepanhavam os pés quando ela chegou. A mãe levou-a até ao portão, deu-lhe um beijinho, acenou à soussora e disse-lhe vai, e ela foi. O recreio foi ficando deserto. E tu, não vens?
Mandou-me sentar, fiquei lá no fundo, ainda bem. Via a sala toda e via tudo lá para fora. Depois disse muitas, muitas coisas, já não sei o quê. Mandou-nos tirar o material(?); tirei o caderno e o lápis; mandou-me tirar tudo; tirei o panito com a linguiça e riram-se todos, quase todos, só ela não se riu. Não percebi. A soussora, a rir, perguntou-me: -E o livro? –Qual livro? –só ela não riu. A professora saiu e voltou com um livro novinho, perguntou-me como me chamava, disse-lhe que era Zeca, e ela que era José, prantou-lhe o meu nome, deu-mo e disse que cuidasse dele.
Tocou a sineta, fomos todos brincar. Eu fiquei a vê-los, corriam e empurravam-se, gritavam muito; ela ficou sentada no degrau do alpendre. Fui ao pé dela, mostrei-lhe o meu guelas. Olhou para ele e depois ficou a olhar para mim. As meninas têm uns olhos tão lindos, tão lindos… gostava de ter os olhos dela; entravam pela minha cabeça, doces, mas sem saber o que diziam. –Queres? Mordeu o lábio, atirou a cabeça para o lado, o cabelo esvoaçou para ficar poisado no ombro, quase loiro brilhava ao sol de Outubro, dia sete; ficou assim algum tempo, muito tempo. Fui-me embora, senti passos atrás de mim, pegarem-me na mão.
Ao voltar-me via-a muito séria, de mão estendida dizer-me baixinho: -SIM

© Vicente Rodríguez-Madridejos Ortega (alterado o formato)

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Comadres e compadres

estou com a

Houve tempos e lugares em que pessoas eram donas de pessoas.
Noutros tempos, pessoas eram donas das terras e de tudo o mais que lá estivesse; às pessoas que lá estavam, chamava-se servos da gleba. Sobre os servos da gleba tinham os senhores poderes e direitos, hoje, difíceis de conceber.
Por três vinténs tinham a primazia de aceder às donzelas dos seus domínios, diz-se, porque desses tempos já cá ninguém mora que o possa assegurar. Tempos que já lá vão.

Desses tempos há contudo reflexo – o latifúndio. Esta situação gerou uma cultura peculiar. O senhor não larga mão dos seus direitos, mas tem de ceder por forma a que o assalariado não faça a trouxa e parta para o Barreiro.

Na grande propriedade o trabalhador recebe, por vezes, autorização de construir a sua própria casa, quando lá trabalha. Acontece, porem, que a casa é uma benfeitoria em terreno alheio, sujeita a tributação mas de inviável registo de propriedade. Quanto à subsistência, sujeito à contratação, recorre ao rabisco e ao rabiscão para fazer face às suas necessidades, entenderam? – Então eu explico, tomando por exemplo a azeitona.
O rabisco consiste na apanha da azeitona que cai fora das lonas de recolha, quando a oliveira é varejada. São grupos de familiares que seguem os trabalhadores: idosos, crianças e outros desocupados.
O rabiscão, é um direito consensualmente adquirido pelos assalariados de voltarem a varejar as oliveiras, passado um tempo, a fim de recolherem a azeitona verde que teimara em ficar agarrada à arvore.


É preciso muita arte para varejar com a força suficiente para que a azeitona caia fora da lona, e para que muita lá fique sem cair, esperando pelo rabiscão

Vivo no segundo maior concelho da Europa, com uma área muito próxima dos 1500 Km2, tem 10 habitantes por Km2, diz a estatística.
Acontece que metade vive na cidade-sede, a outra metade distribui-se assimetricamente por três sedes de fregesia e mais meia dúzia de lugarejos.
Há propriedades privadas com área superior a alguns concelhos da grande Lisboa.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

A BATALHA DAS CONSCIÊNCIAS

...
Jacinta Romão in Quarta, 10 de Janeiro de 2007

Está lançada a guerra.
À partida o "NÃO" está em condições de ganhar, temo.
Assim penso porque o SIM, irá defrontar uma opinião sustentada por uma instituição organizada, poderosa e supranacional. Acresce, a isto, que a campanha pelo não, esgrime os seus argumentos recorrendo à chantagem emocional, à manipulação afectiva e não só.

Pasme-se! Eurico de Melo reforça o "não" com a ideia de que a decrescente demografia requer que as mulheres portuguesas aumentem a sua produção!
O liberalismo estaca a fundo nas questões económicas, porque a liberdade de consciência, aí, não tem lugar.

Para quê legislar sobre uma matéria, diz uma senhora -com ar de muito senhora-, que, há mais de trinta anos, não remete para a prisão nenhuma mulher que tenha praticado o aborto clandestino?
Palavras para quê? O estado confronta-se com uma realidade que está desajustada juridicamente, ignora-a; tropeça com na sua falta de capacidade e de vontade em cumprir o seu papel social em relação às crianças, que por aí andam, sem quem lhes valha económica e muito menos afectivamente.
Será que o "não" esta carente e saudoso de um lumpemproletariado, ou está seguro da sua capacidade de gestão da mão de obra de que tanto carece?
Pede-se às mulheres que ponham à disposição da nação a sua função reprodutora; que sejam um passivo objecto parideiro.

"NÃOS", NÃO ME EMPRENHEM, POR FAVOR

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

à falta de

computador
o que é que um bom chefe de família faz?

Levanta-se olha para o rlógio, pragueja que nem Capitão Adhoc, fuma um cigarro, avia um panito com manteiga mais um lête com nescafé; de novo: pragueja, avia outro cigarrito e um café expresso.
E agora?
O dia está lindo. Vai comprar o jornal e dá-se conta que a cidade mostra restos de uma desusada movimentação! Gaita vou até lá. Uma merda, é que vais. Estradas cortadas. Desiste.

Quando desiste percebe que autocarros estão à disposição. Avesso a dependências de mobilidade vacila. Por fim resolve-se: Porra, não tenho nada para fazer -o que é mentira.
Vai.


Há tipos que me fazem inveja.

Fora do sistema levam a sua, à sua maneira

Jacinta, - até Lúcia poderia ser, é Elisabete que arrebata

Não dava nada por eles. São impressionantes! Rugem, saltam, ameaçam despistar-se.

