sábado, 16 de dezembro de 2006

Não MLEBS a mal,

mas em minha opinião,
o encarquilhanço mental das caquécticas e vetustas sumidades intelectuais, vestidas de roupagens folclóricas, arremedam senhoras de provecta idade em remansoso deleite dos fins de tarde das suíssas rossinianas, mordiscando queques ou babás onde depositam o carmim apostado que dos seus lábios gretados se vai libertando, pariu uma filha da puta de ideia que nem ao cabrão do diabo lembrava.

Saravá Sivuca

o mundo está mais rico com a sua música

está mais triste com a sua partida

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Agora é que vai ser ela

com os cumprimentos do Sr Procurador
.
.
"Ao fim de mais de quatro anos "encostada" no Tribunal da Relação de Lisboa a analisar recursos, Maria José Morgado vai regressar à investigação criminal. E com plenos poderes para investigar todos os processos que nasceram do "Apito Dourado" (que se encontra na fase de instrução no Tribunal de Gondomar). As competências da magistrada, segundo explicou ao DN o procurador-geral, Pinto Monteiro, vão para além da análise das certidões extraídas. Morgado poderá abrir novas investigações sobre a corrupção no futebol."...
***
Mizé Tung, pode ter feito algumas cedências na vida, ao visual foi uma delas, mas rais me partam se houver quem dobre a canita.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Quinta Grande

...pés bailando dentro das galochas emprestadas, ia Nereu pisando as parras secas que teimavam em cair, molhadas porque a chuva teimava também. A parreira estendia-se em comprida latada armada em pilares de granito escassilhado, interrompida quase a meio por um confortável alargamento; de um lado o tanque recebia água da mina, ao meio uma enorme laje de pedra equilibrava-se num afloramento rochoso, mesa seria se esse uso lhe dessem, com ela embirrava Alfredo que achava só servir para estorvar; à direita outra latada desce suavemente para sul dividindo o pomar em dois e prolongando-se até à eira; para lá uma leira, língua de terra negra duns cem por uns trezentos passos bem medidos terminava num silvado a despontar no meio dos velhos salgueiros; é a estrema da quinta onde o ribeiro arrasta as ramadas na forte corrente. Diacho, com isto perdi-os que seguiram em frente direitos ao muro de pedra onde o casão das alfaias convive entre alpendres, palheiro e cercados; aí ficam os animais. Alfredo abre primeiro a cancela das cabritas que os olham lá do fundo do telheiro, indiferentes nas barrigas a encher, Nereu encarrega-se de as enxotar correndo para elas que de um salto partem cada uma para seu lado procurando a saída. Aí vão elas e Nereu, em perseguição até ao –Deix’ás bichas, vamos; foram até ao casão onde Alfredo se ocupou por um pouco a arrumar caixas de fruta, ferramentas e outros pequenos objectos, Nereu entretinha-se encavalitado no pequeno tractor, manobrando volante e mudanças numa ruidosa e misteriosa viagem recheada de perdigotos. Alfredo mirou as tesouras da poda, avaliou o tempo, abanando a cabeça acabou por decidir que hora de tratar do estômago era chegada.
Voltavam à adega e ao fundo avistaram Rosa que Gertrudes mandava dizer para irem prá cozinha. Ordens, ali, são ordens; lavadas as mãos trocado o calçado, Alfredo passou um pouco de água pelo cabelo enquanto inspeccionou Nereu. Na quente cozinha a mesa posta; esperava-os: pataniscas de bacalhau, arroz de feijão, grelos cozidos; Nereu teve direito a ovo estrelado em azeite.

Assim Gertrudes os salvava do pecado da carne naquela sexta-feira.
Na marmita enrolada em jornais, a chanfana de cabra velha ficava adiada.

Feliz Natal a todos

a quadra do amor, da paz e da fraternidade merece ser celebrada.
assim o farei, à minha maneira, sem mais comentários.
(aconselho, vivamente, a não passarem por aqui nos próximos dias)

Sebastião Salgado
in ADN

in ADN


in ADN


sábado, 9 de dezembro de 2006

Pátio - nada de especial a referir

Até agora foi fácil; este é aqui aquele ali. Dizer como o pátio funciona é que é mais difícil, por isso não digo, vou dizendo. Vou passando por cá, e se vir alguma coisa que valha a pena, eu conto. Não é o caso de hoje, pelo menos a esta hora. De manhã ainda se viu a Conceição de missal, véu e terço na mão a bater à porta da Adelaide perguntando se a comadre ia à missa, que sim respondeu ela poderia lá ser outra coisa em dia de Imaculada Conceição. Não tardou a acabar de se arranjar. Comadres prontas postaram-se em frente uma da outra mirando-se reciprocamente em olhar que percorria a vertical que vai da cabeça aos pés, há uma arrancaram, direitas à porta; ainda no pátio hesitaram pondo-se agora numa estranha sequência de trejeitos de cabeça, reforçados pela boca, sobrancelhas e olhos. Depois lá se foram. Perceberam? Também eu não se não as tivesse ouvido mais à frente, –Mas porque irá ela à da tarde? Não se acostumavam afinal à ideia de Maria não as acompanhar no ritual do Santo Sacrifício. –É tão boa mulher. –Lá isso é, mas... assim foram desaparecendo estrada abaixo.
No pátio agora prepara Alfredo os atavios, para este não há feriado; enquanto nisto anda dá por Nereu que o observa do alto. –Onde vai? Alfredo moita. –Onde vai? Maria de pronto o repreendeu. Alfredo retardando o que fazia ia lançando olhares de esguelha a Nereu, até que decidiu não prolongar mais o seu sofrimento, –Se a tua avó deixasse, se me quiseres ajudar… o alvoroço instalou-se, a súplica naquela carita arrepanhada, o sim desejado, o tropel escadas a baixo, o inevitável: –Vai devagar, catano.
–Vizinha Maria, vimos pela tardinha; –E o almoço? –Comemos por lá; -Mas isso tem algum jeito, valha-me Deus. mas se estava decidido. –Levas a concertina; Maria deliciada viu-os agarrar as coisas, Alfredo fechar cuidadosamente a porta.
Estes lá se vão também mas estrada a cima direitos à Quinta grande, à quinta da Dona Gertrudes, Sra. D. Gertrudes como ela corrigia quem se descuidasse. Aqui Alfredo, consultado o Borda d'Água, quase põe e dispõe no tratar do que ainda resta da velha quinta, outrora rica em tudo; rica em água, o sereno mas severo cuidado de Alfredo garante o sustento de Gertrudes, que filhos e netos ía ajudando, por vezes até aos sobrinhos valia, quando por amor ou outra qualquer razão a visitavam. Hoje não é propriamente dia de trabalho e por isso a esta hora vai. A falar verdade não é só por isso, mais cedo fosse e Gertrudes predicaria sobre inconveniências de falhas aos deveres de um bom cristão; assim, talvez não lhe pergunte pela cor da salabita do padre, mas nunca fiando que a velha, nestas coisas de igreja não é mesmo de fiar.
Chegados arrumaram, na mesa de grossas tábuas da adega, a seira um, a concertina o outro. –Vamos ao trabalho? e aí vão eles, feliz segue Nereu, Alfredo, pés bailando dentro das galochas emprestadas.
No pátio nada mais digno de nota;
portas dentro de Maria da Graça, Victor toma-a nos braços forçando-a a um doce despertar.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Fujam que vem lá mais pátio

