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sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Agora é que vai ser ela
quarta-feira, 13 de dezembro de 2006
Quinta Grande
...pés bailando dentro das galochas emprestadas, ia Nereu pisando as parras secas que teimavam em cair, molhadas porque a chuva teimava também. A parreira estendia-se em comprida latada armada em pilares de granito escassilhado, interrompida quase a meio por um confortável alargamento; de um lado o tanque recebia água da mina, ao meio uma enorme laje de pedra equilibrava-se num afloramento rochoso, mesa seria se esse uso lhe dessem, com ela embirrava Alfredo que achava só servir para estorvar; à direita outra latada desce suavemente para sul dividindo o pomar em dois e prolongando-se
até à eira; para lá uma leira, língua de terra negra duns cem por uns trezentos passos bem medidos terminava num silvado a despontar no meio dos velhos salgueiros; é a estrema da quinta onde o ribeiro arrasta as ramadas na forte corrente. Diacho, com isto perdi-os que seguiram em frente direitos ao muro de pedra onde o casão das alfaias convive entre alpendres, palheiro e cercados; aí ficam os animais. Alfredo abre primeiro a cancela das cabritas que os olham lá do fundo do telheiro, indiferentes nas barrigas a encher, Nereu encarrega-se de as enxotar correndo para elas que de um salto partem cada uma para seu lado procurando a saída. Aí vão elas e Nereu, em perseguição até ao –Deix’ás bichas, vamos; foram até ao casão onde Alfredo se ocupou por um pouco a arrumar caixas de fruta,
ferramentas e outros pequenos objectos, Nereu entretinha-se encavalitado no pequeno tractor, manobrando volante e mudanças numa ruidosa e misteriosa viagem recheada de perdigotos. Alfredo mirou as tesouras da poda, avaliou o tempo, abanando a cabeça acabou por decidir que hora de tratar do estômago era chegada.Voltavam à adega e ao fundo avistaram Rosa que Gertrudes mandava dizer para irem prá cozinha. Ordens, ali, são ordens; lavadas as mãos trocado o calçado, Alfredo passou um pouco de água pelo cabelo enquanto inspeccionou Nereu. Na quente cozinha a mesa posta; esperava-os: pataniscas de bacalhau, arroz de feijão, grelos cozidos; Nereu teve direito a ovo estrelado em azeite.
Assim Gertrudes os salvava do pecado da carne naquela sexta-feira.
Na marmita enrolada em jornais, a chanfana de cabra velha ficava adiada.
Feliz Natal a todos
sábado, 9 de dezembro de 2006
Pátio - nada de especial a referir
No pátio agora prepara Alfredo os atavios, para este não há feriado; enquanto nisto anda dá por Nereu que o observa do alto. –Onde vai? Alfredo moita. –Onde vai? Maria de pronto o repreendeu. Alfredo retardando o que fazia ia lançando olhares de esguelha a Nereu, até que decidiu não prolongar mais o seu sofrimento, –Se a tua avó deixasse, se me quiseres ajudar… o alvoroço instalou-se, a súplica naquela carita arrepanhada, o sim desejado, o tropel escadas a baixo, o inevitável: –Vai devagar, catano.–Vizinha Maria, vimos pela tardinha; –E o almoço? –Comemos por lá; -Mas isso tem algum jeito, valha-me Deus. mas se estava decidido. –Levas a concertina; Maria deliciada viu-os agarrar as coisas, Alfredo fechar cuidadosamente a porta.
Estes lá se vão também mas estrada a cima direitos à Quinta grande, à quinta da Dona Gertrudes, Sra. D. Gertrudes como ela corrigia quem se descuidasse. Aqui Alfredo, consultado o Borda d'Água, quase põe e dispõe no tratar do que ainda resta da velha quinta, outrora rica em tudo; rica em água, o sereno mas severo cuidado de Alfredo garante o sustento de Gertrudes, que filhos e netos ía ajudando, por vezes até aos sobrinhos valia, quando por amor ou outra qualquer razão a visitavam. Hoje não é propriamente dia de trabalho e por isso a esta hora vai. A falar verdade não é só por isso, mais cedo fosse e Gertrudes predicaria sobre inconveniências de falhas aos deveres de um bom cristão; assim, talvez não lhe pergunte pela cor da salabita do padre, mas nunca fiando que a velha, nestas coisas de igreja não é mesmo de fiar.