Felizmente que ainda há coisas para aprender.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

O orgulho de ser…

pORTUGUÊS

Naquele tempo um pequeno país tornou-se grande quando atrevidamente um povo saiu à rua, atrás de trinta capitães, por sua vez à frente de trinta chaimites e trinta dúzias de soldados.
Foi uma bronca –caiu o Carmo- felizmente salvou-se a Trindade mais a Portugália.
Cum catano! EnLataram o Caetano mais o contra-Almirante de Belém, exportaram-nos prá Madeira, a caminho de um país fraterno, abençoado por quem ? –por Deus!
Deus Thomás e Marcello lá se foram e nós felizes por cá ficámos despreocupados mas atentos e popularmente organizados.

Atentíssimos:
À Junta de Salvação Nacional -enviámos General de monóculo e tudo para a franquíssima Espanha, que então garrotava os indisciplinados etarras;
Escaldados com primaveras marcelistas atalhámos verão quente;
Saímos à rua em Novembro e voltámos, depois, ordeiramente para casa; perdemos o camarada Vasco mais o Clemente e um Salgueirito mas ganhámos um ganda Ramalho;
Constituímos uma nação Socialista, cantando e rindo: PAZ, PÃO, SAÚDE, HABITAÇÃO;
Elegemos um Governo Democrático que remeteu o socialismo para uma gaveta;

Foi uma espécie de milagre das rosas:
Escapámos aos perigos das falsas promessas do estalinismo e vivemos hoje, abundantemente o europeísmo. Esforçamo-nos incessantemente, em vão, para nos destacarmos.
Quando quase obtínhamos uma posição dos mais menos, eis que os nossos parceiros alargam a comunidade para 27. Porra é demais!
Mas, nós somos um povo lutador. Não são uns quaisquer latino Romenitos que nos tirarão o nosso lugar na história; os Búlgaros que se cuidem não nos baterão em “bulgaridades".

Guiados socraticamente prosseguiremos confortados pela palavra, pelo olhar, pela firme candura do nosso querido e estimado líder, que de reforma em reforma, até um final, dá o exemplo da construção de um regime liberal, competitivo, rumo a objectivos que fazem roer de inveja, os atrasados países, ainda atracados ao estado social.

Professores, médicos, bancários, servidores públicos, OPERÁRIO, MILITARES E CAMPONESE, unidos, hão-de oportunamente valorizar uma época de gloriosa concertação de poder. Aníbal e José, despidos de ambição, alheios às críticas das respectivas bases de apoio, ultrapassando os seus ideais, dão mãos a favor dum povo ingrato, mal habituado, para não dizer de maus costumes.


A convergência de centro esquerda de Aníbal acolhe o cândido José de centro direita, espadanando contra os infiéis, sem se atemorizarem com hordas ululantes.



Se soubésseis quão difícil é governar…
Mas, julgam que é por prazer que um Governo trai a palavra, dada a quem lhe legitimou o poder?
Bom vou deixar-me desta merda de lenga-lenga, que só veio a propósito desta notícia:


A Administração Fiscal não conseguiu cobrar 1,6 mil milhões de dívidas porque os contribuintes provaram que tinham razão. Relatório do Tribunal de Contas mostra várias ilegalidades nas contas do Estado.
IN
Sexta, 5 de Janeiro de 2007


Vêem como, com inexcedível zelo e parcimónia tomam conta de nós?
PAGUEM E NÃO BUFEM, SERÃO MUITO MAIS FELIZES

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

o pouco que muito bem sabe

*
**

O dia ainda mal despontara, Nereu despertou, dirigiu-se à gelada cozinha, junto à chaminé quatro embrulhos. Sentou-se à mesa observando-os; avaliava-os pelo tamanho. Maria foi dar com ele a tiritar. –Não os abres,? Foi-se ao papel. –Com jeito, homem de Deus, ainda disse Maria; mas já era tarde; o primeiro embrulho esventrado revelou umas calças de fazenda, o segundo, com a ajuda da avó, como ele bem previu, uma camisola de lã, o terceiro, não podia ser, dois pares de meias, duas cuecas e duas camisolas interiores de manga comprida; do quarto, o grande, despontou uma samarra. Era assim o menino Jesus. Nereu viu apertar-se-lhe o coração. A esforço vestiu as calças para que Maria verificasse a altura da bainha, a pesada samarra com gola de pele, um pouco grande para o seu tamanho, encheu-o d’orgulho mas não lhe desembaciou os olhos.

*
**

Ainda cedo, dois enormes tachos ocuparam as mesas montadas no pátio; destapados, ofereceram aos olhos e aos narizes os restos das consoadas daquelas cinco casas: bacalhau, pescada, polvo de meia cura, os legumes (batata, cenoura cebola, couve) ovos cozidos, tudo desfeito e migado era por fim regado com o azeite onde o alho, abundante cebola, e colorau tinham visto uma boa fervura.
Senhoras e senhores, é a festa da “roupa-velha”.
Um alvoroço, uma indisciplina. As conversas cruzam-se, risadas lançadas com corpos perigosamente balançados, repetidas loas ao manjar e às cozinheiras, ao tinto e ao branco que não lhe ficava atrás. Uma alegria em crescendo, as crianças não paravam quietas nos seus lugares, enquanto os adultos, vai mais um bocadinho e ai está tão bom, só mais uma colherita. Por fim a louça começava a ser levantada para ceder lugar às esperadas guloseimas que iam chegando: Doce de girimum da Conceição , filhozes da Vitória, rabanadas de vinho branco da Graça, sonhos da Adelaide, cada um trouxe o que tinha para dar, e Maria? Maria retirou-se. Retirou-se para voltar com uma travessa ainda mal encetada. Os convivas olharam desconfiados, nunca se vira tal coisa no Natal. Educadamente provaram e… choraram por mais, pois então. –Mas que é isto Maria? Maria, moita. Puseram-se a adivinhar: -Tem amêndoa. –Qual quê, tem, tem… mel com avelãs, não é Maria? Maria, ria-se e moita. –Vá lá Maria, o que é?

sopa dourada. E mais não disse.

Não parece bem, mas o termo é: atestados. Atestados e alegres, que ía longo o almoço de Natal, Maria da Graça lá se conseguiu fazer ouvir: -Meninas -ela que até, de qualquer delas, filha podia ser! -vamos ou não? As mulheres lá se foram, os homens deixaram-se estar; beberricando o bagaço, sorvendo o café; elas não tardaram a voltar com alguns embrulhos. Margarida saltitava de contente, Nereu deixou-se contagiar; Maria da Graça, fez de mestre cerimónias:
–O Menino Jesus à pressa fez trapalhada. Ele também é trapalhão sabiam? – risos na geral, chiadeira dos miúdos- Vejam que deixou na arrecadação estas prendas que dizem… Margarida e Nereu, tomem lá. Rasgaram os papeis sofregamente.
A Margarida calhou um jogo de cozinha e outro de enfermeira. –Com touca e tudo, gritava ela;
a Nereu, um carro de bombeiros que o deixou rouco, uma harmónica que o deixou mudo.