Da Graça já vos falei há uns tempos atrás, uns ouviram ou melhor, leram, outros não tiveram oportunidade mas ficam a saber que a sua porta fica ao canto mesmo ao lado da da Maria. Serão os que destoam nesta ilha, mais pela idade que os separa do resto, do que por qualquer outra razão. Para ali foram acabados de casar embora já não fossem estranhos quando chegaram, porque a montar casa andaram um ano a escorregar para os dois. Para além disso a menina Graça já era conhecida do cartório onde trabalhou até há algum tempo atrás. Porque não trabalha lá, agora? Explico: Corria tudo bem até ao dia em que o Dr. Sobral a chamou-a ao gabinete para lhe dizer –Graça, a partir de amanhã vem um estagiário; quero que o vá pondo a par do serviço, vá ensinando os procedimentos comece pelos assentos. Ah, o arquivo, o arquivo também. Assim foi. No dia seguinte lá estava aquele lingrinhas, logo pela manhã fria de Janeiro, sentado na escada, ou melhor no lenço porque o lenço é que estava na escada, mirando-a apalermado, enterrado no boné, desajeitado. Desajeitado era pouco; ao aperceber-se que ia abrir da porta, pôs-se á sua volta em passinhos laterais, fazendo sons de macaco e a retorcer o boné! –Entre, é o estagiário, não é? Pois o tanso, que outro nome não merece, palavra d’honra faz-me uma cena! Entra não entra, com encontrão pelo meio…-pró que estás tu calhada Graça Maria, pensou ela; e pensou bem digo eu.

Pacientemente lá foi mostrando os cantos e os livros da casa até chegar o Dr. Sobral que a primeira coisa que fez foi metê-lo no gabinete para uma conversa; para lá estavam eles, toca o telefone: –É da diocese da parte do Sr. Bispo, para o Sr. Dr. Sobral. Graça viu tudo, ou quase tudo.
Os primeiros meses nem correram mal. O rapaz de desajeitado foi-se tornando desembaraçado, sem dificuldades para aprender; tinha até de admitir que em arrumo e método podia pedir meças a ela própria; não se esquivava a nada nem ao pó do arquivo. Correram bem… com ele corriam porque com o Dr. Sobral iam piorando, especialmente após os telefonemas do Bispo.
Começaram a correr mesmo mal no dia em que o Dr. Sobral ao examinar uma escritura lhe pôs a mão na cintura e a começou a afagá-la paternalmente. Era o dia das mentiras, o tempo convidava a saia travada de tecido cinza e a camisolinha de malha. Sentia-se tão bem! até aquele estupor se atrever. Quando e como pôde refugiou-se no arquivo onde poderia verter as suas lágrimas, secas de raiva. –Que se passa, menina Graça? nem ali! A um passo inquiria aquele estupor direito seguro e doce. –Que se passa Graça? Ficaram a olhar um para o outro. Olhou-o nos olhos e viu-os límpidos sem qualquer mácula. –Não é nada, deixa lá; quis passar por ele mas viu o caminho barrado. –Sei tudo o que se passa, é por minha causa, disse ele antes de lhe virar as costas direito ao gabinete; um: –Pára, rouco, ríspido, semigritado estacou-o. –Depois conversamos melhor.
O arquivo passou a ser local das conversas. Na primeira foi feito o ponto da situação, avaliada a conjuntura: Bispo e Sobral estavam de acordo no que dizia respeito a quem melhor servia no cartório; nas que se seguiram não mais se entenderam. –Pões-te fora e vou eu a seguir. –Prá guerra, não? dizia ela; dois meses nisto, o tempo a aquecer era a conversa ao almoço partilhado no arquivo que nada mais tinha para pôr em ordem.

Entre teimoso e teimosa como se sai desta? Eu desunho-me dizia ele. – Parvo, retorquia ela; desesperado e sem argumentos agarrou-a pelos ombros , puxou-a para si sem sentir grande resistência, sentiu-a sim aninhar-se no seu peito. Pegou-lhe no queixo, a resistência foi afrouxando, beijou-a ao de leve nos lábios.


Nesta vida nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.
Perdia o emprego, ganhava o futuro marido

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Hoje há Festa

TRIO NORDESTINO FORRÓ PÉ



Erecteu já tem a ferramenta boa
aos amigos que viveram este drama exacerbado, obrigado
ás minhas, Bolachinha und Baum Cem Anos de gratidão, com elas não há Solidão
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I'M A SLAVE FOREVER
shiny I blink

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Esse teu olhar/Promessas

Cristina Motta - (animação)

O sinal dos deuses

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I'M FREE FOREVER
blindly I blink

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Segunda marcar consulta

A reunião até tinha corrido bem. Bem entrados pela noite, desfeitos os equívocos, o Sr. Almirante desmanchou a pose tornando-se numa pessoa surpreendentemente afável, comunicativa e alegre.
Arrastando-me até á cervejaria Alemã, não lhe pude fugir e lá tive de o acompanhar em informal cerimónia. Do bife mal passado, às cervejas passando pelo semi-frio até ao café e a aguardente reserva, sustentados num puro, foram duas e meia longas horas de conversa agradável, com intermitências de prolongadas dissertações, que desculpo. À despedida convite para jantar numa breve oportunidade e lá fomos cada um para seu lado, aos respectivos carros. Tivesse ele melhor sorte que a minha. Jante bloqueada, uma e vinte e cinco da madrugada, sexta-feira que nem era treze! A salvação do destino, ali há mão descendo ao Cais de Sodré; passando pelo Irish Pub, um grupo alegre cavaqueava, e de dentro saíam em surdina folk sonds. Salvação não tivesse eu visto as luzes do último comboio a afastarem-se nesta noite, trigésima de Novembro, de dois mil e seis.