Chegados arrumaram, na mesa de grossas tábuas da adega, a seira um, a concertina o outro. –Vamos ao trabalho? e aí vão eles, feliz segue Nereu, Alfredo, pés bailando dentro das galochas emprestadas.
quinta-feira, 7 de dezembro de 2006
quarta-feira, 6 de dezembro de 2006
Fujam que vem lá mais pátio
Pacientemente lá foi mostrando os cantos e os livros da casa até chegar o Dr. Sobral que a primeira coisa que fez foi metê-lo no gabinete para uma conversa; para lá estavam eles, toca o telefone: –É da diocese da parte do Sr. Bispo, para o Sr. Dr. Sobral. Graça viu tudo, ou quase tudo.
O arquivo passou a ser local das conversas. Na primeira foi feito o ponto da situação, avaliada a conjuntura: Bispo e Sobral estavam de acordo no que dizia respeito a quem melhor servia no cartório; nas que se seguiram não mais se entenderam. –Pões-te fora e vou eu a seguir. –Prá guerra, não? dizia ela; dois meses nisto, o tempo a aquecer era a conversa ao almoço partilhado no arquivo que nada mais tinha para pôr em ordem.
Entre teimoso e teimosa como se sai desta? Eu desunho-me dizia ele. – Parvo, retorquia ela; desesperado e sem argumentos agarrou-a pelos ombros , puxou-a para si sem sentir grande resistência, sentiu-a sim aninhar-se no seu peito. Pegou-lhe no queixo, a resistência foi afrouxando, beijou-a ao de leve nos lábios.
Nesta vida nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.
Perdia o emprego, ganhava o futuro marido
terça-feira, 5 de dezembro de 2006
Hoje há Festa
Erecteu já tem a ferramenta boa
I'M A SLAVE FOREVER
shiny I blink
segunda-feira, 4 de dezembro de 2006
O sinal dos deuses
No more bold
No more links
No more center
or justify
I've no tool bar
I'M FREE FOREVER
blindly I blink
sexta-feira, 1 de dezembro de 2006
Segunda marcar consulta
A reunião até tinha corrido bem. Bem entrados pela noite, desfeitos os equívocos, o Sr. Almirante desmanchou a pose tornando-se numa pessoa surpreendentemente afável, comunicativa e alegre.
Arrastando-me até á cervejaria Alemã, não lhe pude fugir e lá tive de o acompanhar em informal cerimónia. Do bife mal passado, às cervejas passando pelo semi-frio até ao
café e a aguardente reserva, sustentados num puro, foram duas e meia longas horas de conversa agradável, com intermitências de prolongadas dissertações, que desculpo. À despedida convite para jantar numa breve oportunidade e lá fomos cada um para seu lado, aos respectivos carros. Tivesse ele melhor sorte que a minha. Jante bloqueada, uma e vinte e cinco da madrugada, sexta-feira que nem era treze! A salvação do destino, ali há mão descendo ao Cais de Sodré; passando pelo Irish Pub, um grupo alegre cavaqueava, e de dentro saíam em surdina folk sonds. Salvação não tivesse eu visto as luzes do último comboio a afastarem-se nesta noite, trigésima de Novembro, de dois mil e seis.
Noite fria resolvi entrar. Para ali fiquei até me perguntarem o que queria –Uma Guiness, por favor, entre praguejares pra dentro e o ouvir a música. Grupos alegres de habituais, poucos de ocasionais; uma quase gaiata, divertida, não dava descanso às amigas roubando-lhes as bebidas ou passando as mãos molhadas pela cara de uma, pelas coxas oferecidas pela mini, de outr
a. Os nossos olhos cruzaram-se e a pequena, para meu triunfo, sentindo-se observada, convenientemente os desviou para voltar desafiadora; ficámos num jogo de sisudo, desvirtuado por sorrisos irónicos. As canecas foram saindo, mais do lado delas que do meu até me convidarem a sentar. Quem és, o que fazes, correu a mesa. Universitária uma, ex as outras, todas em abertura de fim-de-semana que prometia; Já solidárias com a minha desgraça, implacáveis com os filhos da puta dos xuis, porque não havia o direito, cabrões. Sem ser tido ou achado sentenciaram levar-me a casa, destruindo impiedosamente desculpa ou argumento apresentados; nem mais nem menos, passavam primeiro pelo meu carro para sacar uma pasta e assim foi, mas; Carro… uma porra, já lá não estava! Três da manhã, hôi! No problem, sabiam para onde o tinham, de certeza absoluta, rebocado e que até lá me levavam. Forçado e reforçado por aquelas frescuras, lá fomos. A desalmada comigo no banco detrás, não parava quieta moendo as amigas e ainda mais a mim nos quentes e fortuitos contactos de pernas; gaita, nunca vi gaja tão sepidada e com tal diabo no corpo que já do meu se apossava. Tivesse ela mais uns anitos e, e… Bem, adiante: após o desembaraço da viatura, os agradecimentos e a proposta de troca de números de telemóveis para um posterior contacto, o borracho colado a meu lado. –Vou contigo. –Comigo onde? –Já vês, melodiosa e concisa. Foram-se as outras duas, envoltas em gargalhadas, acenando divertidas. Ficámos nós. Aparvalhado dei por ela a entrar no carro, puxar o banco todo para trás, traçar a perna fazendo subir ligeiramente a saia, enquanto acendia um cigarro e lançava um olhar transviado. Fechou a porta, ergueu o queixo, olhou em frente.