*
**

Por fim, retirada a loiça suja, Manuel Carvalho sugeriu que fossem até ao salão dos bombeiros. -Tragam agasalhos que se vai pondo frio.
Cada um à sua maneira, aperaltados, formaram o rancho: os homens atrás se iam deixando ficar; de braço dado, em linha, seguiam as mulheres pelo meio da estrada; à cabeça de mão dada, as crianças eram alvo de ansiosa observação até que finalmente viram Nereu deitar a mão ao bolso e estacar primeiro, rodar sobre os calcanhares e depois soerguer lentamente à altura do rosto um par de luvas em lã cinzenta.
Desconcertado olhava para elas que se riam e aplaudiam;
a alegria delas perturbava o seu último agradecimento ao Menino Jesus

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

123... CHEZ MARIA

Assim quis começar.
Teimou mas não levou a melhor. Mas transmontana, mesmo mansa, se lhe dá a tramontana ou gana… Uiii!

Partiu para outra, maison.
Assim se abriu a Dr. disposta a desenrolar o que lhe ía pela alma, pela cabeça, ou talvez por aquele corpinho todo, até.
Mas, até ela se engana!


10 filmes de Oliveira despacha-os num instante, mais à maneira de Spike Lee, Almodovar e outros tantos juntos. Sim, enganou-se que de Manoel nem se abeira aos calcanhares... da chatice, claro; contudo, no mínimo, iguala-o em sentido estético.



Não sendo supersticiosa, está-se cagando para que tachos, panelas ou mala voem ou não voem, se a mala aterra ou não nos tomates do primo. Uma coisa vos garanto: se está mal… MUDA-SE.
Boa rapariguita, tem tido ocasião de experimentar os melhores serviços que o mercado disponibiliza: ele é o melhor enchido lá do talho, os updates informáticos, em mão propria por competentes calças de ganga e camisolas práticas; prelecções de insignes Professor Zigurate, eu nem digo que mais! Sigam por lá acima. Um primeiro ano de pura delícia literária.

Bom, estou para aqui a tecer laudas mas… não julguem que é conformada a santa, porque não é mesmo. Quem seja desprovido de braços para envolver, língua para saborear e pernas para abraçar, melhor será que se dirija ao bengaleiro, recolha boné ou sobretudo e se retire atempadamente.

Estão lá no fundo à vossa disposição: rebobinem a fita três “ânusitos” e depois contem.
Pessoalmente não lhe dou qualquer especial importância, porque quem o GIFT tem não merece qualquer outro reconhecimento. Para ela é tudo tão "fácil" !




Um (e)terno beijinho do teu



Erecteu

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Vou fugir

a todos um bom final de ano

UM NOVO ANO MUITO FELIZ

mas voltarei

Obrigado a todos.

O prometido é devido, aqui tou felizmente inteiro.

Espero que tenham passado de um ano para o outro com alegria; que este vos traga saúde e felicidade é o que vos desejo.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Manhã

Os dias, embora curtos, foram-se arrastando por aquela semana, Nereu não se aquietava até que, uma tarde enquanto cumpria a sesta obrigatória, ouviu a porta do pátio; Adelaide entrava acompanhada de uma menina -Margarida chegava a casa dos avós, para passar as férias, agora que entrara para a escola. Logo que pôde, Nereu, desceu ao pátio, para ali se entreter jogando as suas caricas; certeiramente visava ora uma ora outra, não tardou que se sentisse observado; mudou de jogo, agora percorria uma pista desenhada a carvão no chão cimentado, cumprindo escrupulosamente todas as regras; Margarida observava de soslaio enquanto compunha a boneca que repousava nas pernas; Nereu afoito lançou uma tampa com mais força, Margarida seguiu com o olhar o deslizar do pequeno pedaço de lata até este se deter a escassos palmos dos seus pés; hesitou, olhou Nereu, pegou nela e dirigindo-se a ele de mão estendida disse: -Toma.
Tão simplesmente começou aquela amizade, como aquelas que só distancia e muito tempo fazem esquecer.

Nereu ao acordar, vigiava a casa de Adelaide; aparecida Margarida voava escadas abaixo ao seu encontro; Adelaide colocava, ao sol, uma manta de retalhos onde os catraios se entretinham em brincadeiras comandadas por Margarida; Nereu, trocou as caricas por conchas que eram tachinhos, bonecos e caminhas; aprendeu com prazer brincadeiras de menina.

O resto da semana voou.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Chegou a "cexta"

O sol tocava a igreja quando entravam no pátio. Maria recebeu a cesta que Rosa entregara com a recomendação de que Maria fosse à Quinta falar com D. Gertrudes.
-Vó, o Menino Jesus existe? Maria e Alfredo olharam-se. –Existe pois, disse Maria. –Bem… existe pois, arremedou Alfredo. –Dá prendas à gente?
Voltaram a trocar olhares; -Dá pois, aos que se portam bem, juntava-se Maria da Graça, à conversa.
Maria puxou pela mão do pequeno; -Vamos que se faz tarde, anda lavar-te.
Retirou da parede o alguidar de zinco, colocou-o no chão, verteu-lhe um jarro; levou a braseira para a cozinha, voltou com a panela de água a ferver da qual, cuidadosamente, despejou parte. Estava tudo pronto: Maria esfregava, Nereu protestava: era a água que estava quente, era o pano que arranhava, era o sabão nos olhos; por fim ao verter-lhe pela cabeça e pelo corpo o que sobrara da água aquecida, era que estava fria.
-Olha a minha sina, desabafou Maria, enrolando-o numa toalha; carregou-o até ao quarto.
-O que é que o Menino Jesus me vai dar? –Alguma roupa p
or certo, disse-lhe a Avó. –Oh, fez Nereu. –Mas o que querias tu, meu filho? –Umas luvas, Vó, umas luvas.
Valha-me Deus, para que queres tu as luvas?

Enquanto acabava o jantar, desfez a cesta coberta por um pano de linho bordado a ponto cruz, que a cobria: uma couve galega, duas postas de bacalhau; peras rocha, cenouras e nabos acondicionavam uma garrafa de azeite, por baixo de uma folha de jornal as batatas forravam o fundo.