Noite fria resolvi entrar. Para ali fiquei até me perguntarem o que queria –Uma Guiness, por favor, entre praguejares pra dentro e o ouvir a música. Grupos alegres de habituais, poucos de ocasionais; uma quase gaiata, divertida, não dava descanso às amigas roubando-lhes as bebidas ou passando as mãos molhadas pela cara de uma, pelas coxas oferecidas pela mini, de outra. Os nossos olhos cruzaram-se e a pequena, para meu triunfo, sentindo-se observada, convenientemente os desviou para voltar desafiadora; ficámos num jogo de sisudo, desvirtuado por sorrisos irónicos. As canecas foram saindo, mais do lado delas que do meu até me convidarem a sentar. Quem és, o que fazes, correu a mesa. Universitária uma, ex as outras, todas em abertura de fim-de-semana que prometia; Já solidárias com a minha desgraça, implacáveis com os filhos da puta dos xuis, porque não havia o direito, cabrões. Sem ser tido ou achado sentenciaram levar-me a casa, destruindo impiedosamente desculpa ou argumento apresentados; nem mais nem menos, passavam primeiro pelo meu carro para sacar uma pasta e assim foi, mas; Carro… uma porra, já lá não estava! Três da manhã, hôi! No problem, sabiam para onde o tinham, de certeza absoluta, rebocado e que até lá me levavam. Forçado e reforçado por aquelas frescuras, lá fomos. A desalmada comigo no banco detrás, não parava quieta moendo as amigas e ainda mais a mim nos quentes e fortuitos contactos de pernas; gaita, nunca vi gaja tão sepidada e com tal diabo no corpo que já do meu se apossava. Tivesse ela mais uns anitos e, e… Bem, adiante: após o desembaraço da viatura, os agradecimentos e a proposta de troca de números de telemóveis para um posterior contacto, o borracho colado a meu lado. –Vou contigo. –Comigo onde? –Já vês, melodiosa e concisa. Foram-se as outras duas, envoltas em gargalhadas, acenando divertidas. Ficámos nós. Aparvalhado dei por ela a entrar no carro, puxar o banco todo para trás, traçar a perna fazendo subir ligeiramente a saia, enquanto acendia um cigarro e lançava um olhar transviado. Fechou a porta, ergueu o queixo, olhou em frente.

Arranquei atarantado, e sem jeito fiquei ao sentir o suave pousar da sua mão no meu braço. -Queres... -Ir a tua casa, interrogou ou sentenciou, não sei. Devemos ter subido a escada, mas só dei por mim já lá dentro, abraçado com o seu rosto refugiado no meu peito, cabelos enredando-se na barba que já despontava; a morna respiração no peito foi descendo pelo corpo e incendiando a cabeça. Abracei-a suavemente, por um momento ali ficámos até que a sua mão da minha se ia suavemente libertando partindo á descoberta da casa de banho. Fui para a sala, sentei-me, levantei-me quando ouvi a água correr, acendi um cigarro fazendo de cabeça contas à idade que a gaiata poderia ter; assustei-me ao pressenti-la a meu lado puxando-me para o quarto com a cama por fazer.

(Foto © João Freitas )

Foram tantos os abraços os beijos as carícias, tantas as mordidelas os arranhões o repuxar de cabelos as lambidelas, tantos os apertões as festas e mais beijos e mais, mais, e mais...
louco dei por apartar-se, deslizar para fora da cama, desaparecer em silêncio.

(Foto © João Freitas)

A água deixou de correr; no silêncio instalado da madrugada ouvi-a entrar na banheira, fui escutando o marulhar da água, irromper um suave e doce cântico celestial. Assim adormeci, sonhando que uma ninfa de mim se tinha assenhoreado, comigo tinha feito amor, uma e outra vez.
Acordei com o sol, precipitei-me para a casa de banho.
A banheira estava vazia,

o chão molhado deixava um rasto até à porta onde jazia uma rosa.

Pátio de novo

A Laidinha, como já lhe chamam, Dief, o que dizer dela? Há tão pouco a dizer de uma pessoa assim! Será então: seca de carnes mas não de olho, mexe-se como lagartixa ou ratito do campo, se preferires, faz a sua vida em casa saindo para os avios, vive para os filhos embora já tenham a sua casa, enfrenta quem lhe pisar os terrenos. Pergunto-me se será uma pessoa feliz. Vocês julgarão, se nos der ocasião para tal. No pátio chamam-lhe a “Generala”, chamam, quer dizer, referem-se a ela, seguros de não estar por perto. De generala Á’delaide não tem nada; será uma ajudante de campo, sargento de dia ou fachina voluntária, generala, definitivamente, não; só para quem não a entende. O seu orgulho é o Manel Carvalho, o seu homem. Como ele não há outro. Nunca lhe pedira namoro mas não mais se esqueceu daquele dia em que se fora despedir do irmão que viera a casa para se despedir antes de partir para as Áfricas; o comboio a apitar para partir e sai de lá aquele rapagão direito a ela, –Posso escrever-te? o comboio a pôr-se em marcha, ele ali especado a olha-la do alto; só quando sem som lhe sair da boca lhe disse, –Sim é que ele sem mais nada, rodou e correu a tempo de ainda apanhar a última carruagem. Depois, foram dois anos e dois meses:

Adelaide
Espero que esta te vá encontrar de saúde, na companhia dos teus, por aqui tudo bem, graças a Deus.
….
O que tanto bem te quer,
Manuel Carvalho

Tinha-os lá todos; quatro maços amarelos atados em fita de cetim rosa, arrumadoas na caixa de camisa TV. "É LAVAR PENDURAR E VESTIR"

Depois... era já uma vida sem o ouvir queixar de nada.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Ainda o pátio

Pois em frente é o Manuel Carvalho, o Carvalho como muita gente lhe chama. Homem medonho, isso mesmo de H grande. Não há porta em que não se agache, talvez pelas porradas que deu numas tantas. Não pensem que é só pelo tamanho. E a cara? A cara naquela cabeçorra é de impressionar qualquer um de vincada que é, do sobrolho franzido, azul ainda que sempre de barba escanhoada a preceito. E as mãos, qual mãos, as patorras! sempre semicerradas como que a partir para coice de mula nascendo daqueles pulsos fortes que nem troncos! Vá lá alguém meter-se com ele! Força, coragem experimentem dirigir-lhe a palavra, seja só perguntar-lhe as horas. Viram? Viram como é? Aquele sorriso que se abre, a cara de criança que compõe para: 10 ¼, somente. Viram como o olho se ilumina por tão-pouco e como tarda a esmorecer até voltar ao seu ar de tritão? É esse o Manel Carvalho. O que é conjurado para a meninada comer a sopa mas que os arrasta a seu lado na fanfarra. Bum, bum catrapum pum pum aí vai ele na charanga dos bombeiros, passo certo como os demais, de capacete brilhante, empurrando o bombo com a barriga. O bombeiro Carvalho já desde gaiato, o primeiro a acudir, à sirene sem a deixar calar. –Rais parta o diacho do moço! comentário d’um eterno segundo a chegar. Isto… até ao dia em que abalou prá tropa porque foi bombeiro e mecânico voltou. Agora…, agora ficou mecânico e em terra que o comandante o quer na retaguarda. Pobre Manel. Mas avante que em frente também fica À’delaide que como convém para a história pequenina tinha de ser. Ah a Adelaide, que mimosa, que gracinha! Chega-te a ela, vai lá vai…!

terça-feira, 28 de novembro de 2006

O pátio é meu.