Arranquei atarantado, e sem jeito fiquei ao sentir o suave pousar da sua mão no meu braço. -Queres... -Ir a tua casa, interrogou ou sentenciou, não sei. Devemos ter subido a escada, mas só dei por mim já lá dentro, abraçado com o seu rosto refugiado no meu peito, cabelos enredando-se na barba que já despontava; a morna respiração no peito foi descendo pelo corpo e incendiando a cabeça. Abracei-a suavemente, por um momento ali ficámos até que a sua mão da minha se ia suavemente libertando partindo á descoberta da casa de banho. Fui para a sala, sentei-me, levantei-me quando ouvi a água correr, acendi um cigarro fazendo de cabeça contas à idade que a gaiata poderia ter; assustei-me ao pressenti-la a meu lado puxando-me para o quarto com a cama por fazer.
(Foto © João Freitas ) 
Foram tantos os abraços os beijos as carícias, tantas as mordidelas os arranhões o repuxar de cabelos as lambidelas, tantos os apertões as festas e mais beijos e mais, mais, e mais...
louco dei por apartar-se, deslizar para fora da cama, desaparecer em silêncio.
Acordei com o sol, precipitei-me para a casa de banho.
o chão molhado deixava um rasto até à porta onde jazia uma rosa.
Pátio de novo
AdelaideEspero que esta te vá encontrar de saúde, na companhia dos teus, por aqui tudo bem, graças a Deus.
….
O que tanto bem te quer,
Manuel Carvalho
Tinha-os lá todos; quatro maços amarelos atados em fita de cetim rosa, arrumadoas na caixa de camisa TV. "É LAVAR PENDURAR E VESTIR"
Depois... era já uma vida sem o ouvir queixar de nada.
quinta-feira, 30 de novembro de 2006
Ainda o pátio
terça-feira, 28 de novembro de 2006
O pátio é meu.
É o sentimento inconfessado de todos - -transversal, como agora se usa. E isso é mau? Nem por sombras. O sentimento de posse alimenta o ego. Mas se todos o usam, não há problemas? Claro que não. A concessão do uso, da partilha, fá-los sentir enobrecidos. O assunto é que é tabu. A mínima alusão à propriedade redundaria em catastrófica guerra civil. Posto isto, adivinharão com certeza que o pátio é um enclave do céu na terra. Mas não adivinharam, não senhor; trata-se simplesmente de uma questão adiada.
Ali, a mais antiga é a Vitória que teima pertencer ao dito quando vive para lá dele, lá para trás; no pátio só tem a arrecadação que não usa nem deixa usar. Nem a força de todos juntos a consegue demover, fará os argumentos solitários que foram lançando. Dizer que ela não ouve, não corresponde á verdade, ela ouvir ouve tudo direitinho só que a resposta é imbatível; olha, cerra os lábios, semicerra os olhos e: –Passe bem vizinha ou vizinho consoante o caso. Depois é vê-la afastar-se semicurvada mas tesa, silenciosa, como se de alma penada se tratasse.
O Alfredo mais a São já para ali estão desde o tempo em que o pátio ainda não o era pois a casa do Victor mais da Graça ainda não existia e assim sendo o que é ainda não era. Ficam logo ali à direita, ou á esquerda dependendo se falamos de entrar ou de sair. Na deles aparece a primeira luz do dia, ainda que, claro, de noite se trate. Acesa a luz sai a Ti São enrolada no xaile para atravessar a estrada e regressar com uma braçada de lenha e algum ovo no bolso da bata ou do avental - desculpem a imprecisão que no escuro não dá para distinguir. O ranger do portão nesta ida e vinda, dá o sinal a Ti Alfredo para saltar da cama, passar pela cara a água colhida da bacia de esmalte e de seguida limpar a face com a outra mão enxuta; a mão molhada, essa passa-a pela nuca dando assim por terminada a higiene matinal, ritual que já cumpre mesmo antes de se ajuntar á sua Conceição. Barba, perguntam vocês muito bem, isso é conversa para dia santo. Em frente deles, em frente deles fica para outro dia se disso me lembrar porque ou o sono puxa o tédio ou o tédio o puxa a ele.
Boa noite e façam o favor de descansar. Nada de galdérices que amanhã é dia de trabalho.
segunda-feira, 27 de novembro de 2006
O PAPA VAI JOGAR FORA
Pensem lá bem. Pensem vá lá.
