domingo, 26 de novembro de 2006

estes 3 pariu m@rio.ces@riny que partiu

O Raul Leal era
O único verdadeiro doido do "Orpheu".
Ninguém lhe invejasse aquela luxúria de fera?
Invejava-a eu.
Três fortunas gastou, outras três deu
Ao que da vida não se espera
E à que na morte recebeu.
O Raul Leal era
O único não-heterónimo meu.
Eu nos Jerónimos ele na vala comum
Que lhe vestiu o nome e o disfarce
(Dizem que está em Benfica) ambos somos um
Dos extremos do mal a continuar-se.
Não deixou versos?
Deixei-os eu,Infelizmente, a quem mos deu.
O Almada? O Santa-Ritta? O Amadeo?
Tretas da arte e da era.
O Raul eraOrpheu.



de "O Virgem Negra" por M. C. V.

(Mário Cesariny).

PASTELARIA
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo:
fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

Nobilíssima Visão (1945-1946), in burlescas, teóricas e sentimentais (1972)

CONTRA DICÇÕES

Dr.
dói-me o peito
do cigarro
do bagaço
do catarro
do cansaço
dói-me o peito
do caminho
de ida e volta
do meu quarto à oficina
sem parar
sempre a andar
sempre a dar
dói-me o peito
destes anos
tantos anos
de trabalho e combustão
dói-me o luxo
dói-me os fatos
dói-me os filhos
dói-me o carro
de quem pode
e eu a pé
sempre a pé
dói-me a esperança
dói-me a espera
pelo aumento
pela reforma
pelo transporte
pela vida e pela morte.
Dr.
já estou farto
de não ser
mais que um braço
para alugar
foi-se a força
e o meu corpo
é como o mosto pisado
como um pássaro insultado
por não poder mais voar.


Dr.
eu não sei ler
os caminhos
por dentro
dos hospitais
mas alguém há-de aprender
entre as rugas do meu rosto
o que não vem nos jornais
e não há nada no mundo
nem discurso
nem cartaz
capaz de gritar mais alto
que as palmas das minhas mãos
que o meu sorriso sem jeito,
Dr.
Dói-me o peito…
José Fanha, Eu sou Português aqui, ed. Ulmeiro

sábado, 25 de novembro de 2006

Dia_positivo 8


Mesa a preceito. Toalha de xadrez outrora vermelho e branco, um pouco puída, escondendo a cor da mesa, não acusava a viagem; nem um vinco! A penumbra ía vencendo o que restava da luz, agora pendurada no céu onde castelos de nuvens empardeciam. Preparado o cenário, passemos à luta: Não vó, sopa não, em insistências pungentes não demoveram à’vó. –o determinado: –Só esta. sobrepôs-se às palmadas nas coxas com que Nereu reforçava –Sopa não vó. As duas primeiras foram dele, é verdade; mas as outras foram pelo pátio. –Esta é… pela Graça, esta ééé… pelooo…, o arrastar reticente das palavras tinham o efeito mágico de lhe entreabrir a boca, pelo Manuel Carvalho que é… mecânico e lá ia outra por goela abaixo – Mecânico? de quê? –Ora essa! de carros pois! assim continuaram naquele entremeado ora abre a boca ora desvia a cara de lábios arrepanhados. –Mas foi e toda!: AVÓ 1 / NEREU 0.
Sim senhora! Rematou Maria, mais regalada que triunfante, ao levantar-se para ir buscar a costeleta e as batatas fritas abafadas no fogão. No caminho deu à luz, convencido o dia em dar lugar à noite, a sala foi afagada por uma claridade amarela que as vinte e cinco velas ofereciam. Para não cansar: AVÓ 2 / NEREU 0, resultado de uma segunda parte de um jogo fastidioso. Por fim, o coelho que esfriava poude confortar Maria. Retornada à mesa com o, prato entre mãos, levava ainda meia pêra que Nereu teria de roer. Sentou-se e antes de atacar, ao prato deu uma volta inteira para, não se entende, na mesma posição ficar! Nereu debicava, Maria entre garfadas mirava-o meio absorta. Resultado deste prolongamento? MARIA 0 / NEREU 0, ou empate técnico como Absinto diria.
Finalizada a refeição deitou a mão ao candeeiro a petróleo, apagou a luz e voltou a sentar-se de costas apoiadas na parede. Nereu não tardou. Rabo no banco depositou a cabecita no colo d’avó; ao remexer no cabelo e ás pontas de dedos aflorando a cabeça, respondia cavando as pernas com a o nariz, á outra mão afagando as costas, respondia um serpentear do dorso, assim para ali ficaram aquelas duas almas tagarelando, tagarelando, sei lá sobre o quê.
O frio foi-se instalando e o sono chegando. Ereneu lá foi nos braços da avó para a cama. Ao depositá-lo, Maria sentiu-se apossada pelas mãozitas que se apegavam. Olhos entreabertos: -Vó contas uma história? Maria tapou-o, deitou-se a seu lado, puxou para si a coberta, começou: Era uma vez…, e sentiu a respiração pesada e quente do neto.