O Menino Jesus de Maria chegara mais cedo

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

domingo, 17 de dezembro de 2006

Ainda é quinta

Rosa pousou a cafeteira, retirou o prato; voltou com o passador de pano e serviu habilidosamente o café, para si e Alfredo, sentou-se; Nereu levantou-se, retirou o seu prato que pousou na pedra de granito ao lado do lava-loiça, preparava-se para se escapulir mas foi travado; –Fruta. –Não quero; Rosa não se comoveu, –Toma, estendeu-lhe uma maçã. Contrariado deu-lhe uma dentada, -Posso ir lá para fora? –Trás o paliteiro; cumpriu e raspou-se direito à’dega.
Para ali ficaram beberricando em conversa perdida às tantas interrompida pelos sons da sanfona. –Lá tá ele, convencido que sa… -Deix’ó, interrompeu Alberto, deix’ó tomar o gosto. Os sons continuaram desordenados percorrendo a escala, ora subindo ora descendo, os tons cumpriam sem regra, caprichosas intensidades; -Faz-se hora, disse Alfredo ao levantar-se, -Vá com Deus. Desceu a escada e deu com ela de costas, imóvel. –Boa tarde, Sra. D. Gertrudes. –É o rapazito que toca?-Quer dizer…, é sim, minha senhora. –Ao lanche mande-o ter comigo, respondeu-lhe, virando-se de novo para mirar, ao fundo, o que se adivinhava do ribeiro.
Alfredo foi pr’ádega, interrogando-se do que quereria a velha. Ao entrar ficou a observá-lo: cabeça descaída levemente inclinada para ali estava o gaiato, suavemente dedilhando, por vezes franzia o cenho e tentava repetir sequências de sons; ao dar por ele parou de imediato, esfregou as mãos nas pernas e pediu-lhe –Toca? Não havia forma de escapar. –Só uma. Foi essa e mais duas antes de lançar mãos ao trabalho.

Dirigiu-se ao alambique que iria fazer um ano que estava parado, enorme, na sua dignidade de cobre velho, era bem capaz de queimar de uma vez uns bons três almudes; ajudado por Nereu foi-lhe devolvendo pacientemente a sua cor e brilho à medida que ia retirando o verde, uma após outra a sua roupa ia também saindo até ficar em tronco nu com o suor a escorrer-lhe por todo o corpo. Por fim, percorreu-o em volta, mão no rim, em rigorosa inspecção, acendeu um três vintes, deu-se por satisfeito.
Lavou-lha a cara, os braços e as mãos sem piedade nem dó pelos queixumes, dadas as últimas recomendações, entregou-o a Rosa, lá na cozinha; esta por sua vez concluiu o que Alfredo começara tentando pentear o teimoso cabelo de redemoinho indomável; conformada acompanhou-o pelo longo e escuro corredor, interrompido a meio por três degraus. Fez-se anunciar antes de introduzir Nereu. Na enorme sala nem o fogo da lareira nem os quatro imponentes janelões bastavam completamente ao frio e à claridade; a voz de Gertrudes soou por detrás de um cadeirão, –Anda sentar-te aqui. Nereu, pequenino, seguiu pela mão, sentou-se à frente da Sra.; esquecido da lição para ali ficou sentado, mordendo o lábio inferior, batendo com os calcanhares no sofá; angustiado viu Rosa sair para ir buscar o chá. O interrogatório parecia não ter fim mas lá foi respondendo: –Nereu; –No pátio; –Com a minh’avó; -Maria; –Maria Mota, e assim por diante até o chá chegar; mas nem ele nem as bolachas o confortaram. Com o tempo ou pelo adoçar dos olhos de Gertrudes, a voz foi-se soltando.
Sim minha senhora, gosto de música, mas não sei tocar nada. Gertrudes levou-o até junto do piano. Gostavas de aprender? Elevando os olhos para ela, respondeu com a voz embargada: Gostava muito, minha senhora.
Afagando-lhe a cabeça, Gertrudes: –Então está bem .
Pobre criança saberá onde se pode meter?

sábado, 16 de dezembro de 2006

Não MLEBS a mal,

mas em minha opinião,
o encarquilhanço mental das caquécticas e vetustas sumidades intelectuais, vestidas de roupagens folclóricas, arremedam senhoras de provecta idade em remansoso deleite dos fins de tarde das suíssas rossinianas, mordiscando queques ou babás onde depositam o carmim apostado que dos seus lábios gretados se vai libertando, pariu uma filha da puta de ideia que nem ao cabrão do diabo lembrava.

Saravá Sivuca

o mundo está mais rico com a sua música

está mais triste com a sua partida

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Agora é que vai ser ela

com os cumprimentos do Sr Procurador
.
.
"Ao fim de mais de quatro anos "encostada" no Tribunal da Relação de Lisboa a analisar recursos, Maria José Morgado vai regressar à investigação criminal. E com plenos poderes para investigar todos os processos que nasceram do "Apito Dourado" (que se encontra na fase de instrução no Tribunal de Gondomar). As competências da magistrada, segundo explicou ao DN o procurador-geral, Pinto Monteiro, vão para além da análise das certidões extraídas. Morgado poderá abrir novas investigações sobre a corrupção no futebol."...
***
Mizé Tung, pode ter feito algumas cedências na vida, ao visual foi uma delas, mas rais me partam se houver quem dobre a canita.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Quinta Grande

...pés bailando dentro das galochas emprestadas, ia Nereu pisando as parras secas que teimavam em cair, molhadas porque a chuva teimava também. A parreira estendia-se em comprida latada armada em pilares de granito escassilhado, interrompida quase a meio por um confortável alargamento; de um lado o tanque recebia água da mina, ao meio uma enorme laje de pedra equilibrava-se num afloramento rochoso, mesa seria se esse uso lhe dessem, com ela embirrava Alfredo que achava só servir para estorvar; à direita outra latada desce suavemente para sul dividindo o pomar em dois e prolongando-se até à eira; para lá uma leira, língua de terra negra duns cem por uns trezentos passos bem medidos terminava num silvado a despontar no meio dos velhos salgueiros; é a estrema da quinta onde o ribeiro arrasta as ramadas na forte corrente. Diacho, com isto perdi-os que seguiram em frente direitos ao muro de pedra onde o casão das alfaias convive entre alpendres, palheiro e cercados; aí ficam os animais. Alfredo abre primeiro a cancela das cabritas que os olham lá do fundo do telheiro, indiferentes nas barrigas a encher, Nereu encarrega-se de as enxotar correndo para elas que de um salto partem cada uma para seu lado procurando a saída. Aí vão elas e Nereu, em perseguição até ao –Deix’ás bichas, vamos; foram até ao casão onde Alfredo se ocupou por um pouco a arrumar caixas de fruta, ferramentas e outros pequenos objectos, Nereu entretinha-se encavalitado no pequeno tractor, manobrando volante e mudanças numa ruidosa e misteriosa viagem recheada de perdigotos. Alfredo mirou as tesouras da poda, avaliou o tempo, abanando a cabeça acabou por decidir que hora de tratar do estômago era chegada.
Voltavam à adega e ao fundo avistaram Rosa que Gertrudes mandava dizer para irem prá cozinha. Ordens, ali, são ordens; lavadas as mãos trocado o calçado, Alfredo passou um pouco de água pelo cabelo enquanto inspeccionou Nereu. Na quente cozinha a mesa posta; esperava-os: pataniscas de bacalhau, arroz de feijão, grelos cozidos; Nereu teve direito a ovo estrelado em azeite.