De onde vai jogar advertem,
vamos não custa tentar,
Ferro e fogo a direito dará,
Terra que n’Europa quer entrar
É Constantinopla? Não!
Os estados da CEE (nem todos) preparam a adesão da Turquia á comunidade.
Que Turquia?
A aliada membro da OTAN, um mercado interessante a médio prazo, uma ponte para o mundo islâmico?
Ou
O estado autoritário, corrupto, persecutório de minorias, violador de consciências, autista, cego e mudo face a um Kurdistão ou à Arménia?
- Onde a resistência KURDA se faz viva e histórica -
domingo, 26 de novembro de 2006
estes 3 pariu m@rio.ces@riny que partiu
O único verdadeiro doido do "Orpheu".
Ninguém lhe invejasse aquela luxúria de fera?
Invejava-a eu.
Três fortunas gastou, outras três deu
Ao que da vida não se espera
E à que na morte recebeu.
O Raul Leal era
O único não-heterónimo meu.
Eu nos Jerónimos ele na vala comum
Que lhe vestiu o nome e o disfarce
(Dizem que está em Benfica) ambos somos um
Dos extremos do mal a continuar-se.
Não deixou versos?
Deixei-os eu,Infelizmente, a quem mos deu.
O Almada? O Santa-Ritta? O Amadeo?
Tretas da arte e da era.
O Raul eraOrpheu.
de "O Virgem Negra" por M. C. V.
(Mário Cesariny).

PASTELARIA
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante
Afinal o que importa é não ter medo:
fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra
Nobilíssima Visão (1945-1946), in burlescas, teóricas e sentimentais (1972)
CONTRA DICÇÕES
sábado, 25 de novembro de 2006
Dia_positivo 8
Mesa a preceito. Toalha de xadrez outrora vermelho e branco, um pouco puída, escondendo a cor da mesa, não acusava a viagem; nem um vinco! A penumbra ía vencendo o que restava da luz, agora pendurada no céu onde castelos de nuvens empardeciam. Preparado o cenário, passemos à luta: Não vó, sopa não, em insistências pungentes não demoveram à’vó. –o determinado: –Só esta. sobrepôs-se às palmadas nas coxas com que Nereu reforçava –Sopa não vó. As duas primeiras foram dele, é verdade; mas as outras foram pelo pátio. –Esta é… pela Graça, esta ééé… pelooo…, o arrastar reticente das palavras tinham o efeito mágico de lhe entreabrir a boca, pelo Manuel Carvalho que é… mecânico e lá ia outra por goela abaixo – Mecânico? de quê? –Ora essa! de carros pois! assim continuaram naquele entremeado ora abre a boca ora desvia a cara de lábios arrepanhados. –Mas foi e toda!: AVÓ 1 / NEREU 0.
Sim senhora! Rematou Maria, mais regalada que triunfante, ao levantar-se para ir buscar a costeleta e as batatas fritas abafadas no fogão. No caminho deu à luz, convencido o dia em dar lugar à noite, a sala foi afagada por uma claridade amarela que as vinte e cinco velas ofereciam. Para não cansar: AVÓ 2 / NEREU 0, resultado de uma segunda parte de um jogo fastidioso. Por fim, o coelho que esfriava poude confortar Maria. Retornada à mesa com o, prato entre mãos, levava ainda meia pêra que Nereu teria de roer. Sentou-se e antes de atacar, ao prato deu uma volta inteira para, não se entende, na mesma posição ficar! Nereu debicava, Maria entre garfadas mirava-o meio absorta. Resultado deste prolongamento? MARIA 0 / NEREU 0, ou empate técnico como Absinto diria.
Finalizada a refeição deitou a mão ao candeeiro a petróleo, apagou a luz e voltou a sentar-se de costas apoiadas na parede. Nereu não tardou. Rabo no banco depositou a cabecita no colo d’avó; ao remexer no cabelo e ás pontas de dedos aflorando a cabeça, respondia cavando as pernas com a o nariz, á outra mão afagando as costas, respondia um serpentear do dorso, assim para ali ficaram aquelas duas almas tagarelando, tagarelando, sei lá sobre o quê.
O frio foi-se instalando e o sono chegando. Ereneu lá foi nos braços da avó para a cama. Ao depositá-lo, Maria sentiu-se apossada pelas mãozitas que se apegavam. Olhos entreabertos: -Vó contas uma história? Maria tapou-o, deitou-se a seu lado, puxou para si a coberta, começou: Era uma vez…, e sentiu a respiração pesada e quente do neto.
volvendo os olhos pra Nereu,
mas que dia!
ut parvus est
sexta-feira, 24 de novembro de 2006
Cem anos teria o professor Rómulo, poeta Gedeão
"Poema da malta das naus"
Lancei ao mar um madeiro, 
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.
Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo.
pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.
Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das prais
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.
Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me a gengivas,
apodreci de escorbuto.
Com a mão esquerda benzi-me,
com a direita esganei.
Mil vezes no chão, bati-me,
outras mil me levantei.
Meu riso de dentes podre
secoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.
Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.
Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.
O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.
António Gedeão in "Teatro do Mundo", 1958
quinta-feira, 23 de novembro de 2006
TLEBS - SABE O QUE É?

(
)" e "núcleo(s) de grupo nominal com função de complemento directo e modificador(es) adjectiva(is) em posição de atributo", nem o Estripador! Nos meus tempos de estagiário li uma vez numa participação policial que alguém fora mordido por um "animal canídeo do sexo masculino, vulgo cão". Diz a TLEBS que cão é um "nome comum, contável, animado e não humano" (soa como o "robot" da "Guerra das Estrelas" a falar). Acho preferível a versão do polícia .quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Dia_positivo 7
junto à janela. – Assim não há perigo, mas tem juízo, “ouvistes”; Nereu olhou pra ela, pr’á janela, pr’á cadeira, avaliou rápido e zuc, não era o piloto mas de passageiro servia. Apanhado o avião em pleno voo lá foi ele. Por vezes, passando alguém na rua, já lá não ia, perdida de vista a distracção a ele voltava viajando entre nuvens, direcção ao sol que se punha por cima da casa de Vitória. -Prá mesa, lavar as mãos. O sol não cai depressa mas caindo cai.
terça-feira, 21 de novembro de 2006
Dia_positivo 6
Deu com Nereu sentado na cama brincando com uma caixa como se fora um carro. –Dormiste filho? –Estou de castigo? –Dormiste? –Um pouco, um pouco mentindo. –Estás sim senhor. –Qual é? –Não podes ir par’á janela. –Hã. Não há hãaa nem meio hãaa. Sentiu-se safo, aliviou; a nuvem negra que pairava desvaneceu-se.
Maria pôs-se a distribuir as coisas por onde entendeu. Não eram muitas felizmente (?), tudo ia ganhando o seu lugar; -Vó o que faço? –Brinca filho. –Já brinquei tudo! –Faz um desenho pr’a vózinha. E foi-lhe buscar a caneta e um bloco. Ele fez.
-Vó é pra ti apareceu ele de folha na mão.
segunda-feira, 20 de novembro de 2006
Portanto
..." quem quer que pretenda escrever sobre erotismo tem de fazer uma escolha prévia. Se quiser evitar produzir sensações e emoções eróticas tem de utilizar as expressões científicas ou as da etiqueta quotidiana. Se, pelo contrário, quiser evocar as emoções eróticas e praticar a fenomenologia, a certa altura tem de deixar a linguagem científica e médica para usar expressões mais comuns, quotidianas, até ordinárias, mas capazes de evocar a experiência."...
domingo, 19 de novembro de 2006
O Erecteu aprendeu
Como já havia prometido sobre pixotas não vos "menta". Nunca vos menti nem torno a mentir. Sim porque sou um gajo honesto – e com O grande; por isso devo-vos uma explicação pra porra do livro que comprei.Ía eu ao Jumbo da Buraca (se de sexo se tratasse Jumbo da Vagina, tá?) e logo à entrada vejo um senhor que conhecia mas não sabia de onde; educado como sou e farto de que pensem que tenho a mania da superioridade , dei-lhe um bacalhau. –Ora como está o Senhor… Fernando? O tipo faz-me uma cara de cu (ânus),de olho bem peludo; vi que tinha dado barraca. –Malato quer você dizer. Tinha mesmo era o MALATO em banha e osso! Estou fodido (copulado), como saio desta? –Pois Fernando Mala… -Não. José Carlos Malato. -AH pois desculpe lá, vai um salgadinho ou docinho? -Huumm… revirando os olhos e espremendo o olho (esfíncter) cabeludo -estava safo. Lá fomos e não descolou.; não descolou ele nem eu que vi a oportunidade de aparecer na TV. Fomos e logo à entrada –Vamos dar uma volta pelos livros? Sim Sr Engº. –Deixe-se dessas (sic) merdas (excrementos). O gajo desata a sacar livros pr’o carrinho, entre cada livro olhava pra mim e eu sem saber que fazer, lá ia pegando num e noutro, como ele, quando me vem com –Este deve ser muito bom, tenho-os todos;. deitei-lh’olho e pela capa e plo titalo, resolvi-me:
Boa seca. Nem bonecos tem! Desculpem lá o Erecteu.
sábado, 18 de novembro de 2006
Dia_positivo 5
Mãositas aflitas procuraram o parapeito e assim se sumiu para dentro. Maria correu; num passo galgou a escada noutro estava no quarto e Nereu já tinha uma tremenda palmada no rabo. – Estranho prémio para insuperável acrobacia aérea, merecedora de ficar nos anais da história! (como aliás nesta ficou) Coisas da vida.