volvendo os olhos pra Nereu,
mas que dia!


ut parvus est

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Cem anos teria o professor Rómulo, poeta Gedeão

Faço um grande esforço mas não consigo imaginar que poema escreveria o professor Rómulo a Maria de Lourdes Rodrigues.

"Poema da malta das naus"

Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.

Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo.
pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.

Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das prais
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.

Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me a gengivas,
apodreci de escorbuto.

Com a mão esquerda benzi-me,
com a direita esganei.
Mil vezes no chão, bati-me,
outras mil me levantei.

Meu riso de dentes podre
secoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.

Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.

Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.

O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.

António Gedeão in "Teatro do Mundo", 1958

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

TLEBS - SABE O QUE É?



"A profe também anda bimba com a cena, parece que não topa peva, é assim uma cena toda nova. Aquelas gaitas ca gente teve de encornar - os adjectivos, os verbos, essas cenas, 'tás a ver - agora tem tudo outros nomes, bué de compridos e depois cada cena com uma data de nomes."


(…)" e "núcleo(s) de grupo nominal com função de complemento directo e modificador(es) adjectiva(is) em posição de atributo", nem o Estripador! Nos meus tempos de estagiário li uma vez numa participação policial que alguém fora mordido por um "animal canídeo do sexo masculino, vulgo cão". Diz a TLEBS que cão é um "nome comum, contável, animado e não humano" (soa como o "robot" da "Guerra das Estrelas" a falar). Acho preferível a versão do polícia .

Estes gajos endoidaram, definitivamente.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Dia_positivo 7


Esfregando as mãos ao avental ficou embevecida a olhar a folha que o neto lhe estendera, feita parva, enrolando o papel que ganhava jeitos de amachucado. -Oh! oh meu filho, com'é que fazes estas coisas lindas, como? – Faço! E se mais disse foi – E agora o que é que faço? os putos são assim, não há nada a fazer; nem uma pitadinha de reconhecimento pelo reforço afectivo, e lá voltou –Atão o que faço agora? – Vai um bocadinho até à janela. Isto há cada uma! Num virote, aqui vou eu Nereu, mas… – Espera, filho espera; e vai de meter uma cadeira virada ao contrário junto à janela. – Assim não há perigo, mas tem juízo, “ouvistes”; Nereu olhou pra ela, pr’á janela, pr’á cadeira, avaliou rápido e zuc, não era o piloto mas de passageiro servia. Apanhado o avião em pleno voo lá foi ele. Por vezes, passando alguém na rua, já lá não ia, perdida de vista a distracção a ele voltava viajando entre nuvens, direcção ao sol que se punha por cima da casa de Vitória. -Prá mesa, lavar as mãos.

O sol não cai depressa mas caindo cai.
E ele foi indo, já não correu.