Assim Gertrudes os salvava do pecado da carne naquela sexta-feira.
Na marmita enrolada em jornais, a chanfana de cabra velha ficava adiada.

Feliz Natal a todos

a quadra do amor, da paz e da fraternidade merece ser celebrada.
assim o farei, à minha maneira, sem mais comentários.
(aconselho, vivamente, a não passarem por aqui nos próximos dias)

Sebastião Salgado
in ADN

in ADN


in ADN


sábado, 9 de dezembro de 2006

Pátio - nada de especial a referir

Até agora foi fácil; este é aqui aquele ali. Dizer como o pátio funciona é que é mais difícil, por isso não digo, vou dizendo. Vou passando por cá, e se vir alguma coisa que valha a pena, eu conto. Não é o caso de hoje, pelo menos a esta hora. De manhã ainda se viu a Conceição de missal, véu e terço na mão a bater à porta da Adelaide perguntando se a comadre ia à missa, que sim respondeu ela poderia lá ser outra coisa em dia de Imaculada Conceição. Não tardou a acabar de se arranjar. Comadres prontas postaram-se em frente uma da outra mirando-se reciprocamente em olhar que percorria a vertical que vai da cabeça aos pés, há uma arrancaram, direitas à porta; ainda no pátio hesitaram pondo-se agora numa estranha sequência de trejeitos de cabeça, reforçados pela boca, sobrancelhas e olhos. Depois lá se foram. Perceberam? Também eu não se não as tivesse ouvido mais à frente, –Mas porque irá ela à da tarde? Não se acostumavam afinal à ideia de Maria não as acompanhar no ritual do Santo Sacrifício. –É tão boa mulher. –Lá isso é, mas... assim foram desaparecendo estrada abaixo.
No pátio agora prepara Alfredo os atavios, para este não há feriado; enquanto nisto anda dá por Nereu que o observa do alto. –Onde vai? Alfredo moita. –Onde vai? Maria de pronto o repreendeu. Alfredo retardando o que fazia ia lançando olhares de esguelha a Nereu, até que decidiu não prolongar mais o seu sofrimento, –Se a tua avó deixasse, se me quiseres ajudar… o alvoroço instalou-se, a súplica naquela carita arrepanhada, o sim desejado, o tropel escadas a baixo, o inevitável: –Vai devagar, catano.
–Vizinha Maria, vimos pela tardinha; –E o almoço? –Comemos por lá; -Mas isso tem algum jeito, valha-me Deus. mas se estava decidido. –Levas a concertina; Maria deliciada viu-os agarrar as coisas, Alfredo fechar cuidadosamente a porta.
Estes lá se vão também mas estrada a cima direitos à Quinta grande, à quinta da Dona Gertrudes, Sra. D. Gertrudes como ela corrigia quem se descuidasse. Aqui Alfredo, consultado o Borda d'Água, quase põe e dispõe no tratar do que ainda resta da velha quinta, outrora rica em tudo; rica em água, o sereno mas severo cuidado de Alfredo garante o sustento de Gertrudes, que filhos e netos ía ajudando, por vezes até aos sobrinhos valia, quando por amor ou outra qualquer razão a visitavam. Hoje não é propriamente dia de trabalho e por isso a esta hora vai. A falar verdade não é só por isso, mais cedo fosse e Gertrudes predicaria sobre inconveniências de falhas aos deveres de um bom cristão; assim, talvez não lhe pergunte pela cor da salabita do padre, mas nunca fiando que a velha, nestas coisas de igreja não é mesmo de fiar.
Chegados arrumaram, na mesa de grossas tábuas da adega, a seira um, a concertina o outro. –Vamos ao trabalho? e aí vão eles, feliz segue Nereu, Alfredo, pés bailando dentro das galochas emprestadas.
No pátio nada mais digno de nota;
portas dentro de Maria da Graça, Victor toma-a nos braços forçando-a a um doce despertar.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Fujam que vem lá mais pátio

Da Graça já vos falei há uns tempos atrás, uns ouviram ou melhor, leram, outros não tiveram oportunidade mas ficam a saber que a sua porta fica ao canto mesmo ao lado da da Maria. Serão os que destoam nesta ilha, mais pela idade que os separa do resto, do que por qualquer outra razão. Para ali foram acabados de casar embora já não fossem estranhos quando chegaram, porque a montar casa andaram um ano a escorregar para os dois. Para além disso a menina Graça já era conhecida do cartório onde trabalhou até há algum tempo atrás. Porque não trabalha lá, agora? Explico: Corria tudo bem até ao dia em que o Dr. Sobral a chamou-a ao gabinete para lhe dizer –Graça, a partir de amanhã vem um estagiário; quero que o vá pondo a par do serviço, vá ensinando os procedimentos comece pelos assentos. Ah, o arquivo, o arquivo também. Assim foi. No dia seguinte lá estava aquele lingrinhas, logo pela manhã fria de Janeiro, sentado na escada, ou melhor no lenço porque o lenço é que estava na escada, mirando-a apalermado, enterrado no boné, desajeitado. Desajeitado era pouco; ao aperceber-se que ia abrir da porta, pôs-se á sua volta em passinhos laterais, fazendo sons de macaco e a retorcer o boné! –Entre, é o estagiário, não é? Pois o tanso, que outro nome não merece, palavra d’honra faz-me uma cena! Entra não entra, com encontrão pelo meio…-pró que estás tu calhada Graça Maria, pensou ela; e pensou bem digo eu.