É o sentimento inconfessado de todos - -transversal, como agora se usa. E isso é mau? Nem por sombras. O sentimento de posse alimenta o ego. Mas se todos o usam, não há problemas? Claro que não. A concessão do uso, da partilha, fá-los sentir enobrecidos. O assunto é que é tabu. A mínima alusão à propriedade redundaria em catastrófica guerra civil. Posto isto, adivinharão com certeza que o pátio é um enclave do céu na terra. Mas não adivinharam, não senhor; trata-se simplesmente de uma questão adiada.
Ali, a mais antiga é a Vitória que teima pertencer ao dito quando vive para lá dele, lá para trás; no pátio só tem a arrecadação que não usa nem deixa usar. Nem a força de todos juntos a consegue demover, fará os argumentos solitários que foram lançando. Dizer que ela não ouve, não corresponde á verdade, ela ouvir ouve tudo direitinho só que a resposta é imbatível; olha, cerra os lábios, semicerra os olhos e: –Passe bem vizinha ou vizinho consoante o caso. Depois é vê-la afastar-se semicurvada mas tesa, silenciosa, como se de alma penada se tratasse.
O Alfredo mais a São já para ali estão desde o tempo em que o pátio ainda não o era pois a casa do Victor mais da Graça ainda não existia e assim sendo o que é ainda não era. Ficam logo ali à direita, ou á esquerda dependendo se falamos de entrar ou de sair. Na deles aparece a primeira luz do dia, ainda que, claro, de noite se trate. Acesa a luz sai a Ti São enrolada no xaile para atravessar a estrada e regressar com uma braçada de lenha e algum ovo no bolso da bata ou do avental - desculpem a imprecisão que no escuro não dá para distinguir. O ranger do portão nesta ida e vinda, dá o sinal a Ti Alfredo para saltar da cama, passar pela cara a água colhida da bacia de esmalte e de seguida limpar a face com a outra mão enxuta; a mão molhada, essa passa-a pela nuca dando assim por terminada a higiene matinal, ritual que já cumpre mesmo antes de se ajuntar á sua Conceição. Barba, perguntam vocês muito bem, isso é conversa para dia santo. Em frente deles, em frente deles fica para outro dia se disso me lembrar porque ou o sono puxa o tédio ou o tédio o puxa a ele.
Boa noite e façam o favor de descansar. Nada de galdérices que amanhã é dia de trabalho.

centésimo quinquagésimo

a chuva parou, não foi?

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

O PAPA VAI JOGAR FORA

Pensem lá bem.
Pensem vá lá.
De onde vai jogar advertem,

vamos não custa tentar,
Ferro e fogo a direito dará,
Terra que n’Europa quer entrar

É Constantinopla? Não!

É Ankara do Kurdistão

Os estados da CEE (nem todos) preparam a adesão da Turquia á comunidade.
Que Turquia?
A aliada membro da OTAN, um mercado interessante a médio prazo, uma ponte para o mundo islâmico?
Ou
O estado autoritário, corrupto, persecutório de minorias, violador de consciências, autista, cego e mudo face a um Kurdistão ou à Arménia?

domingo, 26 de novembro de 2006

estes 3 pariu m@rio.ces@riny que partiu

O Raul Leal era
O único verdadeiro doido do "Orpheu".
Ninguém lhe invejasse aquela luxúria de fera?
Invejava-a eu.
Três fortunas gastou, outras três deu
Ao que da vida não se espera
E à que na morte recebeu.
O Raul Leal era
O único não-heterónimo meu.
Eu nos Jerónimos ele na vala comum
Que lhe vestiu o nome e o disfarce
(Dizem que está em Benfica) ambos somos um
Dos extremos do mal a continuar-se.
Não deixou versos?
Deixei-os eu,Infelizmente, a quem mos deu.
O Almada? O Santa-Ritta? O Amadeo?
Tretas da arte e da era.
O Raul eraOrpheu.



de "O Virgem Negra" por M. C. V.

(Mário Cesariny).

PASTELARIA
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo:
fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

Nobilíssima Visão (1945-1946), in burlescas, teóricas e sentimentais (1972)

CONTRA DICÇÕES

Dr.
dói-me o peito
do cigarro
do bagaço
do catarro
do cansaço
dói-me o peito
do caminho
de ida e volta
do meu quarto à oficina
sem parar
sempre a andar
sempre a dar
dói-me o peito
destes anos
tantos anos
de trabalho e combustão
dói-me o luxo
dói-me os fatos
dói-me os filhos
dói-me o carro
de quem pode
e eu a pé
sempre a pé
dói-me a esperança
dói-me a espera
pelo aumento
pela reforma
pelo transporte
pela vida e pela morte.
Dr.
já estou farto
de não ser
mais que um braço
para alugar
foi-se a força
e o meu corpo
é como o mosto pisado
como um pássaro insultado
por não poder mais voar.


Dr.
eu não sei ler
os caminhos
por dentro
dos hospitais
mas alguém há-de aprender
entre as rugas do meu rosto
o que não vem nos jornais
e não há nada no mundo
nem discurso
nem cartaz
capaz de gritar mais alto
que as palmas das minhas mãos
que o meu sorriso sem jeito,
Dr.
Dói-me o peito…
José Fanha, Eu sou Português aqui, ed. Ulmeiro

sábado, 25 de novembro de 2006

Dia_positivo 8


Mesa a preceito. Toalha de xadrez outrora vermelho e branco, um pouco puída, escondendo a cor da mesa, não acusava a viagem; nem um vinco! A penumbra ía vencendo o que restava da luz, agora pendurada no céu onde castelos de nuvens empardeciam. Preparado o cenário, passemos à luta: Não vó, sopa não, em insistências pungentes não demoveram à’vó. –o determinado: –Só esta. sobrepôs-se às palmadas nas coxas com que Nereu reforçava –Sopa não vó. As duas primeiras foram dele, é verdade; mas as outras foram pelo pátio. –Esta é… pela Graça, esta ééé… pelooo…, o arrastar reticente das palavras tinham o efeito mágico de lhe entreabrir a boca, pelo Manuel Carvalho que é… mecânico e lá ia outra por goela abaixo – Mecânico? de quê? –Ora essa! de carros pois! assim continuaram naquele entremeado ora abre a boca ora desvia a cara de lábios arrepanhados. –Mas foi e toda!: AVÓ 1 / NEREU 0.
Sim senhora! Rematou Maria, mais regalada que triunfante, ao levantar-se para ir buscar a costeleta e as batatas fritas abafadas no fogão. No caminho deu à luz, convencido o dia em dar lugar à noite, a sala foi afagada por uma claridade amarela que as vinte e cinco velas ofereciam. Para não cansar: AVÓ 2 / NEREU 0, resultado de uma segunda parte de um jogo fastidioso. Por fim, o coelho que esfriava poude confortar Maria. Retornada à mesa com o, prato entre mãos, levava ainda meia pêra que Nereu teria de roer. Sentou-se e antes de atacar, ao prato deu uma volta inteira para, não se entende, na mesma posição ficar! Nereu debicava, Maria entre garfadas mirava-o meio absorta. Resultado deste prolongamento? MARIA 0 / NEREU 0, ou empate técnico como Absinto diria.
Finalizada a refeição deitou a mão ao candeeiro a petróleo, apagou a luz e voltou a sentar-se de costas apoiadas na parede. Nereu não tardou. Rabo no banco depositou a cabecita no colo d’avó; ao remexer no cabelo e ás pontas de dedos aflorando a cabeça, respondia cavando as pernas com a o nariz, á outra mão afagando as costas, respondia um serpentear do dorso, assim para ali ficaram aquelas duas almas tagarelando, tagarelando, sei lá sobre o quê.
O frio foi-se instalando e o sono chegando. Ereneu lá foi nos braços da avó para a cama. Ao depositá-lo, Maria sentiu-se apossada pelas mãozitas que se apegavam. Olhos entreabertos: -Vó contas uma história? Maria tapou-o, deitou-se a seu lado, puxou para si a coberta, começou: Era uma vez…, e sentiu a respiração pesada e quente do neto.