100 + 0 (II)

metamorfose

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Dia_positivo 6

O desenho

Almoçados como piscos, ambos diminuídos pelo cansaço e pela natureza de Nereu, cumpriu-se o destino traçado. –Fazer a sesta, disse Maria a caminho do quarto onde correu as cortinas após o que desceu para arejar alguma roupa, onde o primeiro desentendimento estalou. Nereu ouvia: uma que tinha sido a Rainha Santa, a outra que a N. Sra de Fátima é que era; o é não é foi-se e para ali ficaram cada uma com a sua. Às tantas, sem se saber como estavam aquelas duas para ali sentadas no bataréu: -ali é a Adelaide mais o Manuel Carvalho, ali a Ti São mais o Alfredo, lá pra trás a Vitória. –E vossemecê? –Eu? Sou aqui! apontou com o polegar para trás das costas. Não!!!, qual é a sua graça? –Ah! Eu sou a Graça e riram, riram como se de grandes amigas se tratasse, -E, e … o meu homem é Victor e continuaram a rir como gaiatas. Com pouco mais do que isto a hora adiantou-se. Cada uma fugiu par’a sua, sem que antes de entrarem se acenassem gostosamente.
Deu com Nereu sentado na cama brincando com uma caixa como se fora um carro. –Dormiste filho? –Estou de castigo? –Dormiste? –Um pouco, um pouco mentindo. –Estás sim senhor. –Qual é? –Não podes ir par’á janela. –Hã. Não há hãaa nem meio hãaa. Sentiu-se safo, aliviou; a nuvem negra que pairava desvaneceu-se.
Maria pôs-se a distribuir as coisas por onde entendeu. Não eram muitas felizmente (?), tudo ia ganhando o seu lugar; -Vó o que faço? –Brinca filho. –Já brinquei tudo! –Faz um desenho pr’a vózinha. E foi-lhe buscar a caneta e um bloco. Ele fez.


-Vó é pra ti apareceu ele de folha na mão.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Portanto

..." quem quer que pretenda escrever sobre erotismo tem de fazer uma escolha prévia. Se quiser evitar produzir sensações e emoções eróticas tem de utilizar as expressões científicas ou as da etiqueta quotidiana. Se, pelo contrário, quiser evocar as emoções eróticas e praticar a fenomenologia, a certa altura tem de deixar a linguagem científica e médica para usar expressões mais comuns, quotidianas, até ordinárias, mas capazes de evocar a experiência."...

100 + 0



domingo, 19 de novembro de 2006

O Erecteu aprendeu


Como já havia prometido sobre pixotas não vos "menta". Nunca vos menti nem torno a mentir. Sim porque sou um gajo honesto – e com O grande; por isso devo-vos uma explicação pra porra do livro que comprei.

Ía eu ao Jumbo da Buraca (se de sexo se tratasse Jumbo da Vagina, tá?) e logo à entrada vejo um senhor que conhecia mas não sabia de onde; educado como sou e farto de que pensem que tenho a mania da superioridade , dei-lhe um bacalhau. –Ora como está o Senhor… Fernando? O tipo faz-me uma cara de cu (ânus),de olho bem peludo; vi que tinha dado barraca. –Malato quer você dizer. Tinha mesmo era o MALATO em banha e osso! Estou fodido (copulado), como saio desta? –Pois Fernando Mala… -Não. José Carlos Malato. -AH pois desculpe lá, vai um salgadinho ou docinho? -Huumm… revirando os olhos e espremendo o olho (esfíncter) cabeludo -estava safo. Lá fomos e não descolou.; não descolou ele nem eu que vi a oportunidade de aparecer na TV. Fomos e logo à entrada –Vamos dar uma volta pelos livros? Sim Sr Engº. –Deixe-se dessas (sic) merdas (excrementos). O gajo desata a sacar livros pr’o carrinho, entre cada livro olhava pra mim e eu sem saber que fazer, lá ia pegando num e noutro, como ele, quando me vem com –Este deve ser muito bom, tenho-os todos;. deitei-lh’olho e pela capa e plo titalo, resolvi-me:
-Levo este pra juntar à minha biblioteca. Vou prantá-lo junto à colecção encadernada do Vilhena.
Boa seca. Nem bonecos tem! Desculpem lá o Erecteu.
contudo todavia porém, lá fui lendo: 2. Linguagem ordinária e científica