Maria reforçou o prémio com: –Ficas de castigo. E mais não disse, depois de fechar a janela. Nereu, de rabo a arder, ainda assustado, para ali ficou; do castigo não sabia nada.
Maria, essa chegou-se à chaminé, remoendo palavras, olhou pró fogão mas decidiu-se pelo Hipólito, fogareiro a petróleo, que carregara. Tacho ao lume água sal, cebola de cravo cabecinha cravejada, esperava pelo ferver; lá de baixo: Oh vizinha, -trejeito de cabeça que soltou uma mecha do cabelo já mal apanhado. Oh vizinha, -encolher de ombros. Oh vizinha maRIAAA!. –espreitou à janela. O menino? –Vai comer. –Está bem? –Está de castigo. OOOH. Fechou a janela.
Arroz dentro, dez minutos de fogoforte mais tarde, estava pronto ; num ápice aqueceu o coelho que não quisera deixar para trás sozinho; acompanhado viera já guisado com as ervilhas cenoura, muita cebola, tomatito e raminho de hortelã.
-Pra mesa, vai lavar as mãos. -Aonde? -À casa de banho. -Aonde? -Arre o garoto! ao cimo da escada, rais parta. Erecteu… correu, abrandou ao passar pela avó, acelerou de novo direito à porta.
Tinham casa de banho.
SEXO E AMOR
O Erecteu está com um problema, não sabe o que há-de fazer à pixota.
Já recoreu a tudo e a todos:
- Começou por ele próprio, desde muito cedo. A memória que tem do prazer que teve ao explorar o que tem a separar a perna direita da esquerda, é de tal modo remoto, que ele não vos diz. Chamavam-lhe mentiroso. (não é que não o seja mas neste particular e só neste, promete não vos enganar).
- Recorreu a mulheres: amigas, desconhecidas e (esporádicamente) a trabalhadoras por conta própria, sem contabilidade organizada, não sindicalizadas, sem tabela fixa. Finalmente:
- Recorreu a amigos intimos. Sim qual é o espanto? A AMIGOS INTIMOS, repito. Mas esses...
Foi, por exemplo, assim invarávelmente como se tivessem combinado:
-Eh pá isto da pixota... tiriritiriri, o que é que achas?
-Corta essa merda e deit'á fora, só te traz problemas.concisamente. nem cu me ofereceram
RESOLVI ENTÃO:
Desatar os colhões à bolsa -13,46 € pró caralho, a tentar perceber a pixota.

se quizerem saber o que já "seio" apalpem aqui.
para ler 1. Sexualidade e amor
sexta-feira, 17 de novembro de 2006
Dia_positivo 4
Entre as caminhadas, na última: -Bom dia Vizinha. Maria “confrontava” pela segunda vez uma vizinha. –Como parece cansada! Dirigia-se-lhe uma mulher com traços ainda de garota que assomara à porta colada à sua. –Bom dia menina, um poucaxinho. Olho nela olho em Nereu que as observava do avião. –até já. –Mas espere, não precisa de nada? Do alto sons de um avião, -Cuidado é perigoso.
Resposta: momices e trejeitos de gaiato que não eram só par’avó. -Vai estando na hora de comer, não querem uma sopinha, ainda feita ontem? Maria estacou, encarou-a de frente –Oh messa! –Para o menino, vá lá não s’acanhe. -os motores troavam reclamando a atenção, braços em asa balançando como que a celebrar a vida –MALVADO, pra dentro já. , o voo continuava agora em voltas apertadas e ensaiando um mergulho desequilibrado. Uma fracção de segundo uma dor de coração em duas mulheres! Um em dois soou um grito lancinante ao verem apontar cada vez mais perigosamente ao chão o avião em voo picado.Nereu com asas de anjinho viram elas.