volvendo os olhos pra Nereu,
mas que dia!


ut parvus est

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Cem anos teria o professor Rómulo, poeta Gedeão

Faço um grande esforço mas não consigo imaginar que poema escreveria o professor Rómulo a Maria de Lourdes Rodrigues.

"Poema da malta das naus"

Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.

Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo.
pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.

Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das prais
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.

Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me a gengivas,
apodreci de escorbuto.

Com a mão esquerda benzi-me,
com a direita esganei.
Mil vezes no chão, bati-me,
outras mil me levantei.

Meu riso de dentes podre
secoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.

Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.

Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.

O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.

António Gedeão in "Teatro do Mundo", 1958

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

TLEBS - SABE O QUE É?



"A profe também anda bimba com a cena, parece que não topa peva, é assim uma cena toda nova. Aquelas gaitas ca gente teve de encornar - os adjectivos, os verbos, essas cenas, 'tás a ver - agora tem tudo outros nomes, bué de compridos e depois cada cena com uma data de nomes."


(…)" e "núcleo(s) de grupo nominal com função de complemento directo e modificador(es) adjectiva(is) em posição de atributo", nem o Estripador! Nos meus tempos de estagiário li uma vez numa participação policial que alguém fora mordido por um "animal canídeo do sexo masculino, vulgo cão". Diz a TLEBS que cão é um "nome comum, contável, animado e não humano" (soa como o "robot" da "Guerra das Estrelas" a falar). Acho preferível a versão do polícia .

Estes gajos endoidaram, definitivamente.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Dia_positivo 7


Esfregando as mãos ao avental ficou embevecida a olhar a folha que o neto lhe estendera, feita parva, enrolando o papel que ganhava jeitos de amachucado. -Oh! oh meu filho, com'é que fazes estas coisas lindas, como? – Faço! E se mais disse foi – E agora o que é que faço? os putos são assim, não há nada a fazer; nem uma pitadinha de reconhecimento pelo reforço afectivo, e lá voltou –Atão o que faço agora? – Vai um bocadinho até à janela. Isto há cada uma! Num virote, aqui vou eu Nereu, mas… – Espera, filho espera; e vai de meter uma cadeira virada ao contrário junto à janela. – Assim não há perigo, mas tem juízo, “ouvistes”; Nereu olhou pra ela, pr’á janela, pr’á cadeira, avaliou rápido e zuc, não era o piloto mas de passageiro servia. Apanhado o avião em pleno voo lá foi ele. Por vezes, passando alguém na rua, já lá não ia, perdida de vista a distracção a ele voltava viajando entre nuvens, direcção ao sol que se punha por cima da casa de Vitória. -Prá mesa, lavar as mãos.

O sol não cai depressa mas caindo cai.
E ele foi indo, já não correu.

100 + 0 (II)

metamorfose

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Dia_positivo 6

O desenho

Almoçados como piscos, ambos diminuídos pelo cansaço e pela natureza de Nereu, cumpriu-se o destino traçado. –Fazer a sesta, disse Maria a caminho do quarto onde correu as cortinas após o que desceu para arejar alguma roupa, onde o primeiro desentendimento estalou. Nereu ouvia: uma que tinha sido a Rainha Santa, a outra que a N. Sra de Fátima é que era; o é não é foi-se e para ali ficaram cada uma com a sua. Às tantas, sem se saber como estavam aquelas duas para ali sentadas no bataréu: -ali é a Adelaide mais o Manuel Carvalho, ali a Ti São mais o Alfredo, lá pra trás a Vitória. –E vossemecê? –Eu? Sou aqui! apontou com o polegar para trás das costas. Não!!!, qual é a sua graça? –Ah! Eu sou a Graça e riram, riram como se de grandes amigas se tratasse, -E, e … o meu homem é Victor e continuaram a rir como gaiatas. Com pouco mais do que isto a hora adiantou-se. Cada uma fugiu par’a sua, sem que antes de entrarem se acenassem gostosamente.
Deu com Nereu sentado na cama brincando com uma caixa como se fora um carro. –Dormiste filho? –Estou de castigo? –Dormiste? –Um pouco, um pouco mentindo. –Estás sim senhor. –Qual é? –Não podes ir par’á janela. –Hã. Não há hãaa nem meio hãaa. Sentiu-se safo, aliviou; a nuvem negra que pairava desvaneceu-se.
Maria pôs-se a distribuir as coisas por onde entendeu. Não eram muitas felizmente (?), tudo ia ganhando o seu lugar; -Vó o que faço? –Brinca filho. –Já brinquei tudo! –Faz um desenho pr’a vózinha. E foi-lhe buscar a caneta e um bloco. Ele fez.


-Vó é pra ti apareceu ele de folha na mão.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Portanto

..." quem quer que pretenda escrever sobre erotismo tem de fazer uma escolha prévia. Se quiser evitar produzir sensações e emoções eróticas tem de utilizar as expressões científicas ou as da etiqueta quotidiana. Se, pelo contrário, quiser evocar as emoções eróticas e praticar a fenomenologia, a certa altura tem de deixar a linguagem científica e médica para usar expressões mais comuns, quotidianas, até ordinárias, mas capazes de evocar a experiência."...

100 + 0



domingo, 19 de novembro de 2006

O Erecteu aprendeu


Como já havia prometido sobre pixotas não vos "menta". Nunca vos menti nem torno a mentir. Sim porque sou um gajo honesto – e com O grande; por isso devo-vos uma explicação pra porra do livro que comprei.