sábado, 18 de novembro de 2006

Dia_positivo 5



Mãositas aflitas procuraram o parapeito e assim se sumiu para dentro. Maria correu; num passo galgou a escada noutro estava no quarto e Nereu já tinha uma tremenda palmada no rabo. – Estranho prémio para insuperável acrobacia aérea, merecedora de ficar nos anais da história! (como aliás nesta ficou) Coisas da vida.
Maria reforçou o prémio com: –Ficas de castigo. E mais não disse, depois de fechar a janela. Nereu, de rabo a arder, ainda assustado, para ali ficou; do castigo não sabia nada.
Maria, essa chegou-se à chaminé, remoendo palavras, olhou pró fogão mas decidiu-se pelo Hipólito, fogareiro a petróleo, que carregara. Tacho ao lume água sal, cebola de cravo cabecinha cravejada, esperava pelo ferver; lá de baixo: Oh vizinha, -trejeito de cabeça que soltou uma mecha do cabelo já mal apanhado. Oh vizinha, -encolher de ombros. Oh vizinha maRIAAA!. –espreitou à janela. O menino? –Vai comer. –Está bem? –Está de castigo. OOOH. Fechou a janela.
Arroz dentro, dez minutos de fogoforte mais tarde, estava pronto ; num ápice aqueceu o coelho que não quisera deixar para trás sozinho; acompanhado viera já guisado com as ervilhas cenoura, muita cebola, tomatito e raminho de hortelã.
-Pra mesa, vai lavar as mãos. -Aonde? -À casa de banho. -Aonde? -Arre o garoto! ao cimo da escada, rais parta. Erecteu… correu, abrandou ao passar pela avó, acelerou de novo direito à porta.
Tinham casa de banho.
TINHA CASA DE BANHO!

SEXO E AMOR


O Erecteu está com um problema, não sabe o que há-de fazer à pixota.

Já recoreu a tudo e a todos:

  • Começou por ele próprio, desde muito cedo. A memória que tem do prazer que teve ao explorar o que tem a separar a perna direita da esquerda, é de tal modo remoto, que ele não vos diz. Chamavam-lhe mentiroso. (não é que não o seja mas neste particular e só neste, promete não vos enganar).
  • Recorreu a mulheres: amigas, desconhecidas e (esporádicamente) a trabalhadoras por conta própria, sem contabilidade organizada, não sindicalizadas, sem tabela fixa. Finalmente:
  • Recorreu a amigos intimos. Sim qual é o espanto? A AMIGOS INTIMOS, repito. Mas esses...

Foi, por exemplo, assim invarávelmente como se tivessem combinado:

-Eh pá isto da pixota... tiriritiriri, o que é que achas?

-Corta essa merda e deit'á fora, só te traz problemas.


concisamente. nem cu me ofereceram

fffffffff


RESOLVI ENTÃO:

Desatar os colhões à bolsa -13,46 € pró caralho, a tentar perceber a pixota.

mas... só vou ler a primeira parte, a do sexo.

se quizerem saber o que já "seio" apalpem aqui.

para ler 1. Sexualidade e amor

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Dia_positivo 4

...
Entre as caminhadas, na última: -Bom dia Vizinha. Maria “confrontava” pela segunda vez uma vizinha. –Como parece cansada! Dirigia-se-lhe uma mulher com traços ainda de garota que assomara à porta colada à sua. –Bom dia menina, um poucaxinho. Olho nela olho em Nereu que as observava do avião. –até já. –Mas espere, não precisa de nada? Do alto sons de um avião, -Cuidado é perigoso. Resposta: momices e trejeitos de gaiato que não eram só par’avó. -Vai estando na hora de comer, não querem uma sopinha, ainda feita ontem? Maria estacou, encarou-a de frente –Oh messa! –Para o menino, vá lá não s’acanhe. -os motores troavam reclamando a atenção, braços em asa balançando como que a celebrar a vida –MALVADO, pra dentro já. , o voo continuava agora em voltas apertadas e ensaiando um mergulho desequilibrado. Uma fracção de segundo uma dor de coração em duas mulheres! Um em dois soou um grito lancinante ao verem apontar cada vez mais perigosamente ao chão o avião em voo picado.

Jovem piloto atrevido em avião de asas de geometria variável, digo eu.
Nereu com asas de anjinho viram elas.

...

in ADN

Hoje é dia de festa

Astronomy Picture of the Day
muitos, muitos, bon-bons para sempre

Qual dilema qual quê.