Pacientemente lá foi mostrando os cantos e os livros da casa até chegar o Dr. Sobral que a primeira coisa que fez foi metê-lo no gabinete para uma conversa; para lá estavam eles, toca o telefone: –É da diocese da parte do Sr. Bispo, para o Sr. Dr. Sobral. Graça viu tudo, ou quase tudo.
Os primeiros meses nem correram mal. O rapaz de desajeitado foi-se tornando desembaraçado, sem dificuldades para aprender; tinha até de admitir que em arrumo e método podia pedir meças a ela própria; não se esquivava a nada nem ao pó do arquivo. Correram bem… com ele corriam porque com o Dr. Sobral iam piorando, especialmente após os telefonemas do Bispo.
Começaram a correr mesmo mal no dia em que o Dr. Sobral ao examinar uma escritura lhe pôs a mão na cintura e a começou a afagá-la paternalmente. Era o dia das mentiras, o tempo convidava a saia travada de tecido cinza e a camisolinha de malha. Sentia-se tão bem! até aquele estupor se atrever. Quando e como pôde refugiou-se no arquivo onde poderia verter as suas lágrimas, secas de raiva. –Que se passa, menina Graça? nem ali! A um passo inquiria aquele estupor direito seguro e doce. –Que se passa Graça? Ficaram a olhar um para o outro. Olhou-o nos olhos e viu-os límpidos sem qualquer mácula. –Não é nada, deixa lá; quis passar por ele mas viu o caminho barrado. –Sei tudo o que se passa, é por minha causa, disse ele antes de lhe virar as costas direito ao gabinete; um: –Pára, rouco, ríspido, semigritado estacou-o. –Depois conversamos melhor.
O arquivo passou a ser local das conversas. Na primeira foi feito o ponto da situação, avaliada a conjuntura: Bispo e Sobral estavam de acordo no que dizia respeito a quem melhor servia no cartório; nas que se seguiram não mais se entenderam. –Pões-te fora e vou eu a seguir. –Prá guerra, não? dizia ela; dois meses nisto, o tempo a aquecer era a conversa ao almoço partilhado no arquivo que nada mais tinha para pôr em ordem.

Entre teimoso e teimosa como se sai desta? Eu desunho-me dizia ele. – Parvo, retorquia ela; desesperado e sem argumentos agarrou-a pelos ombros , puxou-a para si sem sentir grande resistência, sentiu-a sim aninhar-se no seu peito. Pegou-lhe no queixo, a resistência foi afrouxando, beijou-a ao de leve nos lábios.


Nesta vida nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.
Perdia o emprego, ganhava o futuro marido

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Hoje há Festa

TRIO NORDESTINO FORRÓ PÉ



Erecteu já tem a ferramenta boa
aos amigos que viveram este drama exacerbado, obrigado
ás minhas, Bolachinha und Baum Cem Anos de gratidão, com elas não há Solidão
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segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Esse teu olhar/Promessas

Cristina Motta - (animação)

O sinal dos deuses

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sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Segunda marcar consulta

A reunião até tinha corrido bem. Bem entrados pela noite, desfeitos os equívocos, o Sr. Almirante desmanchou a pose tornando-se numa pessoa surpreendentemente afável, comunicativa e alegre.
Arrastando-me até á cervejaria Alemã, não lhe pude fugir e lá tive de o acompanhar em informal cerimónia. Do bife mal passado, às cervejas passando pelo semi-frio até ao café e a aguardente reserva, sustentados num puro, foram duas e meia longas horas de conversa agradável, com intermitências de prolongadas dissertações, que desculpo. À despedida convite para jantar numa breve oportunidade e lá fomos cada um para seu lado, aos respectivos carros. Tivesse ele melhor sorte que a minha. Jante bloqueada, uma e vinte e cinco da madrugada, sexta-feira que nem era treze! A salvação do destino, ali há mão descendo ao Cais de Sodré; passando pelo Irish Pub, um grupo alegre cavaqueava, e de dentro saíam em surdina folk sonds. Salvação não tivesse eu visto as luzes do último comboio a afastarem-se nesta noite, trigésima de Novembro, de dois mil e seis.

Noite fria resolvi entrar. Para ali fiquei até me perguntarem o que queria –Uma Guiness, por favor, entre praguejares pra dentro e o ouvir a música. Grupos alegres de habituais, poucos de ocasionais; uma quase gaiata, divertida, não dava descanso às amigas roubando-lhes as bebidas ou passando as mãos molhadas pela cara de uma, pelas coxas oferecidas pela mini, de outra. Os nossos olhos cruzaram-se e a pequena, para meu triunfo, sentindo-se observada, convenientemente os desviou para voltar desafiadora; ficámos num jogo de sisudo, desvirtuado por sorrisos irónicos. As canecas foram saindo, mais do lado delas que do meu até me convidarem a sentar. Quem és, o que fazes, correu a mesa. Universitária uma, ex as outras, todas em abertura de fim-de-semana que prometia; Já solidárias com a minha desgraça, implacáveis com os filhos da puta dos xuis, porque não havia o direito, cabrões. Sem ser tido ou achado sentenciaram levar-me a casa, destruindo impiedosamente desculpa ou argumento apresentados; nem mais nem menos, passavam primeiro pelo meu carro para sacar uma pasta e assim foi, mas; Carro… uma porra, já lá não estava! Três da manhã, hôi! No problem, sabiam para onde o tinham, de certeza absoluta, rebocado e que até lá me levavam. Forçado e reforçado por aquelas frescuras, lá fomos. A desalmada comigo no banco detrás, não parava quieta moendo as amigas e ainda mais a mim nos quentes e fortuitos contactos de pernas; gaita, nunca vi gaja tão sepidada e com tal diabo no corpo que já do meu se apossava. Tivesse ela mais uns anitos e, e… Bem, adiante: após o desembaraço da viatura, os agradecimentos e a proposta de troca de números de telemóveis para um posterior contacto, o borracho colado a meu lado. –Vou contigo. –Comigo onde? –Já vês, melodiosa e concisa. Foram-se as outras duas, envoltas em gargalhadas, acenando divertidas. Ficámos nós. Aparvalhado dei por ela a entrar no carro, puxar o banco todo para trás, traçar a perna fazendo subir ligeiramente a saia, enquanto acendia um cigarro e lançava um olhar transviado. Fechou a porta, ergueu o queixo, olhou em frente.

Arranquei atarantado, e sem jeito fiquei ao sentir o suave pousar da sua mão no meu braço. -Queres... -Ir a tua casa, interrogou ou sentenciou, não sei. Devemos ter subido a escada, mas só dei por mim já lá dentro, abraçado com o seu rosto refugiado no meu peito, cabelos enredando-se na barba que já despontava; a morna respiração no peito foi descendo pelo corpo e incendiando a cabeça. Abracei-a suavemente, por um momento ali ficámos até que a sua mão da minha se ia suavemente libertando partindo á descoberta da casa de banho. Fui para a sala, sentei-me, levantei-me quando ouvi a água correr, acendi um cigarro fazendo de cabeça contas à idade que a gaiata poderia ter; assustei-me ao pressenti-la a meu lado puxando-me para o quarto com a cama por fazer.

(Foto © João Freitas )

Foram tantos os abraços os beijos as carícias, tantas as mordidelas os arranhões o repuxar de cabelos as lambidelas, tantos os apertões as festas e mais beijos e mais, mais, e mais...
louco dei por apartar-se, deslizar para fora da cama, desaparecer em silêncio.

(Foto © João Freitas)

A água deixou de correr; no silêncio instalado da madrugada ouvi-a entrar na banheira, fui escutando o marulhar da água, irromper um suave e doce cântico celestial. Assim adormeci, sonhando que uma ninfa de mim se tinha assenhoreado, comigo tinha feito amor, uma e outra vez.
Acordei com o sol, precipitei-me para a casa de banho.
A banheira estava vazia,

o chão molhado deixava um rasto até à porta onde jazia uma rosa.