Ía eu ao Jumbo da Buraca (se de sexo se tratasse Jumbo da Vagina, tá?) e logo à entrada vejo um senhor que conhecia mas não sabia de onde; educado como sou e farto de que pensem que tenho a mania da superioridade , dei-lhe um bacalhau. –Ora como está o Senhor… Fernando? O tipo faz-me uma cara de cu (ânus),de olho bem peludo; vi que tinha dado barraca. –Malato quer você dizer. Tinha mesmo era o MALATO em banha e osso! Estou fodido (copulado), como saio desta? –Pois Fernando Mala… -Não. José Carlos Malato. -AH pois desculpe lá, vai um salgadinho ou docinho? -Huumm… revirando os olhos e espremendo o olho (esfíncter) cabeludo -estava safo. Lá fomos e não descolou.; não descolou ele nem eu que vi a oportunidade de aparecer na TV. Fomos e logo à entrada –Vamos dar uma volta pelos livros? Sim Sr Engº. –Deixe-se dessas (sic) merdas (excrementos). O gajo desata a sacar livros pr’o carrinho, entre cada livro olhava pra mim e eu sem saber que fazer, lá ia pegando num e noutro, como ele, quando me vem com –Este deve ser muito bom, tenho-os todos;. deitei-lh’olho e pela capa e plo titalo, resolvi-me:
-Levo este pra juntar à minha biblioteca. Vou prantá-lo junto à colecção encadernada do Vilhena.
Boa seca. Nem bonecos tem! Desculpem lá o Erecteu.
contudo todavia porém, lá fui lendo: 2. Linguagem ordinária e científica

sábado, 18 de novembro de 2006

Dia_positivo 5



Mãositas aflitas procuraram o parapeito e assim se sumiu para dentro. Maria correu; num passo galgou a escada noutro estava no quarto e Nereu já tinha uma tremenda palmada no rabo. – Estranho prémio para insuperável acrobacia aérea, merecedora de ficar nos anais da história! (como aliás nesta ficou) Coisas da vida.
Maria reforçou o prémio com: –Ficas de castigo. E mais não disse, depois de fechar a janela. Nereu, de rabo a arder, ainda assustado, para ali ficou; do castigo não sabia nada.
Maria, essa chegou-se à chaminé, remoendo palavras, olhou pró fogão mas decidiu-se pelo Hipólito, fogareiro a petróleo, que carregara. Tacho ao lume água sal, cebola de cravo cabecinha cravejada, esperava pelo ferver; lá de baixo: Oh vizinha, -trejeito de cabeça que soltou uma mecha do cabelo já mal apanhado. Oh vizinha, -encolher de ombros. Oh vizinha maRIAAA!. –espreitou à janela. O menino? –Vai comer. –Está bem? –Está de castigo. OOOH. Fechou a janela.
Arroz dentro, dez minutos de fogoforte mais tarde, estava pronto ; num ápice aqueceu o coelho que não quisera deixar para trás sozinho; acompanhado viera já guisado com as ervilhas cenoura, muita cebola, tomatito e raminho de hortelã.
-Pra mesa, vai lavar as mãos. -Aonde? -À casa de banho. -Aonde? -Arre o garoto! ao cimo da escada, rais parta. Erecteu… correu, abrandou ao passar pela avó, acelerou de novo direito à porta.
Tinham casa de banho.
TINHA CASA DE BANHO!

SEXO E AMOR


O Erecteu está com um problema, não sabe o que há-de fazer à pixota.

Já recoreu a tudo e a todos:

  • Começou por ele próprio, desde muito cedo. A memória que tem do prazer que teve ao explorar o que tem a separar a perna direita da esquerda, é de tal modo remoto, que ele não vos diz. Chamavam-lhe mentiroso. (não é que não o seja mas neste particular e só neste, promete não vos enganar).
  • Recorreu a mulheres: amigas, desconhecidas e (esporádicamente) a trabalhadoras por conta própria, sem contabilidade organizada, não sindicalizadas, sem tabela fixa. Finalmente:
  • Recorreu a amigos intimos. Sim qual é o espanto? A AMIGOS INTIMOS, repito. Mas esses...

Foi, por exemplo, assim invarávelmente como se tivessem combinado:

-Eh pá isto da pixota... tiriritiriri, o que é que achas?

-Corta essa merda e deit'á fora, só te traz problemas.


concisamente. nem cu me ofereceram

fffffffff


RESOLVI ENTÃO:

Desatar os colhões à bolsa -13,46 € pró caralho, a tentar perceber a pixota.

mas... só vou ler a primeira parte, a do sexo.

se quizerem saber o que já "seio" apalpem aqui.

para ler 1. Sexualidade e amor

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Dia_positivo 4

...
Entre as caminhadas, na última: -Bom dia Vizinha. Maria “confrontava” pela segunda vez uma vizinha. –Como parece cansada! Dirigia-se-lhe uma mulher com traços ainda de garota que assomara à porta colada à sua. –Bom dia menina, um poucaxinho. Olho nela olho em Nereu que as observava do avião. –até já. –Mas espere, não precisa de nada? Do alto sons de um avião, -Cuidado é perigoso. Resposta: momices e trejeitos de gaiato que não eram só par’avó. -Vai estando na hora de comer, não querem uma sopinha, ainda feita ontem? Maria estacou, encarou-a de frente –Oh messa! –Para o menino, vá lá não s’acanhe. -os motores troavam reclamando a atenção, braços em asa balançando como que a celebrar a vida –MALVADO, pra dentro já. , o voo continuava agora em voltas apertadas e ensaiando um mergulho desequilibrado. Uma fracção de segundo uma dor de coração em duas mulheres! Um em dois soou um grito lancinante ao verem apontar cada vez mais perigosamente ao chão o avião em voo picado.

Jovem piloto atrevido em avião de asas de geometria variável, digo eu.
Nereu com asas de anjinho viram elas.

...

in ADN

Hoje é dia de festa

Astronomy Picture of the Day
muitos, muitos, bon-bons para sempre

Qual dilema qual quê.

Artes ou ciência, Porquê?

Artes & Ciência, Porque não?

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

NÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO ADSL

NÃOESQUECERDEPAGAROSAPOADSLNÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO
NÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO ADSL NÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO ADSL NÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO ADSL NÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO ADSL NÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO ADSL NÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO ADSL NÃO ESQUECER DE PA GAR O SAPO ADSL NÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO ADSL NÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO ADSL