Artes ou ciência, Porquê?

Artes & Ciência, Porque não?

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

NÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO ADSL

NÃOESQUECERDEPAGAROSAPOADSLNÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO
NÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO ADSL NÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO ADSL NÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO ADSL NÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO ADSL NÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO ADSL NÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO ADSL NÃO ESQUECER DE PA GAR O SAPO ADSL NÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO ADSL NÃO ESQUECER DE PAGAR O SAPO ADSL

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Dia_positivo 3



Aberta a porta, para a direita, Maria que antes se benzera, preocupou-se em entrar com o pé direito, no mundo que se lhe oferecia.
Á sua frente uma escada como a que leva aos céus; íngreme e estreita por onde poucos passam, estranhamente curta; escasso cobertor, focinho burilado, espelho avantajado; alva de seu pinho, textura profundamente marcada de tanta lixívia. Mão no joelho para facilitar a escalada, ainda a meio não ía e já Nereu furava direito às portas que lá no alto: a da frente cerrada, a da direita oferecida. –à tição, tanta pressa pra quê?, ele zut, arrancou a quatro por ali acima, em sons indescritíveis, direcção à luz que o puxava, mais que buraco negro do céu. Ao assomar do patim, lá de dentro vinha –Oh anda, como que se aflito estivesse, o “vó anda” repetia-se reforçado pelo batuque no soalho a dois pé; espreitou semiofegante, a cozinha –Pára, olh’á viziINHA! em troca recebeu a precipitada investida de um abraço pela cintura. -como lhe sabia bem aquele rostinho quente, no ventre!
Para ali ficaram em balanço suave; Maria descendo os olhos da lâmpada que baloiçava para aquele espaço, ainda, estranho: fogão na chaminé, louceiro de portas de vidro! mesa pintada de azul ou verde-turqueza, plantada quase a meio, janela dependurada na parede do fundo como se um quadro fosse; Não vira tudo e já começava a mudar o sítio às coisas, olhos quase brilhantes. Ereneu, esse, já ía em tropel direito ao quarto do fundo, sem ligar à porta no pequeno corredor, talvez por sombrio que era. Foi lá ter, a satisfação arrepanhou-lhe o coração, agora sim brilhavam mesmo; cama de sobra pra dois, guarda-fatos, cadeira e até mesinha com duas gavetitas! ali era fácil: é só arredar a cama pr’á parede. –Debruçado, de barriga colada, na pequena janela, sentenciou: Parece um avião! –tem cuidado, filho, vou buscar o resto das coisas.

Assim desceu para subir ao céu mais duas vezes, só naquela manhã.

Incapacidade minha de comunicar

não me permitiu fazer o que queria


pique um e depois outro e...

é o que queria transmitir à autora

de tão louvável divulgação.


fica a brejeirice, resultado de uma tentativa falhada

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Dia_positivo 2

cada ponto de chegada é um ponto de partida
...
Como descrever aquele amontoado de casas predominantemente térreas confinadas por estrada e rua; abertas para pátios separados por muros que umas vezes eram outras não; que gente viveria ali e desde quando? uma família que crescera ao longo de gerações ocupando o terreiro, talhando-o em quintalitos ou pátios como mais lhe gostavam de chamar? O tempo, a seu tempo o revelará com certeza, ou melhor, talvez. Junto à rua contorcionada, varria um vulto negro, pá de zinco numa, vassourita descabada na outra mão. Rangendo foi-se levantando e rodando ao pressentir proximidade estranha. Quase erecta, inquiriu muda. –sou, depositando o carrego, a Maria Mota, como se a outra não o tivesse já adivinhado, de mão no rim, este é o Nereu –olha!, foi a resposta; -venham disse quando transpunha o muro por porta de tábuas rompido. É ali, disse.
Primeiro foram as duas viagens, para carregar até à porta semicerrada, ao canto, aquilo que afinal junto viera; depois, ao pôr a mão na aldraba de ferro, volteou a cabeça à procura… lá estava ele, ainda encostado à ombreira; só a cabeça franqueara o pátio, olhar perscrutando a pormenor, biqueira espetada cavando a terra, língua espetando, ora uma ora outra, as bochechas.
...