in ADN
quinta-feira, 16 de novembro de 2006
NÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO ADSL
quarta-feira, 15 de novembro de 2006
Dia_positivo 3
Á sua frente uma escada como a que leva aos céus; íngreme e estreita por onde poucos passam, estranhamente curta; escasso cobertor, focinho burilado, espelho avantajado; alva de seu pinho, textura profundamente marcada de tanta lixívia. Mão no joelho para facilitar a escalada, ainda a meio não ía e já Nereu furava direito às portas que lá no alto: a da frente cerrada, a da direita oferecida. –à tição, tanta pressa pra quê?, ele zut, arrancou a quatro por ali acima, em sons indescritíveis, direcção à luz que o puxava, mais que buraco negro do céu. Ao assomar do patim, lá de dentro vinha –Oh anda, como que se aflito estivesse, o “vó anda” repetia-se reforçado pelo batuque no soalho a dois pé; espreitou semiofegante, a cozinha –Pára, olh’á viziINHA! em troca recebeu a precipitada investida de um abraço pela cintura. -como lhe sabia bem aquele rostinho quente, no ventre!Para ali ficaram em balanço suave; Maria descendo os olhos da lâmpada que baloiçava para aquele espaço, ainda, estranho: fogão na chaminé, louceiro de portas de vidro! mesa pintada de azul ou verde-turqueza, plantada quase a meio, janela dependurada na parede do fundo como se um quadro fosse; Não vira tudo e já começava a mudar o sítio às coisas, olhos quase brilhantes. Ereneu, esse, já ía em tropel direito ao quarto do fundo, sem ligar à porta no pequeno corredor, talvez por sombrio que era. Foi lá ter, a satisfação arrepanhou-lhe o coração, agora sim brilhavam mesmo; cama de sobra pra dois, guarda-fatos, cadeira e até mesinha com duas gavetitas! ali era fácil: é só arredar a cama pr’á parede. –Debruçado, de barriga colada, na pequena janela, sentenciou: Parece um avião! –tem cuidado, filho, vou buscar o resto das coisas.
Assim desceu para subir ao céu mais duas vezes, só naquela manhã.
…
Incapacidade minha de comunicar
é o que queria transmitir à autora
fica a brejeirice, resultado de uma tentativa falhada
segunda-feira, 13 de novembro de 2006
Dia_positivo 2
...Primeiro foram as duas viagens, para carregar até à porta semicerrada, ao canto, aquilo que afinal junto viera; depois, ao pôr a mão na aldraba de ferro, volteou a cabeça à procura… lá estava ele, ainda encostado à ombreira; só a cabeça franqueara o pátio, olhar perscrutando a pormenor, biqueira espetada cavando a terra, língua espetando, ora uma ora outra, as bochechas.
Dia_positivo
O sol já ferrando os corpos, Oh vó é já ali quando? –Estás a ver filho, aquelas últimas casas? É já ali.
O puto de olhar subindo e iluminado: -é mesmo vó? Disparou a correr –olha que cais gritou.
domingo, 12 de novembro de 2006
sábado, 11 de novembro de 2006
História edificantes para não esquecer tão cedo

Uma bela tarde, ao regressar a casa, viu uma grande multidão de oitenta mil pessoas carregadas com grandes preocupações que as puseram no ar num pequeno país.
Então, espertíssimo, Ali Só-Sócra viu a grande oportunidade ao ver o chefe Al Santló a aproximar-se da parede rochosa e gritar: - Abre-te Sésamo! Como que por milagre abriu-se uma grande fenda na rocha e apareceu uma enorme gruta, no interior da qual a multidão de oitenta mil pessoas descarregou as grandes preocupações e saíram.
- Fecha-te Sésamo!- gritou o chefe. A parede voltou a fechar-se e foram-se embora. Quando Ali Só-Sócra viu que a multidão já ia longe, correu para a grande rocha e gritou:
- Abre-te Sésamo! Entrou na gruta e viu, espantado, que ela albergava um precioso tesouro, proveniente dos roubos que outros homens vinham praticando nas cidades da região.
No dia seguinte, pedindo segredo, contou tudo ao seu irmão mais velho Ali Ferod.
Logo que a noite caiu Ali Ferod, sem dizer nada a ninguém, colocou os arreios e alguns sacos nas mulas e dirigiu-se à gruta, sonhando durante todo o percurso que era muito, mas mesmo muito sortudo.
Porém, quando tinha os sacos quase todos cheios das preocupações, os ladrões regressaram para guardar mais preocupações roubadas e, ao verem-no, pois não havia como esconder-se, atiraram-se a ele e resolveram perguntar à multidão quem é que tratava deles.
Preocupado com o desaparecimento do irmão, e lembrando-se da conversa que tivera, Ali Só-Sócra decidiu ir procurá-lo à gruta. Logo que entrou viu-o atado de pés e mãos, viu a chance de ser ele a tratar de encantar a multidão.
Porém, quando os ladrões regressaram à gruta e viram que o AL-Ferod se tinha evadido, logo pensaram numa maneira de o apanharem e a quem o ajudou.
- Far-me-ei passar por merecedor e irei bater de porta em porta em todas as cidades em redor. Porei um de vós em cada esquina e concerteza que os caçarei.- decidiu o chefe Al Santló.