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Dia_positivo 3



Aberta a porta, para a direita, Maria que antes se benzera, preocupou-se em entrar com o pé direito, no mundo que se lhe oferecia.
Á sua frente uma escada como a que leva aos céus; íngreme e estreita por onde poucos passam, estranhamente curta; escasso cobertor, focinho burilado, espelho avantajado; alva de seu pinho, textura profundamente marcada de tanta lixívia. Mão no joelho para facilitar a escalada, ainda a meio não ía e já Nereu furava direito às portas que lá no alto: a da frente cerrada, a da direita oferecida. –à tição, tanta pressa pra quê?, ele zut, arrancou a quatro por ali acima, em sons indescritíveis, direcção à luz que o puxava, mais que buraco negro do céu. Ao assomar do patim, lá de dentro vinha –Oh anda, como que se aflito estivesse, o “vó anda” repetia-se reforçado pelo batuque no soalho a dois pé; espreitou semiofegante, a cozinha –Pára, olh’á viziINHA! em troca recebeu a precipitada investida de um abraço pela cintura. -como lhe sabia bem aquele rostinho quente, no ventre!
Para ali ficaram em balanço suave; Maria descendo os olhos da lâmpada que baloiçava para aquele espaço, ainda, estranho: fogão na chaminé, louceiro de portas de vidro! mesa pintada de azul ou verde-turqueza, plantada quase a meio, janela dependurada na parede do fundo como se um quadro fosse; Não vira tudo e já começava a mudar o sítio às coisas, olhos quase brilhantes. Ereneu, esse, já ía em tropel direito ao quarto do fundo, sem ligar à porta no pequeno corredor, talvez por sombrio que era. Foi lá ter, a satisfação arrepanhou-lhe o coração, agora sim brilhavam mesmo; cama de sobra pra dois, guarda-fatos, cadeira e até mesinha com duas gavetitas! ali era fácil: é só arredar a cama pr’á parede. –Debruçado, de barriga colada, na pequena janela, sentenciou: Parece um avião! –tem cuidado, filho, vou buscar o resto das coisas.

Assim desceu para subir ao céu mais duas vezes, só naquela manhã.

Incapacidade minha de comunicar

não me permitiu fazer o que queria


pique um e depois outro e...

é o que queria transmitir à autora

de tão louvável divulgação.


fica a brejeirice, resultado de uma tentativa falhada

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Dia_positivo 2

cada ponto de chegada é um ponto de partida
...
Como descrever aquele amontoado de casas predominantemente térreas confinadas por estrada e rua; abertas para pátios separados por muros que umas vezes eram outras não; que gente viveria ali e desde quando? uma família que crescera ao longo de gerações ocupando o terreiro, talhando-o em quintalitos ou pátios como mais lhe gostavam de chamar? O tempo, a seu tempo o revelará com certeza, ou melhor, talvez. Junto à rua contorcionada, varria um vulto negro, pá de zinco numa, vassourita descabada na outra mão. Rangendo foi-se levantando e rodando ao pressentir proximidade estranha. Quase erecta, inquiriu muda. –sou, depositando o carrego, a Maria Mota, como se a outra não o tivesse já adivinhado, de mão no rim, este é o Nereu –olha!, foi a resposta; -venham disse quando transpunha o muro por porta de tábuas rompido. É ali, disse.
Primeiro foram as duas viagens, para carregar até à porta semicerrada, ao canto, aquilo que afinal junto viera; depois, ao pôr a mão na aldraba de ferro, volteou a cabeça à procura… lá estava ele, ainda encostado à ombreira; só a cabeça franqueara o pátio, olhar perscrutando a pormenor, biqueira espetada cavando a terra, língua espetando, ora uma ora outra, as bochechas.
...

Dia_positivo

O caminho
O puto vivia o dia numa excitação incontida. Desde a véspera que ansiava pelo momento de ver finalmente a casa nova. Abraçando um embrulho de papel castanho lá seguia com a Avó, umas vezes à frente outras para trás ficando se carica ou lagartixa o chamava – anda Nereu, rais partam o moço praguejava a mulher; passo firme e ligeiro sem se render á velha mala e trouxas, uma à cabeça, outra batendo-lhe nas pernas a cada passo conquistado à distância. – oh vó ainda falta muito? – não meu filho é já ali. O puto ganhava alma e corria competindo com a bicicleta que passava -tá quieto Nereu olha que cais. Era assim desde que a velha, ajeitada a casa, o sol para raiar, fechada a porta e depositada a chave no vaso; mirada de soslaio, atacou os haveres distribuídos pelas trouxas e pela mala opada; equilibrada a primeira à cabeça agachada, era agarrar o que restava e subir, não fora Nereu ter-se colado ás costas prolongando o sono interrompido; -malvado miúdo, sorte a minha! Anda filho, vamos, não queres ir? bastou para se soerguer e porem a caminho.
O sol já ferrando os corpos, Oh vó é já ali quando? –Estás a ver filho, aquelas últimas casas? É já ali.
O puto de olhar subindo e iluminado: -é mesmo vó? Disparou a correr –olha que cais gritou.
–Diaxo do miúdo pensou sorrindo.

domingo, 12 de novembro de 2006

Por este rio acima

(aconselha-se acelerar a seca. carregue no +)
com o P dos balões




sábado, 11 de novembro de 2006

História edificantes para não esquecer tão cedo

ALI-BLÁ-BLÁ
Corta e cola daqui
Há algum, pouco tempo, lá para os lados do Rato, vivia Ali Só-Sócra, que ganhava a vida vendendo promessas nas aldeias próximas à sua.
Uma bela tarde, ao regressar a casa, viu uma grande multidão de oitenta mil pessoas carregadas com grandes preocupações que as puseram no ar num pequeno país.
Então, espertíssimo, Ali Só-Sócra viu a grande oportunidade ao ver o chefe Al Santló a aproximar-se da parede rochosa e gritar: - Abre-te Sésamo! Como que por milagre abriu-se uma grande fenda na rocha e apareceu uma enorme gruta, no interior da qual a multidão de oitenta mil pessoas descarregou as grandes preocupações e saíram.
- Fecha-te Sésamo!- gritou o chefe. A parede voltou a fechar-se e foram-se embora. Quando Ali Só-Sócra viu que a multidão já ia longe, correu para a grande rocha e gritou:
- Abre-te Sésamo! Entrou na gruta e viu, espantado, que ela albergava um precioso tesouro, proveniente dos roubos que outros homens vinham praticando nas cidades da região.
No dia seguinte, pedindo segredo, contou tudo ao seu irmão mais velho Ali Ferod.
Logo que a noite caiu Ali Ferod, sem dizer nada a ninguém, colocou os arreios e alguns sacos nas mulas e dirigiu-se à gruta, sonhando durante todo o percurso que era muito, mas mesmo muito sortudo.
Porém, quando tinha os sacos quase todos cheios das preocupações, os ladrões regressaram para guardar mais preocupações roubadas e, ao verem-no, pois não havia como esconder-se, atiraram-se a ele e resolveram perguntar à multidão quem é que tratava deles.
Preocupado com o desaparecimento do irmão, e lembrando-se da conversa que tivera, Ali Só-Sócra decidiu ir procurá-lo à gruta. Logo que entrou viu-o atado de pés e mãos, viu a chance de ser ele a tratar de encantar a multidão.
Porém, quando os ladrões regressaram à gruta e viram que o AL-Ferod se tinha evadido, logo pensaram numa maneira de o apanharem e a quem o ajudou.
- Far-me-ei passar por merecedor e irei bater de porta em porta em todas as cidades em redor. Porei um de vós em cada esquina e concerteza que os caçarei.- decidiu o chefe Al Santló.
E lá foram de cidade em cidade, consoante o plano que tinha forjado, até que chegou a casa de AL-Ferod e o reconheceu. De imediato lhe pediu alojamento, ao que este anuiu, sem desconfiar de nada.
Mas durante o jantar a criadita Malurod, ao passar junto das vasilhas, ouviu os ladrões a cochicharem:
- Estejam preparados, aproxima-se o momento de os agarrarmos!
Malurod correu a contar a Ali Só-Sócra a estranha coisa que tinha ouvido. Resolveram então tecer um programa de doces promessas e despejá-lo em cada pote aonde se escondiam os malvados ladrões. Estes deram à sola aterrorizados, com excepção do chefe, Al Santló que foi preso e entregue aos guardas do rei AL Josampa que lhe disse vai-te embora não te quero ver mais.
AL-Ferod, agradecido, comprometeu-se a dar metade da sua fortuna ao irmão.
- Agradeço-te, mas apenas quero a tua herança para mim. A outra metade pertence a Maluro, com quem me vou casar!