Pátio de novo

A Laidinha, como já lhe chamam, Dief, o que dizer dela? Há tão pouco a dizer de uma pessoa assim! Será então: seca de carnes mas não de olho, mexe-se como lagartixa ou ratito do campo, se preferires, faz a sua vida em casa saindo para os avios, vive para os filhos embora já tenham a sua casa, enfrenta quem lhe pisar os terrenos. Pergunto-me se será uma pessoa feliz. Vocês julgarão, se nos der ocasião para tal. No pátio chamam-lhe a “Generala”, chamam, quer dizer, referem-se a ela, seguros de não estar por perto. De generala Á’delaide não tem nada; será uma ajudante de campo, sargento de dia ou fachina voluntária, generala, definitivamente, não; só para quem não a entende. O seu orgulho é o Manel Carvalho, o seu homem. Como ele não há outro. Nunca lhe pedira namoro mas não mais se esqueceu daquele dia em que se fora despedir do irmão que viera a casa para se despedir antes de partir para as Áfricas; o comboio a apitar para partir e sai de lá aquele rapagão direito a ela, –Posso escrever-te? o comboio a pôr-se em marcha, ele ali especado a olha-la do alto; só quando sem som lhe sair da boca lhe disse, –Sim é que ele sem mais nada, rodou e correu a tempo de ainda apanhar a última carruagem. Depois, foram dois anos e dois meses:

Adelaide
Espero que esta te vá encontrar de saúde, na companhia dos teus, por aqui tudo bem, graças a Deus.
….
O que tanto bem te quer,
Manuel Carvalho

Tinha-os lá todos; quatro maços amarelos atados em fita de cetim rosa, arrumadoas na caixa de camisa TV. "É LAVAR PENDURAR E VESTIR"

Depois... era já uma vida sem o ouvir queixar de nada.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Ainda o pátio

Pois em frente é o Manuel Carvalho, o Carvalho como muita gente lhe chama. Homem medonho, isso mesmo de H grande. Não há porta em que não se agache, talvez pelas porradas que deu numas tantas. Não pensem que é só pelo tamanho. E a cara? A cara naquela cabeçorra é de impressionar qualquer um de vincada que é, do sobrolho franzido, azul ainda que sempre de barba escanhoada a preceito. E as mãos, qual mãos, as patorras! sempre semicerradas como que a partir para coice de mula nascendo daqueles pulsos fortes que nem troncos! Vá lá alguém meter-se com ele! Força, coragem experimentem dirigir-lhe a palavra, seja só perguntar-lhe as horas. Viram? Viram como é? Aquele sorriso que se abre, a cara de criança que compõe para: 10 ¼, somente. Viram como o olho se ilumina por tão-pouco e como tarda a esmorecer até voltar ao seu ar de tritão? É esse o Manel Carvalho. O que é conjurado para a meninada comer a sopa mas que os arrasta a seu lado na fanfarra. Bum, bum catrapum pum pum aí vai ele na charanga dos bombeiros, passo certo como os demais, de capacete brilhante, empurrando o bombo com a barriga. O bombeiro Carvalho já desde gaiato, o primeiro a acudir, à sirene sem a deixar calar. –Rais parta o diacho do moço! comentário d’um eterno segundo a chegar. Isto… até ao dia em que abalou prá tropa porque foi bombeiro e mecânico voltou. Agora…, agora ficou mecânico e em terra que o comandante o quer na retaguarda. Pobre Manel. Mas avante que em frente também fica À’delaide que como convém para a história pequenina tinha de ser. Ah a Adelaide, que mimosa, que gracinha! Chega-te a ela, vai lá vai…!

terça-feira, 28 de novembro de 2006

O pátio é meu.


É o sentimento inconfessado de todos - -transversal, como agora se usa. E isso é mau? Nem por sombras. O sentimento de posse alimenta o ego. Mas se todos o usam, não há problemas? Claro que não. A concessão do uso, da partilha, fá-los sentir enobrecidos. O assunto é que é tabu. A mínima alusão à propriedade redundaria em catastrófica guerra civil. Posto isto, adivinharão com certeza que o pátio é um enclave do céu na terra. Mas não adivinharam, não senhor; trata-se simplesmente de uma questão adiada.
Ali, a mais antiga é a Vitória que teima pertencer ao dito quando vive para lá dele, lá para trás; no pátio só tem a arrecadação que não usa nem deixa usar. Nem a força de todos juntos a consegue demover, fará os argumentos solitários que foram lançando. Dizer que ela não ouve, não corresponde á verdade, ela ouvir ouve tudo direitinho só que a resposta é imbatível; olha, cerra os lábios, semicerra os olhos e: –Passe bem vizinha ou vizinho consoante o caso. Depois é vê-la afastar-se semicurvada mas tesa, silenciosa, como se de alma penada se tratasse.
O Alfredo mais a São já para ali estão desde o tempo em que o pátio ainda não o era pois a casa do Victor mais da Graça ainda não existia e assim sendo o que é ainda não era. Ficam logo ali à direita, ou á esquerda dependendo se falamos de entrar ou de sair. Na deles aparece a primeira luz do dia, ainda que, claro, de noite se trate. Acesa a luz sai a Ti São enrolada no xaile para atravessar a estrada e regressar com uma braçada de lenha e algum ovo no bolso da bata ou do avental - desculpem a imprecisão que no escuro não dá para distinguir. O ranger do portão nesta ida e vinda, dá o sinal a Ti Alfredo para saltar da cama, passar pela cara a água colhida da bacia de esmalte e de seguida limpar a face com a outra mão enxuta; a mão molhada, essa passa-a pela nuca dando assim por terminada a higiene matinal, ritual que já cumpre mesmo antes de se ajuntar á sua Conceição. Barba, perguntam vocês muito bem, isso é conversa para dia santo. Em frente deles, em frente deles fica para outro dia se disso me lembrar porque ou o sono puxa o tédio ou o tédio o puxa a ele.
Boa noite e façam o favor de descansar. Nada de galdérices que amanhã é dia de trabalho.

centésimo quinquagésimo

a chuva parou, não foi?

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

O PAPA VAI JOGAR FORA

Pensem lá bem.
Pensem vá lá.
De onde vai jogar advertem,

vamos não custa tentar,
Ferro e fogo a direito dará,
Terra que n’Europa quer entrar

É Constantinopla? Não!