E lá foram de cidade em cidade, consoante o plano que tinha forjado, até que chegou a casa de AL-Ferod e o reconheceu. De imediato lhe pediu alojamento, ao que este anuiu, sem desconfiar de nada.
Mas durante o jantar a criadita Malurod, ao passar junto das vasilhas, ouviu os ladrões a cochicharem:
- Estejam preparados, aproxima-se o momento de os agarrarmos!
Malurod correu a contar a Ali Só-Sócra a estranha coisa que tinha ouvido. Resolveram então tecer um programa de doces promessas e despejá-lo em cada pote aonde se escondiam os malvados ladrões. Estes deram à sola aterrorizados, com excepção do chefe, Al Santló que foi preso e entregue aos guardas do rei AL Josampa que lhe disse vai-te embora não te quero ver mais.
AL-Ferod, agradecido, comprometeu-se a dar metade da sua fortuna ao irmão.
- Agradeço-te, mas apenas quero a tua herança para mim. A outra metade pertence a Maluro, com quem me vou casar!
E casaram! Vivem muito felizes a pregar umas partidas à multidão.
Aos ladrões que fugiram e não lhe fizeram mal nenhum, deu-lhes emprego na ALI-BLÁ-BLÁ & Cia onde andam agora a vender o seu produto.
A multidão vive feliz por se ter livrado do Al Santló e anseia por pregar uma partida ao feliz casal, como prenda de casamento.
Bom fim de semana
pro menino.
e pra menina
( o Tomates acha que não tive muita receptividade.- Lá está ele outra vez)
sexta-feira, 10 de novembro de 2006
122/70, 1ª companhia
Sentados num desnível entre a parada e a caserna, naquele fim de tarde conversava um pequeno grupo. O que diriam naquela primeira semana de recruta? Conversas soltas seriam. – Oh nossos recrutas, bastou para pôr tudo em sentido, braços e dedos esticados, uns a ensaiarem uma continência outro à procura do quico, todos a tentar aplicar o que já deveriam saber. – Mas que vem a ser isto? – torniturava nada mais nada menos que o comandante da unidade. – a desrespeitar a farda sentados no chão? Tudo calado ouvindo a reprimenda, ouve-se – Oh senhor… - SENHOR!!! trovoou o Coronel – Oh nosso Capitão tire-me já o número desses gajos, quero-os todos à máquina zero e o fim-de-semana é por conta da casa; começaram a declinar o “nome e apelido” que agora tinham:x/70, 1ª companhia, y/70, 1ª companhia, e por aí fora até ao convincente 122/70, 1ª companhia. Recebida a piçada, perdido de vista o “estado maior”: – Oh pá enganaste-te não és o 122! – e eles sabem qual é o meu número, caralho?
Sábado meio-dia via-se, pela última vez de cabelo intacto, riso contido, piscar de olho e acenar de mão disfarçados, marchar direito à porta de armas o Chico Zé Gordo.
Cântico de amor negro
De Bolinha a Chico Zé Gordo, connosco cresceu. Foi o primeiro a ganhar o direito a ter o nome por inteiro:
FRANCISCO JOSÉ MARTINS DO VALE
apaixonado
ignorado
quinta-feira, 9 de novembro de 2006
Denunciando erecteu 1

É fácil de apurar
» C+ J+J1+Z+K=5+1 »
» C+J+J1+Z+K = 6
ora, feitas as contas de cabeça dá… dá 5. Seis? qual seis, K não conta para nada.
Cinco como os dedos da minha mão, é mesmo giro!
Bom mas isso é o que menos vos importa, adiante.
Telefono-lhe e o mula não me atende, sabendo eu que é coisa a que ele não resiste, pergunto-me se não lhe terá dado o treco.
Libertado do laço oiço disparar: como é hoje? – Tenho que trabalhar; -ai é? Vou contigo. E lá veio carregando o saco das máquinas. Foi a dar-lhe: rãkiau e nossasenhoradorossio, olé, fados, aí fadista! até às quatro e meia da manhã. Despachada a seca e os – oh senhor, tire aqui mais uma, era hora de voltar. noite de brasa sufocante lá fomos até ao carro, Erecteu meio murcho, arrancámos, vem-me ele, voz muribunda e aroucalhada –estou-me a sentir mal –que tens? – Sinto-me engripado. Fecho a janela, ando cem metros, jesus! O tipo lançou-me a bufa mais podre que alguma vez testemunhei! Isso faz-se? Volve ele: respira pela boca matos. E foi até casa desbragado a rir sem parar.
Digam lá se não é nesta vida que ele tem que as pagar?

Não te impressiones minha pombinha



