E casaram! Vivem muito felizes a pregar umas partidas à multidão.
Aos ladrões que fugiram e não lhe fizeram mal nenhum, deu-lhes emprego na ALI-BLÁ-BLÁ & Cia onde andam agora a vender o seu produto.

A multidão vive feliz por se ter livrado do Al Santló e anseia por pregar uma partida ao feliz casal, como prenda de casamento.

vitória, vitória começou a história

Bom fim de semana

como anda aí uma onda de revivalismo procurei ir um pouco mais longe.

pro menino.

e pra menina


( o Tomates acha que não tive muita receptividade.- Lá está ele outra vez)

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

122/70, 1ª companhia

Sentados num desnível entre a parada e a caserna, naquele fim de tarde conversava um pequeno grupo. O que diriam naquela primeira semana de recruta? Conversas soltas seriam. – Oh nossos recrutas, bastou para pôr tudo em sentido, braços e dedos esticados, uns a ensaiarem uma continência outro à procura do quico, todos a tentar aplicar o que já deveriam saber. – Mas que vem a ser isto? – torniturava nada mais nada menos que o comandante da unidade. – a desrespeitar a farda sentados no chão? Tudo calado ouvindo a reprimenda, ouve-se – Oh senhor… - SENHOR!!! trovoou o Coronel – Oh nosso Capitão tire-me já o número desses gajos, quero-os todos à máquina zero e o fim-de-semana é por conta da casa; começaram a declinar o “nome e apelido” que agora tinham:
x/70, 1ª companhia, y/70, 1ª companhia, e por aí fora até ao convincente 122/70, 1ª companhia. Recebida a piçada, perdido de vista o “estado maior”: – Oh pá enganaste-te não és o 122! – e eles sabem qual é o meu número, caralho?
Sábado meio-dia via-se, pela última vez de cabelo intacto, riso contido, piscar de olho e acenar de mão disfarçados, marchar direito à porta de armas o Chico Zé Gordo.

Cântico de amor negro

"O XZ FOICE "
De Bolinha a Chico Zé Gordo, connosco cresceu. Foi o primeiro a ganhar o direito a ter o nome por inteiro:

FRANCISCO JOSÉ MARTINS DO VALE

O Primeiro:
inconformado
pervertedor
apaixonado
desbocado
chatarrão
ignorado
teimoso
carente
guloso
culto e
amigo
Sofreu e resistiu a dois atentados, caiu na última emboscada montada pela gadanha. Juntou no último acto amigos que nem as violas levaram. Viverá em histórias aldrabadas, por contar. Entregámo-lo ás valquírias que o levaram para onde, com ele, não mais haverá sossego.
Se estou chateado? Não!
Morreu como quis, com ele encavado.

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Denunciando erecteu 1


Tenho poucos amigos mas bons.
É fácil de apurar


2(C+J+J1+T+Z-1)=(-K+5)/2 »
» C+ J+J1+Z+K=5+1 »
» C+J+J1+Z+K = 6

(o constante K = Erecteu)
ora, feitas as contas de cabeça dá… dá 5. Seis? qual seis, K não conta para nada.
Cinco como os dedos da minha mão, é mesmo giro!


Bom mas isso é o que menos vos importa, adiante.
Telefono-lhe e o mula não me atende, sabendo eu que é coisa a que ele não resiste, pergunto-me se não lhe terá dado o treco.
Desmascarando Erecteu: o gajo é capaz do que não lembra ao diabo. Recuemos uns anos, situemo-nos em Vila Moira, onde eu trabalhava. Ao cair da tarde de um quente verão, a campainha desata a tocar sem mais parar; que remédio, enrolei-me à toalha e fui pingando até à porta. Ali estava ele de dedo afincado na campainha, o velho saco de cabedal aos pés, de sorriso velhaco armado. Voltei-lhe as costas e para a casa de banho voltei tirar o sabão; ele, foi entrando direito ao quarto do fundo, atirou-se com o saco para cima da cama feita de branco, cigarro preto nos beiços sem saber do cinzeiro, até me sentir ir para a sala… veio ao meu encalço e ferra-me com aquele exagerado abraço que não sei bem, se bem me sabe ou mais me irrita.
Libertado do laço oiço disparar: como é hoje? – Tenho que trabalhar; -ai é? Vou contigo. E lá veio carregando o saco das máquinas. Foi a dar-lhe: rãkiau e nossasenhoradorossio, olé, fados, aí fadista! até às quatro e meia da manhã. Despachada a seca e os – oh senhor, tire aqui mais uma, era hora de voltar. noite de brasa sufocante lá fomos até ao carro, Erecteu meio murcho, arrancámos, vem-me ele, voz muribunda e aroucalhada –estou-me a sentir mal –que tens? – Sinto-me engripado. Fecho a janela, ando cem metros, jesus! O tipo lançou-me a bufa mais podre que alguma vez testemunhei! Isso faz-se? Volve ele: respira pela boca matos. E foi até casa desbragado a rir sem parar.


Digam lá se não é nesta vida que ele tem que as pagar?

Não te impressiones minha pombinha


O que aqui vês, é só um banho de fantasia que encheria o saudoso prestige de platonismo.Fui adoptado, vá-se lá saber porquê, por umas amigas e uns camaradas virtuais que me têm mimado com muito do que gostaríamos, todos, de encontrar no mundo tangível.Tivesse eu poder e um dia pregava-vos uma partida. Fazia com que aparecêssemos numa clareira, em noite de lua cheia, lá para os lados do Gerêz.Alguém levaria absinto, outra petiscos a la mich, e todos histórias para contar.O que daria para rir! Afinal aquele é “lingrinhas”..., e olha aquele, afinal é aquela!Farráva-mos toda a noite!, um emprestava o casaco ao que tivesse frio, outro adormecia pela primeira vez no regaço de outro.Depois devolvia-vos.
Ao acordar tínhamos todos, todos,
tido o mesmo sonho lindo.