É Ankara do Kurdistão

Os estados da CEE (nem todos) preparam a adesão da Turquia á comunidade.
Que Turquia?
A aliada membro da OTAN, um mercado interessante a médio prazo, uma ponte para o mundo islâmico?
Ou
O estado autoritário, corrupto, persecutório de minorias, violador de consciências, autista, cego e mudo face a um Kurdistão ou à Arménia?

domingo, 26 de novembro de 2006

estes 3 pariu m@rio.ces@riny que partiu

O Raul Leal era
O único verdadeiro doido do "Orpheu".
Ninguém lhe invejasse aquela luxúria de fera?
Invejava-a eu.
Três fortunas gastou, outras três deu
Ao que da vida não se espera
E à que na morte recebeu.
O Raul Leal era
O único não-heterónimo meu.
Eu nos Jerónimos ele na vala comum
Que lhe vestiu o nome e o disfarce
(Dizem que está em Benfica) ambos somos um
Dos extremos do mal a continuar-se.
Não deixou versos?
Deixei-os eu,Infelizmente, a quem mos deu.
O Almada? O Santa-Ritta? O Amadeo?
Tretas da arte e da era.
O Raul eraOrpheu.



de "O Virgem Negra" por M. C. V.

(Mário Cesariny).

PASTELARIA
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo:
fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

Nobilíssima Visão (1945-1946), in burlescas, teóricas e sentimentais (1972)

CONTRA DICÇÕES

Dr.
dói-me o peito
do cigarro
do bagaço
do catarro
do cansaço
dói-me o peito
do caminho
de ida e volta
do meu quarto à oficina
sem parar
sempre a andar
sempre a dar
dói-me o peito
destes anos
tantos anos
de trabalho e combustão
dói-me o luxo
dói-me os fatos
dói-me os filhos
dói-me o carro
de quem pode
e eu a pé
sempre a pé
dói-me a esperança
dói-me a espera
pelo aumento
pela reforma
pelo transporte
pela vida e pela morte.
Dr.
já estou farto
de não ser
mais que um braço
para alugar
foi-se a força
e o meu corpo
é como o mosto pisado
como um pássaro insultado
por não poder mais voar.


Dr.
eu não sei ler
os caminhos
por dentro
dos hospitais
mas alguém há-de aprender
entre as rugas do meu rosto
o que não vem nos jornais
e não há nada no mundo
nem discurso
nem cartaz
capaz de gritar mais alto
que as palmas das minhas mãos
que o meu sorriso sem jeito,
Dr.
Dói-me o peito…
José Fanha, Eu sou Português aqui, ed. Ulmeiro

sábado, 25 de novembro de 2006

Dia_positivo 8


Mesa a preceito. Toalha de xadrez outrora vermelho e branco, um pouco puída, escondendo a cor da mesa, não acusava a viagem; nem um vinco! A penumbra ía vencendo o que restava da luz, agora pendurada no céu onde castelos de nuvens empardeciam. Preparado o cenário, passemos à luta: Não vó, sopa não, em insistências pungentes não demoveram à’vó. –o determinado: –Só esta. sobrepôs-se às palmadas nas coxas com que Nereu reforçava –Sopa não vó. As duas primeiras foram dele, é verdade; mas as outras foram pelo pátio. –Esta é… pela Graça, esta ééé… pelooo…, o arrastar reticente das palavras tinham o efeito mágico de lhe entreabrir a boca, pelo Manuel Carvalho que é… mecânico e lá ia outra por goela abaixo – Mecânico? de quê? –Ora essa! de carros pois! assim continuaram naquele entremeado ora abre a boca ora desvia a cara de lábios arrepanhados. –Mas foi e toda!: AVÓ 1 / NEREU 0.
Sim senhora! Rematou Maria, mais regalada que triunfante, ao levantar-se para ir buscar a costeleta e as batatas fritas abafadas no fogão. No caminho deu à luz, convencido o dia em dar lugar à noite, a sala foi afagada por uma claridade amarela que as vinte e cinco velas ofereciam. Para não cansar: AVÓ 2 / NEREU 0, resultado de uma segunda parte de um jogo fastidioso. Por fim, o coelho que esfriava poude confortar Maria. Retornada à mesa com o, prato entre mãos, levava ainda meia pêra que Nereu teria de roer. Sentou-se e antes de atacar, ao prato deu uma volta inteira para, não se entende, na mesma posição ficar! Nereu debicava, Maria entre garfadas mirava-o meio absorta. Resultado deste prolongamento? MARIA 0 / NEREU 0, ou empate técnico como Absinto diria.
Finalizada a refeição deitou a mão ao candeeiro a petróleo, apagou a luz e voltou a sentar-se de costas apoiadas na parede. Nereu não tardou. Rabo no banco depositou a cabecita no colo d’avó; ao remexer no cabelo e ás pontas de dedos aflorando a cabeça, respondia cavando as pernas com a o nariz, á outra mão afagando as costas, respondia um serpentear do dorso, assim para ali ficaram aquelas duas almas tagarelando, tagarelando, sei lá sobre o quê.
O frio foi-se instalando e o sono chegando. Ereneu lá foi nos braços da avó para a cama. Ao depositá-lo, Maria sentiu-se apossada pelas mãozitas que se apegavam. Olhos entreabertos: -Vó contas uma história? Maria tapou-o, deitou-se a seu lado, puxou para si a coberta, começou: Era uma vez…, e sentiu a respiração pesada e quente do neto.

volvendo os olhos pra Nereu,
mas que dia!


ut parvus est

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Cem anos teria o professor Rómulo, poeta Gedeão

Faço um grande esforço mas não consigo imaginar que poema escreveria o professor Rómulo a Maria de Lourdes Rodrigues.

"Poema da malta das naus"

Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.

Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo.
pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.

Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das prais
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.

Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me a gengivas,
apodreci de escorbuto.

Com a mão esquerda benzi-me,
com a direita esganei.
Mil vezes no chão, bati-me,
outras mil me levantei.

Meu riso de dentes podre
secoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.

Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.

Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.

O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.

António Gedeão in "Teatro do Mundo", 1958

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

TLEBS - SABE O QUE É?



"A profe também anda bimba com a cena, parece que não topa peva, é assim uma cena toda nova. Aquelas gaitas ca gente teve de encornar - os adjectivos, os verbos, essas cenas, 'tás a ver - agora tem tudo outros nomes, bué de compridos e depois cada cena com uma data de nomes."


(…)" e "núcleo(s) de grupo nominal com função de complemento directo e modificador(es) adjectiva(is) em posição de atributo", nem o Estripador! Nos meus tempos de estagiário li uma vez numa participação policial que alguém fora mordido por um "animal canídeo do sexo masculino, vulgo cão". Diz a TLEBS que cão é um "nome comum, contável, animado e não humano" (soa como o "robot" da "Guerra das Estrelas" a falar). Acho preferível a versão do polícia .

Estes gajos endoidaram, definitivamente.